domingo, 9 de junho de 2019

"3GODS" no Teatro da Trindade até 16 de Junho


Está em cena no Teatro da Trindade até ao próximo dia 16 de Junho, o espetáculo "3GODS" que é escrito e encenado por Rui Neto (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2015/06/mario-lisboa-entrevista-rui-neto.htmle protagonizado por Luís Gaspar, Rodrigo Tomás e São José Correia.



Estreado no passado dia 9 de Maio, "3GODS" define-se como uma metáfora para os dias de hoje, onde os deuses se tornam refugiados numa Europa em crise, pronta a colapsar (eventualmente na iminência do domínio russo), tentando sobreviver como uma família de classe média. Para além da adaptação à realidade, sofrem a mesma crise de valores que o mundo à sua volta, mergulhados em conflitos, frustrações e mentiras, numa eterna busca por resgatar a memória. É um espetáculo que parte da família, como instituição para a criação de novos mundos, e as suas falhadas tentativas na busca de identidade. Encontra âncoras dramatúrgicas na mitologia, trazendo para cena o conflito de três divindades como personagens centrais.

São José Correia, Luís Gaspar, Rodrigo Tomás
São José Correia & Rodrigo Tomás
São José Correia & Luís Gaspar
Luís Gaspar
Rodrigo Tomás
Mário Lisboa

quarta-feira, 22 de maio de 2019

"Desculpa, Não Percebi" no Centro Cultural da Malaposta até 26 de Maio


Está em cena no Centro Cultural da Malaposta até ao próximo dia 26 de Maio, o espetáculo "Desculpa, Não Percebi" que é da autoria de Isabel Medina (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2011/09/mario-lisboa-entrevista-isabel-medina.html), Diana Costa e Silva e Rafaela Covas e protagonizado por Diana Costa e Silva, Rafaela Covas, Raquel Oliveira e DJ Tita Machado.


Estreado originalmente no Teatro da Comuna em Outubro de 2018, "Desculpa, Não Percebi" é um espetáculo em que as próprias intervenientes levantam e se interrogam sobre vários aspetos da vida. Questões como "Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós? Quantos sou eu? Quantos és tu? Quantos somos nós? Quero brincar. Queres brincar? Como é que te sentiste?" são levantadas e que definem os seus próprios caminhos.

Diana Costa e Silva
Rafaela Covas
Raquel Oliveira
Diana Costa e Silva, Rafaela Covas, Raquel Oliveira
Mário Lisboa

sábado, 18 de maio de 2019

"Tchékhov é um Cogumelo" no Teatro Nacional São João nos dias 18 e 19 de Maio


Estreia hoje no Teatro Nacional São João no Porto, como parte da programação deste ano do FITEI-Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, o espetáculo "Tchékhov é um Cogumelo", que foi estreado originalmente no Brasil em 2017, encenado por André Guerreiro Lopes e protagonizado por Helena Ignez (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2013/01/mario-lisboa-entrevista-helena-ignez.html), Djin Sganzerla e Michele Matalon.


Em 1900, Anton Tchékhov escreveu "As Três Irmãs", metáfora da crise do diálogo, da ação e do sonho, num tempo às portas da revolução que intuiu. Em "Tchékhov é um Cogumelo", André Guerreiro Lopes faz dela uma síntese poética e política, uma espécie de haiku sensorial onde ecoa o presente do seu país, "em que as pessoas se sentem presas num círculo de angústia e ansiedade em relação ao futuro". Três atrizes de gerações distintas (três irmãs ou a mesma mulher em três tempos da vida) trazem excertos da peça de Tchékhov para um espaço-tempo cuja tessitura se faz de elementos de texto, música, dança e recursos audiovisuais. Este "cogumelo" multimédia remete para o transe do tempo cénico, esse "agora" atemporal do teatro. Para ele contribui singularmente André Guerreiro Lopes, ao meditar na boca de cena durante todo o espetáculo, sendo a sua atividade cerebral transformada em impulsos elétricos que acionam uma instalação visual e sonora, interferindo na ação. Neste jogo cénico imiscui-se uma entrevista de 1995 ao diretor do Teatro Oficina, Zé Celso, feita pelo próprio encenador ainda jovem, sobre a montagem radical mas abortada de "As Três Irmãs" em 1972, em plena ditadura brasileira. Esse sonho de criação e memória de resistência elevam "Tchékhov é um Cogumelo" a um horizonte de esperança.









Mário Lisboa

sábado, 11 de maio de 2019

O Ator Imaginário com Christian Duurvoort


“O corpo é uma paisagem, as suas ações o Tempo. A Emoção é Movimento. Tudo o que se move é vivo!”

Representar é um jogo em que não existe vencedores e derrotados, sem dúvida, todos são criadores e ninguém é absoluto. A psicologia das personagens, os seus traumas, as suas carências, a sua existência, os seus conflitos servem para contar uma história com imagens. A obra é o resultado de uma relação criativa, um encontro entre atores, diretores e dramaturgia.

O Ator Imaginário é um Método criado por Christian Duurvoort para que atores e diretores desenvolvam os seus projetos artísticos. O Método propõe um caminho que fortalece a compreensão e apropriação da dramaturgia por indivíduos através da experiência cinestésica.

A Oficina Ator Imaginário propõe a atores e diretores um contacto aprofundado com o Método Ator Imaginário desenvolvido por Christian Duurvoort que é o resultado de mais de 30 anos de experiência como ator, encenador, realizador, preparador de elenco e pesquisador.

O Método Ator Imaginário é um conjunto de propostas, conceitos e exercícios que visam ampliar os recursos criativos dos atores para fortalecer a sua técnica, tornar a relação com o desenvolvimento do projeto mais prazeroso alcançando uma representação rica em nuances e imagens.

O Método Ator Imaginário tem sido amplamente aplicado tanto em atores experientes como inexperientes em diversas produções audiovisuais como, por exemplo, "Lixo" (2014), "Ensaio Sobre a Cegueira" (2008), "Capitães da Areia" (2011), "A Glória e a Graça" (2017), "O Banheiro do Papa" (2007), "Xingu-A Expedição" (2011), "Entre Nós" (2014), "A Estrada 47" (2015), "Noel-Poeta da Vida" (2006), "400 Contra 1-Uma História do Crime Organizado" (2010), "Jogo Subterrâneo" (2005), "Cidade dos Homens" (TV Globo), "3%" (Netflix), "Os Experientes" (TV Globo), "Destino: São Paulo" (HBO Brasil), "Filhos do Carnaval" (HBO Brasil) e "Pedro & Bianca" (TV Cultura).

Oficina Ator Imaginário

A Oficina é uma prática, trabalhamos com técnicas de representação aplicadas ao Cinema e técnicas de direção de atores a partir dos conceitos do Método Ator Imaginário. O principal objetivo é trabalhar com a consciência, prazer e menos desgaste, buscando qualidade e densidade na representação, cheia de subtilezas e um aproveitamento considerável do tempo de filmar.

A metodologia consiste em fortalecer o indivíduo (ator/atriz) no seu modo de pensar, de agir e de sentir, dando-lhe mais motivação e permitindo que o ator entregue-se à criação com convicção. As aulas seguem o caminho de uma preparação de elenco. Na oficina são utilizados exercícios físicos, respiratórios, jogos, improvisações, estudos de cenas para aumentar a concentração, a flexibilidade, a disponibilidade, a disciplina e a imaginação.

Os temas da oficina são: a técnica de representação no audiovisual, o tratamento com os atores, as necessidades dos atores, a dramaturgia, a construção da personagem, níveis de tensão e níveis de discurso.

A Oficina Ator Imaginário é destinada a atores e diretores.

Tudo é um exercício da Imaginação.

Metodologia

A Oficina Ator Imaginário segue o percurso de uma preparação de elenco. A proposta é composta por várias horas de trabalho prático e momentos teóricos onde os conceitos do Método são apresentados. Na oficina o espaço é compartilhado entre o debate sobre todas as nuances e camadas do trabalho do ator e as experiências individuais.

Inicialmente é dada atenção à técnica do ator: os aspetos físicos e especiais; o que cada um produz com a sua imagem e como produz; a relação com o espaço exterior, interior e interpessoal. Após é apresentado o Método Ator Imaginário, os seus conceitos teóricos que orientam a técnica e o caminho aplicado à criação que incluem a relação com a dramaturgia e a atitude diante da câmara e das diferentes propostas de linguagem.

Objetivos

a) Fortalecer o indivíduo e desenvolver os seus recursos técnicos e expressivos adequando o seu modo de representar às necessidades da linguagem audiovisual e adaptando a sua interpretação ao trabalho com câmara.

b) Apresentar o Método Ator Imaginário, a sua funcionalidade e as suas ferramentas para desenvolver uma representação rica em imagens, densidades e potencializar os recursos.

c) Instigar o participante a buscar propostas originais para construção das personagens e execução de cenas.

Programa da Oficina (20 horas)

Tema 1: Expansão/Concentração.
Introdução; Conceitos básicos; Exercícios de consciência corporal; Exercícios no espaço; O Silêncio; A Relação com a sua imagem.

Tema 2: Pressão, Tensão, Ritmo, Dinâmica.
A teoria do Método. Exercícios e jogos de relação; Análise de Movimento; A relação Tempo e Espaço.

Tema 3: Afetividade, Agressividade, Desejo, Afirmação, Intimidade.
A dramaturgia e a ação. Leitura de texto. Debate. Improviso.
Exercícios com câmara.

Datas e Horários da Formação: 10 de Maio das 19h00 às 23h00 | 11 e 12 de Maio das 10h30 às 18h30. O local da formação é nas instalações do Instituto das Artes e da
Imagem, Travessa General Torres, junto ao Cais de Gaia.


Mário Lisboa

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Mário Lisboa entrevista... Susana Sá

Natural do Porto, o interesse pela representação surgiu muito cedo na sua vida, iniciando um percurso artístico que já conta com duas décadas de existência e que pauta pela versatilidade e pela dedicação à profissão. O palco, segundo a própria, é onde mais consegue afastar-se e aproximar-se de si própria. Recentemente participou nas longas-metragens "Uma Vida Sublime", "Imagens Proibidas" e "Gabriel", e atualmente participa nas peças "Fantasmas?" e "Casal Aberto", que estão em digressão. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 4 de Abril.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
S.S: Desde cedo. Sempre gostei de contar histórias. E de ouvir histórias. Tive a sorte de crescer na presença de livros e filmes. Quando era miúda via tanto cinema em casa, filmes difíceis e inquietantes, Bergman, Dreyer, Antonioni, Visconti, Godard, por exemplo. Ser atriz foi uma decisão que surgiu como um prolongamento de algo que me era vital, quase como uma bolsa de oxigénio. A curiosidade e até necessidade (sou filha única) de me ocupar pelas histórias que falavam do mundo interior de outros que não eu, e consequentemente do mundo lá fora, da condição humana. Fui estudar teatro após me licenciar na área de estudos políticos. A vontade de intervir, de comunicar, de retirar as personagens dos livros e de as levar ao público, apesar de a literatura ser a minha grande paixão ainda hoje, foi mais forte. Acho que aprendi a falar com o teatro. Aprendi a ouvir, a ver. Ainda hoje o palco é o lugar mais paradoxal que conheço, é ali que mais consigo afastar-me e aproximar-me de mim própria.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
S.S: Admiro muito o trabalho da Isabelle Huppert, Cate Blanchett, Meryl Streep e, claro, da Liv Ullmann.

M.L: Houve algum trabalho em particular como atriz que lhe permitiu entrar na profundidade de uma personagem de uma maneira muito surpreendente?
S.S: Quando trabalhas uma “personagem” estás a trabalhar a tua subjetividade sobre uma narrativa e simultaneamente a abrir o teu campo de visão. São sempre os teus olhos sobre as coisas. Com isto quero dizer que são sempre as emoções, as sensações e os teus pensamentos que estás a requisitar e a agitar. Tive processos de trabalho mais fortes que outros, que me exigiram “uma observação” mais de perto. Acredito no efeito de contaminação, de osmose. É uma (des)arrumação contínua, interior e, por vezes, só depois é que tens noção dos seus reflexos, dos ecos que ficaram em ti dessas “personagens”.

M.L: Tem experiência no Ensino como professora e também na escrita. No que toca ao Ensino, teve alguma vez um momento “Clube dos Poetas Mortos” com os seus alunos?
S.S: Tive a sorte de ter dois professores de filosofia que me revelaram o prazer de pensar e um professor de português que nos lia livros como quem ama. Guardei uma imagem na minha memória, de o ver, encostado à janela da sala de aula, a ler-nos “Os Maias”. Era como se ele estivesse num outro lugar que não ali, um lugar maior e que eu desconhecia e no qual ele parecia muito feliz. E foi assim que li o romance do Eça, à procura daquele lugar. Mal sabia eu, nessa altura, que dez anos depois iria fazer a Maria Eduarda no Teatro Experimental do Porto, durante cinco anos. Felizmente reencontrei os meus professores e pude agradecer-lhes. Com os meus alunos, já tive momentos maravilhosos: sempre que algum deles me diz que ficou a pensar no que discutimos em aula e a conversa se prolonga pelo intervalo, ou quando uma aluna me diz que comprou um livro de que lhes falei, ou de cada vez que os vejo a seguir com muita atenção a imagem, o diálogo de um filme que lhes mostro, que os sinto ali, no presente, para mim vale a pena. Quero que eles se encantem com a vida, se comprometam consigo próprios. Não sei se pode afirmar que tenho experiência na escrita, já tive uma curta-metragem que escrevi num festival de cinema, um anúncio publicitário a passar nas rádios e um segundo prémio para um conto infantil que escrevi, mas são episódios esporádicos. Escrevo com frequência para as aventuras teatrais dos meus alunos, mas não tenho nada publicado.

M.L: Estreou-se na televisão como “Nicha” na telenovela “A Lenda da Garça” (RTP) em 1999. Vinte anos depois, como olha para a sua primeira experiência televisiva?
S.S: Tudo era novo, tudo era aprendizagem. Olho com muito carinho, como acho que devemos olhar para o nosso passado.


Susana Sá como "Nicha" ao lado de Maria João Guimarães
M.L: Recentemente participou na longa-metragem “Gabriel”, que marca a estreia do produtor Nuno Bernardo na realização de longas-metragens.
S.S: Sim, e gostei muito do resultado final, sou suspeita mas é verdade. É um filme com um ritmo diferente. É cru, é real. E o Nuno Bernardo dedicou muito tempo ao trabalho de interpretação do ator. E isso faz muita diferença. Para além de trocarmos impressões, tivemos o apoio da Karla Muga antes de iniciarmos as rodagens, tivemos ensaios, houve espaço para experimentar possibilidades.


Susana Sá e Sérgio Praia
M.L: Atualmente co-protagoniza a peça “Casal Aberto”, de Dario Fo e Franca Rame, que está em digressão. A seu ver, a escrita de Dario Fo está mais do que nunca atual?
S.S: Dario Fo foi Prémio Nobel, creio que este facto fala por si mesmo. As obras que nos deixou são altamente conscientes relativamente ao poder, com referências constantes às consequências práticas do abuso de poder, da falta de igualdade, liberdade e humanismo. E usou o riso como arma e veículo. A sua escrita continuará atual porque a injustiça e a diferença de tratamento, seja em relação ao género, em relação às classes sociais ou à gestão e distribuição de riqueza ainda continuam, em diferentes escalas e configurações, mas continuam. O homem é o lobo do homem e não basta alterar a lei, é imprescindível que os comportamentos acompanhem a sua evolução, é necessária a sua inscrição ética. Dario Fo sabia-o como podemos ler nos seus textos de teatro ou nas suas entrevistas. A peça foi escrita em 1982 e se havia alguma ponte temporal a construir, a encenação de Rui Dionísio e o cenário e figurinos da Ana Paula Rocha, fizeram-na. Gosto mesmo muito de fazer este espetáculo com o Eurico Lopes, há uma relação muito direta com o público, muito “olhos nos olhos”, muita cumplicidade e tem sido tão gratificante, tão bom.


Susana Sá e Eurico Lopes
M.L: Participou também, em 2019, nos filmes “Uma Vida Sublime” e “Imagens Proibidas”. Quais são os seus próximos projetos?
S.S: Sim, “Uma Vida Sublime” de Luís Diogo que ganhou uma quantidade de prémios lá fora, e “Imagens Proibidas” de Hugo Diogo, um filme sensível baseado num livro sensível de Pedro Paixão, que tive a oportunidade de conhecer e entrevistar. Quanto ao teatro, continuamos (TEatroensaio e Cendrev) com a digressão da comédia “Fantasmas?”, de Eduardo de Filippo. E com a digressão da comédia “Casal Aberto”, com a companhia Cegada - estaremos dias 27 e 28 de Abril no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo. Em meados deste mês começo os ensaios de “Bonecas”, com encenação de Ana Luena que vai estrear em Julho, no Porto, no TECA, depois estará no Teatro Garcia de Resende em Évora e, no próximo ano, no Teatro São Luiz, em Lisboa. Continuo com as minhas locuções e dobragens na RTP, a escrevinhar peças de teatro infanto-juvenis e a fazer investigação em artes performativas e audiovisuais na Faculdade de Letras de Lisboa (escrevemos o nosso primeiro livro o ano passado!).


  Susana Sá como "Graça" em "Imagens Proibidas"
Susana Sá e Eric da Silva, o protagonista de "Uma Vida Sublime".
M.L: Que conselhos daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
S.S: Respeito pela profissão, humildade, resiliência, paciência. E muita literatura. Ver muito cinema e teatro. Fazer investigação e estar disponível para procurar novas formas de abordar as (mesmas) questões. É indispensável sabermos de onde viemos, é importante percebermos quem somos, a nossa “identidade”, assim como é mais que fundamental estar atento aos outros, à questão da alteridade. O ato criativo, para mim, é um processo de dentro para fora. O ator é um aprendiz até ao fim, um profissional em constante construção, nunca está completo.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz?
S.S: Positivo, mas podia ser melhor. Sou mais feliz quando estou a trabalhar, é uma sina. Consegui, até hoje, manter a minha independência a trabalhar na área que escolhi mas ser ator, artista em Portugal é um duplo ato de resistência. A instabilidade instalou-se, não há horizonte nem rede. O panorama atual do teatro é da possibilidade de produção artística para cada vez menos artistas. Não se estão a criar pontes suficientes. Ganha o mais forte mas o mais forte não é necessariamente aquele que tem mais mérito. Penso que vivemos um quase-retrocesso.



Susana Sá como "Antónia Félix" na série "Massa Fresca" (TVI)
Susana Sá como "Barbara", ao lado de Duarte Gomes, na telenovela "Jogo Duplo" (TVI)
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
S.S: Tantas coisas. Vários autores e muitas viagens. Bem, já plantei uma árvore, agora falta o resto.ML

quarta-feira, 27 de março de 2019

Dia Mundial do Teatro: Marina Albuquerque


A actriz Marina Albuquerque é a autora do terceiro texto publicado no "Mário Lisboa entrevista...", a propósito do Dia Mundial do Teatro.

"Dia Mundial do Teatro

1% para a cultura! No fundo é o mais importante, os outros países da Europa têm anualmente atribuído à sua cultura, este valor ou maior, que vem do orçamento geral do estado! Portugal subiu de uns miseráveis 0,2% do orçamento do estado para a cultura para 0,25%! Chega, basta! É inacreditável as décadas de desprezo pela cultura que é a alma e o coração de um povo! O TEATRO sempre fez parte da vida dos portugueses, mas também ao longo dos tempos tem vindo a ser transformado num exercício para uma elite, cinco dias em cena no CCB, dois ou três dias na Culturgest, dez dias no Teatro Nacional, quinze no São Luiz, 7 no Rivoli são alguns exemplos. O público anónimo, não chega a perceber o que está em cena em Lisboa e no Porto! No resto do país é ainda mais difícil, a criação de companhias profissionais em todas capitais de distrito é ainda um sonho, pois os equipamentos estão lá, os centros culturais e antigos teatros foram construídos, recuperados e bem, numa época em que o orçamento para a cultura era maior que o actual, falta agora utiliza-los na sua plenitude! A minha geração deixou os programadores e agentes teatrais estrangularem a chamada “carreira” dos espectáculos, quem continua a fazer serviço público são as companhias mais antigas, com excepção do Teatro Meridional, por regra os criadores têm os seus espectáculos muito pouco tempo em cena, neste Dia Mundial do Teatro, era tão bom se fôssemos de facto mundiais, com a nossa língua que é a sexta mais falada no mundo! Viva a nossa classe, que respeito como a vida! Viva o Teatro! É hora!"

Mário Lisboa

Dia Mundial do Teatro: Suzana Borges


Continuando com a minha iniciativa de publicar textos individuais de pessoas com percursos artísticos diferentes, a propósito do Dia Mundial do Teatro, aqui deixo o segundo texto escrito pela actriz Suzana Borges que se estreou com a peça "O Despertar da Primavera"/"Tragédia Infantil", o clássico de Frank Wedekind, em 1979.

"Suzana Borges, 40 anos de carreira em 2019

Reflectir sobre 40 anos de carreira no espectáculo, é de algum modo assustador... Mas tenho por vezes, uma visão de mim própria, quando estou para entrar em cena, como de um plano picado, em que estou ali no teatro, com o palco e o público, e eu, numa alegria expectante, ali, à espera de entrar, e penso: ainda cá estou. Pois neste mundo do espectáculo, a sobrevivência é uma outra arte... Algumas coisas mudaram nestes 40 anos, mas devo ao meu grande mestre José Osório Mateus, com quem trabalhei na primeira peça “Tragédia Infantil” de Wedekind, o ter-nos preparado com tanta clarividência e sabedoria, e amor, para as nossas carreiras, e melhor ainda para o que pensar sobre elas e sobre nós nelas. Primeiro que tudo amor pelo trabalho, disciplina e método. O resto é a descoberta diária, e por vezes em saltos qualitativos, de como estamos nós naquele texto ou naquela situação. Não importa o tamanho do papel, mas sim o que o trabalho transforma em nós, e como nos transformamos na personagem. E estas regras de ouro centram-nos não no reconhecimento, ou na fama, mas numa criação, sempre in progress, de nós próprios e das condições de trabalho. Na posse delas, que nos conferem grande respeito por nós próprios, é mais fácil lutar contra a injustiça, a desqualificação e o demérito que a profissão tem sofrido. E depois, pensando retrospectivamente, há as memórias dos autores que fui fazendo: Borges, com o seu animismo panteísta, ou assim gosto de lhe chamar, Conrad, com as suas construções de ideias e palavras que nos levam para um sítio - como um remoinho - obscuro da nossa percepção e do mundo, Sacha Guitry, oh! que elegância inteligente e galante, Shakespeare, que só fiz enquanto recitante em ópera, em que as palavras e o dizê-las infundem uma alegria de passagem de testemunho de beleza, engenho, e arte. Noël Coward, mestria na rapidez, ritmo, e muita sofisticação na simplicidade, Wedekind, cujo mistério dos jovens adolescentes foi mais claro para mim em 79, do que agora quando o abordo. Claudel, em que linguagem nos eleva para uma transcendência espiritual e poética - comparável à natureza? Howard Brenton, poesia e horror na intimidade da linguagem, do pensamento e dos actos... Mishima, e o quanto a sua sonoridade e cultura japonesas, consegui habitar e viver na personagem, numa experiência de transformações múltiplas. E também a grande comunhão quando se representa autores vivos, como Luís Assis e Pedro Pinheiro, de poder perguntar-lhes: o que queres dizer com esta frase? O que sempre me interessou no teatro é a nossa capacidade de transmitir e deixar impressões no espectador de alguém que é uma personagem de ficção, que não somos nós. Essa transcendência e a grande aventura pressentida todas noites no escuro de antes de entrar em cena, do risco e da emoção, do novo. Do que nunca aconteceu, e que não sabemos como será.

Lisboa, 23 de Março de 2019

Mário Lisboa

Dia Mundial do Teatro: Carmen Santos


Hoje (27 de Março) é o Dia Mundial do Teatro. O Teatro é uma das minhas áreas artísticas de eleição e certamente a que melhor representa este ser versátil que é o actor. Ao longo destes últimos anos, eu tenho feito os possíveis e os impossíveis para, através do meu trabalho, dar voz aos que trabalham no meio artístico e a propósito deste dia em particular eu vou publicar textos individuais de pessoas com diferentes percursos artísticos. O primeiro texto foi escrito pela actriz Carmen Santos que celebra 45 anos de carreira profissional em 2019.

"A PROPÓSITO DO DIA MUNDIAL DO TEATRO

Em 1974 o TEATRO também mudou em Portugal.

Reivindica um estatuto de Serviço Público e expande-se por todo o território nacional. Integra-se nas campanhas de divulgação cultural em colaboração com as forças armadas. Fez-se teatro em salas, ao ar livre, em sociedades recreativas, em celeiros, em lugares urbanos ou fora deles. Há uma grande aproximação entre gente do teatro e o público. O espectador cresce ao lado dos agentes teatrais.

No final do século XX, porém, essa energia começa a esmorecer. Resistir, e não desistir, foi o que as circunstâncias exigiram. Companhias de teatro sossobraram, por contingências sociais, económicas, políticas... O teatro tem um cordão umbilical que nunca pode ser cortado – uma ligação indestrutível com a sociedade humana.

No século XXI a organização teatral é, efectivamente, diferente e diversa. Desapareceram as “companhias” teatrais, caracterizadas por um núcleo básico de cariz artístico, por um colectivo de actores. Agora existem núcleos de produção, de maior ou menor vitalidade, ou iniciativas circunstanciais de produção teatral, que cumprem projectos mais ou menos pontuais, com um contingente artístico arrebanhado de acordo com a necessidade.

As entidades teatrais de estado ou municipais seguem regras semelhantes - “acolhem” projectos externos que alimentam o seu currículo.

Muitos projectos acabam por ser estrangulados pelo agendamento mínimo que é oferecido. Em geral, há um desajuste grande entre o tempo de preparação (invisível para o público) e o exíguo tempo de exibição. O actor está a ser encurralado pela fraca visibilidade que lhe é concedida. E o espectador perde, eventualmente, a desejada e necessária capacidade de critério, na avaliação do visível.

Nota: Por favor, conservar o C nas palavras ACTOR e ESPECTADOR. De contrário, o actor não ata nem desata, e o espectador espeta sem critério."

Mário Lisboa

quinta-feira, 7 de março de 2019

"Hamlet(a)" no Teatro da Comuna até 10 de Março


Estreou no passado dia 7 de Fevereiro no Teatro da Comuna, a peça "Hamlet(a)" que é encenada por Hugo Franco e protagonizada por Maria Ana Filipe, Lia Carvalho, Diana Costa e Silva, Tânia Alves, Mónica Garnel (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2014/08/mario-lisboa-entrevista-monica-garnel.html), Margarida Cardeal e Custódia Gallego (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2016/06/mario-lisboa-entrevista-custodia-gallego.html).

Margarida Cardeal, Maria Ana Filipe, Tânia Alves, Mónica Garnel, Custódia Gallego, Lia Carvalho, Diana Costa e Silva
Com tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen, "Hamlet(a)" é uma abordagem diferente da clássica peça de William Shakespeare, com um elenco inteiramente feminino, e pretende mostrar outro ponto de vista, outra forma de sentir e abordar o texto. As histórias de Shakespeare e os seus temas são universais, com personagens que podem ser interpretadas por qualquer pessoa, de qualquer género, e é esse o propósito de "Hamlet(a)".

Maria Ana Filipe ("Hamlet") e Custódia Gallego ("Ofélia")
Maria Ana Filipe ("Hamlet") e Margarida Cardeal ("Cláudio")

Maria Ana Filipe ("Hamlet"), Tânia Alves ("Alertes"), Margarida Cardeal ("Cláudio"), Diana Costa e Silva ("Polónio") e Lia Carvalho ("Gertrudes")

Mário Lisboa

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

"Private Lives-Vidas Privadas" no Casino Estoril até 3 de Março


Estreou no passado dia 7 de Fevereiro no Casino Estoril, a peça "Private Lives-Vidas Privadas", de Noël Coward e encenada por Suzana Borges (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2016/05/mario-lisboa-entrevista-suzana-borges.html), que também protagoniza ao lado de Guilherme Barroso, Maria Dias e Martinho Silva.

Suzana Borges, Guilherme Barroso, Maria Dias, Martinho Silva
Escrita originalmente em 1930 e adaptada pela primeira vez ao cinema no ano seguinte, "Private Lives-Vidas Privadas" retrata o amor nas suas mais quentes, e mais frias, expressões. Amanda (Suzana Borges) e Elyot (Martinho Silva), divorciados há cinco anos reencontram-se por acaso, com novos esposos (Guilherme Barroso e Maria Dias), em segunda lua de mel num hotel em Deauville. Quando a chama entre eles se reacende, fogem juntos para Paris, onde uns dias mais tarde os novos esposos os vêm procurar.

Suzana Borges e Guilherme Barroso

Suzana Borges e Martinho Silva

Suzana Borges, Guilherme Barroso, Maria Dias e Martinho Silva no fim de uma sessão da peça
Mário Lisboa

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Mário Lisboa entrevista... Diana Roquette

Iniciou-se na produção audiovisual aos 30 anos, quando lhe pediram ajuda para produzir um anúncio, e desde então tem desenvolvido um percurso artístico muito prolífico que inclui a passagem por diferentes produtoras como, por exemplo, as antigas Miragem e NBP. Em Novembro de 2014, lançou-se no maior desafio da sua vida e fundou, juntamente com a produtora Marta Lima, a agência/produtora Agente a Norte que junta as duas vertentes de agenciamento de atores, neste caso do Norte do país, e da produção de conteúdos audiovisuais. Esta entrevista foi feita na sede da Agente a Norte no Porto.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo audiovisual?
D.R: Foi por acaso. Foi quando comecei a ser produtora. Eu já tinha cerca de 30 anos, nunca me tinha passado pela cabeça, e pediram-me ajuda para produzir um anúncio, onde entravam alguns dos meus filhos como atores, e eu comecei a ajudar na produção e senti-me completamente à vontade. Percebi que tinha jeito, e depois começaram a investir em mais coisas, e quando dei por isso já estava a trabalhar como produtora na Miragem (atual Hop Filmes).

M.L: Quais são as suas referências nessa área?
D.R: Talvez tenham sido os trabalhos que eu fiz primeiro na Miragem como produtora. Também um programa, “Clube dos Totalistas” (RTP), onde eu fazia tudo praticamente sozinha, que era muito giro, com a minha querida amiga Cristina Esteves, e que era sobre as pessoas que ganhavam o Totoloto e aquilo que elas faziam com o dinheiro. Foram bastantes naquela altura. Depois disso, as minhas referências, em termos audiovisuais, são boas séries portuguesas e estrangeiras, bons filmes, etc.


M.L: De tudo o que tem feito até agora a nível profissional, qual é a parte do seu percurso que guarda com muita estima?
D.R: É muito difícil. Eu adorei os meus anos na Miragem. A seguir, fiz produção de novelas na antiga NBP. Fazia também produção de publicidade na Nova Imagem e depois na Show Off Films que era parte da produção da Nova Imagem. Na verdade, eu posso dizer-te que cada vez que eu estava bastante tempo a fazer novelas, tinha saudades da publicidade. Quando eu estava a fazer publicidade durante um tempo, ficava com saudades de fazer novelas/ficção. Portanto, alternava entre as duas coisas sempre com muito prazer.

M.L: Que recordações guarda do tempo em que trabalhou na NBP (atual Plural Entertainment Portugal)?
D.R: Eu adorava. Ainda estão lá pessoas que trabalharam comigo naquele tempo, e fiquei com amigos para toda a vida que, entretanto, até encontro noutras produções e noutras coisas, e agora, como agente, vou encontrando nas produtoras que contratam os nossos atores e até, às vezes, quando vêm ao Porto trabalhar.

M.L: Nasceu em Lisboa e vive no Porto desde os dois anos de idade. Como olha, hoje em dia, para a cidade?
D.R: Eu gosto do atual Presidente da Câmara (Rui Moreira), porque é uma grande mudança e uma grande evolução em relação ao anterior, em termos culturais. Tivemos muita sorte, porque, neste momento, o Rui Moreira é um homem verdadeiramente interessado na cultura da cidade ao contrário do que era o Rui Rio. Portanto, é uma lufada de ar fresco e estou muito contente com o que se tem passado e espero que se continue a passar durante mais tempo e que isto seja só o início. A cidade está a crescer e isso nota-se. As pessoas estão mais evoluídas, têm mais acesso à cultura e acontecem mais coisas. Há uma coisa muito importante que eu gostava de enaltecer que são as nossas escolas de teatro, de cinema. Muito boa gente sai daqui para ir trabalhar por este país fora, e há muito boas escolas e muito boa formação.

M.L: Co-fundou a agência/produtora Agente a Norte que iniciou a sua atividade em Novembro de 2014. Como é que tem sido para si a sua evolução?
D.R: Nós temos feito tudo o que podemos para chamar a atenção para os atores do Norte do país, a todos os níveis. Já conseguimos muito, já conseguimos, pelo menos, centralizá-los aqui, portanto quando alguém vem filmar ou fazer qualquer coisa ao Porto sabe que na Agente a Norte encontra bons atores e que vale a pena conhecer e isso não existia. Por outro lado, também tentamos levá-los para fora desta centralização e deste mundo pequenino que é o Porto e dá-los a conhecer ao resto do país e aos poucos temos conseguido. A generosidade dos atores do Porto é muito grande, é diferente, portanto eles levam-se uns aos outros e a certa altura fazem mesmo questão de conversarem entre eles quando estão nas suas produções, de darem a conhecer os colegas, de falarem sobre os colegas. Essa rede de contactos acaba por ser muito importante e estabelece aqui uma rede que ajuda todos.

M.L: Iniciou o seu caminho artístico aos 30 anos. Qual foi para si a parte boa ou menos boa que foi determinante para este caminho?
D.R: É engraçado que me perguntes, porque a parte menos boa foi uma parte antes de criar a Agente a Norte, onde eu estive parada. Trabalhava numa empresa e não correu bem. Era empregada e fiquei sem saber o que fazer e, parecendo que não, às vezes esse impasse dá origem a qualquer coisa muito boa e neste caso foi a Agente a Norte. Foi o não saber o que fazer e haver uma paragem na vida. De repente, há um estalido e vamos mudar de rumo e vamos fazer outras coisas. E mudamos eu e a Marta (Lima) e resolvemos montar a agência que nos dá um gozo enorme, porque na verdade é um sonho. Significa que podemos fazer a diferença e isso é muito bom. Mas, acima de tudo, porque continuamos a poder fazer os nossos trabalhos de produção e a agarrar trabalhos de produção, que também é um gozo, porque não precisamos de deixar de fazer umas coisas para fazer outras.

Marta Lima & Diana Roquette
M.L: É mãe do ator Pedro Roquette. Sendo mãe e também agente dele, sente-se aliviada pelo que o seu filho tem feito até agora?
D.R: Sim, claro que gostava que ele fizesse muito mais, mas também gostava que todos os outros agenciados fizessem muito mais. Mas o facto de ter um filho ator e o facto da Marta ter um marido ator (Pedro Frias), ajuda-nos muito a perceber quais são os verdadeiros problemas que eles têm e também ter a visão deles das coisas. Não ser só uma visão económica ou eventualmente uma visão de produção e de produtora. Em relação ao Pedro, ele é sempre um orgulho, mas é um orgulho como filho e é um orgulho como um todo.


M.L: Assumiu diferentes funções no meio audiovisual. Gostava de um dia assumir, por exemplo, a realização ou a escrita?
D.R: A escrita mais um bocadinho, porque gosto de escrever, mas não me imagino a escrever um argumento com pés e cabeça e com bons diálogos. A realização também não. Acho que como produtora tenho um espírito super-prático, portanto dificilmente teria a criatividade que se exige num realizador. São atos completamente diferentes. Acho que a minha capacidade é tornar possível o que o realizador imagina. Ele conta o que imagina e nós, com o nosso espírito pragmático, tentamos pôr aquilo em prática. É muito mais essa a minha função.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira artística?
D.R: Que se prepare para ouvir muitos “nãos”, que se prepare para ter muitas desilusões, e que seja muito resiliente, persistente e capaz de se levantar todos os dias com um ânimo diferente.

M.L: Que balanço faz do percurso profissional que tem desenvolvido até agora?
D.R: Eu já passei por tantas fases diferentes na vida que acho que francamente tive um bom percurso e uma boa vida profissional. Acho que foi muito interessante e que dificilmente imaginaria quando comecei que poderia ser tão interessante, portanto estou contente.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
D.R: O que eu adorava neste momento era que a agência tivesse o maior sucesso e que os nossos atores conseguissem todos mostrar o seu talento por este mundo fora e por este país fora e que fossem reconhecidos. Isso seria altamente gratificante.ML