Entrevista com... Ruy de Carvalho (Ator)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Mário Lisboa entrevista... Isabel Medina
Olá. A próxima entrevista é com a atriz Isabel Medina. Desde muito cedo que se interessou pela representação tendo desenvolvido um longo e respeitado percurso como atriz (onde passou pelo teatro, pelo cinema e pela televisão da qual entrou em produções como "Na Paz dos Anjos" (RTP), "Esquadra de Polícia" (RTP), "Lusitana Paixão" (RTP), "Morangos com Açúcar" (TVI), "A Outra" (TVI) e "Meu Amor" (TVI), escritora, encenadora e diretora de atores (função que teve recentemente na telenovela "Sedução" (TVI) e atualmente está a trabalhar como encenadora na peça infantil "O Guardião dos Sonhos" de Pedro Cavaleiro que vai estrear no próximo dia 1 de Outubro no Clube Estefânia em Lisboa. Esta entrevista foi feita por via email em Maio passado.
M.L: Recentemente, foi diretora de atores da telenovela “Sedução” (TVI). Como correu este trabalho?
I.M: Com extremo empenhamento e extremo prazer. Uma novela cujo texto apresentava muitos desafios para os atores, personagens complexas, cenas difíceis e diálogos muito bons. Os condimentos ideais para trabalhar com os atores a 100 por cento e foi isso que fizemos. Dirigir é também conhecer cada ator, as suas potencialidades e as suas fragilidades. E foi através desse conhecimento do outro que cada vez mais arriscamos para conseguir o melhor resultado.
M.L: O que a levou a aceitar o convite para fazer a direção de atores da telenovela?
I.M: O fato de ser um trabalho que me realiza bastante e de que gosto muito com uma equipa ótima e um elenco de eleição.
M.L: “Sedução” é da autoria de Rui Vilhena. O que a cativa na escrita dele?
I.M: A imprevisibilidade do que acontece, a não linearidade da história, os temas controversos, os diálogos brilhantes.
M.L: Como foi trabalhar com o elenco?
I.M: Como já disse, foi um prazer. Eles aprendem comigo e eu com eles. Delicioso ver um elenco empenhado em dar o tudo por tudo.
M.L: Faz direção de atores em televisão com regularidade há poucos anos. Este é um tipo de trabalho que lhe dá prazer em fazer?
I.M: Muito. Comecei em 2001 com uma novela da RTP e desde então tenho aceite alguns convites. Não o faria se não gostasse verdadeiramente.
M.L: Qual foi o trabalho em direção de atores em televisão que a marcou até agora?
I.M: A “Ilha dos Amores” (TVI). Talvez pelos Açores, talvez pelo elenco com gente ainda inexperiente, mas com muita garra que agora são atores de primeira linha. Tive imenso gosto em ajudar a formar atores como a Joana Santos, a Diana Nicolau, o Pedro Teixeira, a Mafalda Pinto, a Rita Tristão (da Silva).
M.L: Antes de “Sedução”, integrou o elenco da telenovela “Meu Amor” (TVI). Que balanço faz da sua participação neste projeto?
I.M: Foi um desafio interessante fazer a taxista cheia de energia e ao mesmo tempo amargurada e com mau feitio. Permitiu-me registos que ainda não tinha experimentado e de que gostei muito.
M.L: “Meu Amor” ganhou o Emmy Internacional na categoria de Telenovela no passado Novembro. Como vê este triunfo?
I.M: Mostra que a ficção em Portugal está a par da ficção em todo o mundo e que pode competir com os melhores. Somos (a nível da produção e da técnica e do ponto de vista artístico) tão bons ou melhores como países em que a telenovela já leva anos de avanço em relação a nós.
M.L: Como vê o futuro da ficção nacional, depois da conquista do Emmy?
I.M: Continuar sempre a fazer melhor. Temos tudo para isso. Concorrer aos festivais, porque já mostramos que somos bons. Mais duas séries portuguesas já arrebataram outros troféus lá fora.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação e pela escrita?
I.M: Dizem que se nasce com uma vocação. Eu julgo que em parte é verdade. Desde muito criança (3/4 anos) que escrevo e faço teatro. Apesar de ter querido apaziguar a família que é muito conservadora licenciando-me em duas áreas distintas (Germânicas e Psicologia Aplicada) sempre tive como objetivo tornar-me atriz e escrever. Assim, embora já tardiamente (tinha 28 anos) acabei por terminar a Escola Superior de Teatro e Cinema e lançar a minha carreira.
M.L: Durante o seu percurso também passou pelo ensino. Por exemplo, fundou em 1976 juntamente com Guilherme Filipe e outras pessoas, o English Teaching Group que foi um projeto-piloto do Ministério da Educação para o ensino de inglês através do jogo dramático e fundou em 1980 juntamente com Guilherme Filipe, Rogério de Carvalho e outros professores, o Grupo de Comunicação e Teatro no âmbito da formação de professores em ensino multidisciplinar. Que balanço faz da sua passagem pelo ensino?
I.M: A minha passagem pelo ensino (que durou 15 anos) teve a ver com as licenciaturas e o mestrado que tirei para agradar à família. Mas como o meu alvo era o Teatro frequentei um curso específico da BBC em Londres para apresentar ao Ministério da Educação, um projeto de formação de professores com base nas técnicas dramáticas e teatrais. Projeto aprovado, desafiei vários professores com os mesmos objetivos e formamos os referidos Grupos. Esse projeto multidisciplinar obteve um grande sucesso nas Escolas de todo o país e acima de tudo demonstrou (em turmas-piloto) ser um motor de sucesso escolar. Pena que o Ministério não tenha continuado com outros elementos, o trabalho que deixámos para nos dedicarmos a tempo inteiro à profissão de atores ou encenadores.
M.L: Atualmente é diretora da companhia Escola de Mulheres que fundou juntamente com Fernanda Lapa. O que a levou a fundar a companhia?
I.M: Havia na altura em que formamos a Escola de Mulheres-Oficina de Teatro, uma forte lacuna na direção das companhias de Teatro: quase todas elas eram dirigidas por homens que programavam de acordo com o seu gosto ou seja sempre de um ponto de vista masculino. Nós queríamos divulgar uma série de autoras importantíssimas cuja “voz” nunca tinha sido ouvida em Portugal. E queríamos abrir portas a equipas técnicas formadas por mulheres. Assim nasceu a nossa companhia. Neste momento, temos uma equipa técnica de mulheres e já apresentamos um repertório muito completo das maiores autoras contemporâneas.
M.L: Durante o seu percurso como atriz fez teatro e televisão, mas pouco cinema. Gostava de ter trabalhado mais nesse género?
I.M: Entrei em alguns filmes, mas realmente sem muita expressão. As oportunidades não surgiram, mas estou sempre a tempo. Porque gosto realmente de fazer cinema.
M.L: Teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que lhe dá mais gosto em fazer?
I.M: Não tenho um preferido. São meios diferentes, técnicas diferentes, mas que dão imenso gozo. Adoro as câmaras, mas também adoro o público, senti-lo, mexer com ele. Nunca serei capaz de escolher apenas um.
M.L: Desde “Na Paz dos Anjos” (RTP) que é uma presença regular nas telenovelas. Este é um género televisivo que gosta muito de fazer?
I.M: Muito. Gosto da adrenalina, do tudo por tudo, da entrega total. Porque em novela, não há tempo de ensaios como no Teatro, não há tempo em “plateau” para grandes concentrações. É atirar-se com tudo o que temos com as nossas emoções, sem pensar, sem nos defendermos, sem preconceitos. E o resultado, quando tudo isto é verdade, é muito bom.
M.L: Como lida com a carga horária, quando grava uma telenovela?
I.M: Chego ao final esgotada. Chegamos todos. Mas quem corre por gosto, não cansa! Enquanto corremos por gosto, esquecemos o desgaste. Quando tudo acaba é que ele se abate sobre nós!
M.L: Qual foi a personalidade da representação que a marcou tanto como atriz, encenadora e escritora?
I.M: Tenho muitas referências em todos esses campos. Tenho atores cujas cenas em determinados filmes vejo e revejo, porque são autênticas lições da arte de representar. Vejo muito teatro por esse mundo fora e em Portugal tento ver tudo. Como escritora, leio e torno a ler muitos autores que me marcaram e continuam a marcar e estou sempre a procurar novos bons autores. Não há uma ou duas personalidades que me tenham marcado, mas muitas.
M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
I.M: Vejo com entusiasmo. Cada vez são mais, os bons profissionais nessas áreas. O público acorre às salas de Teatro e as audiências da ficção nacional são boas. Espero que a crise não chegue à Cultura. A ideia peregrina de voltar atrás, deixando de haver Ministério da Cultura e passando a existir uma Secretaria de Estado só pode vir de gente analfabeta sem qualquer rasgo em relação ao que é o poder que Portugal poderá ter no Mundo através das Artes. Somos um povo de artistas. Lá fora reconhecem-nos. Infelizmente, a geração de políticos que temos tido que acabou a faculdade à custa de passagens administrativas com falta de cultura e de visão tem tentado contrariar a força emergente dos nossos artistas. Mas é só ver o impacto que temos no estrangeiro para perceber que uma das mais-valias deste país é exatamente a Cultura.
M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
I.M: Claro! E tive essa oportunidade na BBC. Mas já tinha o meu filho (fui mãe muito nova) e achei que não tinha o direito de o arrancar ao meio a que estava já habituado e leva-lo para um país diferente. Não sei se fiz bem ou mal. Hoje talvez tivesse decidido de outra maneira.
M.L: Qual foi o trabalho que a marcou tanto como atriz, encenadora e escritora?
I.M: Como atriz foi sem dúvida “O Pai” de (August) Strindberg para a RTP. Um papel tremendo que (acho) representei muito bem. Como encenadora “Marcas de Sangue”. Como dramaturga “África”.
M.L: Que balanço faz da sua carreira?
I.M: Fiz sempre o que gosto com entrega, com empenho, com alegria. Pode pedir-se mais? Que continue sempre assim. Não quero fazer por fazer. Mas por prazer.
M.L: Qual foi o momento que a marcou tanto como atriz, encenadora e escritora?
I.M: Tenho a felicidade de ter muitos momentos marcantes e altos na minha vida. Não sei escolher. Pude trabalhar com grandes atores tanto enquanto atriz como enquanto encenadora. Pude trabalhar com os melhores encenadores e realizadores. E tive a imensa sorte de escrever para os melhores também.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
I.M: Um espetáculo infantil lindíssimo “O Guardião dos Sonhos” do Pedro Cavaleiro é a minha próxima encenação. Estou a acabar de escrever um telefilme para a TVI e vou entrar em dois telefilmes e na próxima novela, tudo TVI! Entretanto, terei o prazer de fazer parte do júri da seleção oficial do Festróia, o que me vai permitir ver filmes que não teria oportunidade de ver nas salas de cinema.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
I.M: Tirar meio ano para viajar pelo mundo com tempo para conhecer bem as gentes e as culturas de cada país.
M.L: Se não fosse a Isabel Medina, qual era a atriz ou escritora que gostava de ter sido?
I.M: Não ser a Isabel Medina faz-me muita confusão. Posso dizer quem é a minha atriz favorita: a Meryl Streep. E o meu escritor: o Nikos Katzanzakis.ML
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Mário Lisboa entrevista... Elisabete Piecho
Olá. A próxima entrevista é com a atriz Elisabete Piecho. Estreou-se na representação em 1984 com a peça "O Guloso Mentiroso", mas profissionalizou-se em 1989 ao integrar a companhia O Bando tendo desenvolvido um percurso que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Morangos com Açúcar" (TVI), "Casos da Vida" (TVI), "Flor do Mar" (TVI), "Deixa Que Te Leve" (TVI) e "Mar de Paixão" (TVI) e atualmente entra na série publicitária da operadora de cabo Meo "Fora da Box" que é protagonizada pelos Gato Fedorento. Esta entrevista foi feita por via email em Abril passado.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
E.P: O meu interesse pela representação surgiu não muito cedo. Estava no ano de 1984. Morava em Sacavém, onde havia uma cooperativa. Nesta haviam algumas atividades nomeadamente dança jazz, clássica, teatro amador, música, etc. Comecei por me inscrever na dança, na clássica e na jazz e um dia vinha a descer as escadas e espreitei a sala, onde estavam a decorrer ensaios de uma peça e fiquei. A primeira peça que fiz era uma peça infantil “O Guloso Mentiroso” escrita e encenada por Fernando Loureiro. E em 1989 profissionalizei-me. Integrei um grupo profissional O Bando.
M.L: Fez teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que lhe dá mais prazer em fazer?
E.P: O que me dá mais prazer é fazer teatro. Cinema e TV têm um tempo diferente, uma respiração diferentes. Mesmo assim, o cinema também é muito interessante, pois temos mais tempo, é feito com mais calma, temos tempo para estudar o guião, as cenas são filmadas com mais calma. Na TV, as novelas e as séries ultimamente são programas que têm de ser feitos a correr, pois a concorrência é feroz. Faço o melhor que posso, respeito, mas é um prazer diferente.
M.L: Qual foi o trabalho num destes géneros que a marcou, durante o seu percurso como atriz?
E.P: Todos os trabalhos nos deixam qualquer coisa ou pelo conteúdo ou pelas pessoas com quem trabalhamos sejam elas atores, encenadores ou realizadores.
M.L: Como lida com a carga horária, quando grava uma telenovela?
E.P: Quando estou a fazer uma novela se só entro em alguns episódios não ocupa muito o meu tempo, mas se a personagem tem alguma continuidade como por exemplo na novela “Deixa Que Te Leve” (TVI) que tinha gravações em estúdio e exteriores nomeadamente em Arcos de Valdevez é um pouco mais cansativo. Ia para Arcos com o motorista e mais colegas, ficava-mos o tempo necessário e depois regressava-mos com o motorista. Se eventualmente em Lisboa estivesse a fazer outra coisa, pois teria que avisar antecipadamente os meus chefes da Plural (pois é esta a empresa da TVI encarregue de fazer estes programas).
M.L: Um dos seus trabalhos mais marcantes em televisão foi o telefilme “O Amor Não Escolhe Idades” da série “Casos da Vida” (TVI), onde interpretou a personagem Mimi. Que recordações leva desse trabalho?
E.P: É engraçado tu dizeres que o telefilme “O Amor Não Escolhe Idades” foi o trabalho mais marcante em televisão, talvez foi o que foi mais publicitado ou mais visto devido aos atores que nele entravam. Pois, logo a seguir fiz um “Casos da Vida” que era “A Decisão”. Entrava eu, o João Lagarto, a Leonor Seixas e o Nuno Melo e aí sim éramos protagonistas, foi em 27/09/2008. Mas, de qualquer forma levo boas recordações, gostei de trabalhar com a equipa.
M.L: Este ano celebra 27 anos de carreira desde que começou como atriz amadora com a peça “O Guloso Mentiroso” em 1984. Que balanço faz destes 27 anos?
E.P: Pois, 27 anos de carreira se é que se pode chamar carreira a um percurso cheio de altos e baixos. Tem sido muito difícil para mim, pois tenho muitos momentos em que estou desempregada. Mas, estou contente, porque tudo o que fiz foi feito com prazer. Pois, tenho sorte em fazer uma coisa que gosto.
M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
E.P: Fiz alguns trabalhos com realizadores e encenadores estrangeiros, o que me deu muito gozo, aprendi muito com eles e tenho a certeza que eles gostaram de trabalhar comigo, embora eles não me conhecessem, nem eu a eles. Mas, isso é que é interessante para mim: estar disponível, arriscar, só assim que se aprende. Gostaria de ter trabalhado lá fora, mas nunca calhou. Pode ser que um destes dias, nunca se sabe.
M.L: Já trabalhou em Braga. Que recordações leva do tempo em que trabalhou lá?
E.P: Gostei de trabalhar na companhia de teatro de Braga, pois tive oportunidade de fazer autores e personagens fantásticas e como estive lá por vários períodos fiz muitos bons amigos na cidade e no teatro claro.
M.L: Qual foi a figura da representação que a marcou, durante o seu percurso como atriz?
E.P: Houve três peças que me deram muito prazer fazer. “Depois da Tempestade”, uma peça escrita pelo dramaturgo espanhol Sergi Belbel encenada por Inês Câmara Pestana no Teatro do Século em Lisboa. Eu fazia a diretora de uma empresa. Depois em Braga, encenado por Rui Madeira fiz um monólogo escrito por um escritor romeno que vivia em Paris, nessa peça fazia uma freira. E também em Braga, fiz uma peça chamada “Praça de Touros” escrita e encenada por Alexej Schipenko, um escritor, encenador e músico que vive em Berlim. Era um espetáculo muito violento, por isso só se faziam 3 representações por semana.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
E.P: Pois, projetos não tenho. As coisas não estão fáceis, mas vou continuando.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
E.P: Também não tenho assim nada de especial que gostasse de fazer e gosto muito de ser quem sou.
M.L: Se não fosse a Elisabete Piecho, qual era a atriz que gostava de ter sido?
E.P: A Elisabete Piecho.ML
domingo, 28 de agosto de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)

