Entrevista com... Isabel Canha (Jornalista/Escritora)
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Mário Lisboa entrevista... Fernanda Brito
Olá. A próxima entrevista é com a produtora de moda e jornalista Fernanda Brito. Começou por ser figurante e posteriormente atriz e modelo tendo concorrido ao passatempo "Seja Finalmente Uma Manequim" do programa "86-60-86" (RTP), o que a levou à agência Central Models, mas a pressão de viver uma vida mais mediática levaram-na a deixar a carreira como atriz e como modelo para se dedicar a uma carreira nos bastidores do mundo do espetáculo sendo atualmente produtora de moda e jornalista, mas também escritora. Esta entrevista foi feita por via email em Novembro passado.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela moda e pelo jornalismo?
M.L: Como é que surgiu o interesse pela moda e pelo jornalismo?
F.B: Bem Mário, com os meus cerca de 17 anos concorri a um passatempo que se chamava “Seja Finalmente Uma Manequim” do programa “86-60-86” (RTP). Nessa altura, fiquei escolhida para as 10 finalistas de entre mais de 2500 candidatas. Dessas, cerca de 5 tiveram direito a “prémio” sendo que tecnicamente só a vencedora seria de fato premiada, mas na altura 5 raparigas foram escolhidas para ficar agenciadas: 4 para a Elite e eu para a Central Models. Tudo começou nessa altura pela mão da Mi e do Tó Romano que em mim decidiram apostar. Na altura eu já trabalhara em televisão como figurante e posteriormente como atriz, mas a moda era algo que me fascinava e então (como era de fato muito magra) aproveitei para tentar a minha sorte (que não foi muita, porque a concorrência era de fato feroz), ainda assim ainda cheguei a fazer bastantes trabalhos inclusive com manequins que eu na altura me limitava a admirar. Foi uma experiência giríssima. Guardo boas memórias! Mas… tanto a nível da representação, como da moda todo aquele universo levava demasiado de mim e como eu sou uma pessoa tímida (ainda que muito comunicativa) optei por abandonar todo o percurso que havia começado para me dedicar a uma outra grande paixão que tinha: a da escrita, pois todos aqueles holofotes da “fama” apontados para mim tinham-me feito perceber que o que eu gostava mesmo era de trabalhar nos bastidores do mundo artístico e não como protagonista e então em 1998 fiquei 2 anos enfiada em casa a escrever poesias e a repensar o que queria para a minha vida. Lembro-me de pensar: “Um dia, estas poesias vão ser transformadas em canções e vou ter Portugal a cantar o que sinto”. E assim foi: quando terminei uma obra a que chamei “Porto Fado” fiz chegar esse trabalho à Universal (antiga Polygram) e eles decidiram agendar uma reunião comigo no sentido de fazer de mim uma autora de letras. Depois as coisas foram acontecendo e eu fui escrevendo cada vez mais e para mais gente e para mais coisas: telenovelas, séries, publicidades, etc. O que escrevia passou a assumir-se como a minha atividade principal e desde então prometi a mim mesma que jamais deixaria de escrever. Entretanto, fui agente de artistas e o trabalho de produção de moda surgiu na sequência dessa atividade. Sempre que as minhas agenciadas eram chamadas para uma produção para uma revista, eu fazia questão de ser eu a produzir, pois não gostava do que lhes vestiam ou da forma como escolhiam os cenários e os penteados, etc. Achava sempre que nada daquilo tinha a ver com o perfil da pessoa que tinham frente-a-frente. E então, comecei eu a fazer todo esse trabalho e a adorar cada vez mais fazê-lo. Na verdade, o bichinho da moda tinha ficado comigo e então, tudo o que aprendi a nível de formação e toda a experiência que tive ficou-me retida na memória e começava nesse momento a despoletar. O resultado foi que as próprias revistas começaram a contactar-me e eu dizia sempre que não era produtora, que era agente, mas a certa altura aceitei o desafio lançado pela revista Corpo de Mulher na pessoa da sua diretora de então, a jornalista Sara Cunha Ferreira que de fato me fez mudar de ideias. Desde então (creio que já terão passado uns 5 anos) que sou de fato produtora de moda. Já o jornalismo surge na sequência da minha vontade de entrevistar as mulheres que produzia neste caso para a Corpo de Mulher. Na altura, a diretora deu-me essa oportunidade e desde aí também nunca mais parei de escrever artigos jornalísticos paralelamente às letras que sempre vou escrevendo.
M.L: Qual foi o trabalho que a marcou tanto como produtora de moda e como jornalista?
F.B: Bem, na verdade todos os trabalhos que faço marcam-me sempre de uma forma ou de outra, porque todo o processo de criação artística que envolvem (no caso da produção de moda e também de investigação no caso do jornalismo) levam bem mais de mim do que unicamente propriedade intelectual, pois levam também sentimento. Fico ligada a todos os trabalhos que executo ainda que no campo jornalístico não o possa manifestar e no campo da moda isso não transpareça para o grande público. Mas já tive alguns trabalhos e pessoas que me marcaram muito sim como é o caso do fotógrafo Daniel Pedrogam que começou o seu percurso profissional comigo. A história é muito curiosa e tem sido sobejamente falada na imprensa nacional. Esta é sem dúvida alguma a história mais marcante! O Daniel era até à poucos anos, o coveiro mais jovem de Lisboa. Nos tempos livres, lá ia fotografando os modelos possíveis que eram os gatos que habitavam os cemitérios, as campas, os jazigos e as velhotas e góticos que por lá passavam também. Certo dia, uma amiga minha que tem por hábito fazer de modelo para sessões de portfolio dos fotógrafos postou no Facebook, uma dessas sessões desta feita fotografada pelo Daniel. A ideia era gira e tal, mas na verdade eu focalizei-me mais no que vi e que de fato me impressionou: A capacidade artística que ele manifestava nas fotos que tirava nos cemitérios. A sensação que tive foi impressionante. Nunca tinha visto ninguém conseguir dar de tal forma alma a cenários tão mórbidos e tristes… Decido contacta-lo e desafia-lo para me fotografar, pois tinha em mente convida-lo para fazer comigo o seu primeiro trabalho profissional: um catálogo internacional de noivas para o Grupo Noiva que estaria disponível em cerca de 9 países do mundo! A sessão comigo correu às mil maravilhas e foi tempo depois de o levar para o terreno para ele treinar fotografar vestidos de noiva que em termos de luz são bastante difíceis de iluminar. Ao primeiro disparo, fundiram-se as lâmpadas, pois ele havia levado um gerador usado nas obras e que tinha demasiada força para as luzes. Foi uma estreia em grande estilo (risos). Depois disso, passei 3 meses a lutar pela confiança do Daniel no trabalho que ia fazer. Ele estava apavorado com a ideia e o meu cliente também já que eu insistia em alguém que nem portfolio tinha. Mas valeu a pena. O trabalho ficou fantástico e a imprensa publicou imensas das nossas fotos. Foi um trabalho sofrido, mas muito recompensador! E assim, o coveiro virava fotógrafo de moda pela mão da produtora de moda Fernanda Brito.
M.L: Além da moda e do jornalismo também teve experiências como atriz, apresentadora e escritora. Que recordações leva dessas experiências profissionais?
F.B: As melhores possíveis! Como atriz fiz várias participações (televisivas, não tive oportunidade de experimentar teatro e nem cinema) de onde destaco a minha participação na série “Médico de Família” (SIC), no “Ballet Rose” (RTP), no “Diário de Maria” (RTP), nos “Senhores Doutores” (SIC) e também na “TV Luzinha”, uma série infantil em que eu era atriz, mas também apresentadora. Nesse campo, essa foi a minha única experiência, mas que como tinha como target, as crianças e eu adoro crianças foi algo que me preencheu a 100%. Ainda assim e como disse anteriormente, eu gosto hoje muito mais do trabalho de bastidores. As pessoas não têm a noção do que é o universo infinito da produção, é um trabalho fascinante! Quanto à escrita, esta não está de todo morta muito pelo contrário, as revistas com quem colaboro mensalmente não deixam que isso aconteça. Os teus seguidores do blogue podem ler textos meus em todas as revistas Corpo de Mulher e também na revista Saúde Atual com as quais colaboro efetivamente e depois faço também vários outros trabalhos pontuais com várias outras publicações. Sugiro que visitem a minha página de site em www.fernandabrito.com ou a minha página no Facebook, onde podem de fato seguir todos os meus passos.
M.L: Como vê atualmente a Moda e a Comunicação Social em Portugal?
F.B: Vejo com muito bons olhos! Vejo com os olhos de quem ama apaixonadamente tudo aquilo que faz, por isso vejo tudo com um olhar muito viciado pelo orgulho de ter ao meu lado pessoas e profissionais cada vez mais fabulosos e de ter a oportunidade de trabalhar cada vez mais e melhor.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
F.B: Bem Mário, se eu disser que não vais achar muito esquisito, mas é a mais pura realidade. Sou muito terra-a-terra. Tenho a plena noção de que este é um meio altamente competitivo e se já é difícil alguém começar uma carreira seja de fotógrafo, maquilhador ou cabeleireiro no universo da moda em Portugal, quanto mais no estrangeiro…
M.L: Qual foi a personalidade que a marcou tanto como produtora de moda e como jornalista?
F.B: Como produtora, é muito difícil destacar alguém que me tenha marcado na medida em que são centenas as pessoas que já produzi e todas elas foram especiais à sua maneira, mas talvez a Fátima Preto. A Fátima é um vulcão a fotografar (a ser fotografada, entenda-se). É uma força da natureza e desde sempre foi a minha modelo preferida. Mesmo nos momentos mais difíceis, ela dava sempre tudo pelas fotos que fazia. Costumo chamar-lhe “A minha diva!”. Mas não quero deixar de referenciar que amei trabalhar com todas as centenas de figuras públicas e não públicas que já produzi até hoje. Cada uma foi especial à sua maneira. Em termos jornalísticos, foram já várias as pessoas que entrevistei e todas elas com histórias de vida fabulosas, mas talvez o Astro-filosofo José Prudêncio (www.joseprudencio.com), um filosofo dos astros que desenvolve um trabalho impressionante na área da astrologia aliando-a à filosofia. Um intelectual absolutamente apaixonante!
M.L: Recentemente fez 34 anos. Como é que se sente ao chegar a esta idade?
F.B: Sinto-me muito bem. A partir dos 30 notei uma grande diferença ao nível físico e emocional. As rugas e a celulite começaram a aparecer, mas consegui manter-me em boa forma física, porque a clínica de estética Body in Balance Centre em Cascais (que frequento desde os 25 anos) não deita os créditos em mãos alheias. Como qualquer mulher, preocupo-me com a minha imagem e como tal tento não descurar os cuidados de beleza e estéticos e se costuma dizer que em casa de ferreiro espeto de pau no meu caso quem me quer ver feliz pode convidar-me para ir às compras que eu adoro! Para mim por exemplo, uma tarde bem passada pode ser passada a escolher peças da nova coleção da Ana Sousa que tem sempre peças impressionantes e das quais eu sou uma fã confessa!
M.L: Que balanço faz da sua carreira?
F.B: Muito positivo! Agradeço a Deus e à minha família (sempre presente, mesmo nas minhas ausências) tudo aquilo que consegui até hoje e também ao meu namorado que é de fato uma peça-chave na minha vida. Como eu escrevi na letra das Non Stop que tanto sucesso teve em Portugal: “Ao Limite Eu Vou!”.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
F.B: Como freelancer que sou, vivo o meu futuro no dia-a-dia. Nunca sei bem o que vou fazer a seguir ao último projeto que dou como concluído. Nós profissionais liberais lutamos hoje para ter dinheiro na melhor das hipóteses no final do mês que vem, pois como sabe não temos ordenado fixo ao fim do mês. Se queremos subsídios temos de trabalhar mais. Sem horários e sem limites de esforço, assim é a nossa realidade e o nosso caminho.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
F.B: Bem… Isso agora é que é mais difícil de responder, mas pronto cá vai: Gostava de ser convidada para ter um espaço dedicado à moda num qualquer canal de televisão. Gostava de montar um verdadeiro Esquadrão da Moda em Versão Portuguesa que ajudasse os portugueses a ter uma melhor imagem e logo uma maior auto-estima, pois somos um povo que se lamenta muito, mas que pouco faz para mudar.
M.L: O que é que gostava que mudasse na sua vida?
F.B: A minha mortalidade e a de todas as pessoas que me rodeiam. A resposta pode parecer egocêntrica, mas se fala de uma mudança na minha vida era de fato o que eu mudava se pudesse. Mas é claro que se essa mudança se pudesse verificar com todas as pessoas do mundo, esse seria o meu sonho e o sonho comanda a vida.ML
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Mário Lisboa entrevista... Ruy de Carvalho
Olá. A próxima entrevista é com o ator Ruy de Carvalho, um dos mais respeitados e aclamados atores portugueses. Estreou-se como ator profissional em 1947 com a peça "Rapazes de Hoje" no Teatro Nacional D. Maria II e desde então tem desenvolvido um longo e respeitado percurso com 64 anos de existência que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como a versão original da telenovela "Vila Faia" (RTP), "Gente Fina é Outra Coisa" (RTP), "Todo o Tempo do Mundo" (TVI), "Crianças SOS" (TVI), "Olhos de Água" (TVI), "Tempo de Viver" (TVI), "Olhos nos Olhos" (TVI), "Equador" (TVI) e "Sentimentos" (TVI) e depois de ter feito uma participação especial na telenovela "Sedução" (TVI) e de ter integrado o elenco da longa-metragem "A Morte de Carlos Gardel" de Solveig Nordlund que foi baseada num livro de António Lobo Antunes e que estreou recentemente vai participar brevemente na nova telenovela da autoria de Tozé Martinho que vai estrear na TVI no próximo ano. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Janeiro em Santa Maria da Feira na altura em que o entrevistado passou pelo concelho a propósito da abertura do II Mosaico Social, um evento inserido no programa de animação da Festa das Fogaceiras que costuma ocorrer no concelho, durante o mês de Janeiro.
M.L: Como é que está a correr a sua passagem pela Santa Maria da Feira?
M.L: Como é que está a correr a sua passagem pela Santa Maria da Feira?
R.D.C: Otimamente. Estou a gostar imenso de cá estar e muito honrado em terem-me convidado.
M.L: Qual é a sua opinião sobre o concelho?
R.D.C: Gosto muito deste concelho. Vou muito a estas terras daqui. Sou frequentador de Arouca, de S. João da Madeira, de Oliveira de Azeméis, de Santa Maria da Feira. Conheço esta zona muito bem, toda.
M.L: A iniciativa da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira intitulada “Raízes do Afeto” celebra 10 anos. Qual é a sua opinião sobre esta iniciativa?
R.D.C: Acho que foi uma ótima iniciativa que cria uma maior elasticidade às pessoas de mais idade para se dinamizarem.
M.L: Recentemente fez uma participação especial na telenovela “Sedução” (TVI), onde interpretou um ex-jogador do Belenenses. Como correu este trabalho?
R.D.C: Não foi uma participação especial, porque eu pertenço à casa (TVI) e agora vou fazer outra participação. O trabalho foi bom, foi curto, porque eles não me quiseram “castigar” muito fiz poucos episódios.
M.L: “Sedução” é da autoria de Rui Vilhena com quem já trabalhou anteriormente. O que o cativa na escrita dele?
R.D.C: Escreve com muita fluência e sabe organizar as palavras de modo que parece que estamos a falar e não a ler.
M.L: Quando é que se interessou pela representação?
R.D.C: Desde pequenino, eu tive irmãos atores também que desde pequeno que eu os vejo a representar e conheço outros atores amigos também dos meus irmãos.
M.L: Fez teatro, cinema, televisão e rádio. Qual destes géneros que lhe dá mais prazer em fazer?
R.D.C: Teatro.
M.L: Desde a telenovela “Tudo o Tempo o Mundo” (TVI) que é uma presença regular nas telenovelas. Este é um género televisivo que gosta muito de fazer?
R.D.C: Eu comecei antes a fazer a “Vila Faia” (RTP). Eu fiz várias telenovelas antes de “Todo o Tempo do Mundo”, mas depois estive uns 13 anos sem fazer quase nada. Eu não queria sair do teatro, eu gostava de fazer teatro. Mas eu gosto de representar tanto faz ser no teatro, como televisão, como cinema, como rádio. Gosto de representar, é claro que gosto mais do teatro. O teatro tem o público, tem o calor das pessoas e claro sente-se mais.
M.L: Um dos seus trabalhos mais marcantes em televisão foi a versão original da telenovela “Vila Faia” (RTP), onde interpretou o empresário Gonçalo Marques Vila. Que recordações leva desse trabalho?
R.D.C: Tenho sobretudo a recordação de ter começado a haver telenovelas em Portugal. Há muita gente que não gosta, mas é bom para os atores terem trabalho.
M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
R.D.C: Acho que há muita juventude a ir ao teatro que é uma coisa que me dá uma grande alegria. Mas é preciso mais ainda.
M.L: Este ano vai fazer 64 anos de carreira. Que balanço faz destes 64 anos?
R.D.C: Faço o melhor possível o meu trabalho com honestidade e sinceridade e com o respeito para quem o represento.
M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
R.D.C: Gostava, mas não gostava de sair do meu país. Gostava de ir lá fora representar e voltar para o meu país. Não ser ator-emigrante.
M.L: Qual foi a figura da representação que o marcou, durante o seu percurso como ator?
R.D.C: Tenho várias… o Vasco Santana, o João Villaret, o Ribeirinho, a Irene Isidro, a Sr.ª Amélia Rey Colaço, a Palmira Bastos, o António Silva. São muita gente importante do nosso espetáculo.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
R.D.C: Isso é a televisão que sabe… estou à espera que me digam. Vou fazer uma telenovela com certeza.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta fase da sua vida?
R.D.C: Gostava de ser rico para poder ajudar o teatro a avançar mais.
M.L: Se não fosse o Ruy de Carvalho, qual era o ator que gostava de ter sido?
R.D.C: Gostava de ter sido eu. São outros casos melhores que o meu.ML
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Mário Lisboa entrevista... Isabel Medina
Olá. A próxima entrevista é com a atriz Isabel Medina. Desde muito cedo que se interessou pela representação tendo desenvolvido um longo e respeitado percurso como atriz (onde passou pelo teatro, pelo cinema e pela televisão da qual entrou em produções como "Na Paz dos Anjos" (RTP), "Esquadra de Polícia" (RTP), "Lusitana Paixão" (RTP), "Morangos com Açúcar" (TVI), "A Outra" (TVI) e "Meu Amor" (TVI), escritora, encenadora e diretora de atores (função que teve recentemente na telenovela "Sedução" (TVI) e atualmente está a trabalhar como encenadora na peça infantil "O Guardião dos Sonhos" de Pedro Cavaleiro que vai estrear no próximo dia 1 de Outubro no Clube Estefânia em Lisboa. Esta entrevista foi feita por via email em Maio passado.
M.L: Recentemente, foi diretora de atores da telenovela “Sedução” (TVI). Como correu este trabalho?
I.M: Com extremo empenhamento e extremo prazer. Uma novela cujo texto apresentava muitos desafios para os atores, personagens complexas, cenas difíceis e diálogos muito bons. Os condimentos ideais para trabalhar com os atores a 100 por cento e foi isso que fizemos. Dirigir é também conhecer cada ator, as suas potencialidades e as suas fragilidades. E foi através desse conhecimento do outro que cada vez mais arriscamos para conseguir o melhor resultado.
M.L: O que a levou a aceitar o convite para fazer a direção de atores da telenovela?
I.M: O fato de ser um trabalho que me realiza bastante e de que gosto muito com uma equipa ótima e um elenco de eleição.
M.L: “Sedução” é da autoria de Rui Vilhena. O que a cativa na escrita dele?
I.M: A imprevisibilidade do que acontece, a não linearidade da história, os temas controversos, os diálogos brilhantes.
M.L: Como foi trabalhar com o elenco?
I.M: Como já disse, foi um prazer. Eles aprendem comigo e eu com eles. Delicioso ver um elenco empenhado em dar o tudo por tudo.
M.L: Faz direção de atores em televisão com regularidade há poucos anos. Este é um tipo de trabalho que lhe dá prazer em fazer?
I.M: Muito. Comecei em 2001 com uma novela da RTP e desde então tenho aceite alguns convites. Não o faria se não gostasse verdadeiramente.
M.L: Qual foi o trabalho em direção de atores em televisão que a marcou até agora?
I.M: A “Ilha dos Amores” (TVI). Talvez pelos Açores, talvez pelo elenco com gente ainda inexperiente, mas com muita garra que agora são atores de primeira linha. Tive imenso gosto em ajudar a formar atores como a Joana Santos, a Diana Nicolau, o Pedro Teixeira, a Mafalda Pinto, a Rita Tristão (da Silva).
M.L: Antes de “Sedução”, integrou o elenco da telenovela “Meu Amor” (TVI). Que balanço faz da sua participação neste projeto?
I.M: Foi um desafio interessante fazer a taxista cheia de energia e ao mesmo tempo amargurada e com mau feitio. Permitiu-me registos que ainda não tinha experimentado e de que gostei muito.
M.L: “Meu Amor” ganhou o Emmy Internacional na categoria de Telenovela no passado Novembro. Como vê este triunfo?
I.M: Mostra que a ficção em Portugal está a par da ficção em todo o mundo e que pode competir com os melhores. Somos (a nível da produção e da técnica e do ponto de vista artístico) tão bons ou melhores como países em que a telenovela já leva anos de avanço em relação a nós.
M.L: Como vê o futuro da ficção nacional, depois da conquista do Emmy?
I.M: Continuar sempre a fazer melhor. Temos tudo para isso. Concorrer aos festivais, porque já mostramos que somos bons. Mais duas séries portuguesas já arrebataram outros troféus lá fora.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação e pela escrita?
I.M: Dizem que se nasce com uma vocação. Eu julgo que em parte é verdade. Desde muito criança (3/4 anos) que escrevo e faço teatro. Apesar de ter querido apaziguar a família que é muito conservadora licenciando-me em duas áreas distintas (Germânicas e Psicologia Aplicada) sempre tive como objetivo tornar-me atriz e escrever. Assim, embora já tardiamente (tinha 28 anos) acabei por terminar a Escola Superior de Teatro e Cinema e lançar a minha carreira.
M.L: Durante o seu percurso também passou pelo ensino. Por exemplo, fundou em 1976 juntamente com Guilherme Filipe e outras pessoas, o English Teaching Group que foi um projeto-piloto do Ministério da Educação para o ensino de inglês através do jogo dramático e fundou em 1980 juntamente com Guilherme Filipe, Rogério de Carvalho e outros professores, o Grupo de Comunicação e Teatro no âmbito da formação de professores em ensino multidisciplinar. Que balanço faz da sua passagem pelo ensino?
I.M: A minha passagem pelo ensino (que durou 15 anos) teve a ver com as licenciaturas e o mestrado que tirei para agradar à família. Mas como o meu alvo era o Teatro frequentei um curso específico da BBC em Londres para apresentar ao Ministério da Educação, um projeto de formação de professores com base nas técnicas dramáticas e teatrais. Projeto aprovado, desafiei vários professores com os mesmos objetivos e formamos os referidos Grupos. Esse projeto multidisciplinar obteve um grande sucesso nas Escolas de todo o país e acima de tudo demonstrou (em turmas-piloto) ser um motor de sucesso escolar. Pena que o Ministério não tenha continuado com outros elementos, o trabalho que deixámos para nos dedicarmos a tempo inteiro à profissão de atores ou encenadores.
M.L: Atualmente é diretora da companhia Escola de Mulheres que fundou juntamente com Fernanda Lapa. O que a levou a fundar a companhia?
I.M: Havia na altura em que formamos a Escola de Mulheres-Oficina de Teatro, uma forte lacuna na direção das companhias de Teatro: quase todas elas eram dirigidas por homens que programavam de acordo com o seu gosto ou seja sempre de um ponto de vista masculino. Nós queríamos divulgar uma série de autoras importantíssimas cuja “voz” nunca tinha sido ouvida em Portugal. E queríamos abrir portas a equipas técnicas formadas por mulheres. Assim nasceu a nossa companhia. Neste momento, temos uma equipa técnica de mulheres e já apresentamos um repertório muito completo das maiores autoras contemporâneas.
M.L: Durante o seu percurso como atriz fez teatro e televisão, mas pouco cinema. Gostava de ter trabalhado mais nesse género?
I.M: Entrei em alguns filmes, mas realmente sem muita expressão. As oportunidades não surgiram, mas estou sempre a tempo. Porque gosto realmente de fazer cinema.
M.L: Teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que lhe dá mais gosto em fazer?
I.M: Não tenho um preferido. São meios diferentes, técnicas diferentes, mas que dão imenso gozo. Adoro as câmaras, mas também adoro o público, senti-lo, mexer com ele. Nunca serei capaz de escolher apenas um.
M.L: Desde “Na Paz dos Anjos” (RTP) que é uma presença regular nas telenovelas. Este é um género televisivo que gosta muito de fazer?
I.M: Muito. Gosto da adrenalina, do tudo por tudo, da entrega total. Porque em novela, não há tempo de ensaios como no Teatro, não há tempo em “plateau” para grandes concentrações. É atirar-se com tudo o que temos com as nossas emoções, sem pensar, sem nos defendermos, sem preconceitos. E o resultado, quando tudo isto é verdade, é muito bom.
M.L: Como lida com a carga horária, quando grava uma telenovela?
I.M: Chego ao final esgotada. Chegamos todos. Mas quem corre por gosto, não cansa! Enquanto corremos por gosto, esquecemos o desgaste. Quando tudo acaba é que ele se abate sobre nós!
M.L: Qual foi a personalidade da representação que a marcou tanto como atriz, encenadora e escritora?
I.M: Tenho muitas referências em todos esses campos. Tenho atores cujas cenas em determinados filmes vejo e revejo, porque são autênticas lições da arte de representar. Vejo muito teatro por esse mundo fora e em Portugal tento ver tudo. Como escritora, leio e torno a ler muitos autores que me marcaram e continuam a marcar e estou sempre a procurar novos bons autores. Não há uma ou duas personalidades que me tenham marcado, mas muitas.
M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
I.M: Vejo com entusiasmo. Cada vez são mais, os bons profissionais nessas áreas. O público acorre às salas de Teatro e as audiências da ficção nacional são boas. Espero que a crise não chegue à Cultura. A ideia peregrina de voltar atrás, deixando de haver Ministério da Cultura e passando a existir uma Secretaria de Estado só pode vir de gente analfabeta sem qualquer rasgo em relação ao que é o poder que Portugal poderá ter no Mundo através das Artes. Somos um povo de artistas. Lá fora reconhecem-nos. Infelizmente, a geração de políticos que temos tido que acabou a faculdade à custa de passagens administrativas com falta de cultura e de visão tem tentado contrariar a força emergente dos nossos artistas. Mas é só ver o impacto que temos no estrangeiro para perceber que uma das mais-valias deste país é exatamente a Cultura.
M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
I.M: Claro! E tive essa oportunidade na BBC. Mas já tinha o meu filho (fui mãe muito nova) e achei que não tinha o direito de o arrancar ao meio a que estava já habituado e leva-lo para um país diferente. Não sei se fiz bem ou mal. Hoje talvez tivesse decidido de outra maneira.
M.L: Qual foi o trabalho que a marcou tanto como atriz, encenadora e escritora?
I.M: Como atriz foi sem dúvida “O Pai” de (August) Strindberg para a RTP. Um papel tremendo que (acho) representei muito bem. Como encenadora “Marcas de Sangue”. Como dramaturga “África”.
M.L: Que balanço faz da sua carreira?
I.M: Fiz sempre o que gosto com entrega, com empenho, com alegria. Pode pedir-se mais? Que continue sempre assim. Não quero fazer por fazer. Mas por prazer.
M.L: Qual foi o momento que a marcou tanto como atriz, encenadora e escritora?
I.M: Tenho a felicidade de ter muitos momentos marcantes e altos na minha vida. Não sei escolher. Pude trabalhar com grandes atores tanto enquanto atriz como enquanto encenadora. Pude trabalhar com os melhores encenadores e realizadores. E tive a imensa sorte de escrever para os melhores também.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
I.M: Um espetáculo infantil lindíssimo “O Guardião dos Sonhos” do Pedro Cavaleiro é a minha próxima encenação. Estou a acabar de escrever um telefilme para a TVI e vou entrar em dois telefilmes e na próxima novela, tudo TVI! Entretanto, terei o prazer de fazer parte do júri da seleção oficial do Festróia, o que me vai permitir ver filmes que não teria oportunidade de ver nas salas de cinema.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
I.M: Tirar meio ano para viajar pelo mundo com tempo para conhecer bem as gentes e as culturas de cada país.
M.L: Se não fosse a Isabel Medina, qual era a atriz ou escritora que gostava de ter sido?
I.M: Não ser a Isabel Medina faz-me muita confusão. Posso dizer quem é a minha atriz favorita: a Meryl Streep. E o meu escritor: o Nikos Katzanzakis.ML
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)



