quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mário Lisboa entrevista... João Didelet

Olá. A próxima entrevista é com o ator João Didelet. Interessou-se pela representação, quando estava a estagiar em Alcácer do Sal e houve um curso de iniciação ao trabalho de ator patrocinado pela Câmara da qual participou e foi aí que percebeu que era na representação em que se sentia bem e que era uma coisa que gostava muito de fazer e desde aí desenvolveu um percurso que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Herman Enciclopédia" (RTP), "Jornalistas" (SIC), "Crianças SOS" (TVI), "Super Pai" (TVI), "Lusitana Paixão" (RTP), "O Teu Olhar" (TVI), "Floribella" (SIC), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Um Mundo Catita" (RTP), "Sentimentos" (TVI) e "Pai à Força" (RTP) e atualmente participa na telenovela "Doce Tentação" (TVI) e recentemente participou na peça "Os 39 Degraus" que foi baseada numa longa-metragem com o mesmo título realizada por Alfred Hitchcock da qual contou com encenação de Claudio Hochman e que terminou a sua temporada no Teatro Villaret em Lisboa no passado dia 8 de Julho. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Março no Teatro Rivoli no Porto na altura em que a peça "Os 39 Degraus" estava em cena no Teatro Rivoli.

M.L: Como é que está a correr a peça “Os 39 Degraus”?
J.D: Está a correr muito bem, felizmente. Estamos há um ano e pouco em cena praticamente sempre em digressão e agora é já a 3ª vez que estamos aqui no Porto, porque fomos sempre bem recebidos, o público tem aparecido, as pessoas gostam, portanto são motivos para estarmos contentes e satisfeitos.

M.L: Quais são os próximos locais que a peça vai passar?
J.D: Que eu me recorde, depois do Porto temos o (Teatro da) Malaposta em Odivelas que é ao pé de Lisboa, depois Lamego, depois em Sintra, Nazaré e outras que também não tenho de cor ainda…

M.L: Como é que surgiu esta peça?
J.D: Esta peça foi estreada pela 1ª vez em Londres, depois nos Estados Unidos. Esta é uma adaptação de um filme do (Alfred) Hitchcock com o mesmo nome “Os 39 Degraus” que é uma intriga à Hitchcock sobre uma pessoa que é acusada de um assassinato que não cometeu, portanto isto passa-se ao mesmo tempo, antes da 2ª Guerra Mundial, portanto tem homicídio e história de espionagem. O herói desta história tem que andar a fugir da polícia e atrás das pessoas que mataram a Anabella Schmidt que é a pessoa que é assassinada na casa dele e então é à volta disto. Ele anda a fugir da polícia, atrás das pessoas que mataram a mulher para provar a sua inocência. O que é que acontece? Depois para teatro é passado com poucos meios, portanto cinema, depois é adaptado para teatro, mas com poucos meios que a ideia era mesmo essa. Um cenário com quatro baús e poucos elementos: há uma janela, há uma porta, mais um cadeirão e com isto nós conseguimos recriar todas as situações por onde o filme passa, portanto isso a nível de cenário. Somos quatro atores: um ator faz uma personagem que é o protagonista que no fundo passa pela peça toda e depois a Vera (Kolodzig) faz três mulheres e eu e o Rui (Melo) fazemos bastantes personagens, portanto andamos sempre a trocar de personagens. É uma loucura muito grande e acho que resulta, porque a história não perde a intriga, mas torna-se depois também cómica com aquela lotação de personagens, a lotação dos cenários, depois temos o som, a luz, etc. Isto é uma espécie de relógio suíço que tem que funcionar tudo para nós contarmos a história.

M.L: “Os 39 Degraus” é baseada numa longa-metragem com o mesmo título realizada por Alfred Hitchcock. Já tinha visto a longa-metragem, antes de se envolver na peça?
J.D: Não, por acaso essa não tinha visto. Mas antes de começar os ensaios, quando soubemos vimos o filme juntos. Tivemos a curiosidade de ver o filme, foi importante.

M.L: A peça é encenada por Claudio Hochman com quem já trabalhou anteriormente. Como é trabalhar com ele?
J.D: É fantástico, porque ele é muito imaginativo, muito criativo, exigente e rigoroso, portanto acho que foi importante para este tipo de trabalho e foi muito bom. Um bom trabalho.

M.L: Em “Os 39 Degraus” interpreta várias personagens. Como é que consegue passar de uma personagem para outra?
J.D: Com ginástica. Acima de tudo muita ginástica. Nós temos um processo de ensaios relativamente louco que dá para treinar no fundo e ensaiar essas passagens… são cliques que nós temos que fazer, de prepara-nos para isso: saímos de cena, trocamos um chapéu, um casaco, temos um casaco, adoptamos uma outra postura física, outra voz e entramos em cena. Tem que ser assim, uma coisa rápida.

M.L: Como é trabalhar com o elenco?
J.D: É fantástico. Nós divertimos, cruzando-nos bem, vamos conhecendo bem e está a correr muito bem em cena.

M.L: Como tem sido a reação do público a esta peça?
J.D: Tem sido fantástica. Não quero estar a exagerar, mas a maior parte das vezes acabamos o espetáculo com as pessoas a aplaudirem de pé e eu depois, quando saio do teatro ainda me cruzo com alguém que tenha visto o espetáculo. As pessoas estão com um ar bem-disposto por falar de coisas do espetáculo, a rirem-se ainda, portanto a reação tem sido a melhor possível.

M.L: Como classifica esta peça?
J.D: Eu acho que é um bom objeto de teatro, uma boa comédia, tem um humor muito engraçado, é um tipo de teatro que não é muito visto em Portugal que é um teatro mais físico. E tem um humor inteligente (acho eu) sem ser-se complicado, mas tem um humor inteligente.

M.L: Atualmente participa na telenovela “Doce Tentação” (TVI), onde interpreta a personagem Evaristo Nobre. Como estão a correr as gravações?
J.D: Estão a correr bem felizmente. Estamos a meio do processo mais ou menos, mas está tudo a correr às mil maravilhas, nós estamos a gostar do que estamos a fazer e acho que as pessoas também estão a gostar de ver.

M.L: Como é trabalhar com a São José Correia e com a Sofia Nicholson?
J.D: É muito engraçado. Divertimos muito, elas são duas atrizes fantásticas e temos sempre de fazer muito trabalho de uma forma séria, mas também de vez em quando tem lugar para alguma risada ou brincarmos um bocadinho, mas está a ser uma boa experiência. Principalmente, porque por acaso com as duas nunca tinha contracenado, está a ser a primeira vez e está a correr muito bem.

M.L: A telenovela portuguesa celebra este ano 30 anos de existência. Que balanço faz destes 30 anos?
J.D: Eu acho que houve uma grande evolução desde da história até ao nível técnico, temos melhores atores, evoluímos bastante, a escrita… acho que tem sido um balanço positivo. Ao princípio, quando eu comecei a ser ator, uma das coisas que eu dizia era: “Isto é uma coisa que se tem de fazer. Para se aprender tem que se fazer”. E não é só aos atores que têm de aprender, mas também os técnicos, os realizadores, quem escreve, a produção… tem que se aprender. Fazia-se muita comparação entre a novela brasileira e a portuguesa, quando a novela portuguesa apareceu. Quando nós aparecemos, os brasileiros já tinham 30 anos de novela, portanto nós tínhamos 30 anos de atraso provavelmente. Portanto, agora estamos a começar a dominar o que é aquela línguagem toda. O balanço é positivo.

M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
J.D: O interesse pela representação surgiu numa altura da minha vida em que eu estava a estagiar em Alcácer do Sal e aconteceu que houve um curso de iniciação ao trabalho de ator patrocinado pela Câmara e eu frequentei esse curso e de repente percebi que era aí que eu me sentia bem e era isso que eu gostava de fazer. Depois, a partir daí foi à luta.

M.L: Fez teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que lhe dá mais gosto em fazer?
J.D: Eu acho que uma pessoa, quando gosta de representar (como o meu caso, como gosto de representar gosto de fazer os três) digamos que a minha escola, onde eu comecei é o teatro e é uma coisa que eu sinto sempre necessidade de voltar. Agora, gosto de fazer televisão e gosto de fazer cinema também, portanto dão um gozo diferente. O teatro tem esta questão do público, ao vivo. A televisão tem outras questões: há a questão da resposta imediata, nós temos que dar respostas rapidamente às situações que vão surgindo, às cenas que vamos fazendo, fazemos muitas cenas e depois evidentemente temos o reconhecimento, as pessoas gostam de nós, nós sentimos isso na rua. O cinema é um lado que também se chama pela imagem, mas tem-se um bocadinho mais de tempo, conta-se uma história mais rapidamente uma hora ou uma hora e meia mais ou menos, portanto cada um tem a sua aliciante, cada um tem formas diferentes de eu gostar.

M.L: Qual foi o trabalho num destes géneros que o marcou, durante o seu percurso como ator?
J.D: Posso dizer que em televisão, os “Jornalistas” (SIC) com o Caixinha que terá sido uma personagem que eu gostei muito de fazer, depois também em cinema fiz um telefilme que quase que era uma biografia sobre o Mário de Sá Carneiro e em teatro tive vários: “Sonho de uma Noite de Verão”, os trabalhos que fiz com o (Teatro da) Garagem, com o (Teatro) Meridional. Aqui vários exemplos de coisas que me marcaram.

M.L: Um dos seus trabalhos mais marcantes em televisão foi a telenovela “Lusitana Paixão” (RTP), onde interpretou a personagem Augusto Salada. Que recordações leva desse trabalho?
J.D: É uma boa recordação. É uma adaptação de “Os Maias” para os nossos dias e tinha um grupo muito divertido que fazia parte daqueles grupos dos políticos e dos corruptos (por assim dizer) e eu era um corrupto falhado… era corrupto, mas depois a minha vida como vida, como pessoa era um bocado falhado e tinha situações muito engraçadas, muito caricatas e muito cómicas e lembro-me perfeitamente que era com o João Lagarto, com o Carlos Mendes, tínhamos um grupo bem engraçado… acho que fui fazendo umas cenas cómicas e estavam lá a acontecer coisas, que eu era um bocado gabarolas e dizia que fazia, que acontecia, mas no fundo era um cobardezinho e estava uma personagem bastante engraçada. É engraçado estar a falar nisso, porque eu percebi que essa novela foi muito vista fora de Portugal. Não tanto em Portugal, mas fora de Portugal foi muito vista, porque quando chegou o Verão e Agosto andava em digressão com uma peça e passava pelos sítios e os emigrantes é que me falavam mais dessa novela que os portugueses… quer dizer, as pessoas que viviam cá falavam menos da novela que os emigrantes e os emigrantes fartavam-se de vir ter comigo e falar do Salada e da novela em si.

M.L: “Lusitana Paixão” foi realizada por André Cerqueira e por Jorge Paixão da Costa. Como foi trabalhar com eles?
J.D: Bem, são duas pessoas diferentes, mas que no fundo estavam a trabalhar para o mesmo fim. O Jorge Paixão é um realizador com uma grande experiência e é uma pessoa que tem uma grande capacidade de nos dirigir, tem uma grande força e uma presença em palco forte e ao mesmo tempo é muito divertido. O André é outra escola, é uma escola que vem mais da escola da (TV) Globo e tem uma outra maneira de estar connosco, outra maneira de nos dirigir, de nos conduzir, mas também de uma forma bastante agradável e consistente e coesa. Portanto, tenho boas recordações desses dois realizadores.

M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
J.D: Como é que eu vejo? Tem muita coisa para acontecer ainda. Nós temos de continuar a trabalhar e explorar novos caminhos e fazer coisas para dar continuidade a esta bela profissão.

M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
J.D: Sim, acho que sim. Porque não? É agora uma dúvida que vou ter.

M.L: Como lida com o público que acompanha a sua carreira há vários anos?
J.D: Lido bem e fico contente que as pessoas gostem do meu trabalho. Só tenho a agradecer-lhes e espero que continuem a gostar e a agradecer sempre o carinho que me têm dado.

M.L: Quais são os seus próximos projetos (depois de “Os 39 Degraus” e “Doce Tentação”)?
J.D: Estes projetos ainda estão para demorar um bocadinho, portanto para já não tenho assim nada em vista que possa também falar… também passa por aí. Se calhar há coisas para o futuro, mas ainda estão um bocadinho no segredo dos Deuses e onde deixar de estar. Não há certezas, portanto não vale a pena estar a falar de uma coisa que não sei se vai acontecer ou não.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
J.D: Não sei, há tanta coisa por fazer. É difícil, sabes? Há tantos textos que não fiz, que não guardei… É complicado dizer. Precisava de voltar por exemplo ao (William) Shakespeare, gosto dos clássicos, gosto de fazer personagens históricas, não me importava de fazer mais personagens históricas, coisas novas que existam… É difícil de dizer: “É aquele, tem de ser aquele”. Há muita coisa.ML

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mário Lisboa entrevista... Vera Kolodzig

Olá. A próxima entrevista é com a atriz Vera Kolodzig. Desde muito cedo que se interessou pela representação tendo-se estreado como atriz em 2000 com a telenovela "Jardins Proibidos" (TVI) e desde aí desenvolveu um percurso que passa essencialmente pela televisão (onde entrou em produções como "Dei-te Quase Tudo" (TVI), "Ilha dos Amores" (TVI), "Fascínios" (TVI) e "Deixa Que Te Leve" (TVI) apesar de ter feito alguns trabalhos no teatro e no cinema e recentemente participou na telenovela "Espírito Indomável" (TVI), atualmente participa na peça "Os 39 Degraus" que é baseada numa longa-metragem com o mesmo título realizada por Alfred Hitchcock e que conta com encenação de Claudio Hochman e brevemente vai participar na série policial "Bairro Estrela Polar" que Francisco Moita Flores está a escrever para a TVI. Esta entrevista foi feita por via email no passado dia 14 de Novembro.

M.L: Atualmente integra o elenco da peça “Os 39 Degraus” que é baseada numa longa-metragem com o mesmo título realizada por Alfred Hitchcock. Como é que está a correr a peça?
V.K: Está a correr lindamente. Felizmente temos tido salas cheias, o que é muito gratificante.

M.L: Quais são os próximos locais que a peça vai passar?
V.K: Acabamos recentemente a temporada no Porto e vamos agora para o Casino Estoril de 17 a 26 de Novembro. Em Janeiro, vamos também passar por Beja, Portalegre e Tomar.

M.L: Como é que surgiu esta peça?
V.K: Quando foi decidido fazer a reposição do espetáculo, a Inês (Castel-Branco) já estava com outro projeto e por isso indisponível. Propuseram-me substitui-la e aceitei logo com muito prazer. 

M.L: Já tinha visto a longa-metragem, antes de se envolver na peça?
V.K: Sou uma fã de Hitchcock, mas confesso que ainda não tinha visto “Os 39 Degraus”. No entanto, há que referir que o texto original é de John Buchan e foi depois adaptado para teatro por Patrick Marlow. Apesar do filme de Hitchcock ser a referência mais forte há grandes diferenças entre a peça e o filme começando pelo fato de em teatro, a história ser apresentada como comédia e no filme não.

M.L: “Os 39 Degraus” é encenada por Claudio Hochman. Como é trabalhar com ele?
V.K: A peça foi encenada pelo Claudio, mas no entanto teve de seguir alguns parâmetros específicos da encenação original. Apesar de ter tido um tempo de ensaios muito limitado devido a indisponibilidades, das poucas vezes que estive com o Claudio, ele deu-me indicações muito valiosas e cruciais ao meu desempenho.

M.L: Nesta peça interpreta várias personagens. Como é que consegue passar de uma personagem para outra?
V.K: As personagens são todas muito diferentes com características muito específicas. A Anabella Schmidt é uma misteriosa espia alemã, a Margaret uma camponesa humilde e a Pamela Edwards uma inglesa chique e pudica. A troca de figurinos rápida também ajuda a encaixar-me melhor em cada uma delas. 

M.L: Como é trabalhar com o elenco?
V.K: É maravilhoso. Sinto-me em família. São todos muito generosos, o que facilitou muito a minha integração no projeto.

M.L: Como tem sido a reação do público a esta peça?
V.K: Tem sido fantástica. O espetáculo é muito acessível mesmo para quem não tem o hábito de ir ao teatro e agrada dos 8 aos 80. Não há um espetáculo em que não se oiça gargalhadas sonantes.

M.L: Recentemente participou na telenovela “Espírito Indomável” (TVI), onde interpretou a personagem Zé. Que balanço faz da sua participação neste projeto?
V.K: Tenho muito orgulho no projeto e penso que revelou uma grande evolução na ficção nacional. Quanto à Zé, foi das personagens mais marcantes que tive até hoje talvez por ser a mais distante de mim. Tive de fazer um grande trabalho de pesquisa e adotar uma fisicalidade diferente. No entanto, acho que todas as personagens eram riquíssimas e talvez por isso o público tenha gostado tanto.

M.L: Como vê o enorme sucesso que a telenovela teve, durante a sua exibição?
V.K: Vejo o sucesso da novela como um reconhecimento da evolução da qualidade da ficção nacional.

M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
V.K: Não me lembro de não querer ser atriz. Talvez tenha nascido comigo.

M.L: Dedicou praticamente a sua vida profissional à televisão. Gostava de trabalhar mais no teatro e no cinema?
V.K: Sim. Acho que todos os atores deviam ter oportunidade de experimentar todas as áreas e explorar a linguagem de cada uma delas.

M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
V.K: Estou muito feliz com o que tenho em Portugal neste momento, mas claro que se a oportunidade surgisse não recusaria.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
V.K: Neste momento, estou 100% dedicada a este projeto. Gosto de viver um dia de cada vez.

M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da sua vida?
V.K: Nada.ML

terça-feira, 3 de abril de 2012

Brevemente...

Entrevista com... Vera Kolodzig (Atriz)

Mário Lisboa entrevista... António Cordeiro

Olá. A próxima entrevista é com o ator António Cordeiro. Interessou-se pela representação aos 18 anos, quando uns amigos lhe deram um papel numa peça de teatro amadora tendo ingressado na Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa, onde concluiu o Curso em 1987 e desde aí desenvolveu um percurso que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Claxon" (RTP), "Desencontros" (RTP), "Filhos do Vento" (RTP), "Major Alvega" (RTP), "Café da Esquina" (RTP), "O Processo dos Távoras" (RTP), "Ilha dos Amores" (TVI), "Liberdade 21" (RTP) e "Perfeito Coração" (SIC) e além da representação também teve experiências como diretor de atores e como guionista e recentemente participou na telenovela "Laços de Sangue" (SIC) e atualmente participa na peça "Perdi a Mão em Spokane" de Martin McDonagh da qual também encena e que está em cena no Teatro Villaret em Lisboa até ao próximo dia 8 de Abril e depois vai estar em cena no Teatro Rivoli no Porto de 13 até 29 do mesmo mês. Esta entrevista foi feita por via email no passado dia 10 de Novembro.

M.L: Recentemente integrou o elenco da telenovela “Laços de Sangue” (SIC), onde interpretou a personagem Álvaro Brito. Como correu este trabalho?
A.C: Correu bastante bem. Tive a felicidade de estar muito bem acompanhado no meu núcleo na novela. A Sílvia Filipe que fez a minha mulher, o João Maneira que fez o nosso filho e é um ator maravilhoso e também o Pedro Diogo que fez o César e com o qual criei uma enorme empatia e cumplicidade.

M.L: Como é que surgiu o convite para integrar o elenco da telenovela?
A.C: Surgiu naturalmente. Tenho trabalhado desde o inicio na SP (Televisão) como ator e como diretor de atores, assim quando a novela estava a ser escrita e eu dirigia uma série para a RTP recebi o convite para fazer o senhor Álvaro. 

M.L: “Laços de Sangue” foi fruto de uma parceria entre a SIC e a TV Globo. Como vê esta parceria?
A.C: Vejo com muitos bons olhos. A Globo é a maior produtora deste género de produto no Mundo e poder ter uma parceria assim é fantástico.

M.L: A telenovela contou com a supervisão de Aguinaldo Silva. Como vê o contributo dele, durante o processo de escrita da telenovela?
A.C: A colaboração com um autor de renome e experiência tão evidentes foi um enorme contributo para o desenvolvimento da trama da novela. E ficaram todos a ganhar especialmente os autores que com ele trabalharam mais diretamente.

M.L: A telenovela é da autoria de Pedro Lopes. O que o cativa na escrita dele?
A.C: Esta é uma pergunta "tramada". Eu sou um grande amigo do Pedro. Tenho com ele, uma forte ligação e admiro muito o seu trabalho não só ao que às novelas diz respeito. Já dirigi duas novelas escritas por ele (uma delas chamada “Perfeito Coração” (SIC), onde também fui ator), uma série (“Pai à Força” (RTP) e como ator fiz “Liberdade 21” (RTP) e “Cidade Despida” (RTP). Portanto, posso concluir dizendo que gosto muito do trabalho dele.

M.L: Como vê o enorme sucesso que “Laços de Sangue” teve, durante a sua exibição?
A.C: O sucesso deve-se, sem dúvida ao interesse que tinha a trama da novela. Uma vilã forte e que se foi tornando odiosa. E personagens divertidas e com carácter que ajudaram ao bom desenvolvimento dos diferentes núcleos e que foram (obviamente) do agrado de muitos espetadores.

M.L: “Laços de Sangue” está nomeada para o Emmy Internacional na categoria de Telenovela. Como vê esta nomeação (a telenovela ganhou o Emmy Internacional no passado dia 21 de Novembro)?
A.C: Creio que é o reconhecimento de um trabalho de muito bom nível e que foi feito por uma grande equipa. E é já um enorme prémio para tão forte empenho na qualidade da novela.

M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
A.C: Surgiu, quando uns amigos me "ofereceram" um papel numa peça de amadores. Tinha eu uns 18 anos. Mas só aos 24 senti de fato que era possível formar-me numa Escola e foi quando ingressei no antigo Conservatório Nacional posteriormente Escola Superior de Teatro e Cinema, onde concluí o Curso no ano de 1987.

M.L: Fez teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que lhe dá mais gosto em fazer?
A.C: Gosto de todos os géneros. Mas o Teatro é a mãe e pai de tudo o resto que um ator faz.

M.L: Qual foi o trabalho num destes géneros que o marcou, durante o seu percurso como ator?
A.C: Foi na Televisão. Uma série da qual também sou co-autor chamada "Claxon" (RTP).

M.L: Desde os últimos anos que é uma presença regular nas telenovelas. Este é um género televisivo que gosta muito de fazer?
A.C: Na verdade, não fiz muitas novelas como ator. Dirigi algumas sim, mas como ator prefiro as séries. São (em regra) muito mais interessantes no plano artístico e do desenvolvimento das personagens.

M.L: Como lida com a carga horária, quando grava uma telenovela?
A.C: Por norma, não faço protagonistas e assim tenho uma carga horária mais ligeira. Mas as novelas são de fato muito extenuantes para os atores e técnicos que nelas trabalham.

M.L: Um dos seus trabalhos mais marcantes em televisão foi a telenovela “Filhos do Vento” (RTP), onde interpretou a personagem Afonsinho. Que recordações leva desse trabalho?
A.C: Guardo as melhores das recordações. Tive a felicidade de fazer grandes amigos e trabalhar com atores maravilhosos e a minha personagem era muito interessante.

M.L: Qual foi o momento que o marcou, durante o seu percurso como ator?
A.C: A possibilidade de trabalhar com o João Lourenço a convite dele no Teatro Aberto. Ele é seguramente uma das pessoas mais importantes na minha vida como ator senão mesmo a mais importante.

M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
A.C: Parece-me que atravessamos um grave momento nacional que se vai refletir tanto na atividade teatral como na ficção televisiva.

M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
A.C: Nunca pensei nisso.

M.L: Foi um dos fundadores da companhia Persona-Teatro de Comédia, C.A.R.L. O que o levou a querer fundar a companhia?
A.C: Foi no ano de 1986. Fui convidado pelo Guilherme Filipe e criamos a companhia, porque queríamos ter uma voz autónoma e fazer textos de comédia. Queríamos divertir e divertir-nos.

M.L: Que recordações leva do tempo em que esteve na companhia?
A.C: Foram dias fantásticos, os que passei com aqueles companheiros de quem fiquei amigo até hoje, embora já não trabalhe com alguns há muito.

M.L: Além da representação também teve experiências como diretor de atores e como guionista. Qual destas funções em que se sente melhor?
A.C: Para mim tornaram-se atividades complementares. E o fato de trabalhar em todas faz de mim seguramente, um ator mais interessante e completo.

M.L: Foi presença regular nas produções da autoria de Francisco Moita Flores. Que recordações leva dessa colaboração?
A.C: Muito boas. Gosto muito do Chico Moita. Acho que é uma lástima, o afastamento dele da escrita para televisão (atualmente, Francisco Moita Flores está a escrever uma série policial para a TVI intitulada "Bairro Estrela Polar").

M.L: Qual foi a personalidade da representação que o marcou, durante o seu percurso como ator?
A.C: O Maior Ator que vi em cena e com o qual tive a grande felicidade de trabalhar e de ser um forte amigo: Henrique Canto e Castro.

M.L: Recentemente fez 52 anos. Como é que se sente ao chegar a esta idade?
A.C: Sinto-me com 52 anos no BI e com uma vontade imensa de fazer muitas coisas interessantes nesta minha maravilhosa profissão.

M.L: Que balanço faz da sua carreira?
A.C: Ainda não faço balanços.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
A.C: Quero dirigir um texto em Teatro.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
A.C: Dirigir esse texto em Teatro.

M.L: Se não fosse o António Cordeiro, qual era o ator que gostava de ter sido?
A.C: Só mesmo o Ator que acabou de citar. Eu!ML