Entrevista com... Lídia Franco (Atriz)
domingo, 21 de outubro de 2012
Mário Lisboa entrevista... Sara Barros Leitão
Olá. A próxima entrevista é com a atriz Sara Barros Leitão. Natural do Porto, desde muito cedo que se interessou pela representação tendo-se estreado na representação em 2007 ao participar na 5ª temporada da série "Morangos com Açúcar" (TVI) da qual interpretou a vilã Jennifer Brown e desde aí tem desenvolvido um interessante e versátil percurso que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Olhos nos Olhos" (TVI), "Sentimentos" (TVI) e "Laços de Sangue" (SIC) e recentemente participou na micropeça "O Coro dos Amantes a Caminho do Hospital" de Tiago Rodrigues que contou com encenação de Joaquim Nicolau e que esteve em cena no recém-inaugurado Teatro Rápido que é um projeto da Encena-Agência de Atores da qual é agenciada e cujo o objetivo é apresentar espetáculos de microteatro e o espetáculo "Era uma vez... uma Princesa" que marcou a sua estreia na encenação e atualmente está a participar na telenovela "Doida por Ti" da autoria de Maria João Mira e que vai estrear brevemente na TVI e é autora e encenadora da micropeça "As coisas pelos nomes" que conta com as participações de Sofia Santos Silva e de Diana Nicolau e que está em cena no Teatro Rápido, durante o mês de Outubro. Esta entrevista foi feita por via email no passado dia 1 de Setembro.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
S.B.L: Não posso dizer aquele chavão de "sempre quis ser atriz", porque não é verdade. Queria ser cabeleireira, funcionária de uma caixa de supermercado ou secretária num escritório para poder usar óculos. Não posso também dizer um outro chavão que é "ao tornar-me atriz sou estas profissões todas", porque também não é verdade: ou se é atriz ou cabeleireira! Na verdade, a minha história é tanto banal como desinteressante: sentia-me melhor a falar em público do que fechada no quarto e só tinha boas notas na escola, quando podia transformar as apresentações de trabalhos em peças de teatro em vez de dossiers comuns. Quando surgiu a altura de decidir escolhi estudar Teatro.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
S.B.L: Não posso dizer aquele chavão de "sempre quis ser atriz", porque não é verdade. Queria ser cabeleireira, funcionária de uma caixa de supermercado ou secretária num escritório para poder usar óculos. Não posso também dizer um outro chavão que é "ao tornar-me atriz sou estas profissões todas", porque também não é verdade: ou se é atriz ou cabeleireira! Na verdade, a minha história é tanto banal como desinteressante: sentia-me melhor a falar em público do que fechada no quarto e só tinha boas notas na escola, quando podia transformar as apresentações de trabalhos em peças de teatro em vez de dossiers comuns. Quando surgiu a altura de decidir escolhi estudar Teatro.
M.L: Quais são as suas grandes influências, enquanto
atriz?
S.B.L: Parece-me que as
influências para os atores dependem (sobretudo) da personagem que estão a
interpretar. Mas tenho inúmeras influências que regem a minha vida e me ditam
princípios básicos que passam por livros, músicas, pessoas, momentos específicos,
fotografias, quadros, atores, interpretações, filmes, textos, conversas,
locais, frases, culturas… Mas este é um assunto para muitas horas… No entanto,
para mim, as principais influências de uma vida passam pela Arte e dentro de
todas as formas de arte considero a Música a mais perfeita delas todas.
M.L: Fez teatro, cinema e televisão. Qual destes
géneros que lhe dá mais gosto em fazer?
S.B.L: São formatos
bastante distintos e que reclamam técnicas diferentes. O que eu gosto é de
Interpretar e isso é possível em qualquer formato. Felizmente tiro prazer de
qualquer trabalho que faça.
M.L: Qual foi o trabalho num destes géneros que a
marcou, durante o seu percurso como atriz?
S.B.L: Eu sou tão
pequenina para responder a esta pergunta. O meu percurso é minúsculo e
contam-se pelos dedos das mãos os trabalhos que fiz... Mas se tivesse que
escolher o que mais marcou o meu crescimento, enquanto atriz foi a peça
"Romeu e Julieta" encenada por Eduardo Alonso e co-produzida pelo
Teatro do Bolhão e Centro Dramático de Viana. Esta peça não exigiu uma parte de
mim, exigiu-me por completo. O processo para chegar a essa entrega é algo que
guardo com muito carinho.
M.L: Já fez telenovelas. Este é um género televisivo que
gosta muito de fazer?
S.B.L: Não vejo novelas e
admiro imenso quem as faz sejam atores, técnicos, caracterizadores ou
produtores! Pessoalmente, é um trabalho que adoro fazer e que me estimula muito,
enquanto atriz. Gostava que todos os atores pudessem (um dia) passar por esta
experiência de fazer ficção, porque acredito que é fundamental exercitar a
rápida capacidade de resposta num formato em que o "tempo" é
precioso.
M.L: Como lida com a carga horária, quando grava uma
telenovela?
S.B.L: Não tenho legitimidade
para dizer que lido bem ou mal, quando trabalho com uma equipa técnica que
trabalha doze horas por dia, de segunda a sexta, monta e desmonta todo o
material e no fim do dia ganha uma miséria. Com isto, posso dizer que lido
muito mal. Além disso, se trabalhar numa novela como ator fosse assim tão
violento não víamos tantos a sair à noite.
M.L: Um dos seus trabalhos mais marcantes em televisão
foi a telenovela “Sentimentos” (TVI), onde interpretou a personagem Rute Dias.
Que recordações leva desse trabalho?
S.B.L: Ruy de Carvalho,
Ruy de Carvalho e Ruy de Carvalho. É um prazer ter sido paga para poder estar
perto deste senhor, ouvi-lo, falar e contracenar com ele. Adorei o ambiente da
novela, fiz amigos fora de série e a Rute tem um lugar especial na minha
memória.
M.L: Qual foi o momento que a marcou, durante o seu
percurso como atriz?
S.B.L: Foi precisamente,
depois de ter acabado as gravações de “Sentimentos”, onde interpretei uma
rapariga de 17 anos que engravidava e decidia que queria levar a gravidez até
ao fim e receber o filho de braços abertos. Eu estava no Porto, na Estação de
Campanhã, a entrar para o comboio, quando vem uma adolescente ter comigo, muito
emocionada. Agarrou-me nas mãos e com lágrimas nos olhos, agradeceu-me a
inspiração que a minha personagem tinha sido para ela e para a sua família.
Disse que quando descobriu que estava grávida tinha coincidido com o momento em
que passava no ar o drama da Rute. O fato da personagem ter lutado contra a sua
família para ter o filho e ter conseguido convencê-los de que a vida não
terminava ali, que havia outras soluções para além de abortar fez com que a
família da rapariga aceitasse (também) a sua gravidez apesar dos seus 16 anos.
Muitas lágrimas depois, abraçámo-nos e eu senti aquela barriga cheia de
felicidade que se manifestava imponente entre nós. Foi indescritível.
M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
S.B.L: São dois assuntos
completamente diferentes que estão também em situações completamente
diferentes. Acho que a minha opinião é ingénua e pouco fundamentada e por isso
não tenho o direito de a partilhar.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
S.B.L: Gosto de estar cá e
do que tenho cá. No dia em que Portugal não chegue para mim logo vejo o que há
lá fora e direi se gosto.
M.L: Vive em Lisboa, mas nasceu no Porto. Já alguma
vez se arrependeu de ter decidido ir viver para Lisboa?
S.B.L: Na verdade, eu vivo
mais no comboio Intercidades da CP do que propriamente em alguma destas
cidades. Eu sou do Porto, pertenço ao Porto e voto no Porto. Trabalho em
Lisboa, vivo em Lisboa e sou feliz em Lisboa. Estou em ambas as cidades, todas
as cidades, impreterivelmente. Nunca me arrependi de ter mudado a minha vida
aos 16 anos. Antes pelo contrário, sou uma privilegiada por (aos Domingos)
acordar com vista para a Ribeira e (300 quilómetros depois) ver a ponte 25 de
Abril ao pôr-do-sol.
M.L: Recentemente participou na micropeça “O Coro dos
Amantes a Caminho do Hospital” de Tiago Rodrigues que contou com encenação de
Joaquim Nicolau e que terminou no passado dia 31 de Maio. Como correu este
trabalho?
S.B.L: Foi maravilhoso!
Este foi um projeto meu. Escolhi o texto, o outro ator e o encenador. Sou
apaixonada pelo trabalho do Tiago Rodrigues e entrei em pânico, quando percebi
que ia mesmo interpretar um texto dele. Na verdade, o meu preferido! Não tenho
palavras para agradecer ao ator Edi Gaspar e ao encenador Joaquim Nicolau. Foi
um projeto especial, muito cansativo e que exigia uma dedicação incrível. Adorei
poder fazê-lo.
M.L: A micropeça esteve em cena no recém-inaugurado
Teatro Rápido que é um projeto da Encena-Agência de Atores da qual é agenciada
e cujo o objetivo é apresentar espetáculos de microteatro. Como vê esta
iniciativa por parte da agência?
S.B.L: Extremamente
inteligente! O projeto em si é uma ideia brilhante e nos dias de hoje não podia
ser mais pertinente. Em primeiro lugar, porque pretende abranger um público que
não é o público que costuma ir ao Teatro. Em segundo, porque dá oportunidade a
qualquer pessoa de poder desenvolver uma ideia, um texto, um conceito sem
depender de concursos e subsídios. Por último, por ser uma agência de atores
que não só procura trabalho para os seus agenciados, como ela própria cria
esses trabalhos.
M.L: Anteriormente estreou-se na encenação com o
espetáculo “Era uma vez… uma Princesa” da qual também participou. Que balanço faz
da sua primeira experiência na encenação?
S.B.L: Eu sou uma formiga
no mundo do Teatro. Nunca se pode dizer que aquilo tenha sido uma encenação!
Foi um grupo de jovens que queriam fazer Teatro, tinham ideias e vontade, não
tinham dinheiro, mas não fez mal! Juntamo-nos e criámos. Um escreveu, outro
compôs, outros improvisavam e a minha função foi harmonizar tudo em palco.
M.L: Quais são os atores em Portugal com quem gostava
de trabalhar no futuro?
S.B.L: Eu adoro atores.
Quero dizer, eu adoro pessoas. Gosto de perceber como temos que nos moldar uns
aos outros de forma a que podermos conviver e trabalhar. Gosto de conhecer
pessoas novas, diferentes, gosto de aprender e gosto que me façam duvidar dos
princípios que considero elementares, que me tirem da zona de conforto. Dessa
forma, se enumerasse alguns nomes estaria a excluir um enorme conjunto de
pessoas que não conheço, que nem sei que existem, mas que estão algures no
mundo e têm alguma coisa para me ensinar.
M.L: Em 2011, Portugal conquistou o seu segundo
Emmy com a telenovela da SIC “Laços de Sangue” da qual participou. Como vê este
reconhecimento internacional?
S.B.L: A novela era muito
boa e mereceu esse reconhecimento. A equipa e o elenco trabalharam muitíssimo
bem e é sempre um orgulho, quando o nosso pequeno Portugal rasga as fronteiras
e se mostra ao mundo.
M.L: Qual foi a pessoa que a marcou, durante o seu
percurso como atriz?
S.B.L: Foi a atriz Luísa
Cruz. Já acompanhava o seu percurso em Teatro há muitos anos e desde o dia em
que a conheci que tenho a certeza que quando for grande quero ser metade do que
ela é. Admiro-a como pessoa, como atriz e como profissional…
M.L: Que balanço faz da sua carreira?
S.B.L: Eu quase não tenho
carreira, quanto mais fazer um balanço dela! Ainda preciso de muito tempo para
aprender e conquistar. E depois, preciso ainda que passe mais tempo sobre essas
aprendizagens e conquistas para eu poder distanciar-me ao ponto de conseguir refletir
sobre elas.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
S.B.L: Neste momento,
estou a gravar a novela “Lua de Papel” (título provisório de "Doida por Ti") que vai estrear na TVI. Paralelamente
comecei as rodagens da longa-metragem independente “Pecado Fatal” e tenho um
novo projeto a estrear no Teatro Rápido em Outubro.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
S.B.L: Gostava de
experimentar viver sozinha noutro país.
M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da
sua vida?
S.B.L: A única coisa que
podia mudar neste momento da minha vida é o valor que pago de Segurança
Social!!! Tudo o resto, já sou muito felizarda por ter.ML
sábado, 20 de outubro de 2012
Mário Lisboa entrevista... Sara Rodi
Olá. A próxima entrevista é com a escritora Sara Rodi. Desde muito cedo que se interessou pela escrita tendo em 2000 lançado (aos 22 anos) os seus dois primeiros livros intitulados "A Sombra dos Anjos" e "Frio" (que foi reeditado em 2011 pela sua editora O Livro da Minha Vida) e desde aí desenvolveu um percurso como escritora que passa pela literatura, pelo guionismo (da qual escreveu produções televisivas como "Ganância" (SIC), "O Olhar da Serpente" (SIC), "Queridas Feras" (TVI), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Mundo Meu" (TVI), "Floribella" (SIC), "Vingança" (SIC), "Resistirei" (SIC) e "Maternidade" (RTP), pela dramaturgia e pelo jornalismo e em 2007 fundou juntamente com a arquiteta Ana Correia Tavares, a editora O Livro da Minha Vida (onde desempenha a função de Diretora de Conteúdos) que é uma editora dedicada à publicação de biografias personalizadas com edições limitadas e recentemente lançou a coleção literária "Portal do Tempo" que escreveu juntamente com Vera Sacramento cuja a adaptação para televisão vai estrear brevemente na TVI e a biografia "D. Estefânia-Um Trágico Amor" sobre D. Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen que foi rainha de Portugal até à sua morte aos 22 anos e foi deixado um hospital com o seu nome: o Hospital D. Estefânia em Lisboa. Esta entrevista foi feita no dia 20 de Outubro.
M.L: Como é que surgiu o interesse pela escrita?
M.L: Qual foi o trabalho que a marcou, durante o seu percurso como escritora?
M.L: Como é que surgiu o interesse pela escrita?
S.R: Quando tinha 6 anos
resolvi escrever uma história a partir de um sonho que tinha tido. Foi com a
ajuda da minha mãe que fez comigo um pequeno livro para oferecer à minha
professora. Foi uma experiência que me entusiasmou muito e a partir daí nunca
mais parei de escrever: diários, contos, peças de teatro, poesia... Aos 20 anos
resolvi abraçar um desafio maior e escrever um romance. Aproveitei as férias de
Verão e em vez de um romance escrevi dois. Soube entretanto de uma editora (a
Contemporânea Editores) que andava à procura de novos autores. Enviei para lá
os meus manuscritos e eles resolveram publica-los (“A Sombra dos Anjos” e
“Frio”). Foi uma grande experiência, mas que infelizmente não terminou muito
bem, porque a editora fechou algum tempo depois. Desapontada, acabei por
enveredar por outra área que descobri entretanto: o guionismo. Tinha estudado
seis meses em Barcelona (cidade com uma grande tradição de cinema) e acabei por
ter várias cadeiras nessa área. Quando regressei a Portugal surgiu uma oportunidade
de escrever a primeira novela da SIC chamada “Ganância”. Trabalhei com a autora
brasileira Lúcia Abreu e depois com o Francisco Nicholson que considero o meu
grande padrinho de profissão. Nos dez anos seguintes estive envolvida em cerca
de 11 novelas e 7 ou 8 séries... foram anos de um trabalho muito intensivo e
absorvente, mas que foram também uma grande escola para tudo o mais que tenho
vindo a fazer. Neste período de tempo
surgiu a possibilidade de fazer um livro a partir de uma novela (“O Olhar da
Serpente” (SIC) que escrevi com a Felícia Cabrita. Foi o meu regresso aos
livros na altura com o editor Alexandre Vasconcelos e Sá (que recentemente fundou uma nova editora de nome Divina Comédia)
que começou a desafiar-me para trabalhos de ghostwriting
que consistem em escrever livros
para outros autores que têm histórias para contar ou conhecimentos para
transmitir, mas não são escritores. Estes trabalhos foram e são (porque ainda
os faço) experiências muito interessantes, onde eu entro na pele desses autores
e tento escrever de uma forma com a qual eles se identifiquem, aprendendo com
eles os mais diversos conhecimentos e perspetivas de vida. Surgiu depois a
oportunidade de escrever livros infanto-juvenis a partir das séries “Morangos
com Açúcar” (TVI) e mais tarde da “Floribella” (SIC) nas quais trabalhei.
Sentia-me cada vez mais à-vontade no mundo dos livros e sabia que era por aí
que deveria seguir. Foi então que em 2005 criei uma coleção infantil com a
minha grande amiga e ilustradora Cristiana Resina. Batemos a várias portas e
chegamos à fala com o editor infanto-juvenil da ASA (que hoje pertence ao grupo
Leya) Vítor Silva Mota. Assim nasceu a coleção “Clássicos a Brincar” que
começamos a levar a escolas e bibliotecas de todo o país. Esta coleção tem 5
títulos editados e nasceram entretanto outras coleções como “Maria &
Sebastião” (4 livros editados), “Leo, o Menino do Circo” (7 livros editados e 4
de atividades) e mais recentemente para a editora Objectiva, a coleção “Portal
do Tempo” escrita em parceria com a Vera Sacramento. Esta última coleção
(juvenil) tem vindo a ser adaptada para televisão pela TVI e a série estreará
muito em breve ao fim-de-semana. Entretanto e porque o ritmo da televisão se
coadunava cada vez menos com a minha vida familiar (hoje tenho quatro filhos)
pensei em criar um projeto meu, ligado aos livros. E assim nasceu O Livro da
Minha Vida que dava a possibilidade a qualquer pessoa, empresa, entidade de ter
a sua história transformada em livro numa edição limitada. Desafiei a Ana Correia
Tavares (que era uma arquiteta) a entrar comigo neste projeto e a fazer o design dos livros. Inicialmente foi
complicado, porque era uma ideia inovadora, tivemos que inventar fórmulas e
formas de trabalhar, mas felizmente começamos a perceber que havia uma série de
pessoas interessadas em ter o seu livro com a sua história, para partilhar com
amigos, descendentes, colegas, clientes... E a verdade é que (em quatro anos)
já fizemos perto de 200 livros. Para além destes, relancei em 2011 um dos meus primeiros
romances (“Frio” pela editora LIMIVI) e também (mais recentemente) um romance
histórico (“D. Estefânia-Um Trágico Amor” pela Esfera dos Livros).
M.L: Qual foi o trabalho que a marcou, durante o seu percurso como escritora?
S.R: É
difícil responder, porque cada livro tem marcado um momento diferente, mas
sempre especial da minha vida. Os livros são filhos. É impossível dizermos que
gostamos mais de uns do que outros, porque são todos diferentes e temos uma
ligação própria com cada um deles.
M.L: Além da literatura também teve experiências como
guionista, dramaturga e jornalista. Qual destas funções em que se sente melhor?
S.R: No
jornalismo e na dramaturgia tive experiências pequenas. Gostaria muito de
voltar a investir nesta última área que me agrada bastante. Mas não há dúvida
de que (devido à minha experiência profissional) as áreas em que me sinto mais
confortável são as do guionismo e literatura.
M.L: Um dos seus trabalhos mais marcantes, enquanto
guionista foi a telenovela “O Olhar da Serpente” (SIC) da autoria de Francisco
Nicholson e da jornalista Felícia Cabrita, com quem escreveu o livro com o mesmo
título. Que recordações guarda desse trabalho?
S.R: Foi muito interessante. A
“Ganância” (que antecedeu “O Olhar da Serpente”) passou por bastantes percalços
inclusive a mudança de autor. Também foi a minha primeira novela e tinha muito
a aprender.
Em “O Olhar da Serpente” já estava com outra segurança e o projeto foi desenvolvido de raiz com o Francisco Nicholson (autor), a Vera Sacramento (hoje Diretora de Conteúdos da Coral Europa) e a Lúcia Feitosa (que continua ligada à Plural) que escreveram a novela comigo. O Francisco Nicholson foi um grande mentor (para mim) pelos seus rasgos criativos e também pela sua forma de encarar a vida que a mim me diz muito.
Em “O Olhar da Serpente” já estava com outra segurança e o projeto foi desenvolvido de raiz com o Francisco Nicholson (autor), a Vera Sacramento (hoje Diretora de Conteúdos da Coral Europa) e a Lúcia Feitosa (que continua ligada à Plural) que escreveram a novela comigo. O Francisco Nicholson foi um grande mentor (para mim) pelos seus rasgos criativos e também pela sua forma de encarar a vida que a mim me diz muito.
M.L: Qual foi o momento que mais a marcou, durante o seu
percurso como escritora?
S.R: Talvez
o lançamento do meu primeiro livro na Fnac do Chiado. Tinha 22 anos, era muito
inexperiente, mas foi um momento muito marcante em que senti que ia de fato
abraçar o meu sonho de criança e ser escritora.
M.L: Como vê atualmente a Cultura em Portugal?
S.R: É
inegável que tem havido um desinvestimento em virtude da crise que está
instalada, mas uma crise não se ultrapassa sem um investimento no ser humano e
esse investimento tem de passar pela cultura. O Estado tem essa
responsabilidade (naturalmente), mas todos nós (individualmente) também a
temos, quer no fomento da nossa própria cultura, como no fomento da cultura nas
gerações mais novas. É importante que as crianças de hoje em dia entendam a
importância da cultura para que um dia a valorizem mais do que as gerações
atuais. Penso que está a ser feito um trabalho muito interessante a esse nível,
nas escolas, através de professores empenhados que têm sabido colocar os
recursos que têm ao dispor dos alunos. Nunca como antes as escolas tiveram
bibliotecas tão equipadas, visitas de escritores, acesso a informação, aulas de
música, dança, expressão dramática, visitas a teatros e outros espetáculos...
Os alunos beneficiarão com isso e, em última instância, todos nós, porque esta
nova geração irá dar mais valor à cultura, é a minha convicção. E,
consequentemente, será também uma geração mais criativa, o que se refletirá no
mercado de trabalho a vários níveis.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
S.R: Portugal
é um mercado muito pequeno, portanto com certeza que gostaria que as minhas
histórias não tivessem fronteiras… Um dos meus sonhos é que um livro meu fosse
transformado num filme com projeção internacional. É uma grande ousadia, mas
sonhar é importante, para renovarmos os nossos objetivos todos os dias e
trabalharmos para eles.
M.L: Também é Diretora de Conteúdos da editora O Livro
da Minha Vida que fundou juntamente com a arquiteta Ana Correia Tavares em
2007. Que balanço faz do percurso que a editora fez até agora?
S.R: É
muito gratificante, por um lado, porque é sempre uma emoção para quem requisita
os nossos serviços ver a sua história transformada em livro e partilhada com
aqueles que mais preza. Por outro lado, parece-me uma tarefa muito importante,
porque estamos a deixar para o futuro um conjunto de histórias pessoais que
refletem o que foi e é Portugal neste século. Temos recolhido histórias de
pessoas com 80 e 90 anos que falam de um Portugal que já não existe e que as
novas gerações nem imaginam que existiu. É importante deixar estas histórias
registadas e o livro continua a ser a melhor forma de as perenizar.
M.L: Qual foi a personalidade da Cultura que a marcou,
durante o seu percurso como escritora?
S.R: Em
primeiro lugar foi uma pessoa chamada Eduardo Prado Coelho que foi o meu
professor na faculdade. Foi a primeira pessoa que leu “A Sombra dos Anjos” e
que me incentivou a envia-lo para as editoras. Nessa altura, o livro chamava-se
“Anjo Negro”, mas como já existia um livro com esse mesmo nome (de Antonio
Tabucchi), foi Eduardo Prado Coelho quem sugeriu o nome que depois ficou.
Também me marcou muito a Luísa Mellid-Franco, que fez a primeira crítica aos
meus livros, no Expresso e o Carlos Pinto Coelho que leu por acaso os meus
livros e me convidou para programa “Acontece” (RTP2) como escritora-revelação.
Tenho também que voltar a referir o Francisco Nicholson (pelas razões que já
enunciei) e mais recentemente os meus editores (Alexandre Vasconcelos e Sá, Vítor
Silva Mota e Sofia Monteiro). Estou muito grata a todos eles pelo incentivo e
“empurrão” que me foram dando ao longo destes anos.
M.L: Que balanço faz da sua carreira?
S.R: Acho que ainda é um
bocadinho cedo para olhar para trás. Por enquanto, estou na fase de olhar para
a frente, de querer ter cada vez mais desafios e mais e mais e mais. Sou uma
sonhadora por natureza e uma lutadora por opção. Já cometi muitos erros, como
toda a gente, mas entre caminhos errados acho que tenho vindo a descobrir os meus
e há que seguir em frente sem olhar para trás.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
S.R: No
decorrer do próximo ano (2012/2013) conto lançar alguns livros, juvenis e
romances que pretendo levar também a escolas e bibliotecas. Irei também
continuar a desenvolver projetos n’O Livro da Minha Vida e conto também abraçar
alguns desafios na área da dramaturgia que estão a ser desenhados neste momento
e que espero que vão avante.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
S.R: Escrever
para cinema é um desafio que ainda gostava de abraçar. Gostava de transformar uma história minha num filme e
dar corpo a mais um conjunto de histórias que imagino no grande ecrã. Também
gostava muito que um livro meu infantil se transforme num musical. Estarei
igualmente a trabalhar para isso, durante este ano.
M.L: Se não fosse a Sara Rodi, qual era a escritora
que gostava de ter sido?
S.R: É uma
pergunta complicada. Sou fã incondicional de José Saramago e, se me
perguntassem com quem gostaria de me assemelhar, ao nível da escrita, seria
naturalmente com ele, por mais ousado que isso possa parecer. Tive a
oportunidade de o conhecer e de falar com ele em duas ocasiões e identifico-me
totalmente com um conjunto de reflexões que ele faz, sobre o homem e sobre a
vida. A forma como o coloca depois em livro também sempre me fascinou. Não
tenho um estilo próximo do dele, nem sei se algum dia me aproximarei, sequer,
em termos de qualidade literária. Mas sem dúvida que ele é uma das minhas
grandes referências.ML
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