terça-feira, 6 de novembro de 2018

"O Deus da Carnificina" no Teatro Sá da Bandeira até 18 de Novembro


Está em cena até ao próximo dia 18 de Novembro no Teatro Sá da Bandeira no Porto, a peça "O Deus da Carnificina" de Yasmina Reza, encenada por Diogo Infante (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2014/06/mario-lisboa-entrevista-diogo-infante.html), e protagonizada pelo próprio, Rita Salema, Patrícia Tavares (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2016/05/mario-lisboa-entrevista-patricia-tavares.htmle Pedro Laginha.


Estreada em Março passado no Teatro da Trindade, "O Deus da Carnificina" já tinha sido encenada em Portugal por João Lourenço no Teatro Aberto em 2009 e também foi adaptada ao cinema por Roman Polanski em 2011, e é sobre dois casais (Alberto/Bernardete & Verónica/Miguel) que se encontram para resolver um incidente protagonizado pelos seus filhos menores. Mas à medida que o encontro vai progredindo, ambos os casais deixam cair as suas máscaras e revelam a verdadeira natureza deles. Essencialmente, é uma peça sobre a hipócrisia e de até que ponto podemos chegar para defendermos os nossos interesses.

Rita Salema ("Bernardete") & Diogo Infante ("Alberto")
Patrícia Tavares ("Verónica")



Mário Lisboa

domingo, 4 de novembro de 2018

"Desculpa, Não Percebi"


Termina hoje (4 de Novembro) no Teatro da Comuna, mas depois vai em digressão, o espetáculo "Desculpa, Não Percebi" que é da autoria de Diana Costa e Silva, Isabel Medina (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2011/09/mario-lisboa-entrevista-isabel-medina.html) e Rafaela Covas e protagonizado por Diana Costa e Silva, Rafaela Covas, Raquel Oliveira e DJ Tita Machado.

Estreado no passado dia 17 de Outubro, "Desculpa, Não Percebi" é um espetáculo em que as próprias intervenientes levantam e se interrogam sobre vários aspetos da vida. Questões como "Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós? Quantos sou eu? Quantos és tu? Quantos somos nós? Quero brincar. Queres brincar? Como é que te sentiste?" são levantadas e que definem os seus próprios caminhos.

Diana Costa e Silva, Rafaela Covas, Raquel Oliveira


Mário Lisboa

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

"Os Lobos" (1998/99)


1998 foi um ano muito marcante por várias razões (a Expo 98 e o Mundial 98 são exemplos disso), e Portugal estava mais do que nunca otimista em relação ao futuro. Mas no que toca à teledramaturgia portuguesa, 1998 marcou o regresso do falecido ator/autor Francisco Nicholson à escrita de telenovelas após uma ausência de 6 anos com "Os Lobos", que a então NBP produziu para a RTP e em Novembro de 2018 celebra 20 anos da sua estreia.


"Os Lobos" é, para mim, uma das melhores telenovelas portuguesas de todos os tempos, com uma trama de proporções shakespearianas, e um retrato da sociedade portuguesa de então que só o Francisco Nicholson podia fazer, pois ele era um dos que melhor retratava Portugal tal como é na verdade. É uma telenovela onde tanto a parte técnica como a parte narrativa são boas de maneira igual e o seu incrível elenco liderado pelo carismático Sinde Filipe é um dos meus favoritos no que toca às telenovelas.

João Lagarto, Henrique Viana, Diogo Infante, Sinde Filipe, Sofia Alves, Manuela Maria, Patrícia Tavares, Fernanda Serrano
Diogo Infante e Sinde Filipe respetivamente como o ambicioso "Jorge Lobo" e o seu avô "Lourenço Lobo"
Sofia Alves como "Sabrina Venâncio"
Ana Brito e Cunha e Paula Mora respetivamente como "Raquel Lobo" e "Salomé Lobo"
São 200 episódios de uma telenovela que cada vez que a vejo numa reposição faz-me sempre sentir bem, o que é um bom sinal. "Os Lobos" é um forte exemplo da chamada "literatura televisiva", que havia muito nos primórdios das telenovelas em Portugal, e acho que faz muita falta autores como Francisco Nicholson, que era bastante ousado nas suas histórias, e eu estou esperançoso que haja mais telenovelas como "Os Lobos" no futuro.

Reportagem da TV Guia sobre "Os Lobos" - 1ª Parte
Reportagem da TV Guia sobre "Os Lobos" - 2ª Parte
Sinde Filipe no lançamento de "Os Lobos"


Mário Lisboa

sábado, 21 de julho de 2018

Mário Lisboa entrevista... António Borges Correia

Interessou-se desde muito cedo pelo audiovisual, tendo-se iniciado nessa área nos anos 90 e desde então tem desenvolvido um percurso bastante sólido como realizador, conciliando frequentemente cinema e televisão. A nível televisivo, trabalha atualmente na Plural Entertainment Portugal, e recentemente realizou a longa-metragem "As Horas de Luz", que teve a sua estreia mundial na última edição do IndieLisboa, e a telenovela "A Herdeira", que está atualmente em exibição na TVI. Esta entrevista foi feita no passado dia 11 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo audiovisual?
A.B.C: Muito cedo, em criança, mas só na juventude é que decidi que queria estudar cinema, apesar de ter entrado no Conservatório um pouco tarde (com 22 anos), pois nessa altura fui obrigado a cumprir o serviço militar. Mas desde muito cedo comecei a interessar-me por filmes. Onde vivia, havia dois cinemas (Academia Almadense e Incrível Almadense). Creio que a maior parte do tempo, em criança e jovem, era passado nessas salas de cinema ou na rua com amigos. Mas o meu espaço de liberdade e evasão era a sala de cinema.

M.L: Quais são as suas referências nessa área?
A.B.C: Há imensas. A maior parte das referências foram acontecendo na Escola de Cinema onde nos apaixonamos pelos (Jean-Luc) Godard, (Jean) Renoir, (Robert) Bresson, (Michelangelo) Antonioni, (John) Ford). Mas isto é um fenómeno que não se interrompe. Ainda hoje continuo a ser surpreendido por filmes ou séries que me influenciam, porque os criadores que questionam a gramática cinematográfica e que a confrontam para lhe acrescentar algo nunca deixarão de existir. São esses os objetos que me interessam, aqueles que usam os códigos para corrompê-los. Também me interesso pelo cruzamento das linguagens documental e ficcional, de que modo estão balizadas e até que ponto estamos sempre a encenar ou a falsear uma situação para obter um resultado. Até que ponto não estaremos a partir da mesma essência?

M.L: Tem coordenado produções televisivas na atual Plural Entertainment Portugal desde 2008. O que é que tem aprendido ao exercer esse tipo de função nesta última década?
A.B.C: Acima de tudo, manter o equilíbrio entre as realidades artísticas e orçamentais, mas também, manter a calma quando aparecem imprevistos e relativizar as coisas menos boas. Neste meio, como em outros meios, aprende-se muito sobre a natureza humana, principalmente no que diz respeito à gestão dos egos.


M.L: Uma das primeiras telenovelas que realizou foi “A Senhora das Águas”, que a RTP exibiu entre 2001/02. Que recordações guarda desse projeto em particular?
A.B.C: Creio que foi mesmo a minha primeira novela. Antes só tinha feito séries. O que me vem à memória desde logo é o facto de ser uma equipa muito unida. E o elenco era muito especial. O ambiente era espetacular. Foram 6 meses a rir.



M.L: Realizou o documentário “Antes de a Vida Começar”, sobre a atriz Isabel de Castro, e que estreou após o seu falecimento em Novembro de 2005. 13 anos depois, houve alguma coisa que conseguiu extrair da sua interação com a própria naquela altura?
A.B.C: A Isabel foi uma atriz enorme que sempre quis passar despercebida. Fez vinte e tal filmes em Espanha e não se reconhecia nos cartazes da Gran Vía em Madrid. Bastantes vezes dizia “carreiras… só de autocarros”. É impossível esquecê-la. O documentário que fiz com ela, sobre ela, ensinou-me, sobretudo, aquilo que é uma pessoa a não se dar muita importância a si própria, mas, ao mesmo tempo, tentar alcançar uma relativa liberdade.



M.L: Nestes tempos difíceis, retratar histórias humanas é cada vez mais uma urgência no cinema?
A.B.C: Sim, talvez, mas mais importante que a história é a abordagem que se escolhe. No cinema ou qualquer arte o que faz sentido é usar as suas próprias ferramentas. No cinema, as ferramentas são a Câmara e a Montagem e o objetivo de um filme deve procurar uma reflexão sobre essas ferramentas e sobre o mundo onde vivemos. O cinema não serve para alienar nem para comer pipocas.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira no meio audiovisual?
A.B.C: Que tenha coragem para isso e no momento de desistir que siga em frente. Faça em vez de se queixar.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como realizador?
A.B.C: Não faço a mais pequena ideia. Isso é trabalho para quem analisa, escreve e critica.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
A.B.C: Ler e meditar todos os dias.ML

quinta-feira, 12 de julho de 2018

sábado, 26 de maio de 2018

"Macbeth"


Uma das experiências teatrais mais memoráveis que eu tive em 2017 foi esta versão de "Macbeth", a chamada "peça escocesa" de William Shakespeare, que foi encenada por Nuno Carinhas e protagonizada por João Reis como a ambiciosa personagem-título.


Desde que me lembro que William Shakespeare é um dos meus autores favoritos, pois as suas histórias sempre me despertaram interesse e têm tudo o que eu espero de uma história nomeadamente a nível narrativo. Para além de serem histórias com temas muitíssimo pertinentes. E é principalmente por ser um fã de Shakespeare que no verão de 2017 eu estava com enormes expectativas em relação a "Macbeth", pois por incrível que pareça foi a primeira vez que fui ver Shakespeare em teatro, e sempre tive curiosidade em relação a "Macbeth", à sua história e às suas personagens, e na altura eu fiquei imensamente agradado com o que vi principalmente a encenação, o desempenho do elenco e o ambiente sombrio em termos de tom. A única desilusão que eu tive na altura ao ver "Macbeth", foi a Lady Macbeth (Emília Silvestre), pois achei que esta versão da personagem não correspondia à ideia que eu tinha dela, mas ao ver a peça pela segunda vez eu passei a compreender melhor a Lady Macbeth.

Emília Silvestre como a igualmente ambiciosa "Lady Macbeth"

"Macbeth" é um exemplo do quanto o trabalho que William Shakespeare desenvolveu em vida ainda é muito atual e é para mim uma das melhores histórias que envolvem ambição, poder, corrupção e vingança que o Mundo já alguma vez viu.

O grandioso elenco de "Macbeth"

Mário Lisboa

domingo, 22 de abril de 2018

Mário Lisboa entrevista... Rui Pedro Tendinha

O Cinema é a sua grande paixão desde muito cedo, ficando amigo do chamado "monstro" segundo o próprio, o que o levou à Comunicação Social, e desde aí tornou-se num dos mais carismáticos jornalistas/críticos de cinema em Portugal, com uma genuidade e uma acessibilidade só comparável ao igualmente carismático Mário Augusto. Com alguma experiência na realização, apresenta desde 2013 o programa "Cinetendinha" que é exibido tanto na SIC Radical como nos Canais TVCine e Séries, e gostava de desenvolver uma ideia de residências artísticas de Cinema. Esta entrevista foi feita na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira.

M.L: Quando surgiu o interesse tanto pela Comunicação Social como pelo Cinema?
R.P.T: Eu acho que foi o Cinema que me levou para a Comunicação Social, porque eu desde criança fiquei amigo do “monstro”. O Cinema é um “monstro”, o Cinema em si simboliza, atrai e molda a vida, e a dada altura o Cinema foi um espelho que eu tive para ver os outros e ver a vida. No fundo, não era só um entretenimento. Mesmo desde criança, era algo vital, era quase uma bolsa de oxigénio. E a partir de muito cedo, o Cinema foi de facto uma atração fatal para mim.

M.L: Quais são as suas referências nestas duas áreas?
R.P.T: Eu acho que o discurso de alguém que escreve sobre cinema tem que ter uma vertente pessoal e tem que ter uma componente também de relação muito pessoal com o objeto de arte. Nesse sentido, eu gosto de textos que me desafiem, pelo menos enquanto leitor, a pôr-me no lugar do objeto de arte, e isso para mim é o que me dá mais gozo quando leio críticas, e nesse sentido eu gosto muito do Peter Travers, da falecida Pauline Kael. No Cinema, eu gosto de pensar que ninguém é sagrado, eu não ponho ninguém intocável, mas claro que eu tenho os meus próprios ídolos como, por exemplo, o David Lynch e o (Stanley) Kubrick.

M.L: De tudo o que tem feito até agora tanto na Comunicação Social como no Cinema, houve algum trabalho em particular que foi tanto divertido como pessoal de se fazer?
R.P.T: Eu gostei muito de arrancar com o “Cinetendinha”, que foi uma ideia que o Pedro Boucherie Mendes me propôs e que era precisamente mostrar o que é o meu dia-a-dia de uma forma informal e verdadeira e isto é muito gozo. Em 2016, eu pude ir aos Óscares e achava que era uma coisa inacessível e de repente estava lá ao lado das estrelas todas, e fui também aos Independent Spirit Awards e esse tipo de coisas, para alguém que cresceu a amar o cinema, é forte.


Rui Pedro Tendinha na altura dos Óscares 2016
M.L: Também tem alguma experiência na realização. Gostava de, um dia, desenvolver uma carreira paralela como realizador?
R.P.T: Quando eu faço cinema documental, tenho feito de uma ordem de muita encomenda. Eu não tenho aspirações artísticas, quando faço os documentários. A minha vocação é escrever sobre cinema.

M.L: Em 2012, escreveu o livro sobre auto-ajuda no cinema “100 Filmes Que Podem Mudar a Sua Vida”. 6 anos depois da publicação do livro, acha que as pessoas ainda podem precisar de auto-ajuda no que toca ao cinema?
R.P.T: Eu podia fazer outro volume, mas agora se me desafiarem para escrever um livro, eu gostava de escrever um livro de entrevistas. Uma pessoa está triste, com depressão, que vá ao cinema, faz bem ir ao cinema.



M.L: Numa era muito tecnológica, complexa e sombria e em que o Cinema está muito mais evento, acha que o Cinema ainda pode ter capacidade de dar alegria e emoção como no passado?
R.P.T: É verdade que o Cinema está muito mais evento, mas há sempre lugar para tudo, há sempre um lado de resistência, e festivais como o Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira são um bom exemplo de haver ainda quem faça um cinema pessoal, experimental, de ensaio. O Cinema pode ter sempre um grande ponto de interrogação e de questionamento a nível artístico e nesse sentido poderá sempre haver esse cinema mais mainstream, mas há de haver sempre esse lado mais resistente.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira seja na Comunicação Social ou no Cinema?
R.P.T: A Comunicação Social está a viver momentos difíceis. O jornalismo é uma profissão que se desvalorizou quer se queira quer não. Temos que ser todos muito mais analíticos. O jornalismo parece que sobre isso está a ganhar ao jornalismo de pensamento e isso é uma pena. Eu acho que o jornalista tem que ter uma opinião e tem que ter uma coisa que, por exemplo, o Eduardo Prado Coelho tinha que era o cálculo de não só dizer uma opinião, mas de pensamento, de fluição sobre o mundo que vê. Hoje em dia, como temos tantos acessos às críticas e aos sites, nós precisamos é de seletores que pensem e que não façam só o trabalho preguiçoso. Esse é o meu conselho que eu dou.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como jornalista de cinema?
R.P.T: Abdiquei da minha vida pessoal, passo a vida a viajar, eu já tive três divórcios e nunca consegui ser pai, porque o Cinema absorveu-me.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
R.P.T: Eu gostava muito de fazer uma ideia de residências artísticas de Cinema. É uma utopia.ML

segunda-feira, 16 de abril de 2018

sábado, 31 de março de 2018

Lucinda Loureiro


Para terminar Março, o mês da Mulher, aqui deixo um texto que a atriz/encenadora/diretora de atores Lucinda Loureiro escreveu no passado dia 26 de Março a meu pedido sobre a Mulher em si.

"Pediu o Mário Lisboa que escrevesse sobre a mulher e as dificuldades para singrar.

Bom, resolvi falar sobre mim, sendo eu um reflexo de outras mulheres.

Tenho que andar uns anos para trás, ao tempo da minha infância e juventude.

Fui criada no seio de uma família tradicional, da alta burguesia, e alguns dos meus antepassados, estavam ligados às artes. Música, pintura, fotografia, escrita. Mas, só uma bisavó, ganhava o seu sustento e depois de ficar viúva, dando aulas de piano.

Eu e os meus irmãos, éramos cinco, costumávamos brincar dizendo que nós éramos a ÍNCLITA GERAÇÃO. Todos tínhamos algum talento para as artes. O irmão mais velho, dizia poesia, o segundo desenhava muito bem, eu gostava de dançar, de ver teatro na televisão, e de escrever. A minha irmã, adorava ballet e o mais novo música. Como era habitual numa pequena cidade do Interior, e com o contexto familiar que me rodeava, estava destinado para mim, estudar, talvez até ao 3º ano da faculdade, mais não me exigiam, e depois casar e ter filhos. Quando cheguei ao antigo 5º ano do liceu, actual 9º ano de escolaridade. Comecei a dizer que queria ir para o conservatório de teatro. Ui, ui nem pensar afirmaram os meus pais. Fiquei triste mas não tive outro remédio senão calar e continuar a acalentar em segredo este sonho. Recusava e por vezes era castigada quando não executava as tarefas femininas que me destinavam. Em vez de coser ou passar a ferro, passava horas a ler. Era certo e sabido que havia confusão lá em casa. Quando se deu o 25 de Abril aderi de imediato a tudo o que até então eu desconhecia. Encontrei nessa época o meu propósito de vida. Contestei a autoridade paternal, e comecei o meu caminho em direcção à liberdade de pensamento, ao movimento de emancipação da mulher.

Quando já em 1977 chegou a Viseu um grupo de actores, e um deles foi viver para a casa da minha sogra, sim porque eu casei muito cedo e tive um filho ainda com 16 anos. Fruto da minha ingenuidade, e desconhecimento dos métodos para não engravidar. Aliás estava proibida de abordar sequer o tema pílula com a minha mãe. Bom, mas ele foi para lá e de imediato lhe disse da minha vontade de ser actriz. Sorte a minha, passados meia dúzia de meses, uma das actrizes regressou a Lisboa, e eu pude ir a um ensaio a convite do grupo de teatro para mostrar o que valia. Fiquei feliz, feliz. O problema a seguir era anunciar aos meus pais a minha decisão. Claro que mais uma vez, foi muito mal aceite. Apesar de apreciarem e de à sua maneira incentivarem a vida cultural, ter uma filha actriz era outra coisa. As meninas de bem não iam para o teatro. Muito bem, pensei eu, deixarei de ser uma menina de bem, e passei a integrar o grupo de teatro a Centelha, assim se chamava. E foi o melhor que fiz. Aprendi, conheci muita gente do mundo das artes, logo nos dois anos que estive nesse grupo. Após este período comecei a sentir mais uma vez que Viseu não me chegava. Tinha que partir. Agora o problema era outro. Com um filho pequeno enquanto estava rodeada de família, eram eles que tomavam conta dele na minha ausência, mas levá-lo comigo para outra cidade, era mais complicado. Ainda por cima, tinha chegado o momento de me separar. Demorei algum tempo a tomar uma decisão, mas lá fui para o Porto. Deixei o meu filho com os meus pais, e fui estudar Secretariado e Gestão. Mas o teatro sempre na minha mira. Um dia, estava a estudar ao mesmo tempo que ouvia rádio, e eis senão quando, anunciam que o Teatro Experimental do Porto, precisava de uma actriz. Saí de imediato de casa e apresentei-me no Teatro. Fiquei nesse mesmo dia. Nada disse aos meus pais, porque tive que abandonar os estudos, e só os convidei para a estreia. Lá foram. E correu melhor do que esperava, porque começaram a perceber que eu não ia desistir. E para não me alongar muito, vou resumir o resto. Cedo o Porto ficou pequeno. O meu sonho sempre foi vir para Lisboa. Aqui continuou a colocar-se à questão sentida anteriormente. Como fazer teatro e criar o meu filho? Lá fui conseguindo, umas vezes levando-o comigo. Chegando mesmo a dormir no camarim.

Como actriz tive quase sempre o apoio dos meus colegas, quer em termos pessoais quer artísticos. Nunca me senti discriminada. Só quando comecei eu, a encenar ou fazer direcção de actores é que me apercebi que ainda muita coisa estava por fazer. Era preciso continuar a lutar pelo nosso lugar de mulheres criativas e que também sabíamos dirigir e estar à frente dos projectos a que nos propúnhamos. Hoje, ainda há muita desigualdade, continuaremos a lutar.

Lucinda Loureiro"

Sem dúvida nenhuma, uma MULHER lutadora e corajosa. Muito obrigado, Lucinda.
Mário Lisboa

domingo, 11 de março de 2018

"A Senhora das Águas" (2001/02)


Manuel Arouca é, desde os "Jardins Proibidos" (TVI) original, um dos meus autores favoritos e algumas das minhas telenovelas favoritas são da sua autoria e uma delas é "A Senhora das Águas", que está atualmente em reposição na RTP Memória.

                                        
Exibida originalmente entre 2001/02, "A Senhora das Águas" foi a última telenovela da RTP produzida pela NBP (atual Plural Entertainment Portugal) e estreou no mesmo dia que a telenovela "Filha do Mar" (TVI), também escrita por Manuel Arouca e produzida pela NBP, mas infelizmente não teve o sucesso que merecia.


"A Sónia é me particularmente querida por ter sido o 1º e talvez o único papel menos simpático que desempenhei."
Sofia Nicholson sobre a sua personagem Sónia Mendes Bernardes em "A Senhora das Águas" numa entrevista para o "Mário Lisboa entrevista..." em Outubro de 2014.

Eu ouvi falar de "A Senhora das Águas" na altura da sua estreia e lembro-me da sua campanha de promoção e quando finalmente consegui ver a telenovela na RTP Memória numa reposição em 2009, eu gostei logo de imediato por várias razões nomeadamente a nível narrativo e visual (por falar a nível visual, o cenário de Viseu é sem dúvida uma das coisas boas que "A Senhora das Águas" tem). Eu tenho que salientar também o fantástico figurino da igualmente fantástica Teresa Alves nomeadamente o da protagonista Mercês Vargas (Luísa Cruz).



"De “A Senhora das Águas” guardo as melhores recordações. 1ª: a minha personagem era muito maluca, divertida e também tinha um bocadinho de maldade, o que enriquecia imenso as situações. Depois, porque gravei os exteriores na vila de Santar ao lado de Viseu, onde passei parte da minha infância. Depois, os meus colegas e a equipa eram do melhor. Grandes profissionais e gente boa."
Lucinda Loureiro ("Ondina de Jesus Trolha") sobre "A Senhora das Águas" numa entrevista para o "Mário Lisboa entrevista..." em Dezembro de 2012.

"A Senhora das Águas" leva o seu tempo para desenvolver a sua trama e as suas personagens e tem um lado místico fortíssimo e também um elenco muitíssimo bom encabeçado por uma fantástica Luísa Cruz a estrear-se naquela altura nas telenovelas.

Amélia Videira como Ilda, a Senhora das Águas
Luísa Cruz e o brasileiro Oscar Magrini como o par romântico Mercês e Lucas
Simone de Oliveira como "Maria dos Prazeres"
A brasileira Juliana Baroni como "Cláudia Cardoso Lobo"
Virgílio Castelo, também diretor-geral da NBP na altura, como "João Manuel" na primeira fase de "A Senhora das Águas"
Eu ainda hoje tenho imenso carinho por "A Senhora das Águas", pois infelizmente já não se fazem telenovelas como esta hoje em dia, e para terminar aqui deixo a canção-título do lendário Carlos Mendes que é a minha favorita de toda a telenovela.


Mário Lisboa

quinta-feira, 8 de março de 2018

8 de Março, o Dia Internacional da Mulher


Hoje (8 de Março) é o Dia Internacional da Mulher e é um dia que eu levo em consideração há já bastante tempo, pois a Mulher é um ser muito lutador, muito especial e, sem dúvida nenhuma, é também um ser muito superior ao Homem. Mas, infelizmente, a Mulher ainda é muito menosprezada, apesar dos progressos que têm havido para inverter isso, e a propósito de homenagear este fantástico ser e o seu dia especial, eu convidei a realizadora/produtora independente Isabel Pina, que é uma das minhas grandes amigas e faz anos precisamente hoje, para escrever um texto sobre a Mulher em si.


"8/3/2018 M U L H E R

Respondendo ao desafio do blogger de cinema Mário Lisboa, deixo aqui uma pequena reflexão acerca deste 8 de março de 2018.

Habituei-me ao longo dos anos a ser felicitada duplamente neste dia; pelo meu aniversário e pela minha condição de mulher. E todos os anos assisto a iniciativas que têm como propósito enaltecer a condição da mulher e recordar o porquê desta efeméride neste dia. Mas este ano há algo de diferente, há algo a mais; primeiro porque completo um daqueles aniversários com um número bem redondo, e depois paira algo de novo no ar a querer cumprir-se para que sejam operadas mudanças efetivas no coletivo global.

Uma das indústrias que potencialmente mais influencia as consciências no mundo - a do cinema - colocou na voz de muitas protagonistas do meio uma mensagem de urgência na questão da igualdade no tratamento das mulheres em relação aos homens. É sem dúvida um tema de referência da atualidade.

Em novembro último, 700.000 trabalhadoras agrícolas escreveram uma carta aberta de apoio à causa das atrizes vítimas de assédio sexual. Depois de a lerem, os membros da Time’s Up sentiram a necessidade de direcionar os seus esforços ao resto do mundo.

“Se este grupo de mulheres não consegue lutar pelas outras mulheres, que não têm tanto poder nem privilégios, quem irá conseguir?” questionou Shonda Rhimes, produtora executiva de séries de televisão.

O Time’s Up é gerido por voluntárias e composto por grupos de trabalho, com diferentes focos. Entre as voluntárias do Time’s Up estão as atrizes Ashley Judd, Eva Longoria, America Ferrera, Natalie Portman, Emma Stone, Kerry Washington e Reese Witherspoon.

“Estamos finalmente a ouvir-nos umas às outras, a ver-nos umas às outras e agora a dar as mãos pela solidariedade umas pelas outras e por todas as outras mulheres que não se sentem vistas nem ouvidas”, afirmou a atriz Reese Witherspoon.

Desde essa altura para cá, em vários eventos mediáticos de cinema, este tema é recuperado e apesar destas mulheres se dizerem muitas vezes frustradas pelos resultados não tão imediatos, garantem que não vão desistir. Tenho esperança que o movimento continue e que não haja volta atrás.

Já me aconteceu ter de me apresentar sumariamente, e quando isso acontece, costumo dizer algo com que me identifico bastante: “Olá, eu sou a Isabel, e sou do signo Peixes, e como tal, sou uma sonhadora”. E é bem verdade, sou uma sonhadora, e quando não estou a sonhar, é porque estou ocupada a cumprir os meus sonhos. E um dos sonhos que tenho é ver o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem [e Mulher] cumprido na sua íntegra – “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade”. A propósito do dia de hoje, também sonho que os artigos 2º e 23º possam ser cumpridos – “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente, de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento, ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território independente, sob tutela ou sujeito a alguma limitação de soberania.” […] “2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.”

Sendo eu M U L H E R, nada melhor do que ter um bocadinho de voz neste dia tão especial, e recordar a voz da rainha do soul, Aretha Franklin, a pedir “just a little bit… RESPECT”. 

Termino com uma reflexão de uma das mulheres que mais influenciou o mundo positivamente: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Madre Teresa de Calcutá.

Xi-coração da Isabel Pina"


Mário Lisboa

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Heath Ledger, o Joker do Século XXI


Na passada segunda-feira (22 de Janeiro) celebrou-se 10 anos desde que o inesquecível ator australiano Heath Ledger faleceu devido a uma overdose e, ultimamente, eu tenho pensado nele, pois não só era um dos atores que me marcaram no meu tempo de adolescente como também era um talento imenso que lutou muito em vida para ser levado a sério como ator e não ser considerado apenas uma cara bonita, e este texto é apenas uma pequena homenagem a aquele que, como o título acima refere, é o Joker do Século XXI.


Eu ouvi falar pela primeira vez de Heath Ledger em 2000, quando estreou "O Patriota", o épico realizado por Roland Emmerich e protagonizado pelo seu compatriota Mel Gibson, onde Ledger era o filho do próprio. Tinha eu 10 anos na altura. Mas só o vi num filme pela primeira vez, quando a SIC exibiu "10 Coisas Que Odeio em Ti" (1999), e ainda hoje eu acho que o Ledger era a melhor parte deste popular clássico teen.
                                    


Heath Ledger como o inesquecível rebelde "Patrick Verona" 
À medida que eu fui crescendo, Heath Ledger sempre me impressionava seja, por exemplo, em "Coração de Cavaleiro" (2001), "Monster's Ball-Depois do Ódio" (2001), "Os Irmãos Grimm" (2005) e o aclamado "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), que mudou a sua vida tanto a nível pessoal como profissional e lhe valeu em 2006 uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator.

William Thatcher (Heath Ledger) - "Coração de Cavaleiro"

Sonny Grotowski (Heath Ledger) - "Monster's Ball-Depois do Ódio"

Jacob Grimm (Heath Ledger) - "Os Irmãos Grimm"

Ennis Del Mar (Heath Ledger) - "O Segredo de Brokeback Mountain"
No que toca ao agora clássico "O Cavaleiro das Trevas" (2008), esse era um dos meus filmes mais antecipados desse ano e eu lembro-me muito bem do impacto gigantesco que o filme teve nessa altura e quando o vi eu adorei imenso por várias razões nomeadamente a premiada e icónica interpretação de Heath Ledger como o tresloucado Joker. Apesar de eu ter um especial carinho pela versão de Jack Nicholson desta personagem em "Batman" (1989), pois eu cresci a ver esta versão mais do que uma vez, eu acho sinceramente que o Joker de Ledger é a versão definitiva no que toca às novas gerações e também o facto de ser uma versão muito profunda e sombria.

Heath Ledger como "Joker" numa magnífica interpretação que ficou para a História recente do Cinema


Heath Ledger é uma de várias personalidades públicas que faleceram quando estavam na flor da idade e ainda tinham muito para dar, cuja interpretação de Joker imortalizou-o como ator, mas, como fã do trabalho de Ledger, eu aconselhava às novas gerações para irem além do Joker e conhecerem um pouco melhor o trabalho deste carismático aussie.


Mário Lisboa

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Mário Lisboa entrevista... Sara Aleixo

Iniciou-se na Moda, tendo depois enveredado tanto pela Comunicação Social como pela representação, e tem desenvolvido um bom percurso artístico que já conta com duas décadas de existência. Estreou-se nas telenovelas em 2004 com "Mistura Fina" (TVI), e regressou recentemente a este género televisivo com "Paixão" que está em exibição na SIC, e gostava de fazer muita coisa em vida. Esta entrevista foi feita no passado dia 18 de Janeiro.

M.L: Quanto surgiu o interesse tanto pela Comunicação Social como pela representação?
S.A: O interesse surgiu já no tempo da escola, e mais tarde percebi que em todos os trabalhos que passei, esse era um dos pontos mais valorizados. Eu comecei na moda, espetáculos de dança, e aos 24 anos foi aí que percebi o interesse pela representação em televisão e subir ao palco.

M.L: Quais são as suas referências nestas duas áreas?
S.A: Muitos atores e atrizes são uma referência para mim, mas principalmente todos os que contracenaram comigo. Sei que aprendi muita coisa e só tenho que agradecer a todos o que cresci e vivi em cada cena, com cada um, como atriz.

M.L: Seja como apresentadora ou como atriz, houve algum trabalho em particular que considera como o mais divertido de se fazer?
S.A: Bom, eu posso dizer que todos têm o seu lado divertido e o mais sério também. Lembro-me de uma das minhas primeiras apresentações que foi uma gala de entrega de prémios, no Casino Estoril, e que o fiz com o nosso conhecido Aldo Lima, que para mim foi um orgulho e por outro lado, lembro-me que fiquei tão nervosa, por ser alguém tão experiente e profissional, falamos, ensaiamos, mas assim que começamos, o Aldo, com o seu à vontade, pôs-me à vontade também e o trabalho fluí muito bem. Acho que num modo geral tudo o que fiz, tanto me deu divertimento como deu algumas consequências, mas por outro lado me deu aprendizagem, crescimento, amadurecimento e muitas histórias por contar, onde muitas fotografei ou reportava para os meus telemóveis ou câmaras e mais tarde, revejo-as e divirto-me ao recordá-los todos.

M.L: Também tem experiência na Moda e na Publicidade. No caso da Moda, esta área específica a seu ver está hoje em dia muito diferente do que quando começou a trabalhar como modelo?
S.A: Sim, a Moda e a Publicidade foi por onde eu comecei, mas não acho que sejam muito diferentes. Mas sim na altura havia muita oferta, os cachets eram outros, eu lembro-me de estar horas em castings, de fazer 3/4 castings no mesmo dia. O meio sempre foi interessante e desafiador ao veres-te a conhecer muitas pessoas, e trocar experiências, muitas horas a filmar, e claro os making-of sempre a rodar.

M.L: Participou como atriz na telenovela “Mistura Fina” que foi exibida na TVI entre 2004/05, na qual interpretou a personagem Fátima Benfeito. Que recordações guarda da sua estreia nas telenovelas e também da sua personagem?
S.A: Tenho muitas recordações boas, e muitas das cenas eram divertidas, a estreia foi um momento que me marcou. Eu lembro-me de receber os parabéns e as críticas que na altura a personagem desenvolveu, e no fim já não gostavam da Fátima Benfeito. Como já tinha mania de filmar, tenho alguns dos making-of, de alguns trabalhos, que no outro dia por acaso encontrei, e autocritiquei-me claro, pois nunca estava satisfeita com uma cena, ou recordei alguns dos atores, que já não estão entre nós como o Rodrigo Menezes e o Canto e Castro, e os que ainda vejo que continuam na profissão como Eunice Muñoz, Adriano Luz, Custódia Gallego, Ana Padrão, Maria João Luís, Luís Esparteiro, Manuel Sá Pessoa, Jorge Corrula, São José Lapa, etc.


Sylvie Dias ("Solange Benfeito") & Sara Aleixo ("Fátima Benfeito") 
M.L: Regressou recentemente à televisão como atriz na telenovela “Paixão” (SIC), cuja sua personagem é a Tina. Tendo em conta que já não representava em televisão há já bastante tempo, como é que surgiu o convite para interpretar a Tina e o que a cativou nessa personagem?
S.A: O convite surgiu através da minha agência Cast 39. Eu fiquei muito contente quando me ligaram a dar a notícia e aceitei logo, pois há já algum tempo que estava a querer voltar. Muito resumindo, digamos que a Tina vai criar alguns distúrbios, mas não deixa de ser cativante, talvez por ser diferente das outras personagens que tinha feito, até hoje, é sempre um desafio maior se formos a fugir daquilo que realmente somos. Já batia saudades há já algum tempo e criou vontade de fazer mais.

M.L: Que expectativas têm em relação ao seu regresso como Tina no que toca à receção do público?
S.A: Espero que positivo, que a personagem se desenvolve mais, e que o público goste do meu trabalho, e que não deixe de dar apoio com a sua opinião. A expectativa é de desejar que outros convites surgam, pois uma porta nova se está a abrir.

M.L: Qual conselho que daria a um/a aspirante tanto na Comunicação Social como na representação?
S.A: Diria aos aspirantes para estudarem, formarem-se, lutarem e seguirem os seus sonhos, sem desistir, pois nada é fácil nesta vida. Temos é que acreditar!

M.L: Olhando para trás, sente-se de certa forma orgulhosa do percurso que tem desenvolvido até agora como pessoa, como apresentadora e como atriz?
S.A: Sim, se não fosse orgulhosa do meu percurso de vida estava a ser muito ingrata, pois cresci muito como pessoa, como profissional e como mulher, e tento fazer sempre com um sorriso .

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
S.A: Gostava de fazer tanta coisa, mas assim de repente eu gostava de fazer cinema um dia, dar a volta ao Mundo, ir a países que eu não fui ainda, gostava de casar e ter filhos um dia.ML

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Mário Lisboa entrevista... Mark Sanger

O interesse pelo Cinema surgiu quando tinha 6 anos e viu "Aconteceu no Oeste" (1968) do lendário Sergio Leone (1929-1989) e nas últimas duas décadas tem desenvolvido um percurso muito sólido nessa área, tornando-se num dos editores mais requisitados da atualidade e foi premiado em 2014 com o Óscar de Melhor Montagem pelo aclamado "Gravidade" (2013) de Alfonso Cuarón e protagonizado por Sandra Bullock e George Clooney. Em 2017, co-editou "Transformers: O Último Cavaleiro" de Michael Bay e o 5º filme da saga no espaço de uma década, e gostava de passar menos tempo a editar e mais tempo com a família. Esta entrevista foi feita no passado dia 18 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo Cinema?
M.S: Como qualquer miúdo, eu fui sempre um fã de histórias, mas eu vi “Aconteceu no Oeste” (1968) quando eu tinha 6 anos e percebi que eu queria contar histórias em cinema. A linguagem de (Sergio) Leone ainda é tão apelativa para mim e então eu fiquei transfixado desde uma idade precoce. Essa foi a faísca. Eu então tornei-me fã de muito do cinema americano dos anos 70, particularmente o trabalho de (William) Friedkin e (Alan J.) Pakula. Cresceu a partir daí.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto editor?
M.S: Eu não costumo ser liderado por referências pessoais ou influências se eu puder evitá-lo. É mais sobre cometer a visão do realizador para o ecrã, portanto as minhas referências são o que queremos tentar alcançar dramaticamente em qualquer cena. Então, na essência, a minha grande referência é o realizador que contratou-me para colaborar em qualquer história específica.

M.L: Em duas décadas de trabalho no cinema, houve um projeto específico que pode considerar como o mais difícil e desafiante que fez até agora?
M.S: Para mim, a resistência é sempre o maior desafio num filme e por essa razão “Gravidade” (2013) foi o mais duro na minha carreira. Durante a pré-produção, não fazíamos a mínima ideia se o filme iria ter luz verde pelo estúdio, então durante as filmagens e a pós-produção nós não tínhamos uma data de estreia. Então às vezes achava que estávamos executando um sprint numa corrida sem linha de chegada. Dessa perspetiva, foi o mais desafiante e, sem dúvida, o mais exaustivo.


M.L: Em 2014, ganhou, juntamente com Alfonso Cuarón, o Óscar de Melhor Montagem por “Gravidade”. Qual foi a sua sensação, quando Anna Kendrick e Gabourey Sidibe anunciaram o seu nome?
M.S: Honestamente, eu acreditei que o meu amigo Christopher Rouse iria ganhar por “Capitão Phillips”, portanto foi uma surpresa genuína. Naquele momento, acabou por se tratar de agradecer a toda a equipa. Há tantos heróis desconhecidos que trabalham nos bastidores sem o crédito apropriado que foi extremamente importante para mim e que todos e cada um deles foram agradecidos. Então eu fiz um esforço concertado para lembrar de todos no meu discurso, o que não é fácil à frente de 50 milhões de pessoas eu lhe posso garantir, mas graças a Deus eu consegui de alguma forma.


Gabourey Sidibe, Mark Sanger, Alfonso Cuarón, Anna Kendrick
M.L: Como olha para os altos e baixos da indústria cinematográfica, pelo menos desde que se iniciou há duas décadas?
M.S: Fazer cinema nunca é fácil, é sempre uma batalha. A este respeito, as coisas não mudaram e eu não acredito que elas deveriam. Algumas das maiores obras artísticas vêm das profundezas dessas batalhas. Mas eu acho que houve uma reversão no tamanho e alcance da produção de filmes. Quando eu comecei havia muitos filmes pequenos a serem feitos e alguns blockbusters de verão. Agora parece que há mais blockbusters e alguns projetos pequenos. Talvez isso seja porque muitos destes migraram para a Netflix e Amazon, que fornecem ambientes de trabalho ricos para storytellers criativos, mas acho que provavelmente é mais difícil obter financiamento para filmes independentes do que nos velhos tempos e foi bastante difícil então.

M.L: Recentemente, co-editou “Transformers: O Último Cavaleiro” de Michael Bay, que foi lançado em Junho passado e é o quinto filme da saga “Transformers”. Como é que este projeto chegou até si?
M.S: A verdade é que eu tenho um agente muito bom que me consegue ofertas e projetos!


M.L: Como foi trabalhar com Michael Bay, durante o processo de edição?
M.S: Eu aprecio todas as formas de colaboração de equipa e este foi o melhor exemplo de coesão de equipa editorial com a qual participei até agora. A tarefa era enorme. Múltiplos editores, 900 mil metros de filme e, felizmente, um líder forte no controlo de tudo. O processo de Michael é fazer seleções diárias e depois dar-nos cada liberdade criativa para trabalhar com as cenas, como nós gostamos. Normalmente, todos os editores reuniam-se pela manhã para discutir as seleções de Michael e, em seguida, o que pretendíamos fazer com as nossas cenas, para garantir que sempre nos comunicássemos. Foi um processo intenso devido ao horário, mas foi sempre um processo aberto e criativamente colaborativo. Eu nunca tinha trabalhado com ninguém da equipa do “Transformers 5” e acabei por fazer amigos para a vida.

Michael Bay e Mark Sanger no lado direito da fotografia
M.L: A saga “Transformers” celebrou 10 anos de existência em 2017. Como olha para este ícone da cultura pop que as pessoas tanto adoram como odeiam?
M.S: Para mim, eu tenho que dizer que acho que a sua popularidade duradoura é, em parte, ao facto de que Michael Bay é um genuíno génio cinematográfico. Quantos realizadores lá fora são conhecidos pelo seu próprio estilo único? O Michael faz parte de um seletivo grupo internacional que têm o talento e a experiência para serem reconhecidos como artistas puramente do seu estilo visual. Essa é a razão pela qual as pessoas se reúnem para ver os seus filmes.

M.L: Gostava de, um dia, fazer a sua estreia na realização?
M.S: Sim, eu estou ligado a alguns projetos para fazer exatamente isso. Mas a edição é a minha paixão por agora.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira cinematográfica?
M.S: A verdade é que a realidade da indústria é muitas vezes um reflexo sombrio da paixão com que entras em relação ao cinema. No entanto, isso não quer dizer que não pode ser tudo o que imaginaste. Se realmente tens uma paixão, fica com as tuas armas. Aprende o teu ofício desde o início e lembra-te de que a ambição é excelente, desde que nunca seja à custa dos outros. Aceita qualquer trabalho que puderes na indústria e cria o teu próprio nicho para alcançares o teu objetivo. A experiência é tudo e a paciência é uma virtude.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como editor?
M.S: Eu sabia o que eu queria fazer desde muito cedo e recebi as oportunidades de manter um plano de décadas até agora. Muito poucas pessoas conseguem os intervalos que tive e então eu considero-me muito sortudo. Mas há muito mais que eu quero alcançar.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
M.S: A edição é a minha segunda paixão. A primeira é a minha família e gostava de passar menos tempo a editar e mais tempo com elas.ML