Entrevista com... Úrsula Corona (Atriz)
sábado, 31 de janeiro de 2015
Mário Lisboa entrevista... Marina Albuquerque
Desde muito cedo que se interessou pela representação e tem desenvolvido um notável percurso como atriz que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "A Lenda da Garça" (RTP), "Ana e os Sete" (TVI), "Inspetor Max" (TVI), "Música no Ar" (RTP), "Mundo Meu" (TVI), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Deixa Que Te Leve" (TVI), "Hotel 5 Estrelas" (RTP), "Sol de Inverno" (SIC) e "Mulheres" (TVI). Apaixonada pela sua arte, espera sempre surpreender a si própria e o público nos seus futuros projetos, e, recentemente, participou na longa-metragem "Virados do Avesso" de Edgar Pêra e foi uma das mais vistas do ano de 2014. Esta entrevista foi feita no passado dia 25 de Agosto.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
M.A: Surgiu desde muito
nova, eu acho que sempre soube que queria ser atriz. Mesmo no 9º ano eu
procurava cursos de teatro que havia pouco nessa altura, portanto é uma vocação
que sempre tive.
M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
M.A: São várias. Eu gosto
muito dos atores ingleses e da escola inglesa, acho que a Inglaterra é um país que
lida muito bem com esta profissão, para além de toda a indústria norte-americana,
dos atores franceses ou dos países europeus. Lembro-me de ver muito teatro,
quando era mais nova, de ver muitos atores, de ver espetáculos na (Fundação
Calouste) Gulbenkian, portanto acho que as influências são sempre várias. Os
meus professores no Conservatório também tiveram a sua importância, gostei
muito de lá estar, e todos os atores que aprecio muito e os filmes que vejo são
sempre uma boa influência. Para além da observação do Mundo em geral (que todos
os artistas também têm essa qualidade quase aumentada), acho que somos
influenciados pelo que nos rodeia também.
M.L: Faz teatro, cinema e televisão. Qual destes
géneros que mais gosta de fazer?
M.A: Qualquer um destes géneros
são bons para o trabalho de ator, depende muito do projeto, de com quem é que
se trabalha, portanto eu gosto muito de fazer os três, e tenho pena que não se
faça mais Cinema em Portugal e acho que na televisão também se podia apostar
mais nas séries e noutro tipo de produtos, mas de qualquer maneira eu não
consigo escolher um, sendo o Teatro a nossa casa-mãe. Eu acho que um ator se
desenvolve em todas essas plataformas.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, até agora,
durante o seu percurso como atriz?
M.A: É difícil responder a
esta pergunta, porque todos os trabalhos são entusiasmantes, mas há trabalhos
que foram mais marcantes e destaco o meu início no Teatro do Século que foi
quase a minha escola.
M.L: Entre 1999 e 2000, participou na telenovela “A
Lenda da Garça” que foi exibida na RTP, na qual interpretou a personagem
Adélia. Que recordações guarda desse trabalho?
M.A: “A Lenda da Garça”
foi a primeira telenovela em que eu entrei, guardo ótimas recordações, gostei
muito desta personagem com uma característica cómica que eu gostei muito de desenvolver
e foi uma experiência importante, porque no fundo foi lidar com a televisão
todos os dias e perceber a mecânica do que é fazer uma telenovela.
M.L: “A Lenda da Garça” foi escrita por Paula
Mascarenhas, a partir de uma ideia do falecido jornalista Victor Cunha Rego, e
marcou a sua estreia nas telenovelas. 15 anos depois, como vê, hoje em dia,
este género em Portugal?
M.A: Eu acho que a
telenovela tem sido um produto muito usado na nossa televisão. Houve uma altura
em que havia mais séries, mais sitcoms,
mais programas de carácter cómico, e penso que, hoje em dia, há muitas
telenovelas no ar, desde a hora de almoço até à madrugada, e como atriz acho
que se podia apostar noutros formatos.
M.L: Como vê, atualmente, o teatro?
M.A: Atualmente, eu vejo
um bocadinho o Teatro numa situação ligeiramente “comercial”, portanto não vejo
os teatros independentes e mais alternativos a terem uma grande corrente de
público. São sempre espetáculos de poucos dias, com temporadas pequenas, e acho
que isso não fomentou ao longo dos anos muito público para um outro tipo de
teatro e ficamos um bocadinho agarrados ao teatro comercial de que eu gosto
imenso e já fiz e acho muito importante de existir e até deveria haver mais,
mas deveria haver mais teatro em geral.
M.L: Como lida com o público que acompanha sua carreira
há vários anos?
M.A: Lido muito bem, eu
gosto muito da abordagem do público. É sempre bom sermos abordados e recebermos
felicitações pelo nosso trabalho e eu fico contente se vejo as pessoas a rirem,
porque de alguma maneira me ligam a alguma coisa cómica e nos tempos que correm
que estão a ser tão difíceis é sempre bom ver um sorriso na cara de alguém e
acho que os atores gostam de ser reconhecidos e de serem apreciados pelo seu
trabalho.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
M.A: É sempre difícil dar
conselhos, porque esta profissão é muito complicada e também depende da sorte,
mas sobretudo é preciso ter muita coragem e uma boa escola e não ficar só pelas
aparências e ir mais fundo e trabalhar mesmo, pois esta profissão exige
trabalho, responsabilidade e gosto e não só uma maneira para se tornar famoso.
É um grande trabalho interior e eu acho que os atores são pessoas muito generosas
e muito interessadas pelo Mundo.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até
agora, como atriz?
M.A: É difícil fazer
balanços. O que eu tiro desta experiência de vida na minha profissão é boa. Mas
é sempre uma incógnita e acho que isso é difícil. É preciso uma certa endurance para esta profissão, porque
não há nada fixo, não há nenhum rendimento seguro, portanto é preciso ter um
bocadinho de espírito de aventura. Mas o balanço que eu faço é positivo e com
todas as dificuldades desta vida artística em Portugal acabo por ter a sorte de
fazer o que gosto e acho que toda a gente devia ter essa possibilidade de se
fazer o que gosta.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
M.A: Dar a volta ao Mundo. No que diz respeito à minha profissão, eu espero sempre surpreender a mim própria e o público nos projetos futuros.ML
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Mário Lisboa entrevista... Sara Gonçalves
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
S.G: Desde cedo que gostei
de fazer parte de pequenos espectáculos criados colectivamente em contexto
escolar e familiar. Era uma forma de brincar, de apreciar a música em
movimentos pré-definidos, exteriorizando em gozo o que a minha timidez não me
permitia. Mais tarde, por volta dos 12 anos, descobri o meu gosto pela
representação teatral através da leitura em voz alta nas aulas de Português. Mais
uma vez, apesar da minha timidez, tinha um gosto especial em dar qualidade às
palavras, sentindo-as e ajudando a formar uma imagem na mente dos meus colegas,
ouvintes no momento. E na altura, senti que a minha tão companheira timidez
estava a dar lugar a uma Sara comunicativa e com uma vontade enorme de abraçar
o Mundo sem medo. Comecei a pensar em ser actriz.
M.L: Quais são as suas influências, enquanto actriz?
S.G: Todo o meu estar em
Teatro, aprendi-o ouvindo o António Feio, nas aulas de então de Teatro, no
Centro Cultural de Benfica. Com ele aprendi a humildade da profissão, que não é
mais do que o reflexo de um estar na vida. Frequentei estas aulas a partir dos
meus 16 anos, idade em que estamos a formar a personalidade, até entrar na série
juvenil "Riscos" (RTP) com os meus 21 anos. Mais tarde, frequentei o
chamado "Conservatório" e terminei a sua Licenciatura em Teatro - Formação
de Actores, mas reconheço que todo o meu trabalho quer como actriz quer como
encenadora, somando-lhe a direcção de actores, bebe sempre das memórias e do
impacto que as aulas do António tiveram sobre mim, estética e eticamente.
M.L: Faz teatro, cinema e televisão. Qual destes
géneros que mais gosta de fazer?
S.G: Gosto de todos, pelo
desafio diferente que cada um provoca: a Televisão apura a intuição, a rapidez
de raciocínio; o Cinema, a profundidade da essência, o olhar reflexivo; o Teatro,
a inteligência da confiança.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, até agora,
durante o seu percurso como actriz?
S.G: A personagem com que
me estreei profissionalmente, a Rita dos “Riscos”, ainda hoje reconhecida pelo
grande público, acompanha-me desde então, pela intimidade com que vivemos - eu
e ela - o grande impacto de fazer uma série televisiva que viria a mudar a
ficção nacional: foi um trabalho de uma entrega total, em viva paixão. Todos os
outros, e cada um em específico, tiveram o seu lugar de importância à época de
cada um, pelo papel formativo que cada um tem, e mais do que na minha carreira,
na minha vida - em cada um deles me descobri um pouco mais, função que legitimo
e privilégio à arte - o sentir e a sua consciência.
M.L: Entre 1999 e 2000, participou na telenovela “Todo
o Tempo do Mundo” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a personagem
Leonor Baptista. Que recordações guarda desse trabalho?
S.G: Guardo um carinho
enorme, pois fui muito bem acompanhada pelo grande actor Ruy de Carvalho, que
tinha sempre uma palavra amiga, e pela enormíssima Eunice Muñoz que sempre me
encorajou muito, e que sempre me fizeram sentir como uma colega, apesar de nova
e praticamente estreante. Para além da satisfação de me ver a fazer parte de um
elenco que poder-se-ia chamar de peso, com muitos actores já com uma carreira
bem consagrada na televisão e no teatro. E onde tive o prazer de conhecer, e de
trabalhar de forma próxima, um outro actor que muito admiro, o João Perry, que
fazia a direcção de actores. Com ele, conheci melhor a minha Leonor, uma personagem
que muito admiro, pela firmeza e coragem, apesar da dureza que a vida lhe dava
a provar.
M.L: Como vê, actualmente, o teatro e a ficção
nacional?
S.G: Em mudança. Agora
mais o Teatro e o Cinema, do que a Televisão, que sofreu uma grande
transformação nos últimos quinze anos. Pois, o suporte da TV permanece, e o
Cinema e o Teatro, andam à busca de novas plataformas de actuação, com outros
meios, onde o factor tempo é o que mais sofre de mutação.
M.L: Além da representação, também é encenadora e
formadora. Em qual destas funções em que se sente melhor?
S.G: Gosto muito das duas.
Cada uma me preenche de forma diferente, no resultado, mas em ambas me satisfaz
a possibilidade de intervenção com o público, em espectáculo, ou com as pessoas
não-actores, em formação. É-me importante, que as suas vidas tenham sido
tocadas e transformadas, para lhes dar um novo sentido, e dar lugar à reinvenção
de cada um; para, na utopia, fazermos deste um lugar melhor.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
S.G: Não dou, não sei dar.
Eu própria ando a perceber como é que "isto" funciona. Não sei se
ainda se pode falar de carreira de profissões, toda a organização de trabalho
está a mudar, e a área artística está a voltar aos tempos em que mais se fazia
por amadorismo a par dos empregos que fazia garantir o dinheiro ao fim do mês,
à semelhança do que se pode ver nos filmes do Vasco Santana; mas ao invés de
fazer rir como nas comédias, por nos tocar na pele, e após tanta mudança pela
legitimação da arte como ofício principal, nos agoniza em tragédia.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até
agora, como actriz?
S.G: Quase que como em
suspenso, muito irregular, oscilando como uma corda bamba. O que me faz
continuar a prosseguir é o facto de gostar tanto de Teatro, onde me faz
sentir inteira e com uma missão, sendo esta a minha vara de equilíbrio e onde
sou feliz por gostar das diversas áreas que o mesmo tem para oferecer: neste
caso, encenar, dirigir, formar. E, por vezes, construir também os adereços, das
minhas próprias produções criativas. Sendo verdade que sinto que ainda tenho
requisitos de actriz para oferecer às personagens, conferindo-lhes atitude e
aspirações existenciais, sou muito feliz com a possibilidade de dar forma ao
meu pensamento através das criações de espectáculos, onde comunico com o
público pela intenção com que foram gerados em corpos de outros actores, e
através deles vivo. E gosto de assistir.
M.L: Quais são os seus próximos projectos?
S.G: Reestrei “A Bicicleta
Que Tinha Bigodes”, um espectáculo para a infância a partir de Ondjaki, em
Outubro, na sala-estúdio do Teatro da Trindade, onde esteve três curtas semanas
sempre esgotado. É nossa intenção vir a repôr numa outra sala em Lisboa,
prolongando a sua carreira, dando a possibilidade a mais pessoas de o ver. O
elenco conta com a Cláudia Semedo e o Tomás Alves, e é sobre um menino angolano
que quer ganhar a bicicleta do Concurso da Rádio Nacional de Angola e para isso
terá que escrever a melhor estória; apesar das várias peripécias entre as
ajudas e "conselhos" dos mais velhos, o olhar atento da Avó Dezanove
e a sabedoria feliz do Tio Rui, este espectáculo pretende trazer a magia da
poesia, através da fruição do tempo em qualquer idade - a meninice e a velhice,
sendo as palavras apenas um pretexto para ajudar a saborear a vida.
Entretanto, tenho já
outros espectáculos na cabeça, e estou em fase de adaptação em escrita.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
S.G: Realizar um filme (risos)? Essa fica ainda para a incerteza da vida. Esse gosto do
desafio tão bom: não saber o que vai de facto acontecer.MLEsta entrevista não foi convertida sob o novo Acordo Ortográfico.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Mário Lisboa entrevista... Ana Bastos
Desde muito cedo que se interessou pela representação e tem desenvolvido um percurso como atriz que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Cinzas" (RTP), "Verão Quente" (RTP), "O Olhar da Serpente" (SIC), "Queridas Feras" (TVI), "Floribella" (SIC), "Fascínios" (TVI), "Feitiço de Amor" (TVI) e "Rebelde Way" (SIC). Mulher de armas, tem passado por etapas diferentes ao longo do seu percurso profissional, e, recentemente, iniciou uma nova etapa ao começar a trabalhar no Ramo Imobiliário, mas deixou em aberto um possível regresso à representação. Esta entrevista foi feita no passado dia 31 de Dezembro.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
A.B: Desde miúda. Sempre tive
apetência para tal.
M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
A.B: Poderia dizer que foi o Bruce Lee (isto em tom de
brincadeira), porque na altura em que vivi em África não havia televisão e os
filmes que passavam eram só de Artes Marciais com o Bruce Lee.
M.L: Faz teatro, cinema e televisão. Qual destes
géneros que mais gosta de fazer?
A.B: São 3 géneros diferentes. O
Teatro, porque tem o carinho do público na hora. A Televisão, porque poderá ser
eterna a nossa visibilidade. O Cinema pela forma como é cuidadosamente gravado.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, até agora,
durante o seu percurso como atriz?
A.B: Adorei a Isilda do “Verão Quente” (RTP). Foi o meu primeiro grande papel. Era uma personagem
que tinha algo a ver comigo. Estava acompanhada por grandes Senhores/as do meio
artístico Português.
M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção nacional?
A.B: Com pena. Vejo o teatro muito
mal aproveitado. Não lhes são dadas condições. Falta calor e vontade de aposta.
A ficção nacional vai andando, embora se feche num núcleo quase privado.
M.L: É filha de Ernâni Pinto de Bastos que faleceu em
2011 e foi pioneiro do para-quedismo no Algarve. Como vê o percurso que o seu
pai desenvolveu até falecer?
A.B: Foi um homem sempre ligado ao
Desporto. Apaixonado pelo para-quedismo e pelas Artes Marciais. Sem muita sorte
no final devido à sua doença conseguiu no entanto criar bons seguidores da sua
paixão.
M.L: Além da representação, também tem experiências
tão diferentes como, por exemplo, modelo, bailarina e produtora, e, recentemente,
iniciou uma nova etapa da sua vida ao começar a trabalhar no Ramo Imobiliário. Tendo
em conta que tem desenvolvido um percurso atípico, em qual destas funções em
que se sente melhor?
A.B: É difícil dizer. São etapas
diferentes e fazem parte de um percurso de vida. Cada uma a seu tempo tem tido
um gosto especial. Agora lutamos no Ramo Imobiliário, mas quem sabe se no
futuro volto à representação.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
A.B: Paixão, vontade e acreditar.
Porque já somos muitos e a perseverança é o trunfo de uma carreira.
M.L: Que balanço faz do percurso profissional que tem
desenvolvido até agora?
A.B: É um balanço positivo, mas com
muito ainda para dar. Penso em andar de bengala pelos estúdios e assim ser
reconhecida pelo meu trabalho.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito
ainda nesta altura da sua vida?
A.B: Sinceramente,
eu não sei, porque sou uma mulher de armas e como tal acho que ainda me falta
percorrer muita estrada. O futuro é uma incógnita, onde reserva uma série de
experiências novas.ML
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
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