quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"Yvone Kane"


O "Mário Lisboa entrevista..." tem o prazer de apoiar a longa-metragem "Yvone Kane" de Margarida Cardoso e com a participação de atores como Beatriz Batarda, a brasileira Irene Ravache, Gonçalo Waddington, Adriano Luz e Mina Andala como a personagem-título, na qual tem estreia comercial em Portugal a partir de hoje, depois de ter passado, por exemplo, pelo Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira que premiou a Beatriz Batarda pela sua interpretação.

"Depois da perda da sua filha, Rita (Beatriz Batarda) volta ao país africano, onde viveu a sua infância para investigar um mistério do passado: a verdade sobre a morte de Yvone Kane (Mina Andala), uma ex-guerrilheira e ativista política. Nesse país, onde o progresso se constrói sobre as ruínas de um passado violento, Rita reencontra a sua velha mãe, Sara (Irene Ravache), uma mulher dura e solitária que vive ali há muitos anos. Enquanto Sara vive os últimos dias da sua vida procurando um sentido para os seus atos passados, Rita embrenha-se num território marcado pelas cicatrizes da História e assombrado por fantasmas da guerra, procurando o segredo de Yvone. Mas todos os caminhos parecem leva-la à revelação da impossibilidade de redenção e ao esquecimento."

O seguinte trailer de "Yvone Kane":

Mário Lisboa

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Brevemente...

Entrevista com... Cristina Cavalinhos (Atriz)

Mário Lisboa entrevista... Paulo Fajardo

O interesse pelo audiovisual surgiu desde muito cedo, e tem desenvolvido um considerável e versátil percurso nessa área, trabalhando principalmente como repórter de imagem na delegação da SIC em Coimbra. Apaixonado pela arte cinematográfica, desde 2012 que é co-anfitrião da série de podcasts, "VHS-Vilões, Heróis e Sarrabulho", que é dedicada nomeadamente ao chamado Cinema chunga, e, atualmente, está a trabalhar num projeto documental sobre o espírito estudantil de Coimbra. Esta entrevista foi feita no passado dia 7 de Fevereiro.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo audiovisual?
P.F: O interesse surgiu muito cedo. Durante a adolescência chegava a ver 3 ou 4 filmes por dia! Via tantas vezes os mesmos filmes que chegava a saber as falas de todas as personagens! Mentalmente, dissecava as sequências para perceber como tinham sido montadas e com a ajuda do controlo remoto do leitor VHS, descobri vários erros em filmes de grande orçamento. Tinha 18 anos quando tive o meu primeiro contacto com uma câmara de filmar e foi um momento mágico. Soube naquele instante que aquele objeto iria marcar profundamente a minha vida. Antes de começar a filmar, a minha primeira paixão foi a fotografia a Preto & Branco. Adorava a forma como as sombras realçavam as texturas e os contornos dos objetos ou das pessoas. Fotografava tudo o que fosse um potencial cenário para as histórias que imaginava e chegava mesmo a fazer storyboards fotográficos. A parte mais desesperante era a espera pela revelação dos negativos, demorava cerca de uma semana até perceber se todo o esforço tinha valido a pena. Tudo fazia mais sentido a Preto & Branco, o Mundo parecia mais real do que se fosse a cores! Esta forma de ver a vida sem Cor, influenciou-me de tal forma, que os meus primeiros trabalhos de ficção e documental foram também filmados a Preto & Branco.

M.L: Quais são as suas influências nesta área?
P.F: As minhas influências são muito variadas, vão desde o Cinema independente ao Cinema mais comercial, desde os autores contemporâneos aos grandes mestres que quebraram barreiras na linguagem cinematográfica.

Quanto à inspiração, essa é retirada de nós próprios e do Mundo que nos rodeia. Todos os cenários constantes nos meus projetos, são locais por onde passei e que de alguma forma influenciaram a minha vida. Cada paisagem tem uma carga emocional diferente que no filme é representada por uma tonalidade que lhe confere uma identidade própria. Sinto que a paisagem e todas as características intrínsecas que a definem, transparecem para o grande ecrã e influenciam a história que nos é contada quase como se fosse uma personagem.

M.L: Ao longo do seu percurso profissional, tem trabalhado no Cinema e na Televisão. Qual destas áreas que mais gosta de trabalhar?
P.F: Apesar da base audiovisual comum, são duas áreas bastante distintas e com uma linguagem diferente, mas ambas têm o seu encanto.

Sou alguém que gosta de contar histórias e desde o início que essa é a minha principal motivação. Tanto as histórias reais como as ficcionadas, têm pontos de convergência na forma de serem contadas, mas a linguagem adapta-se ao tema abordado. Não existem regras fixas e todos os dias surgem novas formas de contar histórias, formas essas, muitas vezes impulsionadas pela evolução tecnológica que dá liberdade ao autor para transpor fronteiras.

Em reportagem não há guião nem muita margem para planeamento e isso faz com que haja uma constante adaptação, o que diminui o tempo de reação ao que está a acontecer e ajuda-nos a ser sucintos no tratamento dos factos.

Quanto à ficção, a simples criação de algo novo dá-me um tremendo gozo, porque tenho liberdade total para contar a história da forma como julgo que deve ser contada, e ver o produto final numa tela de Cinema perante uma plateia, é a melhor recompensa.

M.L: Qual foi o trabalho que mais o marcou, até agora, durante o seu percurso profissional?
P.F: O trabalho que mais me marcou foi sem dúvida a minha primeira curta-metragem, "Outono" (2001), um falso documentário a Preto & Branco sobre a solidão na terceira idade. Marcou-me em dois sentidos, primeiro porque a rodagem ajudou a criar uma maior aproximação relativamente ao meu avô, o sujeito do tema do filme, e em segundo lugar, porque arrecadou o Prémio da Critica Internacional no primeiro festival em que participei, o que muito me motivou a continuar a perseguir o meu sonho no mundo audiovisual.

M.L: Atualmente, trabalha como repórter de imagem na delegação da SIC em Coimbra. Tendo em conta que tinha 12 anos de idade na altura do lançamento do canal, como vê o percurso que a SIC tem feito, desde a sua fundação até agora?
P.F: Julgo que a SIC soube evoluir através de um processo de aprendizagem constante, acompanhando as tendências de um público cada vez mais exigente. Surgiu motivada, com uma abordagem refrescante, sem preconceitos e sem medos ou tabus em abordar temas irreverentes. Era a alternativa ao que estava institucionalizado. Com a chegada da SIC Notícias e, à semelhança dos restantes canais de televisão por cabo, a fasquia ficou um pouco mais alta, permitindo um maior e mais fácil acesso à informação. Vivemos numa Era em que a tecnologia e a informação se complementam e moldam o método de trabalho dos profissionais de televisão. Hoje em dia, o tempo passou a ser relativo, já é virtualmente possível fazer um direto de qualquer parte do Mundo com uma câmara móvel e autónoma, usando apenas a Internet móvel como meio de transmissão de dados. A próxima fronteira a ser ultrapassada será a da emissão integral em HD. Julgo que existe ainda uma grande margem de progressão na Televisão de um modo geral.

M.L: Como vê, atualmente, o audiovisual (Cinema e Televisão) a nível global?
P.F: O Cinema, tal como qualquer outra arte ou “negócio”, tem de ser lucrativo senão está condenado à extinção. Um filme, por mais independente que seja, tem que conseguir pagar o investimento feito, caso contrário, a produtora que fez o financiamento arrisca-se a fechar portas como qualquer outra empresa. Acima de tudo, o autor terá sempre que ter em conta que está a criar uma experiência para o espectador e não para o seu próprio umbigo, e no processo, tentar antecipar de alguma forma as diferentes reações que o público possa vir a ter ao ver o trabalho final. Independentemente da zona ou local onde um projeto é desenvolvido, é fundamental ter a consciência de que o filme terá de criar uma ligação com o público para ter êxito nas bilheteiras. Todo o Cinema é um produto e todos os guiões vendem algo, quer seja uma ideia, um sonho ou uma marca. A forma de contar a história e o grau de ligação e reciprocidade que consegue atingir com o espectador é em última análise o fator decisivo entre o sucesso ou o fracasso.

Em Portugal, um autor tem de ser um empreendedor e por vezes abdicar do seu salário ou investir do seu próprio bolso para criar arte. É quase necessário desenvolver um sexto sentido que preveja a funcionalidade ou não de um projeto! Uma vez que o mercado nacional tem pouca absorção, o passo lógico seguinte passaria pelo alargamento do mercado de distribuição além-fronteiras, algo que outros países europeus já fazem com enorme sucesso. O facto de Portugal pertencer à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, representa uma oportunidade por explorar através de uma língua e de uma História em comum. Não existem fórmulas mágicas, mas a reconciliação do público português com o seu Cinema passará certamente por uma redefinição da atribuição de financiamento com base nos resultados de bilheteira obtidos anteriormente e por uma aposta firme na divulgação dos filmes, porque se o público não souber que o filme existe (que está disponível e que vai ser exibido), então as salas permanecerão vazias. A arte só existe se for rentável, não pode sobreviver permanentemente à custa de mecenato.

M.L: Desde 2012 que é co-anfitrião da série de podcasts, “VHS-Vilões, Heróis e Sarrabulho” (https://www.youtube.com/user/VHSPodcast/videos), que é dedicada nomeadamente ao chamado Cinema chunga. Como é que surgiu a ideia de fazer estes podcasts?
P.F: Nos tempos de faculdade, eu e o Daniel Louro (co-anfitrião do “VHS”), chegámos a viver na mesma casa com outros três estudantes. Nessa altura, os videoclubes já começavam a acusar sinais do seu declínio, mas continuavam a ser um local privilegiado para encontrar pérolas poeirentas do Cinema de série "B". Lá em casa, fazíamos uma espécie de tertúlia a ver estes filmes e na semana seguinte tentávamos encontrar um título que fosse menos edificante do que o anterior.

Alguns anos volvidos, o Daniel fez-me a seguinte pergunta, "E porque não gravarmos o que já fazemos habitualmente quando vemos filmes?". Ao que eu respondi, "Vamos a isso!".

M.L: Como tem sido, até agora, a adesão do público ao “VHS-Vilões, Heróis e Sarrabulho”?
P.F: O "VHS" pretende ser um fórum de discussão sobre todo o tipo de Cinema, desde o mais convencional ao mais alternativo. Temos plena consciência de que o nosso público-alvo é um nicho de movie geeks tal como nós, mas surpreendentemente, as visualizações têm aumentado significativamente e frequentemente temos um feedback positivo de quem nos vê e ouve. Acima de tudo, fazemos o "VHS", porque gostamos de Cinema e como efeito secundário, tem um efeito terapêutico surpreendente.

M.L: De todos os podcasts feitos até agora, qual foi o mais marcante para si?
P.F: Entrevistar o Albert Pyun foi para mim, o momento mais marcante do "VHS", porque tive a oportunidade de falar com um dos meus ídolos de adolescência. Já vi todos os seus filmes vezes sem conta e considero-o um mestre dentro do seu género. Foi sem dúvida um privilégio poder entrevistá-lo em plena rodagem do seu último sci-fi pós-apocalíptico "Cyborg Nemesis".

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na área do audiovisual?
P.F: O desenvolvimento tecnológico facilitou o acesso a equipamento capaz de competir com produções mais dispendiosas e a proliferação de festivais é também sintomática desta evolução tecnológica e reflete o panorama de produção, quer seja em género ou em estilo, e muitas vezes acaba por ser a única plataforma de divulgação para muitos trabalhos. Todos os anos inúmeras instituições formam jovens que tentam entrar no mercado de trabalho. Poucos encontram trabalho na área do Cinema e Publicidade, alguns são absorvidos no mercado da Televisão (generalista ou por cabo), mas a grande maioria tende a criar a sua própria produtora ou tentam a sua sorte além-fronteiras. Apesar do mercado de produção nacional não conseguir absorver todos os profissionais que anualmente são formados, não deixem de acreditar que algures há lugar à vossa espera. Sejam persistentes, criativos e originais, mas acima de tudo, tenham a certeza do que querem, porque só assim conseguem dar o extra que o trabalho exige.

M.L: Que balanço faz do percurso profissional que tem desenvolvido até agora?
P.F: Há 16 anos que trabalho na área audiovisual, é uma profissão desafiante e em constante evolução. Todos os dias há algo novo para aprender. Adoro o que faço e não me imagino atrás de uma secretária a olhar para o relógio à espera que os ponteiros decidam o que vou fazer a seguir. Os meus dias são sempre diferentes e em cada saída para o terreno, há um grau de imprevisibilidade que faz com que todos os sentidos estejam sempre em estado de alerta. Sinto que cumpri os objetivos a que me propus até agora e também sinto que ainda estou no início. Espero que o caminho a percorrer ainda seja longo.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
P.F: Estou a produzir um projeto documental sobre o espírito estudantil de Coimbra que neste momento está em stand-by, devido a questões de conflito de agenda, mas sobretudo por falta de financiamento para gravar os três últimos capítulos. Estou confiante que entre 2015 e 2016 o consiga terminar.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
P.F: Essa pergunta não é fácil, porque há ainda muita coisa que quero fazer e uma vida só parece não ser suficiente. Tenho um filho que me enche de orgulho e já plantei várias árvores, por isso, julgo que vou guardar o livro para o fim!ML

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Brevemente...

Entrevista com... Paulo Fajardo (Repórter de Imagem)

Mário Lisboa entrevista... Paulo Matos

Estreou-se na representação em 1978 com a peça "Woyzeck" no Teatro da Cornucópia, e desde aí tem desenvolvido um reputado percurso como ator que já conta com 37 anos de existência, na qual passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "A Banqueira do Povo" (RTP), "Desencontros" (RTP), "Primeiro Amor" (RTP), "Polícias" (RTP), "Filhos do Vento" (RTP), "Os Lobos" (RTP), "Esquadra de Polícia" (RTP), "O Conde d'Abranhos" (RTP), "A Senhora das Águas" (RTP), "O Olhar da Serpente" (SIC), "Ilha dos Amores" (TVI), "Casos da Vida" (TVI), "Sentimentos" (TVI), "Redenção" (TVI) e "Bem-vindos a Beirais" (RTP). Além da representação, também é encenador, e, recentemente, participou na série de humor, "Ah Pois! Tá Bem", que foi exibida na TVI Ficção. Esta entrevista foi feita no passado dia 29 de Dezembro.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
P.M: Surgiu com a grande animação dos anos logo a seguir ao 25 de Abril. A vontade de intervir, de expressar, de comunicar, de criar e de provocar, era enorme. No final do meu liceu, achei que o Teatro era o lugar de confluência de todos esses desejos.

M.L: Quais são as suas influências, enquanto ator?
P.M: A minha maior influência, como formação em todos os sentidos da Arte e do Teatro, foi a escola de atores Jacques Lecoq que fiz durante dois anos em Paris. Foi aí que alicercei todas as minhas bases e pontos de partida para o que fui fazendo ao longo da minha carreira. Para além disso, os inúmeros criadores e espetáculos me marcaram profundamente, mas a lista seria exaustiva demais.

M.L: Faz teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que mais gosta de fazer?
P.M: Eu não tenho preferência. São distintos e todos fascinantes. Gosto de me relacionar com o público tanto como de me projetar numa objetiva. Adoro improvisar e reagir rápido e amo trabalhar o detalhe e o rigor de um grande texto. Gosto de comédia e de tragédia igualmente. Sou um verdadeiro camaleão como já me chamaram muitas vezes.

M.L: Qual foi o trabalho que mais o marcou, até agora, durante o seu percurso como ator?
P.M: É impossível escolher. São tantos já os trabalhos que me marcaram e deram prazer. Quase todos, aliás. Desde os textos clássicos até aos bonecos de comédia, passando pelos naturalistas das novelas ou pelos excêntricos e absurdos de teatros experimentais. Quanto mais passa o tempo mais me é difícil escolher…

M.L: Entre 2001 e 2002, participou na telenovela “A Senhora das Águas” que foi exibida na RTP, na qual interpretou os irmãos Simão e Jaime. Que recordações guarda desse trabalho?
P.M: Guardo as melhores recordações. Os dois gémeos eram opostos em quase todas as características e o desafio de lhes dar corpo foi imenso e de enorme interesse como ator. Quer no Simão, pela sua tristeza depressiva, viciado no jogo e não amado, quer no Jaime, um dos seres mais maléficos que tive oportunidade de fazer em televisão, torto de espírito, tanto quanto de corpo… Uma maravilha para qualquer ator que se preze.

M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção nacional?
P.M: Maravilhosos, cheios de vigor e de capacidade criativa. Tanto na ficção televisiva e no Cinema, quanto no Teatro e nas artes performativas. Estamos plenos de talentos e de jovens criativos. O que não acompanha e frusta muitas vezes é a falta de verbas mínimas que possam fazer frutificar e desenvolver aquilo que se vai fazendo de muito bom.

M.L: Em 2015, celebra 37 anos de carreira, desde que se estreou como ator com a peça “Woyzeck”, no Teatro da Cornucópia em 1978. Que balanço faz destes 37 anos?
P.M: Parecem-me várias (muitas…) vidas. Quando olho para tudo o que já fiz, parece-me ser impossível caber numa só vida… O balanço que faço é de enorme gratidão pelas oportunidades que fui tendo e pela forma como fui conseguindo vencer a maioria dos desafios a que fui confrontado. Toquei sempre muitos “instrumentos” e quero acreditar que em quase todos fui dando de mim o que pude com imensa alegria. O sucesso não me caberá nunca a mim medi-lo.

M.L: Além da representação, também é encenador. Em qual destas funções em que se sente melhor?
P.M: Sou fundamentalmente um ator. Na raiz, na origem, na motivação e no modo de olhar e criar. Por isso me fascina também encenar e dirigir outros atores, outros iguais (e diferentes…) de mim. Porque a massa do nosso trabalho é a vida, e o modo como a olhamos e a transformamos em Teatro é um trabalho de conjunto e de investimento sempre emocional. Dirigir, para mim, é um complemento de representar. Tal como representar é moldar-me a ser dirigido. No centro de tudo isto, o prazer, claro está.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
P.M: Só deve vir para esta luta e para estas “aventuras dúplices da alma” quem sentir, sem sombra de dúvida, uma incontornável paixão interior por esse caminho. De outra forma, mais tarde ou mais cedo, a frustração irá instalar-se e a força anímica que deverá estar no centro da nossa criação, irá esgotar-se e morrer. Diziam os antigos: “O Teatro é como o mar, deita fora o que não presta”.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
P.M: Muitos, sempre, bons e variados. Uma parte não verá a luz do dia, como sempre, mas os que se concretizam valem bem a luta. Vou fazer comédias pelo País fora, encenar uma ópera no Coliseu dos Recreios, concluir o meu doutoramento na Faculdade de Letras de Lisboa, colaborar com a Santa Casa da Misericórdia em ações de Educação pela Arte, etc., e até… comprar um teatro e dirigir um canal de Televisão. Que loucura… Tantos projetos… Vamos ver o que sairá de tudo isto…

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
P.M: Todas as que tenho em projeto (as comédias, o doutoramento, o Espaço Mundial da Lusofonia, as óperas, etc.). Para além disso, tenho em mim todos os sonhos do Mundo.ML

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"Gata em Telhado de Zinco Quente" no Teatro Nacional São João até 22 de Fevereiro


O "Mário Lisboa entrevista..." tem o prazer de apoiar a peça "Gata em Telhado de Zinco Quente" de Tennessee Williams, encenada por Jorge Silva Melo e protagonizada por Catarina Wallenstein e Rúben Gomes, na qual está em cena no Teatro Nacional São João no Porto até ao próximo dia 22 de Fevereiro.

Grande clássico da dramaturgia norte-americana do Século XX, "Gata em Telhado de Zinco Quente" foi alvo de uma adaptação cinematográfica realizada por Richard Brooks e protagonizada por Elizabeth Taylor e Paul Newman em 1958 (https://www.youtube.com/watch?v=uBcATFFl9ys), e encena a tragédia de uma família de um Sul ainda esclavagista, expondo o tormentoso relacionamento de um jovem casal sem filhos, destruído pelo álcool e assombrado por uma homossexualidade latente, a feroz disputa de irmãos e cunhadas por uma herança iminente, todo um universo familiar corrompido por mentiras e histórias mal contadas, pela ambição, pela indiferença ou insatisfação sexual...


Mário Lisboa