Estreou no passado fim-de-semana nos EUA e com estreia portuguesa prevista para o próximo dia 25 de Maio, o thriller de ação e comédia, "Bons Rapazes", que marca a 3ª incursão do guionista Shane Black pela realização de longas-metragens após "Kiss Kiss, Bang Bang" (2005) e "Homem de Ferro 3" (2013) e conta com a participação de atores como Russell Crowe, Ryan Gosling, Matt Bomer, Keith David e Kim Basinger.
Exibido fora de competição na 69ª edição do Festival de Cannes, "Bons Rapazes" passa-se na Los Angeles dos anos 70, onde o detetive privado Jackson Healy (Russell Crowe) é contratado por uma funcionária do Departamento de Justiça dos EUA (Kim Basinger) para investigar o paradeiro da sua filha (Margaret Qualley) e protegê-la. De alguma forma parece estar relacionado com o desaparecimento da jovem a morte de uma antiga estrela de filmes pornográficos e Jackson, habituado a resolver assuntos à força, terá de contar com a colaboração de Holland March (Ryan Gosling) que também é detetive privado, mas com uma personalidade e estilo muito distintos.
Está em cena até ao próximo dia 22 de Maio no Teatro Aberto, a peça "Ao Vivo e em Directo" de Raul Malaquias Marques, encenada por Fernando Heitor e com a participação de atores como Dina Félix da Costa, Maria Emília Correia, Paulo Pires e Rui Mendes.
Vencedora do Grande Prémio de Teatro Português em 2014, "Ao Vivo e em Directo" deixa em aberto a reflexão sobre uma sociedade em permanente negociação entre os princípios da justiça e os julgamentos da opinião pública.
TV Spot "Ao Vivo e em Directo"
Rui Mendes e Paulo Pires
Maria Emília Correia, Dina Félix da Costa e Rui Mendes
Partindo de 3 peças em um ato e em cena até ao próximo dia 5 de Junho, "Filhos da Lua" é, de acordo com Graça P. Corrêa, uma
visita ao universo ficcional de Tennessee Williams, misterioso e vitalista,
povoado de personagens que nos revelam a sua revolta, a sua humana fragilidade
e os seus sonhos de liberdade.
Alexandra Diogo e Nuno Machado, os protagonistas de "Filhos da Lua"
Estreia hoje no Teatro Nacional São João no Porto, a peça "Espectros" de Henrik Ibsen, encenada por João Mota e com a participação de atores como António Reis, Custódia Gallego e Júlio Cardoso.
Produzida pela reputada companhia portuense Seiva Trupe e em cena até ao próximo dia 29 de Maio, "Espectros" foi escrita em 1881 e é, como descreveu o próprio Ibsen, uma história de família, cinzenta e sombria como um dia de chuva, onde ao longo de uma noite de chuva são várias as tempestades interiores que se abatem sobre as personagens num constante combate entre a liberdade caótica e a ordem repressiva.
Helene Alving (Custódia Gallego)
Osvald (Ricardo Ribeiro) e Helene Alving (Custódia Gallego)
Nascido em Moçambique, o interesse pela escrita surgiu muito cedo ao ser incutido por uma professora, e nas últimas 3 décadas tem deixado a sua marca tanto a nível literário como televisivo como um dos mais reputados e marcantes autores no panorama artístico português. Casado e com 3 filhos, gostava de ter sido um craque do Benfica, e recentemente escreveu o livro "Jacinta: A Profecia" que retrata a vida da pastora de Fátima, Jacinta Marto. Esta entrevista foi feita no passado dia 6 de Maio.
M.L: Quando surgiu o interesse pela escrita?
M.A: O interesse para a
escrita foi-me incutido por uma professora quando eu tinha cerca de 12 anos. Ela
própria disse que eu ia escrever um livro e isso motivou-me a ser um escritor.
M.L: Quais são as suas referências nesta área?
M.A: Eça (de Queiroz) foi
o primeiro grande mestre, mas outros marcaram-me como Camilo Castelo
Branco, Erico Veríssimo, Jorge Amado, (Ernest) Hemingway.
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora
como escritor, qual foi o que teve um enorme impacto em si para toda a vida?
M.A: O que está a ter mais
impacto é este da "Jacinta: A Profecia" que a Oficina do Livro acabou
de editar. Viajar pelo mundo psicológico e espiritual da Jacinta é algo que nos
marca para sempre.
M.L: Em 1996, co-escreveu a telenovela “Primeiro Amor”
que foi exibida na RTP e retratou, por exemplo, a corrupção futebolística. Já
alguma vez imaginou que este tipo de corrupção estaria hoje em dia na ordem do
dia em Portugal, tendo em conta que não era propriamente muito falada há 20
anos atrás?
M.A: A corrupção é um flagelo
que atinge a humanidade globalmente, a do futebol nos anos 90 já era uma
realidade muito forte, talvez mais camuflada do que hoje em dia. Hoje a
corrupção é-nos apresentada como algo com que temos que conviver, uma
naturalidade assustadora.
M.L: Como olha, hoje em dia, para o meio artístico
desde as últimas 3 décadas?
M.A: No meu meio, escrita
de livros e guiões, nos livros, dá a sensação por vezes que interessa
mais a visibilidade de quem escreve do que propriamente a sua arte para
escrever (não era assim há 3 décadas), no guionismo, houve uma forte profissionalização,
é cada vez mais um trabalho de equipa, sujeito a técnicas que exigem muito
treino e rotinas. O perigo é que às vezes se perde a "alma".
M.L: Passou pela advocacia, antes de se enveredar inteiramente
pela escrita. Já alguma vez se arrependeu de ter deixado essa área?
M.A: Mais os meus filhos, porque
a atividade como escritor e guionista é muito instável. Financeiramente sim,
até porque sou de uma geração que fez muito dinheiro na advocacia.
M.L: Em 1995, escreveu o livro “O Desejado” que era
uma ficção sobre o ressurgimento de D. Sebastião na atualidade dos anos 90.
Como é que surgiu na altura a ideia de escrever este livro?
M.A: É uma boa pergunta, mas
penso que “O Desejado” foi uma experiencia literária a pensar numa novela na
área do "fantástico", uma espécie de "Roque Santeiro" (TV
Globo) à portuguesa. Não resultou nem uma coisa nem outra, mesmo que tenha-me
dado imenso gozo escrever "O Desejado".
M.L: Nasceu na África portuguesa (Moçambique), onde passou
os primeiros anos da sua infância e inspirou alguns dos seus trabalhos
literários e televisivos. A seu ver, o continente africano em geral poderá ter
a paz serena que merece há imenso tempo?
M.A: Em relação ao
continente africano, sobretudo aquele que nos é mais chegado, pôs o dedo na
ferida. Essa paz e prosperidade, só com o fim da corrupção, em termos
imediatos, só com um verdadeiro milagre. Eu como amo África e sobretudo
Moçambique tenho essa fé.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na área da escrita?
M.A: Se tiver o dom e o
talento, ter poucas expectativas financeiras, ter paciência, perseverança,
humildade, sempre atento, e ter muita capacidade de observação e trabalho.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido
até agora como escritor?
M.A: Não consigo fazer
esse balanço. Deixo para que os outros o façam.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
M.A:
O que gostava, já não posso fazer, que era ter sido um craque do Benfica. Atualmente gostava
de uma coisa que nunca tive, estabilidade financeira e com isso poder ler
muito e muito e consequentemente escrever muito e muito.ML