terça-feira, 12 de julho de 2016

Mário Lisboa entrevista... Sofia Grillo

Já dizia muito nova que queria ser atriz, de acordo com a Mãe, e nas últimas 2 décadas tem desenvolvido um percurso muito respeitável na representação que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Vidas de Sal" (RTP), "Filhos do Vento" (RTP), "A Lenda da Garça" (RTP), "Ganância" (SIC), "O Processo dos Távoras" (RTP), "Anjo Selvagem" (TVI), "Coração Malandro" (TVI), "Baía das Mulheres" (TVI), "Tempo de Viver" (TVI), "Deixa-me Amar" (TVI), "Casos da Vida" (TVI), "Olhos nos Olhos" (TVI), "Sentimentos" (TVI), "Sedução" (TVI), "Louco Amor" (TVI), "Belmonte" (TVI). Estreou-se como apresentadora ao substituir Felipa Garnel na apresentação do extinto talk-show da TVI Ficção, "Face to F@ce", e atualmente está no ar na TVI como atriz tanto na telenovela "Santa Bárbara" como na série "Massa Fresca". Esta entrevista foi feita no passado dia 21 de Junho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
S.G: Em criança! A minha Mãe conta que eu muito pequenina já dizia que queria ser atriz.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
S.G: São muitas... O Nicolau Breyner foi a primeira pessoa que me dirigiu. É uma referência para mim. É uma falta grande para todos nós. Ficou um grande vazio na ficção nacional.

Nicolau Breyner e Sofia Grillo
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como atriz, qual foi o que a deixou imensamente orgulhosa do que fez?
S.G: A "Beatriz" da Telenovela "Belmonte" (TVI) foi uma personagem que me deu muito gozo fazer e que teve grande impacto! Foi difícil criar aquela personagem mas acho que o resultado foi positivo.

M.L: Entre 2004/05, participou na telenovela “Baía das Mulheres” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a vilã Vera Moraes. Sendo licenciada em Direito, reviu-se na Vera nesse aspeto da advocacia, apesar de que era uma personagem duvidosa com alguns assuntos por resolver?
S.G: A Vera não era uma personagem com muitos escrúpulos... Não me identifiquei enquanto licenciada em Direito, mas foi muito aliciante o desempenho!

Sofia Grillo como "Vera Moraes" ao lado de Tozé Martinho em "Baía das Mulheres"
M.L: Fez formação tanto em Paris como em Nova Iorque e participou em várias produções audiovisuais francesas. Apesar de se ter baseado a sua carreira essencialmente em Portugal, gostava de, no futuro, apostar mais no estrangeiro como atriz?
S.G: Faço de vez em quando produções francesas e gosto muito! Gostava de continuar... Mas onde gosto de trabalhar é mesmo em Portugal! É para mim mais interessante interpretar personagens na nossa língua mãe.

M.L: Interpretou uma produtora de televisão em “Sedução” (TVI) que foi a última telenovela portuguesa escrita por Rui Vilhena. O que é que aprendeu na parte dos bastidores após ter interpretado a Carmo Sampaio?
S.G: Que é um ambiente muito stressante!!! Trabalha-se muito e com muita pressão!!! Não sei se era capaz...

São José Correia, Maria João Bastos, Sofia Grillo
M.L: Como lida com o público que tem acompanhado a sua carreira nas últimas 2 décadas?
S.G: Muito bem! É para ele que trabalhamos, sem o apoio do público não somos nada. A minha relação tem sido muito saudável e honesta. Fico agradecida por isso.

M.L: Estreou-se como apresentadora no extinto talk-show da TVI Ficção, “Face to F@ce”, onde substituiu Felipa Garnel. Que recordações guarda dessa experiência?
S.G: Aprendi muito!!! Ouvi histórias extraordinárias… Foi uma experiência fantástica.

Sofia Grillo entrevista Mónica Sintra em "Face to F@ce"

M.L: Em 2014, “Belmonte” foi nomeada para o Emmy Internacional na categoria de Telenovela. Como é que se sentiu ao saber que “Belmonte” recebeu essa nomeação?
S.G: Muito feliz! Foi muito merecido. Nós trabalhamos para isso... Tivemos um enredo e atores maravilhosos...

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
S.G: Trabalho, dedicação e amor por esta arte... E sobretudo não desistir ao primeiro "não". Manter a Fé.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz?
S.G: Balanço positivo. Tenho tido um percurso muito feliz e estou agradecida por isso. Sobretudo agradecida ao público que me tem acompanhado durante estes anos com grande fidelidade.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
S.G: Gostava de voltar ao Teatro! Tenho muitas saudades de pisar o palco!ML

domingo, 10 de julho de 2016

Brevemente...

Entrevista com... Sofia Grillo (Atriz)

Mário Lisboa entrevista... Paula Pais

Estreou-se como atriz profissional em 1991 e tem desenvolvido nos últimos 25 anos um percurso muito diversificado que passa por áreas tão diferentes como, por exemplo, o teatro, o cinema, a televisão, as dobragens e as locuções. Também passou pelo desporto, onde desenvolveu a prática de Ginástica Desportiva de Competição e Andebol como atleta federada, e integra o elenco da longa-metragem independente, "O Tempo e Dez Mulheres", que está em desenvolvimento pelo realizador/produtor/guionista João Paulo Simões. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Junho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
P.P: Aos 13 anos, quando tive a disciplina de Drama Educativo no Colégio de Odivelas, foi como um íman.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
P.P: Juliette Binoche, que é uma atriz completa, e Rita Blanco.

M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como atriz, houve algum que tenha um imenso carinho até hoje?
P.P: Tenho carinho por vários, mas a "Rua Sésamo" (RTP) foi e é muito especial. Interpretei a Gata Tita como se fosse um ser humano em gato, manipulei e dei voz a esta personagem, tudo gravado em direto com as outras personagens, nos estúdios da Tóbis, foi um grande desafio aprender a técnica Jim Henson, e uma oportunidade única de trabalhar com Kermit Love e Jim Kroupa, da Children’s Television Workshop (atual Sesame Workshop). Fui escolhida pelos americanos por casting, tive de passar por várias provas, e a seguir (eu a Gata Tita, Jorge o Ferrão, e o Luís Velez o Poupas) ainda tivemos formação intensiva da técnica Jim Henson. Depois fui escolhida para fazer "New Year’s Eve on Sesame Street" para a Children’s Television Workshop. Fui convidada para ir trabalhar para a “Sesame Street” nos EUA, mas infelizmente por razões pessoais não foi possível ir.

M.L: Em 1996, estreou-se nas telenovelas com “Primeiro Amor” que foi exibida na RTP, na qual interpretou a personagem Adélia. Que recordações guarda da sua estreia nesse género específico?
P.P: Também fui escolhida por casting e foi muito bom para mim porque tive a oportunidade de contracenar com o grande Nicolau Breyner, e dirigida pelo grande Armando Cortez, infelizmente estes dois monstros da representação já não estão cá, mas deixaram uma marca enorme no nosso panorama artístico, e eu tive o privilégio de ter trabalhado com estes dois grandes artistas que me ensinaram muito.


M.L: Na área desportiva, desenvolveu a prática de Ginástica Desportiva de Competição e Andebol como atleta federada. A seu ver, as novas gerações de atores deviam praticar Desporto como um complemento na representação?
P.P: Acho a prática desportiva opcional, mas o exercício físico é fundamental, ajuda-nos a ter melhor controlo e mais consciência do nosso corpo, melhor coordenação e resistência tanto física como mental, e faz-nos sentir bem e mais saudáveis, logo melhor preparados para viajar na transformação das várias personagens. 

M.L: Trabalhou com Raoul Ruiz na longa-metragem “Combate de Amor em Sonho” em 2000. Como vê o percurso que ele desenvolveu até falecer em 2011?
P.P: Sim! Produção de Paulo Branco, mais um grande artista com quem tive o privilégio de trabalhar, grande realizador e autor, também, de filmes diferentes, filosóficos e surrealistas. É uma referência muito importante no mundo do cinema e em particular para os estudantes de cinema.

M.L: Em 2016, celebra 25 anos de carreira, desde que se estreou como atriz profissional em 1991. Que balanço faz destes 25 anos?
P.P: Tenho uma experiência profissional muito variada, consegui fazer várias coisas que gosto muito, como teatro, cinema, telenovelas, séries televisivas, dobragens, locuções, contar histórias, dizer poesia, e também publicidade, gosto de olhar para trás e ver tanta coisa diferente que fiz, sinto-me realizada e feliz por isso! Mas quero continuar a fazer mais e mais, e nunca desistir independentemente de todas as dificuldades.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
P.P: Estudar, fazer uma licenciatura em teatro, assim têm mais hipóteses de arranjar trabalho.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
P.P: O que realmente me dá prazer é interpretar! Seja de que forma for, mas tenho uma paixão pelo cinema, por isso quero fazer mais cinema.ML

sábado, 9 de julho de 2016

Brevemente...

Entrevista com... Paula Pais (Atriz)

Mário Lisboa entrevista... Judite Costa

O interesse pela representação surgiu naturalmente e tem desenvolvido um percurso como atriz que ainda tem muito para dar. Tem tido também experiência em outras áreas como a produção e recentemente co-protagonizou a curta-metragem "Quarto em Lisboa" de Francisco Carvalho e que foi considerado o Melhor Filme Português pelo Fantasporto. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Junho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
J.C: Não posso dizer a famosa frase ''desde que nasci'' (pelos seis anos queria ser florista e astronauta!). Mas vá, desde muito nova! Não sei como surgiu essa ideia, sei que quando surgiu fez todo o sentido e fiz de tudo para incluir os estudos teatrais na minha formação escolar.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
J.C: Tive vários professores maravilhosos, que me servem como referência e torna-se difícil nomeá-los. Mas vou arriscar dizer João Paulo Costa e Maria João Vicente. Mas num meio que apela tanto à criatividade também vou buscar referências à música; ou então "aquele ator naquele filme"; toda uma panóplia.

M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como atriz, houve algum que lhe encheu as medidas?
J.C: Ainda sou muito nova e ainda tenho um longo percurso pela frente... Por isso, cada espetáculo, cada trabalho é mais uma aprendizagem! No entanto, posso dizer que, apesar do palco ser a "Mãe", eu me identifico mais com o trabalho em cinema. É um processo que me ''enche mais as medidas''.

M.L: Como olha, hoje em dia, para o meio artístico pelo menos desde os últimos 6 anos em que trabalha como atriz?
J.C: Eu considero que tenho uma relação descomprometida com o meio artístico, porque como todos sabem, viver como atriz é muito difícil ou quase impossível. Tenho o meu trabalho e quando surge uma oportunidade que possa coincidir (ou que permita largar tudo) vou atrás. Mas sinto que a relação cultural-sociedade falha dos dois lados. Não há subsídios nem apoios (mostra que as pessoas não percebem o verdadeiro valor da cultura e não falo só do valor humano! Há cidades que vivem da cultura), mas ao mesmo tempo sinto que há uma falha na comunicação com o público em alguns espetáculos (o que acaba por afastar as pessoas do Teatro).

M.L: Tem tido experiência em outras áreas como, por exemplo, a produção. De que forma estas experiências alternativas têm sido gratificantes para si?
J.C: Muito gratificantes! É um trabalho que me dá muito gosto de fazer.

M.L: Recentemente, a curta-metragem “Quarto em Lisboa” de Francisco Carvalho, na qual co-protagonizou, foi considerado o Melhor Filme Português pelo Fantasporto. Como é que se sentiu ao saber dessa premiação?
J.C: Fiquei muito feliz, é claro! O Francisco Carvalho é um excelente realizador e estava rodeado por uma bela equipa. É sempre um grande orgulho saber que o nosso trabalho é bem recebido e que fomos capazes de dar vida às ideias do Francisco.

Judite Costa como "Joana" em "Quarto em Lisboa"
M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz?
J.C: Um balanço muito positivo! Conheci pessoas maravilhosas, tive experiências fantásticas... A pessoa que sou hoje em dia deve-se a esse mesmo percurso! 

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
J.C: Gostava muito de tirar um curso de interpretação para cinema e de entrar numa Longa-Metragem!ML

domingo, 3 de julho de 2016

Brevemente...

Entrevista com... Judite Costa (Atriz)

Mário Lisboa entrevista... Mafalda Pereira

Começou a trabalhar na representação muito nova e tem desenvolvido um percurso como atriz com uma enorme determinação e empenho, lutando por um Mundo artisticamente melhor. Filha da artista plástica Deolinda Almeida, como atriz tem-se baseado essencialmente entre Portugal e Inglaterra e também tem desenvolvido um lado mais empreendedor ao criar vários projetos artísticos. Recentemente, participou em "The Misanthrope", a peça de Molière que celebra o seu 350º Aniversário em 2016 e que foi produzida pelos The Lisbon Players com quem tem trabalhado ultimamente. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Junho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
M.P: Quando comecei a fazer teatro aos onze anos percebi que era a arte que me permitia desfrutar o melhor de mim enquanto ser humano, o prazer que me dá e ao mesmo a subjetividade e o facto de provavelmente nunca saber avaliar o que é certo ou errado, apenas o que é espontâneo ou não. Das artes é a que mais conforto e paz de espírito me dá, costumo dizer que é um vírus, um amor platónico, uma adição sem o qual não sei quem sou nem quero ser.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
M.P: Apesar de ser uma jovem atriz portuguesa, a Sara Barros Leitão tem para mim tudo o que uma geração de atores deve seguir, uma dedicação, um profissionalismo, um amor à arte e um exemplo do que de mais belo se faz pela representação e pelos seus.

Quanto a atores mais internacionais, tenho muitas referências, cresci fascinada com a versatilidade de muitos atores que arriscam pela ousadia e transformação total em cada papel, e é isso que procuro para mim, não me repetir.

M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como atriz, houve algum que a tenha feito questionar o Mundo e o que está à sua volta?
M.P: O mais recente, a "Maggy" na série "Lavender". Sinto que me salvou internamente, estava num timing meio instável a nível pessoal, à espera de um resultado de uma biópsia. Chegou o guião para eu ler, e quando eu antes tinha pensado que caso fosse grave iria abster-me de tratamentos que me iriam torturar mais que um cancro, ao ler a força de uma doente como sempre me imaginei, forte, e não derrotada como me estava a sentir antes de ler o guião, decidi, que quando eu tiver de passar por algo assim, serei a "Maggy" novamente!

Sempre quis rapar o cabelo em personagem, sinto que é um privilégio, ainda não surgiu oportunidade que me permita abraçar a personagem nesse sentido, mas aguardo por algo assim.

Todas as personagens que vou fazendo são maneiras de viver mais do que viveria se não fosse atriz, questiono sempre, não a personagem, mas o mundo à sua volta, à "nossa" volta.

M.L: Como atriz, tem-se baseado essencialmente entre Lisboa e Londres. Do ponto de vista artístico, Portugal devia aprender mais com a Inglaterra?
M.P: Sem dúvida, estamos sempre atrasados, somos pequenos, temos mais potencial do que aquele a que nos permitimos, nós fazemos mais com menos, mas a mentalidade é o que mais está lento, dou um exemplo muito prático, um ator, a não ser por questões contratuais jamais deveria ter de dar a idade num casting, em Inglaterra fala-se em "Playing Age", é ridículo que ainda tenhamos que ser julgados pela data em que nascemos, e depois somos chamados para castings para o qual não temos o perfil físico, porque um número não nos define... Para não falar que tudo o que se faz em termos de queimar imagem é bem mais imediato, lá está, mentalidade. O cinema independente, ou as produções académicas entre tantas outras são normalmente pagas lá, mesmo que simbolicamente, e cá, nem despesas na maioria das vezes. Eu quando tirei design também tive de pagar o meu material, acho que mais ainda deveríamos pagar de alguma forma às pessoas que dão vida aos nossos trabalhos, à semelhança do que se faz lá fora mais do que se faz cá dentro.

M.L: Tem trabalhado ultimamente com os The Lisbon Players que têm passado por tempos difíceis. Como olha para o percurso que a companhia tem desenvolvido desde 1947 até agora?
M.P: Eu já só gosto de estar em palco em inglês, o português é uma língua, quase que sagrada, é como trabalhar talha dourada, é difícil encontrar projetos aliciantes na nossa língua, já o inglês em palco, está agora em extinção... E é uma vergonha, Lisboa está cada segundo mais cosmopolita, por isso é que não sinto falta do multiculturalismo de Londres, mas é uma miséria abater a companhia mais antiga e completamente autossustentável que são os The Lisbon Players, capitalismo e miséria são sinónimos nesta história, se por ventura eu deixo de poder trabalhar em inglês por aqui, ou volto para fora ou hei de fazer com que algo de novo surja por cá.

O elenco e a equipa de "The Misanthrope", a mais recente produção dos The Lisbon Players 
M.L: Em paralelo com o seu trabalho como atriz, também tem desenvolvido um lado mais empreendedor ao criar vários projetos artísticos. A Mafalda empreendedora é indissociável à Mafalda atriz?
M.P: Frequentemente tento reconcentrar-me na exigência da profissão, no entanto, o que acontece muito é que surgem necessidades de mercado a mim e aos meus colegas que me fazem mexer em projetos e ideias que nos dêem melhores condições ou que simplesmente não nos deixem estagnar.

O grupo que criei em Londres ou iniciativas que tenho guardadas em mente, só não estão na mesa por personagens que vão roubando a prioridade e também pela falta de meios para os concretizar da maneira que quero, mas quando houver tempo e dinheiro, passo a redundância, volto a mexer neles, o mercado português precisa de evoluir, expandir, e nós atores temos responsabilidade também.

M.L: É filha da artista plástica Deolinda Almeida. Como vê a evolução que a sua mãe tem tido até agora nesta área específica?
M.P: Eu só tenho um dom assumido, herdei as mãos da minha mãe, que pinta como ninguém, eu vejo-a como uma artista pura, em estado bruto, sinto que jamais se adaptará ao sistema, e essa é uma forma de expressão que vai fazer com que o valor que o trabalho tem não tenha todo o reconhecimento que merece, eu vejo constante evolução plástica, mas em como todas as artes vejo falta de exposição das obras e visão que está por descobrir pelo público em geral.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
M.P: Que como a Fernanda Montenegro diz, que questione os motivos pelo qual o faz, oiço muitos jovens atores a dizerem que começaram pela fama, e que mudaram, primeiro sinto que ao o admitirem que demonstram maturidade, mas ao mais leve indício de desequilíbrio voltam a demonstrar qual o chamamento base, na minha opinião, frágil. O que aconselho, sim, aos restantes, que deixem que a cegueira canse os de espírito volátil, e que vivam o momento, em paz com cada dádiva que é uma nova personagem, nós pensamos demasiado, "onde é que vou chegar", importante é nunca parar de viver o presente, as oportunidades vêm para quem não desiste e é sensato ao saber que não vai viver disto, mas que se acontecer, melhor, mas que não conte com o sustento da arte, nem com a fama... Não acredito em talento, nem em sorte, acredito em profissionalismo e dedicação.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz?
M.P: Olhar para trás é muito importante, não com rancor nem com presunção, mas como quem em vez de fazer uma lista de coisas a fazer, mas sim de pequenas conquistas que se vão fazendo, eu fiz esse exercício em Londres, tinha acabado de ter um colega a entrar em "Game of Thrones" porque o sugeri para um casting, trabalhar como parceira de cena com o James Phelps, um dos gémeos do "Harry Potter", ou até mesmo ter estendido a roupa ou ter sido paga por uma curta-metragem que acabou à hora prevista, enfim, devemos pensar mais se estamos no caminho certo para estar bem no momento. O dia de amanhã não interessa, eu estou pronta para personagens novas, o que mais tenho medo é de me repetir, sinto que não o costumo fazer apesar das limitações de oportunidades, sinto que estou em constante evolução, é nisso em que acredito, é isso que procuro.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
M.P: Quero muito fazer mais Cinema e Televisão, cada vez mais e mais. Não me deixaram entrar nos Estados Unidos por terem visto na Internet que sou atriz mas um dia, as "fronteiras" hão de cair.

Quero poder fazer conteúdos em Portugal que sejam mais internacionais, quero que o mundo, e as línguas dentro da arte que é universal seja uma, e que eu a possa continuar a representar, cá dentro ou lá fora de igual maneira. Quero poder trabalhar num mercado em Portugal que não é industrial, mas sim de valor e genuíno, quero moldar, formar, expandir a nossa arte às histórias que conto enquanto atriz, quero ter um trabalho reconhecido de valor, o valor que despertar nos que se revêm nas minhas personagens, para isso preciso que continuem a apostar no meu percurso.ML

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