sábado, 30 de julho de 2016

Álvaro Fugulin: Mário Lisboa entrevista... Nicolau Breyner


Falecido no passado dia 14 de Março, o lendário ator Nicolau Breyner faria hoje 76 anos de idade e a propósito do seu aniversário e de prestar homenagem a uma figura maior do que a vida que ainda hoje tem muita importância para mim, eu publico aqui no "Mário Lisboa entrevista..." uma entrevista que o Nico me concedeu no Hotel InterContinental no Porto 1 semana antes do seu falecimento e que foi feita originalmente para um documentário que eu estou a desenvolver sobre o falecido realizador de televisão brasileiro Álvaro Fugulin, com quem o Nicolau Breyner trabalhou principalmente nos tempos da sua produtora NBP (atual Plural Entertainment Portugal).
M.L: Quando conheceu o Álvaro Fugulin?
N.B: Poucos dias depois de ele chegar a Portugal, confesso que não sei que ano é que foi. Depois ele trabalhou para mim na NBP (atual Plural) e foi uma amizade de uma série de anos muito sincera, muito leal e muito bem-disposta. Ele era uma pessoa fantástica, além de que era um grande profissional, com imensa graça, com grande senso de humor e era uma pessoa aberta que era fácil de gostar dela. Eu fui muito amigo dele.

M.L: De todos os trabalhos/momentos que teve com o Álvaro, principalmente nos tempos da NBP, qual foi o mais marcante de todos?
N.B: Não faço a mínima ideia. A televisão é uma atividade inconstante a momentos marcantes pela positiva ou pela negativa. Um dia de televisão passam-se tantas coisas que não faço ideia qual é que terá sido o mais marcante. O mais marcante para mim foi ter conhecido aquele ser humano maravilhoso, aquela pessoa espantosa e aquele grande profissional.

M.L: O Álvaro Fugulin trabalhou na NBP até ao seu falecimento em Outubro de 2002. Como é que se sentiu quando soube que ele faleceu muito novo?
N.B: Eu já não estava na NBP na altura. Mas eu não estava em Portugal quando ele faleceu, estava a filmar penso que em Espanha. Foi um choque para mim, porque ele era um homem novíssimo, se bem que eu soubesse que ele tinha um problema de coração, cheio de força, com tanta coisa para dar e para viver e foi realmente uma perda muito grande.

M.L: O Álvaro foi um dos que contribuíram para a criação de uma pequena indústria de ficção nacional. Como vê o legado dele para as gerações futuras de profissionais do audiovisual?
N.B: Como disse é uma das pessoas que pela sua atividade como realizador ajudou a consolidar um projeto que nós começamos de fazer ficção em Portugal, portanto ele tem que ser olhado como uma das pessoas que também contribuiu para esse impulso.


M.L: Se estivesse com o Álvaro num dia qualquer de hoje em dia, o que é que diria a ele?
N.B: Eu não sei o que nós estávamos a dizer, mas estávamos a rir com certeza. O que dizia também não era muito relevante, mas estávamos com certeza a rir que era uma coisa que nós fazíamos constantemente mesmo quando estávamos a trabalhar.ML

Eu e Nicolau Breyner, um momento verdadeiramente inesquecível para mim de conhecer pessoalmente um dos meus grandes ídolos e também uma das minhas grandes influências.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Brevemente...

Entrevista com... João Perry (Ator)

Mário Lisboa entrevista... Filomena Gonçalves

A representação surgiu na sua vida devido à necessidade de se expressar e tem desenvolvido um percurso como atriz que já conta com 3 décadas de existência e passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Chuva na Areia" (RTP), "Palavras Cruzadas" (RTP), "Passerelle" (RTP), "Ricardina e Marta" (RTP), "Telhados de Vidro" (TVI), "Verão Quente" (RTP), "Desencontros" (RTP), "Primeiro Amor" (RTP), "Filhos do Vento" (RTP), "Ballet Rose-Vidas Proibidas" (RTP), "Esquadra de Polícia" (RTP), "A Raia dos Medos" (RTP), "Alves dos Reis" (RTP), "Sonhos Traídos" (TVI), "O Processo dos Távoras" (RTP), "Lusitana Paixão" (RTP), "A Ferreirinha" (RTP), "Vila Faia" (RTP), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Doida por Ti" (TVI). É casada desde 1998 com o escritor Francisco Moita Flores. Esta entrevista foi feita no passado dia 2 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
F.G: Não sei bem. A representação surgiu na sequência de uma necessidade de me expressar, passando primeiro por outras artes (fotografia, dança, música, canto) que experimentei com maior ou menor grau de empenho. Todas elas concorreram para me levar até à representação. Penso que não fui eu que decidi ser atriz, foram as artes da representação que me decidiram aceitar.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
F.G: Muitos dos colegas com quem tive o privilégio de trabalhar e me ensinaram tudo o que sei. Armando Cortez, Henrique Canto e Castro, Nicolau Breyner, Manuela Maria, Eunice Muñoz, Pompeu José, Raul Solnado, Graça Bessa, António Rodrigues e tantos outros professores e amigos que são as minhas referências de trabalho e de profissionalismo.

M.L: Houve um trabalho específico que tenha provocado exigência e talvez algum desgaste emocional em si ao longo do seu percurso como atriz?
F.G: Todos sem exceção, por um motivo ou por outro, puseram à prova as minhas capacidades​. Nem todos me exigiram o mesmo esforço mas todos me entregaram alguma coisa preciosa pela qual valeu a pena lutar. Alguns devolveram-me a alegria da recompensa do aplauso e do reconhecimento, outros nem tanto. Sinto-me grata à minha profissão, pelo que me tem dado e não conheço outro modo de trabalhar, sem ser com uma entrega total. Por isso, não, não há um que se destaque.

M.L: Em 2002, participou na telenovela “Sonhos Traídos” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a personagem Maria de Lurdes Pereira. Tendo em conta que era uma personagem ciumenta para com o marido e que não conseguiu grandes feitos na vida, como é que se preparou na altura para o papel no sentido de tentar entender a Maria de Lurdes e as suas motivações?
F.G: Não compete ao ator/atriz fazer juízos de valor à sua personagem, mas sim, compreender-lhe as motivações, dentro das circunstâncias em que é posta. Que me lembre, a Maria de Lurdes era uma dona de casa, costureira por necessidade, com uma instrução básica, preterida pelo marido, a lutar por manter o lar enquanto trabalhava e criava um filho sozinha. Uma mulher como tantas outras, guerreira do quotidiano, sem nome nos jornais, nem medalhas no 10 de Junho, mas que, são o tecido mais profundo da sociedade. Creio que a função narrativa da personagem era esta mesma. O conflito da Maria de Lurdes é com a alteração de paradigmas que vêm abalar o seu pequeno mundo, desestabilizando a sua relação com os outros e consigo. Um mundo que ela não sabe, ou não quer compreender, acabando cruelmente louca e encarcerada. Isto, foi o que eu compreendi da Maria de Lurdes. Se ela não alcança grandes feitos, ou se é ciumenta, não sei, provavelmente será isso e também tantas outras coisas. A verdade é que não há luz sem escuridão. Nunca uma personagem, tal como as pessoas em que se inspira, é totalmente "boa" ou "má", feliz ou infeliz, "escura" ou "clara". É essa a função do ator/atriz. Extrair todos os cambiantes possíveis dentro do espectro da personagem. Compete ao espectador avaliar a verdade da representação do ator/atriz identificando-se ou não com a "verdade" da personagem.

   Filomena Gonçalves como "Maria de Lurdes Pereira" em "Sonhos Traídos" (0:03)

M.L: A meu ver, tem sido muito subestimada como atriz ao longo das últimas 3 décadas de representação. Acha que, um dia, lhe vão dar um maior reconhecimento a nível artístico?  
F.G: Não me sinto subestimada, mas sim, feliz, com o percurso que me foi possível fazer, pelo qual lutei e continuo a lutar. Sinto-me estimada por colegas, dentro e fora de cena, das mais diferentes idades ou proveniências. Respeitada pelo público que não me esqueceu, apesar das maiores ou menores ausências, a que nos votamos. O que me move é a esperança de alcançar melhor, construir mais, quando e sempre que houver oportunidade. É um caminho que se vai percorrendo com as armas e a bagagem que vamos tendo e ainda há muito para fazer. Não estou preocupada com o julgamento do tempo, nem nunca trabalhei para alcançar reconhecimento, mas tão só, com honestidade, tentar ultrapassar os diferentes desafios e obstáculos que se vão apresentando, ao longo da minha carreira. Os criadores aprendem a resiliência, estão preparados para aceitar a crítica, não esperam unanimidade e tentam viver com graça os altos e baixos da vida. Não sei se correspondo a este retrato mas são estas as linhas que me orientam.

M.L: Desde 1998 que é casada com Francisco Moita Flores. Como olha para o percurso tanto artístico como policial e político que o seu marido tem desenvolvido até agora?
F.G: Não olho. Os meus olhos são os da companheira que aceitou partilhar a vida com alguém que ama e admira. É um olhar íntimo, pessoal, não sobre a carreira mas o homem.

Filomena Gonçalves e Francisco Moita Flores

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz?
F.G: É de facto o tempo para balanço no Deve e Haver da minha carreira. Tenho consciência dos erros que cometi e não quero voltar a fazer, do que está bem e pode ser explorado e melhorado. 

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
F.G: Uma só? De um modo genérico pretendo dedicar-me aos erros.ML

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Brevemente...

Entrevista com... Filomena Gonçalves (Atriz)

"Die Hard-Assalto ao Arranha-Céus" (1988)


No passado dia 15 de Julho, celebrou-se o 28º Aniversário de "Die Hard-Assalto ao Arranha-Céus", o clássico de ação e suspense non-stop realizado por John McTiernan, que na altura já vinha de 2 longas-metragens seguidas ("Nómadas" (1986) e "Predador" (1987), e que tornou a então estrela televisiva Bruce Willis numa super-estrela internacional ao interpretar John McClane, um dos maiores heróis cinematográficos de todos os tempos que embora não era nada musculado não deixava de ser badass na mesma.

Co-escrito pelo lusodescendente Steven E. de Souza a partir do livro "Nothing Lasts Forever" de Roderick Thorp, eu descobri muito novinho esta gigantesca montanha-russa cinematográfica e desde aí tem sido um dos filmes da minha vida, onde atingiu praticamente a perfeição nomeadamente na parte narrativa e técnica e também no desenvolvimento das personagens. Além de McClane, há outras personagens por quem tenho preferência também como, por exemplo, a decisiva e independente Holly Gennaro-McClane (Bonnie Bedelia), o grande vilão Hans Gruber (Alan Rickman), o vingativo terrorista Karl (Alexander Godunov), o simpático polícia Al Powell (Reginald VelJohnson) que era o grande aliado de McClane, e o polícia burocrático Dwayne T. Robinson (Paul Gleason).

Alan Rickman, Bruce Willis, John McTiernan
Para mim, um dos melhores filmes passados na época natalícia de todos os tempos, "Die Hard-Assalto ao Arranha-Céus" tornou-se numa referência para o cinema de ação e deu origem a 4 sequelas (as 2 últimas são dispensáveis a meu ver). Recomendável para qualquer cinéfilo que se preze e com uma grande banda sonora do falecido Michael Kamen, para terminar cito a frase mais memorável de todo o filme e uma das minhas favoritas de qualquer filme ("Yippee Ki-Yay, Mother Fucker!").

Michael Kamen - "Die Hard-Assalto ao Arranha-Céus"

O grande tema natalício que se pode ouvir no fim do filme

Mário Lisboa

terça-feira, 12 de julho de 2016

Mário Lisboa entrevista... Sofia Grillo

Já dizia muito nova que queria ser atriz, de acordo com a Mãe, e nas últimas 2 décadas tem desenvolvido um percurso muito respeitável na representação que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Vidas de Sal" (RTP), "Filhos do Vento" (RTP), "A Lenda da Garça" (RTP), "Ganância" (SIC), "O Processo dos Távoras" (RTP), "Anjo Selvagem" (TVI), "Coração Malandro" (TVI), "Baía das Mulheres" (TVI), "Tempo de Viver" (TVI), "Deixa-me Amar" (TVI), "Casos da Vida" (TVI), "Olhos nos Olhos" (TVI), "Sentimentos" (TVI), "Sedução" (TVI), "Louco Amor" (TVI), "Belmonte" (TVI). Estreou-se como apresentadora ao substituir Felipa Garnel na apresentação do extinto talk-show da TVI Ficção, "Face to F@ce", e atualmente está no ar na TVI como atriz tanto na telenovela "Santa Bárbara" como na série "Massa Fresca". Esta entrevista foi feita no passado dia 21 de Junho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
S.G: Em criança! A minha Mãe conta que eu muito pequenina já dizia que queria ser atriz.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
S.G: São muitas... O Nicolau Breyner foi a primeira pessoa que me dirigiu. É uma referência para mim. É uma falta grande para todos nós. Ficou um grande vazio na ficção nacional.

Nicolau Breyner e Sofia Grillo
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como atriz, qual foi o que a deixou imensamente orgulhosa do que fez?
S.G: A "Beatriz" da Telenovela "Belmonte" (TVI) foi uma personagem que me deu muito gozo fazer e que teve grande impacto! Foi difícil criar aquela personagem mas acho que o resultado foi positivo.

M.L: Entre 2004/05, participou na telenovela “Baía das Mulheres” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a vilã Vera Moraes. Sendo licenciada em Direito, reviu-se na Vera nesse aspeto da advocacia, apesar de que era uma personagem duvidosa com alguns assuntos por resolver?
S.G: A Vera não era uma personagem com muitos escrúpulos... Não me identifiquei enquanto licenciada em Direito, mas foi muito aliciante o desempenho!

Sofia Grillo como "Vera Moraes" ao lado de Tozé Martinho em "Baía das Mulheres"
M.L: Fez formação tanto em Paris como em Nova Iorque e participou em várias produções audiovisuais francesas. Apesar de se ter baseado a sua carreira essencialmente em Portugal, gostava de, no futuro, apostar mais no estrangeiro como atriz?
S.G: Faço de vez em quando produções francesas e gosto muito! Gostava de continuar... Mas onde gosto de trabalhar é mesmo em Portugal! É para mim mais interessante interpretar personagens na nossa língua mãe.

M.L: Interpretou uma produtora de televisão em “Sedução” (TVI) que foi a última telenovela portuguesa escrita por Rui Vilhena. O que é que aprendeu na parte dos bastidores após ter interpretado a Carmo Sampaio?
S.G: Que é um ambiente muito stressante!!! Trabalha-se muito e com muita pressão!!! Não sei se era capaz...

São José Correia, Maria João Bastos, Sofia Grillo
M.L: Como lida com o público que tem acompanhado a sua carreira nas últimas 2 décadas?
S.G: Muito bem! É para ele que trabalhamos, sem o apoio do público não somos nada. A minha relação tem sido muito saudável e honesta. Fico agradecida por isso.

M.L: Estreou-se como apresentadora no extinto talk-show da TVI Ficção, “Face to F@ce”, onde substituiu Felipa Garnel. Que recordações guarda dessa experiência?
S.G: Aprendi muito!!! Ouvi histórias extraordinárias… Foi uma experiência fantástica.

Sofia Grillo entrevista Mónica Sintra em "Face to F@ce"

M.L: Em 2014, “Belmonte” foi nomeada para o Emmy Internacional na categoria de Telenovela. Como é que se sentiu ao saber que “Belmonte” recebeu essa nomeação?
S.G: Muito feliz! Foi muito merecido. Nós trabalhamos para isso... Tivemos um enredo e atores maravilhosos...

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
S.G: Trabalho, dedicação e amor por esta arte... E sobretudo não desistir ao primeiro "não". Manter a Fé.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz?
S.G: Balanço positivo. Tenho tido um percurso muito feliz e estou agradecida por isso. Sobretudo agradecida ao público que me tem acompanhado durante estes anos com grande fidelidade.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
S.G: Gostava de voltar ao Teatro! Tenho muitas saudades de pisar o palco!ML