sexta-feira, 21 de outubro de 2016

"The Departed-Entre Inimigos" (2006)


No passado dia 6 de Outubro, celebrou-se 10 anos da estreia de "The Departed-Entre Inimigos", o aclamado remake realizado por Martin Scorsese de "Infernal Affairs-Infiltrados" (2002-03), a igualmente aclamada trilogia de Hong Kong, e que é um dos filmes da minha adolescência mais queridos para mim.


Vencedor de 4 Óscares da Academia incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador (Martin Scorsese) e com um elenco muito bom de que fizeram parte, por exemplo, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga e Alec Baldwin, "The Departed-Entre Inimigos" foi o meu filme mais antecipado de 2006, tinha eu na altura 16 anos, por várias razões nomeadamente o seu realizador Martin Scorsese, de quem já era um enorme fã desde "Gangs de Nova Iorque" (2002), e eu fiquei muitíssimo agradado com o resultado final, pois tanto na altura como ainda hoje eu acho que é um remake tão bom como a trilogia original por mérito próprio, com uma identidade própria e que captou muito bem o espírito de "Infernal Affairs-Infiltrados".

Martin Scorsese (Realizador)
Graham King (Produtor)
William Monahan (Argumentista)
Thelma Schoonmaker (Editora)
Apesar de não ser um verdadeiro clássico como alguns filmes de Scorsese como, por exemplo, "Taxi Driver" (1976) e "Tudo Bons Rapazes" (1990), "The Departed-Entre Inimigos" é a meu ver um dos melhores filmes deste século, com o cenário de Boston mais do que apropriado e onde as personagens, embora grande parte delas difíceis de simpatizar, foram muito bem desenvolvidas dentro do possível. Um jogo do gato e do rato do melhor que o Cinema nos apresentou e ao mesmo tempo uma história de pais e filhos e para terminar eu tenho que salientar que na minha opinião pessoal o Leonardo DiCaprio devia ter sido nomeado ao Óscar de Melhor Ator em 2007 por este filme e não com "Diamante de Sangue" (2006) como acabou por acontecer e também que Jack Nicholson devia ter sido igualmente nomeado aos Óscares desse ano, mas na categoria de Melhor Ator Secundário, pela sua inesquecível interpretação como o monstruoso gangster Frank Costello.

Jack Nicholson com o seu bem-merecido Prémio de Melhor Vilão nos MTV Movie Awards 2007 
Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio ("Billy Costigan"), Matt Damon ("Colin Sullivan")
Jack Nicholson & Martin Scorsese
Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Vera Farmiga ("Madolyn Madden")
Cartaz alternativo de "The Departed-Entre Inimigos" que eu gostei muito logo à primeira
O DVD e a banda sonora de "The Departed-Entre Inimigos" e os DVDs da trilogia "Infernal Affairs-Infiltrados" que eu orgulhosamente possuo desde os meus 17 anos
Mário Lisboa

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

"Huis Clos-No Exit" no Teatro da Trindade até 9 de Outubro


Está em cena no Teatro da Trindade até ao próximo dia 9 de Outubro, a peça "Huis Clos-No Exit" de Jean-Paul Sartre, encenada por Rui Neto (http://mlisboaentrevista.blogspot.pt/2015/06/mario-lisboa-entrevista-rui-neto.html) e protagonizada por Lia Carvalho, Miguel Raposo e São José Correia.

Lia Carvalho, São José Correia, Miguel Raposo
Escrita originalmente em 1944, "Huis Clos-No Exit" é sobre três desconhecidos (Lia Carvalho, Miguel Raposo, São José Correia) fechados numa sala: é isto a eternidade, sem rodeios, entre a simplicidade e a intrincada complexidade do Ser Humano. Seremos o reflexo daquilo que os outros pensam de nós, eternamente condenados à mercê de quem nos observa? Ou serão os nossos atos que definem quem somos? De olhos bem abertos, a eternidade, entre quatro paredes, onde “o Inferno são os outros”.

Lia Carvalho e São José Correia
Miguel Raposo
Mário Lisboa

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Mário Lisboa entrevista... Adelaide de Sousa

Começou por ser assistente de bordo e o interesse tanto pela representação como pela Comunicação Social foi crescendo naturalmente e nas últimas duas décadas tem desenvolvido um percurso muito bom como atriz e como apresentadora, sendo muito acarinhada pelo público português. Casada desde 2002 com o fotógrafo americano Tracy Richardson, dedica-se também à causa do cancro da mama através do projeto Guerreiras Portugal, atualmente apresenta o programa "Faz Sentido" na SIC Mulher e recentemente regressou à ficção televisiva com a telenovela "Coração d'Ouro" que foi exibida na SIC. Esta entrevista foi feita no passado dia 27 de Setembro.

M.L: Quando surgiu o interesse tanto pela representação como pela Comunicação Social?
A.D.S: Não consigo precisar, foi um desejo que foi crescendo conforme o outro que tinha, de ser assistente de bordo, foi satisfeito. Trabalho em TV desde 1994 e durante um tempo fiz ambos com alguma satisfação. Mas lentamente apareceu a necessidade de me especializar, de melhorar a minha formação e preparação, e a partir daí segui o caminho da TV sem grandes hesitações.

M.L: Quais são as suas referências nestas duas áreas?
A.D.S: Na televisão, o Aurélio Gomes, um entrevistador que de facto deixa ver o entrevistado sem artifícios nem edições de natureza manipuladora, para obter um resultado. Na representação, o Ruy de Carvalho, pela integridade e dedicação, pela educação e relação com os colegas. Não consigo gostar de um ator que não cuida da sua contracena.

M.L: Como atriz, houve algum trabalho em particular que deixou um impacto tanto pessoal como emocional em si?
A.D.S: Não me recordo, confesso. Tendo a fazer e a esquecer.

M.L: Entre 2004/05, participou na telenovela “Mistura Fina” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a personagem Daniela Macário. Que recordações guarda de interpretar uma figura da autoridade?
A.D.S: Da dificuldade em entrar na personagem. Exercer autoridade publicamente não é fácil para mim, não vem de uma forma orgânica. Foi duro, tive vários problemas, mas depois correu bem.

Adelaide de Sousa como "Daniela Macário" em "Mistura Fina"
M.L: Como apresentadora, passou tanto pela televisão generalista como por cabo e na RTP apresentou o popular programa dos anos 90, “Jet 7”, onde também interpretou a divertida Dolly. Vinte anos depois, as pessoas ainda falam do programa, quando vêm ter consigo?
A.D.S: Não, penso que isso já não está presente na mente das pessoas. Se calhar vou ressuscitá-la!


M.L: Desde 2002 que é casada com o fotógrafo americano Tracy Richardson. Como olha para o percurso que o seu marido tem desenvolvido até agora?
A.D.S: Enquanto fotógrafo tem sido irregular, tem havido momentos de muita produção e momentos de paragem, com exceção do projeto Guerreiras Portugal, em que esteve bastante ativo também como escritor. O meu marido tem procurado outros caminhos na vida, que eu apoio completamente. Penso que ele tem muito mais para mostrar do que o que foi visto até agora, e creio que muito irá ser visível em breve, aqui e noutros lugares do mundo.

Adelaide de Sousa com o seu marido Tracy Richardson e o filho de ambos Kyle
M.L: Nasceu em Moçambique, onde viveu até aos 6 anos de idade e voltou para lá para gravar a série da TVI, “A Jóia de África”, em 2002. A seu ver, África ainda tem atualmente o seu fascínio e encanto apesar dos seus altos e baixos?
A.D.S: Eu não tenho estado muito a par de como anda a África, até porque é um continente e eu só posso dizer que conheço Moçambique. Mas mesmo Moçambique, não vou lá desde essa altura, e isso foi há 14 anos. No entanto, sendo África o berço do mundo, penso que tem sempre um lugar especial no nosso sentido de identidade comum. Claro que tenho esperança de que as tensões e conflitos constantes acabem um dia, o que seria milagroso dadas as intermináveis variáveis que estão em jogo.

Adelaide de Sousa como "Eugénia da Cunha" em "A Jóia de África"
M.L: Regressou recentemente à ficção televisiva como a sofrível Sofia Aguiar na telenovela da SIC, “Coração d’Ouro”, que tem tido reconhecimento internacional nos últimos tempos. Como é que se preparou para interpretar esta personagem, tendo em conta que era o seu 1º papel televisivo em alguns anos e que neste caso passa por algumas mudanças ao longo da trama?
A.D.S: Houve tempo para ensaios antes de começarmos as gravações, bastante tempo, o que ajudou muito a que eu conseguisse reentrar no registo de representação por oposição ao registo da apresentadora de TV. A SIC aposta nesse tempo de ensaio de várias semanas e isso dá frutos visíveis. Quase não vemos atores a fazerem «bonecos» neste canal, o que marca uma grande diferença. Mas a culpa não será tanto dos atores, que às vezes podem ser preguiçosos em criar o tempo e trabalhar como deveriam na sua preparação para gravar, mas mais das produções que não acautelam essas semanas de trabalho em conjunto com outros atores e com a direção de modo a estabelecermos os laços que depois sustentam cada cena. Foi um desafio, até porque as reviravoltas da trama nem sempre são suportadas pelo perfil psicológico da personagem ou pela intuição do ator, mas compensou bastante ser esticada nessas diferentes direções, foi como ir ao ginásio com um novo programa de treino todos os dias.

Adelaide de Sousa com João Reis e Mariana Monteiro, a sua "família" em "Coração d'Ouro"
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira seja na representação ou na Comunicação Social?
A.D.S: Que tenham muita paciência e perseverança, que se preparem tecnicamente tanto quanto possível, que não hesitem em aceitar trabalhos de outra natureza porque isso lhes dará experiência de vida e que, por favor, invistam na sua cultura geral. É confrangedor ver quão pouca cultura geral existe neste meio, o que empobrece imenso o trabalho. E que nunca sacrifiquem tudo em prol desse sonho: não compensa.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz e como apresentadora?
A.D.S: Penso que tem sido um percurso num sentido evolutivo. Isto não quer dizer que tenha sempre a subir, de todo. Tivemos muito mais baixos do que altos, e o bom disso é que me deu uma apreciação especial pelos altos, deu-me uma referência constante de que nada me era devido, nem as oportunidades de trabalho, nem o sucesso ou reconhecimento, nem o dinheiro. Não tenho partido de uma posição de «tenho 30 anos disto, já deviam dar-me isto ou aquilo», o que é sempre uma tentação quando vemos gente a chegar, gente a sair e nem sempre fazemos parte dos projetos com mais visibilidade. Mas considero que o percurso foi positivo porque sou uma melhor prestadora de serviços nessa área do que era há 30 anos atrás. No final das contas, só interessa a maneira como tratamos as pessoas que trabalham connosco, mais nada.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
A.D.S: Ser mãe de família, dona-de-casa, algo que é muito desvalorizado nesta cultura de produção-a-todo-o-custo, de números e resultados. Criar uma família, ser um elemento agregador em casa e na sociedade, é a missão mais importante que podemos ter na vida. Essa está por cumprir.ML

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

"Snowden"


Uma semana depois de ter estreado nos EUA, estreou em Portugal no passado dia 22 de Setembro o biopic "Snowden" que marca o regresso de Oliver Stone à realização 4 anos depois do intenso "Selvagens" (2012) e com um elenco muito bom de que fazem parte, por exemplo, Joseph Gordon-Levitt, Shailene Woodley, Melissa Leo (http://mlisboaentrevista.blogspot.pt/2015/05/mario-lisboa-entrevista-melissa-leo.html), Zachary Quinto, Tom Wilkinson, Scott Eastwood, Timothy Olyphant, Rhys Ifans e Nicolas Cage.


Exibido no Toronto International Film Festival e no San Sebastián Film Festival, "Snowden" retrata a história verídica do controverso Edward Snowden que em 2013 divulgou informação confidencial da Agência de Segurança Nacional (NSA), o que o levou a exilar-se na Rússia onde vive atualmente. Uma figura dos nossos tempos, cujo o seu futuro está incerto e que tanto é um herói para alguns como traidor para outros.


Oliver Stone, Joseph Gordon-Levitt, Shailene Woodley, Melissa Leo e Zachary Quinto no Toronto International Film Festival a propósito de "Snowden"
Mário Lisboa

terça-feira, 27 de setembro de 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Mário Lisboa entrevista... Liliana Carvalho

Natural de Chaves, o interesse pelo jornalismo surgiu de uma maneira muito natural, começando muito nova a experimentar essa área e tem-se revelado como um grande talento jornalístico que nunca deixa um desafio de lado. Desde 2003 a trabalhar na SIC, também tem experiência na apresentação de programas sobre automóveis ("TV Turbo" & "Volante"), e considera-se como alguém que tem muito para aprender. Esta entrevista foi feita no passado dia 24 de Setembro.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo jornalismo?
L.C: Sempre fui curiosa por natureza e desde muito pequena que falava muito nas aulas. De alguma forma o bichinho do jornalismo sempre esteve dentro de mim. Depois tive a oportunidade de participar em algumas experiências que alimentaram ainda mais a minha paixão pelo jornalismo. Aos 11 anos, já tinha escrito para o jornal "O Primeiro de Janeiro" e pouco tempo depois comecei a trabalhar numa rádio local, a antiga "Rádio Larouco", com uma rubrica de culinária de segunda a sexta-feira. Ao mesmo tempo, tive bons professores de português que sempre me incentivaram e foram muito criteriosos na aprendizagem e uso da língua portuguesa. Em casa, sempre senti a liberdade de escolha. Os meus pais nunca fizeram qualquer tipo de imposição. 

M.L: Quais são as suas referências nesta área?
L.C: São tantas e tenho a sorte de trabalhar numa casa feita de grandes jornalistas. É um privilégio poder aprender todos os dias, desde o primeiro dia, com "senhores e senhoras" do rigor, da isenção e da verdade. Sem querer ser injusta, destaco exemplos como o José Manuel Mestre, o Pedro Coelho ou a Cândida Pinto. Mas quero deixar claro que a SIC está cheia de grandes profissionais em todas as áreas. 

M.L: Desde 2003 que trabalha na SIC e tinha 11 anos de idade, quando o canal foi lançado em 1992. Como vê a evolução que a SIC tem tido, desde que ingressou no canal até agora?
L.C: A comunicação social é o espelho do que se passa no mundo. A realidade está em permanente mutação e de forma cada vez mais rápida. Creio que a SIC tem sabido adaptar-se constantemente e responder de forma assertiva aos desafios, sem perder a identidade e os valores-base do jornalismo.

Liliana Carvalho na condução do programa diário "Opinião Pública" na SIC Notícias
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como jornalista, qual foi o mais marcante para si a nível de profundidade e investir o seu tempo?
L.C: Sou uma pessoa que gosta de desafios. Em televisão não há tarefas mais importantes do que outras, mas cada uma tem as suas especificidades. Seja em que papel for, de pivô, a repórter, passando pela coordenação, tento dar a cada segundo o melhor de mim. Já passei por várias áreas e acredito que todos os dias crescemos um bocadinho como pessoas. São os nossos princípios que fazem a diferença na vida, como no jornalismo. De todas as formas, tenho muito para aprender.

M.L: É natural de Chaves e desde 1999 que vive em Lisboa. Gostava de, um dia, regressar ao Norte no que toca a viver e trabalhar lá?
L.C: Sou de Chaves e muito orgulhosa de ser flaviense. Preciso sempre de voltar às minhas origens, até porque é lá que está grande parte da minha família. Adotei Lisboa como cidade do meu coração há muitos anos e depois de ter vivido em Madrid, senti ainda mais saudades do Tejo, do mar, da serra, da luz, dos encantos da cidade que me acolheu também. Não se pode prever o futuro a longo prazo, não sei onde irei parar, mas para já, é aqui a minha vida. 

M.L: Tem experiência na apresentação de programas sobre automóveis (“TV Turbo” & “Volante”). Como olha para o futuro da indústria automóvel nos próximos anos?
L.C: As vendas de automóveis servem muitas vezes de indicador do estado da economia de um país. Quanto à indústria do setor automóvel diria que está em ebulição com enormes desafios pela frente. Não é possível travar a revolução tecnológica e a necessidade de eficiência energética.


M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na área jornalística?
L.C: Creio que deveria procurar conhecer a realidade do mercado laboral e conhecer todo o processo que envolve o trabalho jornalístico antes de tomar uma decisão. É-se jornalista 24h sobre 24h. Não é daquelas profissões que dá para desligar ao sair do local de trabalho e voltar a ligar no dia seguinte. Parece-me que muitos jovens não têm uma noção clara dos sacrifícios pessoais e familiares que a nossa profissão exige. Querer ser jornalista tem que vir do âmago do nosso ser. Só assim é possível ultrapassar desafios e obstáculos e são muitos. Ninguém quererá saber se passámos a noite em branco, se estamos tristes, se temos problemas. O nosso "eu" fica de fora, na hora de informar os portugueses, porque eles merecem o melhor de nós.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como jornalista?
L.C: É um balanço muito positivo, com a noção que o caminho que tenho pela frente é muito longo e que tenho muito ainda para aprender e para dar.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
L.C: Termino esta entrevista como comecei. Falta tanta coisa e acho que faltará sempre, até ao meu último dia de vida. Porque é assim que eu sou: "insatisfeita por natureza".ML