terça-feira, 8 de novembro de 2016

"O Homem do Ano" (2006)


É já hoje (8 de Novembro) que se vai saber se é Hillary Clinton ou Donald Trump que vai ser Presidente dos EUA e a propósito das já históricas eleições americanas deste ano, eu achei que era muito apropriado escrever sobre "O Homem do Ano", a comédia política/satírica escrita e realizada por Barry Levinson e protagonizada pelo falecido Robin Williams que celebrou o seu 10º aniversário no passado dia 13 de Outubro e, tal como Trump na vida real, é sobre uma figura pública de outra área que inesperadamente concorre à Presidência dos EUA.


Também com a participação de atores como Christopher Walken, Laura Linney e Jeff Goldblum, "O Homem do Ano" é um filme que eu ouvi falar logo na altura em que foi lançado, mas só o vi em DVD por volta de 2009, e apesar de ter sido muito mal recebido pela crítica e atualmente muito esquecido eu francamente gostei de "O Homem do Ano" nomeadamente pela sua trama, pelos seus temas muito pertinentes e pelo seu elenco principalmente Williams, Walken e Linney.

Barry Levinson & Robin Williams
Apesar de não ser um filme memorável como "Bom Dia, Vietname" (1987), a primeira colaboração entre Barry Levinson e Robin Williams, "O Homem do Ano" vale a pena ser visto/revisto nesta altura de futuro incerto, pois é um filme que nos faz pensar em termos políticos.

Barry Levinson, Lewis Black, Robin Williams
Mário Lisboa

sábado, 5 de novembro de 2016

Brevemente...

Entrevista com... Marta Andrino (Atriz/Apresentadora)

Mário Lisboa entrevista... Carla Andrino

Começou como bailarina e a representação surgiu naturalmente na sua vida, tornando-se numa das actrizes mais admiradas pelo público português, cujo percurso passa nomeadamente pelo teatro e pela televisão (onde entrou em produções como "Os Malucos do Riso" (SIC), "Bacalhau com Todos" (RTP), "Fábrica de Anedotas" (RTP), "Os Batanetes" (TVI), "O Prédio do Vasco" (TVI), "Ilha dos Amores" (TVI), "A Outra" (TVI), "Negócio da China" (TV Globo), "Um Lugar para Viver" (RTP), "Espírito Indomável" (TVI), "Redenção" (TVI), "Doce Tentação" (TVI), "I Love It" (TVI), "Giras e Falidas" (TVI). Casada desde 1986 com o Maestro Mário Rui e mãe da actriz e apresentadora Marta Andrino, a psicologia também faz parte da sua vida, e actualmente co-protagoniza a peça "Noivo por Acaso" que está em digressão. Esta entrevista foi feita no Teatro Sá da Bandeira no Porto.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
C.A: Acho que surgiu desde sempre. Comecei o meu percurso pela dança, mas acho que mais do que dançar eu gostava era de representar através da dança. Portanto, representar surgiu assim tão natural como respirar. Foi um percurso natural na minha vida.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto actriz?
C.A: São várias. Actrizes e actores, portugueses e estrangeiros. Eu acho que até de um mau exemplo se pode tirar um bom exemplo, nem que seja de como não fazer, de como, pelo menos eu, não gostava de representar.

M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora como actriz, houve algum em particular que se pode dizer que é o seu favorito?
C.A: Todos me deixaram a sua marca e fizeram de mim aquilo que sou.

M.L: Como lida com o público que acompanha sua carreira há vários anos?
C.A: Lido com muito respeito, independentemente se estou mais cansada ou menos disponível. Se as pessoas me reconhecem e querem dar um beijinho, cumprimentar, pedir um autógrafo ou tirar uma fotografia, cedo de uma forma simpática porque é o mínimo que posso fazer.

M.L: Desde 1986 que é casada com o Maestro Mário Rui e é mãe da actriz e apresentadora Marta Andrino. Como vê os percursos que ambos têm desenvolvido até agora?
C.A: Ambos têm tido muito respeito, dedicação e investimento pela profissão, muito respeito pelo público, e, também, uma pitadinha de sorte. Os dois têm uma característica que acho fundamental para esta ou qualquer outra profissão, a humildade.

Carla Andrino com a sua família (Mário Rui, Marta Andrino, o genro Frederico Amaral e o neto Manuel)
M.L: Entre 2008/09, participou na telenovela brasileira “Negócio da China”, exibida na TV Globo, da autoria de Miguel Falabella. Gostava de um dia repetir a experiência de trabalhar no estrangeiro, caso haja essa possibilidade?
C.A: A experiência foi absolutamente fantástica, fui muitíssima bem tratada por todos, sobretudo, pelo Miguel Falabella, que é um senhor. Gostei muito de lá estar até porque estive acompanhada pela minha família. Portanto, foi uma felicidade partilhada o que fez, ainda, mais sentido. Se tiver outro convite, e estiver disponível, com certeza que irei.

Ricardo Pereira, Joaquim Monchique, Carla Andrino e Maria Vieira, o núcleo português de "Negócio da China"
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
C.A: Se quiser entrar na representação, entre por amor e não pela fama. Entre para servir e não para ser servido.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como actriz?
C.A: O melhor possível. Era isto que eu queria fazer, consegui e estou a fazer. Que mais posso pedir à vida?

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
C.A: Fazer cinema.ML

Esta entrevista não está sob o novo Acordo Ortográfico

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

"The Departed-Entre Inimigos" (2006)


No passado dia 6 de Outubro, celebrou-se 10 anos da estreia de "The Departed-Entre Inimigos", o aclamado remake realizado por Martin Scorsese de "Infernal Affairs-Infiltrados" (2002-03), a igualmente aclamada trilogia de Hong Kong, e que é um dos filmes da minha adolescência mais queridos para mim.


Vencedor de 4 Óscares da Academia incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador (Martin Scorsese) e com um elenco muito bom de que fizeram parte, por exemplo, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga e Alec Baldwin, "The Departed-Entre Inimigos" foi o meu filme mais antecipado de 2006, tinha eu na altura 16 anos, por várias razões nomeadamente o seu realizador Martin Scorsese, de quem já era um enorme fã desde "Gangs de Nova Iorque" (2002), e eu fiquei muitíssimo agradado com o resultado final, pois tanto na altura como ainda hoje eu acho que é um remake tão bom como a trilogia original por mérito próprio, com uma identidade própria e que captou muito bem o espírito de "Infernal Affairs-Infiltrados".

Martin Scorsese (Realizador)
Graham King (Produtor)
William Monahan (Argumentista)
Thelma Schoonmaker (Editora)
Apesar de não ser um verdadeiro clássico como alguns filmes de Scorsese como, por exemplo, "Taxi Driver" (1976) e "Tudo Bons Rapazes" (1990), "The Departed-Entre Inimigos" é a meu ver um dos melhores filmes deste século, com o cenário de Boston mais do que apropriado e onde as personagens, embora grande parte delas difíceis de simpatizar, foram muito bem desenvolvidas dentro do possível. Um jogo do gato e do rato do melhor que o Cinema nos apresentou e ao mesmo tempo uma história de pais e filhos e para terminar eu tenho que salientar que na minha opinião pessoal o Leonardo DiCaprio devia ter sido nomeado ao Óscar de Melhor Ator em 2007 por este filme e não com "Diamante de Sangue" (2006) como acabou por acontecer e também que Jack Nicholson devia ter sido igualmente nomeado aos Óscares desse ano, mas na categoria de Melhor Ator Secundário, pela sua inesquecível interpretação como o monstruoso gangster Frank Costello.

Jack Nicholson com o seu bem-merecido Prémio de Melhor Vilão nos MTV Movie Awards 2007 
Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio ("Billy Costigan"), Matt Damon ("Colin Sullivan")
Jack Nicholson & Martin Scorsese
Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Vera Farmiga ("Madolyn Madden")
Cartaz alternativo de "The Departed-Entre Inimigos" que eu gostei muito logo à primeira
O DVD e a banda sonora de "The Departed-Entre Inimigos" e os DVDs da trilogia "Infernal Affairs-Infiltrados" que eu orgulhosamente possuo desde os meus 17 anos
Mário Lisboa

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

"Huis Clos-No Exit" no Teatro da Trindade até 9 de Outubro


Está em cena no Teatro da Trindade até ao próximo dia 9 de Outubro, a peça "Huis Clos-No Exit" de Jean-Paul Sartre, encenada por Rui Neto (http://mlisboaentrevista.blogspot.pt/2015/06/mario-lisboa-entrevista-rui-neto.html) e protagonizada por Lia Carvalho, Miguel Raposo e São José Correia.

Lia Carvalho, São José Correia, Miguel Raposo
Escrita originalmente em 1944, "Huis Clos-No Exit" é sobre três desconhecidos (Lia Carvalho, Miguel Raposo, São José Correia) fechados numa sala: é isto a eternidade, sem rodeios, entre a simplicidade e a intrincada complexidade do Ser Humano. Seremos o reflexo daquilo que os outros pensam de nós, eternamente condenados à mercê de quem nos observa? Ou serão os nossos atos que definem quem somos? De olhos bem abertos, a eternidade, entre quatro paredes, onde “o Inferno são os outros”.

Lia Carvalho e São José Correia
Miguel Raposo
Mário Lisboa

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Mário Lisboa entrevista... Adelaide de Sousa

Começou por ser assistente de bordo e o interesse tanto pela representação como pela Comunicação Social foi crescendo naturalmente e nas últimas duas décadas tem desenvolvido um percurso muito bom como atriz e como apresentadora, sendo muito acarinhada pelo público português. Casada desde 2002 com o fotógrafo americano Tracy Richardson, dedica-se também à causa do cancro da mama através do projeto Guerreiras Portugal, atualmente apresenta o programa "Faz Sentido" na SIC Mulher e recentemente regressou à ficção televisiva com a telenovela "Coração d'Ouro" que foi exibida na SIC. Esta entrevista foi feita no passado dia 27 de Setembro.

M.L: Quando surgiu o interesse tanto pela representação como pela Comunicação Social?
A.D.S: Não consigo precisar, foi um desejo que foi crescendo conforme o outro que tinha, de ser assistente de bordo, foi satisfeito. Trabalho em TV desde 1994 e durante um tempo fiz ambos com alguma satisfação. Mas lentamente apareceu a necessidade de me especializar, de melhorar a minha formação e preparação, e a partir daí segui o caminho da TV sem grandes hesitações.

M.L: Quais são as suas referências nestas duas áreas?
A.D.S: Na televisão, o Aurélio Gomes, um entrevistador que de facto deixa ver o entrevistado sem artifícios nem edições de natureza manipuladora, para obter um resultado. Na representação, o Ruy de Carvalho, pela integridade e dedicação, pela educação e relação com os colegas. Não consigo gostar de um ator que não cuida da sua contracena.

M.L: Como atriz, houve algum trabalho em particular que deixou um impacto tanto pessoal como emocional em si?
A.D.S: Não me recordo, confesso. Tendo a fazer e a esquecer.

M.L: Entre 2004/05, participou na telenovela “Mistura Fina” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a personagem Daniela Macário. Que recordações guarda de interpretar uma figura da autoridade?
A.D.S: Da dificuldade em entrar na personagem. Exercer autoridade publicamente não é fácil para mim, não vem de uma forma orgânica. Foi duro, tive vários problemas, mas depois correu bem.

Adelaide de Sousa como "Daniela Macário" em "Mistura Fina"
M.L: Como apresentadora, passou tanto pela televisão generalista como por cabo e na RTP apresentou o popular programa dos anos 90, “Jet 7”, onde também interpretou a divertida Dolly. Vinte anos depois, as pessoas ainda falam do programa, quando vêm ter consigo?
A.D.S: Não, penso que isso já não está presente na mente das pessoas. Se calhar vou ressuscitá-la!


M.L: Desde 2002 que é casada com o fotógrafo americano Tracy Richardson. Como olha para o percurso que o seu marido tem desenvolvido até agora?
A.D.S: Enquanto fotógrafo tem sido irregular, tem havido momentos de muita produção e momentos de paragem, com exceção do projeto Guerreiras Portugal, em que esteve bastante ativo também como escritor. O meu marido tem procurado outros caminhos na vida, que eu apoio completamente. Penso que ele tem muito mais para mostrar do que o que foi visto até agora, e creio que muito irá ser visível em breve, aqui e noutros lugares do mundo.

Adelaide de Sousa com o seu marido Tracy Richardson e o filho de ambos Kyle
M.L: Nasceu em Moçambique, onde viveu até aos 6 anos de idade e voltou para lá para gravar a série da TVI, “A Jóia de África”, em 2002. A seu ver, África ainda tem atualmente o seu fascínio e encanto apesar dos seus altos e baixos?
A.D.S: Eu não tenho estado muito a par de como anda a África, até porque é um continente e eu só posso dizer que conheço Moçambique. Mas mesmo Moçambique, não vou lá desde essa altura, e isso foi há 14 anos. No entanto, sendo África o berço do mundo, penso que tem sempre um lugar especial no nosso sentido de identidade comum. Claro que tenho esperança de que as tensões e conflitos constantes acabem um dia, o que seria milagroso dadas as intermináveis variáveis que estão em jogo.

Adelaide de Sousa como "Eugénia da Cunha" em "A Jóia de África"
M.L: Regressou recentemente à ficção televisiva como a sofrível Sofia Aguiar na telenovela da SIC, “Coração d’Ouro”, que tem tido reconhecimento internacional nos últimos tempos. Como é que se preparou para interpretar esta personagem, tendo em conta que era o seu 1º papel televisivo em alguns anos e que neste caso passa por algumas mudanças ao longo da trama?
A.D.S: Houve tempo para ensaios antes de começarmos as gravações, bastante tempo, o que ajudou muito a que eu conseguisse reentrar no registo de representação por oposição ao registo da apresentadora de TV. A SIC aposta nesse tempo de ensaio de várias semanas e isso dá frutos visíveis. Quase não vemos atores a fazerem «bonecos» neste canal, o que marca uma grande diferença. Mas a culpa não será tanto dos atores, que às vezes podem ser preguiçosos em criar o tempo e trabalhar como deveriam na sua preparação para gravar, mas mais das produções que não acautelam essas semanas de trabalho em conjunto com outros atores e com a direção de modo a estabelecermos os laços que depois sustentam cada cena. Foi um desafio, até porque as reviravoltas da trama nem sempre são suportadas pelo perfil psicológico da personagem ou pela intuição do ator, mas compensou bastante ser esticada nessas diferentes direções, foi como ir ao ginásio com um novo programa de treino todos os dias.

Adelaide de Sousa com João Reis e Mariana Monteiro, a sua "família" em "Coração d'Ouro"
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira seja na representação ou na Comunicação Social?
A.D.S: Que tenham muita paciência e perseverança, que se preparem tecnicamente tanto quanto possível, que não hesitem em aceitar trabalhos de outra natureza porque isso lhes dará experiência de vida e que, por favor, invistam na sua cultura geral. É confrangedor ver quão pouca cultura geral existe neste meio, o que empobrece imenso o trabalho. E que nunca sacrifiquem tudo em prol desse sonho: não compensa.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como atriz e como apresentadora?
A.D.S: Penso que tem sido um percurso num sentido evolutivo. Isto não quer dizer que tenha sempre a subir, de todo. Tivemos muito mais baixos do que altos, e o bom disso é que me deu uma apreciação especial pelos altos, deu-me uma referência constante de que nada me era devido, nem as oportunidades de trabalho, nem o sucesso ou reconhecimento, nem o dinheiro. Não tenho partido de uma posição de «tenho 30 anos disto, já deviam dar-me isto ou aquilo», o que é sempre uma tentação quando vemos gente a chegar, gente a sair e nem sempre fazemos parte dos projetos com mais visibilidade. Mas considero que o percurso foi positivo porque sou uma melhor prestadora de serviços nessa área do que era há 30 anos atrás. No final das contas, só interessa a maneira como tratamos as pessoas que trabalham connosco, mais nada.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
A.D.S: Ser mãe de família, dona-de-casa, algo que é muito desvalorizado nesta cultura de produção-a-todo-o-custo, de números e resultados. Criar uma família, ser um elemento agregador em casa e na sociedade, é a missão mais importante que podemos ter na vida. Essa está por cumprir.ML