segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Mário Lisboa entrevista... Mark Sanger

O interesse pelo Cinema surgiu quando tinha 6 anos e viu "Aconteceu no Oeste" (1968) do lendário Sergio Leone (1929-1989) e nas últimas duas décadas tem desenvolvido um percurso muito sólido nessa área, tornando-se num dos editores mais requisitados da atualidade e foi premiado em 2014 com o Óscar de Melhor Montagem pelo aclamado "Gravidade" (2013) de Alfonso Cuarón e protagonizado por Sandra Bullock e George Clooney. Em 2017, co-editou "Transformers: O Último Cavaleiro" de Michael Bay e o 5º filme da saga no espaço de uma década, e gostava de passar menos tempo a editar e mais tempo com a família. Esta entrevista foi feita no passado dia 18 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo Cinema?
M.S: Como qualquer miúdo, eu fui sempre um fã de histórias, mas eu vi “Aconteceu no Oeste” (1968) quando eu tinha 6 anos e percebi que eu queria contar histórias em cinema. A linguagem de (Sergio) Leone ainda é tão apelativa para mim e então eu fiquei transfixado desde uma idade precoce. Essa foi a faísca. Eu então tornei-me fã de muito do cinema americano dos anos 70, particularmente o trabalho de (William) Friedkin e (Alan J.) Pakula. Cresceu a partir daí.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto editor?
M.S: Eu não costumo ser liderado por referências pessoais ou influências se eu puder evitá-lo. É mais sobre cometer a visão do realizador para o ecrã, portanto as minhas referências são o que queremos tentar alcançar dramaticamente em qualquer cena. Então, na essência, a minha grande referência é o realizador que contratou-me para colaborar em qualquer história específica.

M.L: Em duas décadas de trabalho no cinema, houve um projeto específico que pode considerar como o mais difícil e desafiante que fez até agora?
M.S: Para mim, a resistência é sempre o maior desafio num filme e por essa razão “Gravidade” (2013) foi o mais duro na minha carreira. Durante a pré-produção, não fazíamos a mínima ideia se o filme iria ter luz verde pelo estúdio, então durante as filmagens e a pós-produção nós não tínhamos uma data de estreia. Então às vezes achava que estávamos executando um sprint numa corrida sem linha de chegada. Dessa perspetiva, foi o mais desafiante e, sem dúvida, o mais exaustivo.


M.L: Em 2014, ganhou, juntamente com Alfonso Cuarón, o Óscar de Melhor Montagem por “Gravidade”. Qual foi a sua sensação, quando Anna Kendrick e Gabourey Sidibe anunciaram o seu nome?
M.S: Honestamente, eu acreditei que o meu amigo Christopher Rouse iria ganhar por “Capitão Phillips”, portanto foi uma surpresa genuína. Naquele momento, acabou por se tratar de agradecer a toda a equipa. Há tantos heróis desconhecidos que trabalham nos bastidores sem o crédito apropriado que foi extremamente importante para mim e que todos e cada um deles foram agradecidos. Então eu fiz um esforço concertado para lembrar de todos no meu discurso, o que não é fácil à frente de 50 milhões de pessoas eu lhe posso garantir, mas graças a Deus eu consegui de alguma forma.


Gabourey Sidibe, Mark Sanger, Alfonso Cuarón, Anna Kendrick
M.L: Como olha para os altos e baixos da indústria cinematográfica, pelo menos desde que se iniciou há duas décadas?
M.S: Fazer cinema nunca é fácil, é sempre uma batalha. A este respeito, as coisas não mudaram e eu não acredito que elas deveriam. Algumas das maiores obras artísticas vêm das profundezas dessas batalhas. Mas eu acho que houve uma reversão no tamanho e alcance da produção de filmes. Quando eu comecei havia muitos filmes pequenos a serem feitos e alguns blockbusters de verão. Agora parece que há mais blockbusters e alguns projetos pequenos. Talvez isso seja porque muitos destes migraram para a Netflix e Amazon, que fornecem ambientes de trabalho ricos para storytellers criativos, mas acho que provavelmente é mais difícil obter financiamento para filmes independentes do que nos velhos tempos e foi bastante difícil então.

M.L: Recentemente, co-editou “Transformers: O Último Cavaleiro” de Michael Bay, que foi lançado em Junho passado e é o quinto filme da saga “Transformers”. Como é que este projeto chegou até si?
M.S: A verdade é que eu tenho um agente muito bom que me consegue ofertas e projetos!


M.L: Como foi trabalhar com Michael Bay, durante o processo de edição?
M.S: Eu aprecio todas as formas de colaboração de equipa e este foi o melhor exemplo de coesão de equipa editorial com a qual participei até agora. A tarefa era enorme. Múltiplos editores, 900 mil metros de filme e, felizmente, um líder forte no controlo de tudo. O processo de Michael é fazer seleções diárias e depois dar-nos cada liberdade criativa para trabalhar com as cenas, como nós gostamos. Normalmente, todos os editores reuniam-se pela manhã para discutir as seleções de Michael e, em seguida, o que pretendíamos fazer com as nossas cenas, para garantir que sempre nos comunicássemos. Foi um processo intenso devido ao horário, mas foi sempre um processo aberto e criativamente colaborativo. Eu nunca tinha trabalhado com ninguém da equipa do “Transformers 5” e acabei por fazer amigos para a vida.

Michael Bay e Mark Sanger no lado direito da fotografia
M.L: A saga “Transformers” celebrou 10 anos de existência em 2017. Como olha para este ícone da cultura pop que as pessoas tanto adoram como odeiam?
M.S: Para mim, eu tenho que dizer que acho que a sua popularidade duradoura é, em parte, ao facto de que Michael Bay é um genuíno génio cinematográfico. Quantos realizadores lá fora são conhecidos pelo seu próprio estilo único? O Michael faz parte de um seletivo grupo internacional que têm o talento e a experiência para serem reconhecidos como artistas puramente do seu estilo visual. Essa é a razão pela qual as pessoas se reúnem para ver os seus filmes.

M.L: Gostava de, um dia, fazer a sua estreia na realização?
M.S: Sim, eu estou ligado a alguns projetos para fazer exatamente isso. Mas a edição é a minha paixão por agora.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira cinematográfica?
M.S: A verdade é que a realidade da indústria é muitas vezes um reflexo sombrio da paixão com que entras em relação ao cinema. No entanto, isso não quer dizer que não pode ser tudo o que imaginaste. Se realmente tens uma paixão, fica com as tuas armas. Aprende o teu ofício desde o início e lembra-te de que a ambição é excelente, desde que nunca seja à custa dos outros. Aceita qualquer trabalho que puderes na indústria e cria o teu próprio nicho para alcançares o teu objetivo. A experiência é tudo e a paciência é uma virtude.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como editor?
M.S: Eu sabia o que eu queria fazer desde muito cedo e recebi as oportunidades de manter um plano de décadas até agora. Muito poucas pessoas conseguem os intervalos que tive e então eu considero-me muito sortudo. Mas há muito mais que eu quero alcançar.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
M.S: A edição é a minha segunda paixão. A primeira é a minha família e gostava de passar menos tempo a editar e mais tempo com elas.ML

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"Reflexo"


Termina hoje (24 de Outubro) no Auditório da recém-inaugurada Biblioteca de Marvila, a peça "Reflexo" que é encenada por Lucinda Loureiro (http://mlisboaentrevista.blogspot.pt/2013/01/mario-lisboa-entrevista-lucinda-loureiro.html) e protagonizada por Marlene Barreto e Hugo Sequeira.

Marlene Barreto & Hugo Sequeira
Escrita e co-produzida pela própria Marlene Barreto, cuja ideia surgiu durante uma viagem de avião entre Rio de Janeiro e Lisboa, "Reflexo" estreou-se no passado dia 20 de Outubro e é sobre dois estranhos que se encontram, diariamente, no mesmo lugar: o café-livraria "A Travessia".

Alice (Marlene Barreto) é uma jovem escritora, muito comprometida com os seus textos e com a sua rotina de escrita. Gabriel (Hugo Sequeira), um homem cheio de charme, um bon vivant que frequenta todos os dias aquele lugar, não consegue ficar indiferente à jovem que parece ignorar tudo e todos à sua volta, apenas tendo olhos para uma simples máquina de escrever, e confiante dos seus atributos, Gabriel acredita que, com algum glamour, chamará a atenção da jovem. Tarefa nada bem sucedida quando ela o expulsa, argumentando que este está a atrapalhar a sua atenção. O jovem não desiste da escritora e convence-a a ler um dos seus textos. Inicialmente, Alice resiste, desculpando-se com todos os argumentos, mas a tamanha insistência do jovem, fá-la render-se com a condicionante de que Gabriel se vire de costas sempre que ela ler um texto seu. Os dias vão passando e os dois passam a ter encontro reservado, todos os dias, à mesma hora, no mesmo lugar. A cumplicidade torna-se inevitável e a paixão vai cercando todos os limites. Um amor imenso que será ameaçado pela verdadeira identidade de Alice.

Marlene Barreto ("Alice") & Hugo Sequeira ("Gabriel")
Mário Lisboa

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Brevemente...

Entrevista com... Mark Sanger (Editor)

Mário Lisboa entrevista... Paulo Portugal

Interessou-se pelo jornalismo quando ainda estava a estudar Direito, embora já tinha começado a trabalhar, e tem desenvolvido um longo percurso nessa área que passa nomeadamente pelo cinema, tendo já entrevistado múltiplas personalidades do meio cinematográfico. Jornalista freelancer, é atualmente o responsável pelo site "Insider" que é essencialmente dedicado ao cinema, e gostava de escrever um livro e até um documentário. Esta entrevista foi feita no passado dia 8 de Agosto.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo jornalismo?
P.P: Surgiu quando ainda estava a estudar Direito, mas já tinha começado a trabalhar. Por sinal, numa breve experiência na Atalanta Filmes, de Paulo Branco, em 1991. Nessa altura comecei a escrever no jornal da universidade e em jornais locais. Entretanto, ofereceram-me um trabalho fixo na revista TV Guia, onde acabei por ficar alguns anos. Apesar de não ver televisão, acabou por ser uma boa experiência. Paralelamente, sempre colaborei com outros jornais: Jornal de Letras, A Capital, Premiere, Máxima, GQ, etc.

José Vieira Mendes (Ex-Diretor da "Premiere") & Paulo Portugal
M.L: Quais são as suas referências nessa área?
P.P: De jornalismo de cinema? Cresci a ler a secção de cinema do Jornal Sete, entre os anos 80 e 90, bem como a seguir a crítica de cinema que se fazia no Expresso. Entretanto também o Público e o que se ir fazendo lá por fora.

M.L: Como jornalista, tem-se dedicado essencialmente ao meio audiovisual nomeadamente o Cinema. O Cinema, a seu ver, ainda tem aquela magia que, por exemplo, a televisão e os videojogos podem não ter o suficiente?
P.P: Terá, apesar do lado industrial, acabar por se distanciar bastante daquilo que eu considero cinema. Embora isso não seja necessariamente uma atividade intelectual reservada a entendidos. Refiro-me apenas a um cinema que nos espevite e seduza, mas não necessariamente pela qualidade dos efeitos especiais... Os videojogos sempre me seduziram, sobretudo pela qualidade narrativa de alguns e a sua capacidade de se aproximarem ao cinema. No entanto, confesso, regresso sempre à minha base que é o cinema.  

M.L: Ainda no que toca ao Cinema, houve alguma entrevista em particular que, para si, tenha sido tanto marcante como difícil de fazer?
P.P: Ir de Lisboa ao Porto de propósito para entrevistar o Manoel de Oliveira na sua casa, por ocasião dos seus 99 anos, foi um momento. Mas recordo sempre quando entrevistei pela primeira vez o George Clooney, em Deauville, em 1998, por “Romance Perigoso”, do (Steven) Soderbergh, em que nos sentamos numa mesinha a falar descontraidamente. Porque ele é mesmo assim. Já entrevistei muitos realizadores míticos e estrelas de cinema e cada um me marcou de certa forma. A última entrevista que fiz foi à Nastassja Kinski no Festival de Locarno. Acho até que foi uma das que mais me surpreendeu.

Nastassja Kinski & Paulo Portugal
M.L: Fundou e dirigiu a extinta revista de cinema e audiovisual, “Showbiz”, entre 2004/06. Que recordações guarda dessa experiência?
P.P: Foi uma experiência. Como foi a Voice, uma revista quinzenal de música e cinema e como foram as Primeiras Imagens, uma revista mensal concorrente da Premiere. A Showbiz pretendia ser uma publicação de muito baixo custo, praticamente gratuita que lancei graças ao apoio de um pequeno editor. Mas sem o apoio de distribuição tornou-se difícil chegar ao nosso mercado. Por isso, morreu cedo demais.

M.L: É também o responsável pelo “Insider” que é um site essencialmente dedicado ao cinema (http://www.insider.pt/). Como é que surgiu a ideia para criar o “Insider” e também como olha para o percurso que este projeto tem desenvolvido até agora?
P.P: O Insider faz parte daquela teimosia em criar um órgão de comunicação dedicado ao cinema. Sobretudo numa altura em que o jornalismo em papel sofre uma crise profunda com consequências para a minha atividade de jornalista freelancer nessa área. Como habitualmente tenho muito conteúdo, devido aos muitos festivais que frequento, e poucos meios para escoar esse material, entendi que seria oportuno aprender mais sobre o jornalismo online e fazer algo novo. No entanto, o que existe no Insider está ainda muito longe daquilo que realmente quero fazer nessa área. 

M.L: Em Portugal, programas dedicados ao cinema como “Janela Indiscreta” (RTP1) e “Cinemax Curtas” (RTP2) e tenho tido há já bastante tempo a impressão de que a nossa Comunicação Social dá mais destaque a filmes e acontecimentos cinematográficos que têm mais visibilidade. O Cinema devia ter uma representação mais abrangente na Comunicação Social em termos de formação de públicos?
P.P: A resposta é óbvia, não é? Acho mesmo que se deveria ir mais longe e integrar no ensino básico uma componente de formação do olhar para a coisa artística, não só do cinema, mas de todas as artes. No fundo, ensinar as crianças a olhar para a arte e sabê-la interpretar. Tenho a certeza de que, com o tempo, isso traria um público bem mais interessado. Alguma (a grande parte) comunicação social generalista segue apenas a lógica do mercado e destaca aquilo que é mais abrangente, embora no caso do Curtas exista um esforço louvável de dignificar a curta-metragem e até de dar a conhecer alguns nomes.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na área do jornalismo?
P.P: Talvez pensar duas vezes. Ou três. Isto porque o jornalismo atravessa um período de crise que tem a ver com a transição do papel para o online, mas também a forma como grande parte dos jornalistas são moldados. Acabam o seu curso e começam a carreira de estagiários, e é esse exército de estagiários que alimenta hoje em dia as redações acabando mais facilmente por espelhar uma lógica mainstream. Talvez o melhor conselho é mesmo procurar estar familiarizado com os mais diversos tipos de jornalismo, e as ferramentas disponíveis, embora sem nunca descurar o nosso lado mais subjetivo.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como jornalista?
P.P: Tem sido um percurso de luta constante. Sobretudo desde que sou freelancer, mas também onde tenho tido as minhas melhores experiências. No entanto, desde há alguns anos para cá, a crise no setor tem sido sempre em sinal contrário. É essa minha teimosia em querer fazer algo de novo que me aguenta. Isso e o envolvimento com o cinema. 

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
P.P: Possivelmente, gerir o meu órgão de comunicação de uma forma mais continuada, e com os meios que permitam renovar-se e crescer. Penso também em escrever um livro e até um documentário. Se calhar, com o tempo lá chegaremos.ML

domingo, 30 de julho de 2017

Mário Lisboa entrevista... Isabel Ruth

Começou como bailarina e notabilizou-se como actriz em 1963 ao estrear-se no cinema com o clássico de Paulo Rocha, "Os Verdes Anos", e desde aí tem desenvolvido uma longa carreira na representação que passa essencialmente pelo teatro e pelo cinema, tendo também trabalhado com realizadores como António de Macedo, Pier Paolo Pasolini, João Botelho, José Álvaro Morais, Teresa Villaverde, Manuel Mozos, Manoel de Oliveira, Pedro Costa, Raquel Freire, Fernando Lopes, Margarida Gil, Cláudia Varejão, Alberto Seixas Santos e Sérgio Tréfaut. Considerada como a actriz-musa do Cinema Novo português, tem a necessidade de renovar a sua vida constantemente, e recentemente participou na longa-metragem "Treblinka" de Sérgio Tréfaut e que estreou no passado dia 13 de Julho. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
I.R: Quando o meu jovem marido João D’Ávila descobriu que eu tinha vocação para actriz.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto actriz?
I.R: Tudo o que me rodeia.

M.L: Começou como bailarina, antes de enveredar pela representação. Já alguma vez se sentiu arrependida por ter deixado a dança para abraçar uma carreira como actriz?
I.R: Nunca me arrependi.

M.L: Estreou-se nas telenovelas em 2000 com “Ajuste de Contas” que foi exibida na RTP, na qual interpretou a personagem Marta. Que recordações guarda da experiência de participar num projecto dessa natureza?
I.R: Fui das primeiras jovens actrizes a fazer teatro e bailado quando a televisão surgiu em Portugal. Depois de alguns anos a viver no estrangeiro e portanto afastada da cena portuguesa, quando regressei voltei em força a fazer cinema e teatro. A minha experiência em 2000 no “Ajuste de Contas” foi mais um desafio de que me posso orgulhar.

Mário Jacques, António Montez, Rui Mendes, João Perry, Lia Gama, Sinde Filipe e Isabel Ruth em "Ajuste de Contas"
M.L: É considerada como a actriz-musa do Cinema Novo português. Tem saudades dessa altura específica do cinema nacional?
I.R: Não tenho saudades do passado, não quero transformar-me numa estátua de pedra!

António de Macedo, Isabel Ruth e António da Cunha Telles com o produtor/Presidente da Academia Portuguesa de Cinema Paulo Trancoso
M.L: Trabalhou frequentemente com Paulo Rocha que foi um dos responsáveis pelo Cinema Novo português. Como olha para o percurso que ele desenvolveu até ao seu falecimento em Dezembro de 2012?
I.R: Olho através dos seus filmes…


M.L: É natural de Tomar, onde viveu parte da sua infância. Tomar tem um significado muito especial para si ainda hoje?
I.R: Sim, tem. É lá que guardo uma parte da minha infância.

M.L: Disse numa entrevista que teve e ainda tem uma vida aventurosa. Na sua opinião, acha que devia haver mais espírito de aventura na vida das pessoas?
I.R: Não me meto na vida das pessoas, cada um vive como pode. Aventura significa para mim algo novo. Preciso de renovar a minha vida constantemente, preciso de Conhecimento!

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
I.R: Aconselho que seja honesto consigo próprio e se sente que a vida o encaminha para aí, que siga sem medo e com humildade.

M.L: Olhando para trás, sente-se de certa forma satisfeita com o percurso que tem desenvolvido até agora como actriz?
I.R: Acho sensato aceitar o que a vida me tem dado. Estou grata.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
I.R: Gostava de fazer um filme com um realizador que me enchesse as medidas…ML

Esta entrevista não está sob o novo Acordo Ortográfico