quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Mário Lisboa entrevista... Sara Aleixo

Iniciou-se na Moda, tendo depois enveredado tanto pela Comunicação Social como pela representação, e tem desenvolvido um bom percurso artístico que já conta com duas décadas de existência. Estreou-se nas telenovelas em 2004 com "Mistura Fina" (TVI), e regressou recentemente a este género televisivo com "Paixão" que está em exibição na SIC, e gostava de fazer muita coisa em vida. Esta entrevista foi feita no passado dia 18 de Janeiro.

M.L: Quanto surgiu o interesse tanto pela Comunicação Social como pela representação?
S.A: O interesse surgiu já no tempo da escola, e mais tarde percebi que em todos os trabalhos que passei, esse era um dos pontos mais valorizados. Eu comecei na moda, espetáculos de dança, e aos 24 anos foi aí que percebi o interesse pela representação em televisão e subir ao palco.

M.L: Quais são as suas referências nestas duas áreas?
S.A: Muitos atores e atrizes são uma referência para mim, mas principalmente todos os que contracenaram comigo. Sei que aprendi muita coisa e só tenho que agradecer a todos o que cresci e vivi em cada cena, com cada um, como atriz.

M.L: Seja como apresentadora ou como atriz, houve algum trabalho em particular que considera como o mais divertido de se fazer?
S.A: Bom, eu posso dizer que todos têm o seu lado divertido e o mais sério também. Lembro-me de uma das minhas primeiras apresentações que foi uma gala de entrega de prémios, no Casino Estoril, e que o fiz com o nosso conhecido Aldo Lima, que para mim foi um orgulho e por outro lado, lembro-me que fiquei tão nervosa, por ser alguém tão experiente e profissional, falamos, ensaiamos, mas assim que começamos, o Aldo, com o seu à vontade, pôs-me à vontade também e o trabalho fluí muito bem. Acho que num modo geral tudo o que fiz, tanto me deu divertimento como deu algumas consequências, mas por outro lado me deu aprendizagem, crescimento, amadurecimento e muitas histórias por contar, onde muitas fotografei ou reportava para os meus telemóveis ou câmaras e mais tarde, revejo-as e divirto-me ao recordá-los todos.

M.L: Também tem experiência na Moda e na Publicidade. No caso da Moda, esta área específica a seu ver está hoje em dia muito diferente do que quando começou a trabalhar como modelo?
S.A: Sim, a Moda e a Publicidade foi por onde eu comecei, mas não acho que sejam muito diferentes. Mas sim na altura havia muita oferta, os cachets eram outros, eu lembro-me de estar horas em castings, de fazer 3/4 castings no mesmo dia. O meio sempre foi interessante e desafiador ao veres-te a conhecer muitas pessoas, e trocar experiências, muitas horas a filmar, e claro os making-of sempre a rodar.

M.L: Participou como atriz na telenovela “Mistura Fina” que foi exibida na TVI entre 2004/05, na qual interpretou a personagem Fátima Benfeito. Que recordações guarda da sua estreia nas telenovelas e também da sua personagem?
S.A: Tenho muitas recordações boas, e muitas das cenas eram divertidas, a estreia foi um momento que me marcou. Eu lembro-me de receber os parabéns e as críticas que na altura a personagem desenvolveu, e no fim já não gostavam da Fátima Benfeito. Como já tinha mania de filmar, tenho alguns dos making-of, de alguns trabalhos, que no outro dia por acaso encontrei, e autocritiquei-me claro, pois nunca estava satisfeita com uma cena, ou recordei alguns dos atores, que já não estão entre nós como o Rodrigo Menezes e o Canto e Castro, e os que ainda vejo que continuam na profissão como Eunice Muñoz, Adriano Luz, Custódia Gallego, Ana Padrão, Maria João Luís, Luís Esparteiro, Manuel Sá Pessoa, Jorge Corrula, São José Lapa, etc.


Sylvie Dias ("Solange Benfeito") & Sara Aleixo ("Fátima Benfeito") 
M.L: Regressou recentemente à televisão como atriz na telenovela “Paixão” (SIC), cuja sua personagem é a Tina. Tendo em conta que já não representava em televisão há já bastante tempo, como é que surgiu o convite para interpretar a Tina e o que a cativou nessa personagem?
S.A: O convite surgiu através da minha agência Cast 39. Eu fiquei muito contente quando me ligaram a dar a notícia e aceitei logo, pois há já algum tempo que estava a querer voltar. Muito resumindo, digamos que a Tina vai criar alguns distúrbios, mas não deixa de ser cativante, talvez por ser diferente das outras personagens que tinha feito, até hoje, é sempre um desafio maior se formos a fugir daquilo que realmente somos. Já batia saudades há já algum tempo e criou vontade de fazer mais.

M.L: Que expectativas têm em relação ao seu regresso como Tina no que toca à receção do público?
S.A: Espero que positivo, que a personagem se desenvolve mais, e que o público goste do meu trabalho, e que não deixe de dar apoio com a sua opinião. A expectativa é de desejar que outros convites surgam, pois uma porta nova se está a abrir.

M.L: Qual conselho que daria a um/a aspirante tanto na Comunicação Social como na representação?
S.A: Diria aos aspirantes para estudarem, formarem-se, lutarem e seguirem os seus sonhos, sem desistir, pois nada é fácil nesta vida. Temos é que acreditar!

M.L: Olhando para trás, sente-se de certa forma orgulhosa do percurso que tem desenvolvido até agora como pessoa, como apresentadora e como atriz?
S.A: Sim, se não fosse orgulhosa do meu percurso de vida estava a ser muito ingrata, pois cresci muito como pessoa, como profissional e como mulher, e tento fazer sempre com um sorriso .

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
S.A: Gostava de fazer tanta coisa, mas assim de repente eu gostava de fazer cinema um dia, dar a volta ao Mundo, ir a países que eu não fui ainda, gostava de casar e ter filhos um dia.ML

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Mário Lisboa entrevista... Mark Sanger

O interesse pelo Cinema surgiu quando tinha 6 anos e viu "Aconteceu no Oeste" (1968) do lendário Sergio Leone (1929-1989) e nas últimas duas décadas tem desenvolvido um percurso muito sólido nessa área, tornando-se num dos editores mais requisitados da atualidade e foi premiado em 2014 com o Óscar de Melhor Montagem pelo aclamado "Gravidade" (2013) de Alfonso Cuarón e protagonizado por Sandra Bullock e George Clooney. Em 2017, co-editou "Transformers: O Último Cavaleiro" de Michael Bay e o 5º filme da saga no espaço de uma década, e gostava de passar menos tempo a editar e mais tempo com a família. Esta entrevista foi feita no passado dia 18 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo Cinema?
M.S: Como qualquer miúdo, eu fui sempre um fã de histórias, mas eu vi “Aconteceu no Oeste” (1968) quando eu tinha 6 anos e percebi que eu queria contar histórias em cinema. A linguagem de (Sergio) Leone ainda é tão apelativa para mim e então eu fiquei transfixado desde uma idade precoce. Essa foi a faísca. Eu então tornei-me fã de muito do cinema americano dos anos 70, particularmente o trabalho de (William) Friedkin e (Alan J.) Pakula. Cresceu a partir daí.

M.L: Quais são as suas referências, enquanto editor?
M.S: Eu não costumo ser liderado por referências pessoais ou influências se eu puder evitá-lo. É mais sobre cometer a visão do realizador para o ecrã, portanto as minhas referências são o que queremos tentar alcançar dramaticamente em qualquer cena. Então, na essência, a minha grande referência é o realizador que contratou-me para colaborar em qualquer história específica.

M.L: Em duas décadas de trabalho no cinema, houve um projeto específico que pode considerar como o mais difícil e desafiante que fez até agora?
M.S: Para mim, a resistência é sempre o maior desafio num filme e por essa razão “Gravidade” (2013) foi o mais duro na minha carreira. Durante a pré-produção, não fazíamos a mínima ideia se o filme iria ter luz verde pelo estúdio, então durante as filmagens e a pós-produção nós não tínhamos uma data de estreia. Então às vezes achava que estávamos executando um sprint numa corrida sem linha de chegada. Dessa perspetiva, foi o mais desafiante e, sem dúvida, o mais exaustivo.


M.L: Em 2014, ganhou, juntamente com Alfonso Cuarón, o Óscar de Melhor Montagem por “Gravidade”. Qual foi a sua sensação, quando Anna Kendrick e Gabourey Sidibe anunciaram o seu nome?
M.S: Honestamente, eu acreditei que o meu amigo Christopher Rouse iria ganhar por “Capitão Phillips”, portanto foi uma surpresa genuína. Naquele momento, acabou por se tratar de agradecer a toda a equipa. Há tantos heróis desconhecidos que trabalham nos bastidores sem o crédito apropriado que foi extremamente importante para mim e que todos e cada um deles foram agradecidos. Então eu fiz um esforço concertado para lembrar de todos no meu discurso, o que não é fácil à frente de 50 milhões de pessoas eu lhe posso garantir, mas graças a Deus eu consegui de alguma forma.


Gabourey Sidibe, Mark Sanger, Alfonso Cuarón, Anna Kendrick
M.L: Como olha para os altos e baixos da indústria cinematográfica, pelo menos desde que se iniciou há duas décadas?
M.S: Fazer cinema nunca é fácil, é sempre uma batalha. A este respeito, as coisas não mudaram e eu não acredito que elas deveriam. Algumas das maiores obras artísticas vêm das profundezas dessas batalhas. Mas eu acho que houve uma reversão no tamanho e alcance da produção de filmes. Quando eu comecei havia muitos filmes pequenos a serem feitos e alguns blockbusters de verão. Agora parece que há mais blockbusters e alguns projetos pequenos. Talvez isso seja porque muitos destes migraram para a Netflix e Amazon, que fornecem ambientes de trabalho ricos para storytellers criativos, mas acho que provavelmente é mais difícil obter financiamento para filmes independentes do que nos velhos tempos e foi bastante difícil então.

M.L: Recentemente, co-editou “Transformers: O Último Cavaleiro” de Michael Bay, que foi lançado em Junho passado e é o quinto filme da saga “Transformers”. Como é que este projeto chegou até si?
M.S: A verdade é que eu tenho um agente muito bom que me consegue ofertas e projetos!


M.L: Como foi trabalhar com Michael Bay, durante o processo de edição?
M.S: Eu aprecio todas as formas de colaboração de equipa e este foi o melhor exemplo de coesão de equipa editorial com a qual participei até agora. A tarefa era enorme. Múltiplos editores, 900 mil metros de filme e, felizmente, um líder forte no controlo de tudo. O processo de Michael é fazer seleções diárias e depois dar-nos cada liberdade criativa para trabalhar com as cenas, como nós gostamos. Normalmente, todos os editores reuniam-se pela manhã para discutir as seleções de Michael e, em seguida, o que pretendíamos fazer com as nossas cenas, para garantir que sempre nos comunicássemos. Foi um processo intenso devido ao horário, mas foi sempre um processo aberto e criativamente colaborativo. Eu nunca tinha trabalhado com ninguém da equipa do “Transformers 5” e acabei por fazer amigos para a vida.

Michael Bay e Mark Sanger no lado direito da fotografia
M.L: A saga “Transformers” celebrou 10 anos de existência em 2017. Como olha para este ícone da cultura pop que as pessoas tanto adoram como odeiam?
M.S: Para mim, eu tenho que dizer que acho que a sua popularidade duradoura é, em parte, ao facto de que Michael Bay é um genuíno génio cinematográfico. Quantos realizadores lá fora são conhecidos pelo seu próprio estilo único? O Michael faz parte de um seletivo grupo internacional que têm o talento e a experiência para serem reconhecidos como artistas puramente do seu estilo visual. Essa é a razão pela qual as pessoas se reúnem para ver os seus filmes.

M.L: Gostava de, um dia, fazer a sua estreia na realização?
M.S: Sim, eu estou ligado a alguns projetos para fazer exatamente isso. Mas a edição é a minha paixão por agora.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira cinematográfica?
M.S: A verdade é que a realidade da indústria é muitas vezes um reflexo sombrio da paixão com que entras em relação ao cinema. No entanto, isso não quer dizer que não pode ser tudo o que imaginaste. Se realmente tens uma paixão, fica com as tuas armas. Aprende o teu ofício desde o início e lembra-te de que a ambição é excelente, desde que nunca seja à custa dos outros. Aceita qualquer trabalho que puderes na indústria e cria o teu próprio nicho para alcançares o teu objetivo. A experiência é tudo e a paciência é uma virtude.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como editor?
M.S: Eu sabia o que eu queria fazer desde muito cedo e recebi as oportunidades de manter um plano de décadas até agora. Muito poucas pessoas conseguem os intervalos que tive e então eu considero-me muito sortudo. Mas há muito mais que eu quero alcançar.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
M.S: A edição é a minha segunda paixão. A primeira é a minha família e gostava de passar menos tempo a editar e mais tempo com elas.ML

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"Reflexo"


Termina hoje (24 de Outubro) no Auditório da recém-inaugurada Biblioteca de Marvila, a peça "Reflexo" que é encenada por Lucinda Loureiro (http://mlisboaentrevista.blogspot.pt/2013/01/mario-lisboa-entrevista-lucinda-loureiro.html) e protagonizada por Marlene Barreto e Hugo Sequeira.

Marlene Barreto & Hugo Sequeira
Escrita e co-produzida pela própria Marlene Barreto, cuja ideia surgiu durante uma viagem de avião entre Rio de Janeiro e Lisboa, "Reflexo" estreou-se no passado dia 20 de Outubro e é sobre dois estranhos que se encontram, diariamente, no mesmo lugar: o café-livraria "A Travessia".

Alice (Marlene Barreto) é uma jovem escritora, muito comprometida com os seus textos e com a sua rotina de escrita. Gabriel (Hugo Sequeira), um homem cheio de charme, um bon vivant que frequenta todos os dias aquele lugar, não consegue ficar indiferente à jovem que parece ignorar tudo e todos à sua volta, apenas tendo olhos para uma simples máquina de escrever, e confiante dos seus atributos, Gabriel acredita que, com algum glamour, chamará a atenção da jovem. Tarefa nada bem sucedida quando ela o expulsa, argumentando que este está a atrapalhar a sua atenção. O jovem não desiste da escritora e convence-a a ler um dos seus textos. Inicialmente, Alice resiste, desculpando-se com todos os argumentos, mas a tamanha insistência do jovem, fá-la render-se com a condicionante de que Gabriel se vire de costas sempre que ela ler um texto seu. Os dias vão passando e os dois passam a ter encontro reservado, todos os dias, à mesma hora, no mesmo lugar. A cumplicidade torna-se inevitável e a paixão vai cercando todos os limites. Um amor imenso que será ameaçado pela verdadeira identidade de Alice.

Marlene Barreto ("Alice") & Hugo Sequeira ("Gabriel")
Mário Lisboa

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Brevemente...

Entrevista com... Mark Sanger (Editor)

Mário Lisboa entrevista... Paulo Portugal

Interessou-se pelo jornalismo quando ainda estava a estudar Direito, embora já tinha começado a trabalhar, e tem desenvolvido um longo percurso nessa área que passa nomeadamente pelo cinema, tendo já entrevistado múltiplas personalidades do meio cinematográfico. Jornalista freelancer, é atualmente o responsável pelo site "Insider" que é essencialmente dedicado ao cinema, e gostava de escrever um livro e até um documentário. Esta entrevista foi feita no passado dia 8 de Agosto.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo jornalismo?
P.P: Surgiu quando ainda estava a estudar Direito, mas já tinha começado a trabalhar. Por sinal, numa breve experiência na Atalanta Filmes, de Paulo Branco, em 1991. Nessa altura comecei a escrever no jornal da universidade e em jornais locais. Entretanto, ofereceram-me um trabalho fixo na revista TV Guia, onde acabei por ficar alguns anos. Apesar de não ver televisão, acabou por ser uma boa experiência. Paralelamente, sempre colaborei com outros jornais: Jornal de Letras, A Capital, Premiere, Máxima, GQ, etc.

José Vieira Mendes (Ex-Diretor da "Premiere") & Paulo Portugal
M.L: Quais são as suas referências nessa área?
P.P: De jornalismo de cinema? Cresci a ler a secção de cinema do Jornal Sete, entre os anos 80 e 90, bem como a seguir a crítica de cinema que se fazia no Expresso. Entretanto também o Público e o que se ir fazendo lá por fora.

M.L: Como jornalista, tem-se dedicado essencialmente ao meio audiovisual nomeadamente o Cinema. O Cinema, a seu ver, ainda tem aquela magia que, por exemplo, a televisão e os videojogos podem não ter o suficiente?
P.P: Terá, apesar do lado industrial, acabar por se distanciar bastante daquilo que eu considero cinema. Embora isso não seja necessariamente uma atividade intelectual reservada a entendidos. Refiro-me apenas a um cinema que nos espevite e seduza, mas não necessariamente pela qualidade dos efeitos especiais... Os videojogos sempre me seduziram, sobretudo pela qualidade narrativa de alguns e a sua capacidade de se aproximarem ao cinema. No entanto, confesso, regresso sempre à minha base que é o cinema.  

M.L: Ainda no que toca ao Cinema, houve alguma entrevista em particular que, para si, tenha sido tanto marcante como difícil de fazer?
P.P: Ir de Lisboa ao Porto de propósito para entrevistar o Manoel de Oliveira na sua casa, por ocasião dos seus 99 anos, foi um momento. Mas recordo sempre quando entrevistei pela primeira vez o George Clooney, em Deauville, em 1998, por “Romance Perigoso”, do (Steven) Soderbergh, em que nos sentamos numa mesinha a falar descontraidamente. Porque ele é mesmo assim. Já entrevistei muitos realizadores míticos e estrelas de cinema e cada um me marcou de certa forma. A última entrevista que fiz foi à Nastassja Kinski no Festival de Locarno. Acho até que foi uma das que mais me surpreendeu.

Nastassja Kinski & Paulo Portugal
M.L: Fundou e dirigiu a extinta revista de cinema e audiovisual, “Showbiz”, entre 2004/06. Que recordações guarda dessa experiência?
P.P: Foi uma experiência. Como foi a Voice, uma revista quinzenal de música e cinema e como foram as Primeiras Imagens, uma revista mensal concorrente da Premiere. A Showbiz pretendia ser uma publicação de muito baixo custo, praticamente gratuita que lancei graças ao apoio de um pequeno editor. Mas sem o apoio de distribuição tornou-se difícil chegar ao nosso mercado. Por isso, morreu cedo demais.

M.L: É também o responsável pelo “Insider” que é um site essencialmente dedicado ao cinema (http://www.insider.pt/). Como é que surgiu a ideia para criar o “Insider” e também como olha para o percurso que este projeto tem desenvolvido até agora?
P.P: O Insider faz parte daquela teimosia em criar um órgão de comunicação dedicado ao cinema. Sobretudo numa altura em que o jornalismo em papel sofre uma crise profunda com consequências para a minha atividade de jornalista freelancer nessa área. Como habitualmente tenho muito conteúdo, devido aos muitos festivais que frequento, e poucos meios para escoar esse material, entendi que seria oportuno aprender mais sobre o jornalismo online e fazer algo novo. No entanto, o que existe no Insider está ainda muito longe daquilo que realmente quero fazer nessa área. 

M.L: Em Portugal, programas dedicados ao cinema como “Janela Indiscreta” (RTP1) e “Cinemax Curtas” (RTP2) e tenho tido há já bastante tempo a impressão de que a nossa Comunicação Social dá mais destaque a filmes e acontecimentos cinematográficos que têm mais visibilidade. O Cinema devia ter uma representação mais abrangente na Comunicação Social em termos de formação de públicos?
P.P: A resposta é óbvia, não é? Acho mesmo que se deveria ir mais longe e integrar no ensino básico uma componente de formação do olhar para a coisa artística, não só do cinema, mas de todas as artes. No fundo, ensinar as crianças a olhar para a arte e sabê-la interpretar. Tenho a certeza de que, com o tempo, isso traria um público bem mais interessado. Alguma (a grande parte) comunicação social generalista segue apenas a lógica do mercado e destaca aquilo que é mais abrangente, embora no caso do Curtas exista um esforço louvável de dignificar a curta-metragem e até de dar a conhecer alguns nomes.

M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na área do jornalismo?
P.P: Talvez pensar duas vezes. Ou três. Isto porque o jornalismo atravessa um período de crise que tem a ver com a transição do papel para o online, mas também a forma como grande parte dos jornalistas são moldados. Acabam o seu curso e começam a carreira de estagiários, e é esse exército de estagiários que alimenta hoje em dia as redações acabando mais facilmente por espelhar uma lógica mainstream. Talvez o melhor conselho é mesmo procurar estar familiarizado com os mais diversos tipos de jornalismo, e as ferramentas disponíveis, embora sem nunca descurar o nosso lado mais subjetivo.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido até agora como jornalista?
P.P: Tem sido um percurso de luta constante. Sobretudo desde que sou freelancer, mas também onde tenho tido as minhas melhores experiências. No entanto, desde há alguns anos para cá, a crise no setor tem sido sempre em sinal contrário. É essa minha teimosia em querer fazer algo de novo que me aguenta. Isso e o envolvimento com o cinema. 

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
P.P: Possivelmente, gerir o meu órgão de comunicação de uma forma mais continuada, e com os meios que permitam renovar-se e crescer. Penso também em escrever um livro e até um documentário. Se calhar, com o tempo lá chegaremos.ML