Margarida Cardeal, Maria Ana Filipe, Tânia Alves, Mónica Garnel, Custódia Gallego, Lia Carvalho, Diana Costa e Silva
Com tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen, "Hamlet(a)" é uma abordagem diferente da clássica peça de William Shakespeare, com um elenco inteiramente feminino, e pretende mostrar outro ponto de vista, outra forma de sentir e abordar o texto. As histórias de Shakespeare e os seus temas são universais, com personagens que podem ser interpretadas por qualquer pessoa, de qualquer género, e é esse o propósito de "Hamlet(a)".
Maria Ana Filipe ("Hamlet") e Custódia Gallego ("Ofélia")
Maria Ana Filipe ("Hamlet") e Margarida Cardeal ("Cláudio")
Maria Ana Filipe ("Hamlet"), Tânia Alves ("Alertes"), Margarida Cardeal ("Cláudio"), Diana Costa e Silva ("Polónio") e Lia Carvalho ("Gertrudes")
Suzana Borges, Guilherme Barroso, Maria Dias, Martinho Silva
Escrita originalmente em 1930 e adaptada pela primeira vez ao cinema no ano seguinte, "Private Lives-Vidas Privadas" retrata o amor nas suas mais quentes, e mais frias, expressões. Amanda (Suzana Borges) e Elyot (Martinho Silva), divorciados há cinco anos reencontram-se por acaso, com novos esposos (Guilherme Barroso e Maria Dias), em segunda lua de mel num hotel em Deauville. Quando a chama entre eles se reacende, fogem juntos para Paris, onde uns dias mais tarde os novos esposos os vêm procurar.
Suzana Borges e Guilherme Barroso
Suzana Borges e Martinho Silva
Suzana Borges, Guilherme Barroso, Maria Dias e Martinho Silva no fim de uma sessão da peça
Iniciou-se na produção audiovisual aos 30 anos, quando lhe pediram ajuda para produzir um anúncio, e desde então tem desenvolvido um percurso artístico muito prolífico que inclui a passagem por diferentes produtoras como, por exemplo, as antigas Miragem e NBP. Em Novembro de 2014, lançou-se no maior desafio da sua vida e fundou, juntamente com a produtora Marta Lima, a agência/produtora Agente a Norte que junta as duas vertentes de agenciamento de atores, neste caso do Norte do país, e da produção de conteúdos audiovisuais. Esta entrevista foi feita na sede da Agente a Norte no Porto.
M.L: Quando surgiu o interesse pelo audiovisual? D.R: Foi por acaso. Foi
quando comecei a ser produtora. Eu já tinha cerca de 30 anos, nunca me tinha
passado pela cabeça, e pediram-me ajuda para produzir um anúncio, onde entravam
alguns dos meus filhos como atores, e eu comecei a ajudar na produção e
senti-me completamente à vontade. Percebi que tinha jeito, e depois começaram a
investir em mais coisas, e quando dei por isso já estava a trabalhar como
produtora na Miragem (atual Hop Filmes).
M.L: Quais são as suas referências nessa área?
D.R: Talvez tenham sido os
trabalhos que eu fiz primeiro na Miragem como produtora. Também um programa,
“Clube dos Totalistas” (RTP), onde eu fazia tudo praticamente sozinha, que era
muito giro, com a minha querida amiga Cristina Esteves, e que era sobre as pessoas que ganhavam o
Totoloto e aquilo que elas faziam com o dinheiro. Foram bastantes naquela
altura. Depois disso, as minhas referências, em termos audiovisuais, são boas
séries portuguesas e estrangeiras, bons filmes, etc.
M.L: De tudo o que tem feito até agora a nível
profissional, qual é a parte do seu percurso que guarda com muita estima?
D.R: É muito difícil. Eu
adorei os meus anos na Miragem. A seguir, fiz produção de novelas na antiga
NBP. Fazia também produção de publicidade na Nova Imagem e depois na Show Off
Films que era parte da produção da Nova Imagem. Na verdade, eu posso dizer-te
que cada vez que eu estava bastante tempo a fazer novelas, tinha saudades da
publicidade. Quando eu estava a fazer publicidade durante um tempo, ficava com
saudades de fazer novelas/ficção. Portanto, alternava entre as duas coisas
sempre com muito prazer.
M.L: Que recordações guarda do tempo em que trabalhou
na NBP (atual Plural Entertainment Portugal)?
D.R: Eu adorava. Ainda estão
lá pessoas que trabalharam comigo naquele tempo, e fiquei com amigos para toda
a vida que, entretanto, até encontro noutras produções e noutras coisas, e
agora, como agente, vou encontrando nas produtoras que contratam os nossos
atores e até, às vezes, quando vêm ao Porto trabalhar.
M.L: Nasceu em Lisboa e vive no Porto desde os dois
anos de idade. Como olha, hoje em dia, para a cidade?
D.R: Eu gosto do atual
Presidente da Câmara (Rui Moreira), porque é uma grande mudança e uma grande
evolução em relação ao anterior, em termos culturais. Tivemos muita sorte,
porque, neste momento, o Rui Moreira é um homem verdadeiramente interessado na
cultura da cidade ao contrário do que era o Rui Rio. Portanto, é uma lufada de
ar fresco e estou muito contente com o que se tem passado e espero que se
continue a passar durante mais tempo e que isto seja só o início. A cidade está
a crescer e isso nota-se. As pessoas estão mais evoluídas, têm mais acesso à
cultura e acontecem mais coisas. Há uma coisa muito importante que eu gostava
de enaltecer que são as nossas escolas de teatro, de cinema. Muito boa gente
sai daqui para ir trabalhar por este país fora, e há muito boas escolas e muito
boa formação.
M.L: Co-fundou a agência/produtora Agente a Norte que
iniciou a sua atividade em Novembro de 2014. Como é que tem sido para si a sua
evolução?
D.R: Nós temos feito tudo o
que podemos para chamar a atenção para os atores do Norte do país, a todos os
níveis. Já conseguimos muito, já conseguimos, pelo menos, centralizá-los aqui,
portanto quando alguém vem filmar ou fazer qualquer coisa ao Porto sabe que na
Agente a Norte encontra bons atores e que vale a pena conhecer e isso não
existia. Por outro lado, também tentamos levá-los para fora desta centralização
e deste mundo pequenino que é o Porto e dá-los a conhecer ao resto do país e
aos poucos temos conseguido. A generosidade dos atores do Porto é muito grande,
é diferente, portanto eles levam-se uns aos outros e a certa altura fazem mesmo
questão de conversarem entre eles quando estão nas suas produções, de darem a
conhecer os colegas, de falarem sobre os colegas. Essa rede de contactos acaba
por ser muito importante e estabelece aqui uma rede que ajuda todos.
M.L: Iniciou o seu caminho artístico aos 30 anos. Qual
foi para si a parte boa ou menos boa que foi determinante para este caminho?
D.R: É engraçado que me
perguntes, porque a parte menos boa foi uma parte antes de criar a Agente a
Norte, onde eu estive parada. Trabalhava numa empresa e não correu bem. Era
empregada e fiquei sem saber o que fazer e, parecendo que não, às vezes esse
impasse dá origem a qualquer coisa muito boa e neste caso foi a Agente a Norte.
Foi o não saber o que fazer e haver uma paragem na vida. De repente, há um
estalido e vamos mudar de rumo e vamos fazer outras coisas. E mudamos eu e a
Marta (Lima) e resolvemos montar a agência que nos dá um gozo enorme, porque na
verdade é um sonho. Significa que podemos fazer a diferença e isso é muito bom.
Mas, acima de tudo, porque continuamos a poder fazer os nossos trabalhos de
produção e a agarrar trabalhos de produção, que também é um gozo, porque não
precisamos de deixar de fazer umas coisas para fazer outras.
Marta Lima & Diana Roquette
M.L: É mãe do ator Pedro Roquette. Sendo mãe e também
agente dele, sente-se aliviada pelo que o seu filho tem feito até agora?
D.R: Sim, claro que gostava
que ele fizesse muito mais, mas também gostava que todos os outros agenciados
fizessem muito mais. Mas o facto de ter um filho ator e o facto da Marta ter um
marido ator (Pedro Frias), ajuda-nos muito a perceber quais são os verdadeiros
problemas que eles têm e também ter a visão deles das coisas. Não ser só uma
visão económica ou eventualmente uma visão de produção e de produtora. Em
relação ao Pedro, ele é sempre um orgulho, mas é um orgulho como filho e é um
orgulho como um todo.
M.L: Assumiu diferentes funções no meio audiovisual.
Gostava de um dia assumir, por exemplo, a realização ou a escrita?
D.R: A escrita mais um
bocadinho, porque gosto de escrever, mas não me imagino a escrever um argumento
com pés e cabeça e com bons diálogos. A realização também não. Acho que como
produtora tenho um espírito super-prático, portanto dificilmente teria a
criatividade que se exige num realizador. São atos completamente diferentes.
Acho que a minha capacidade é tornar possível o que o realizador imagina. Ele conta
o que imagina e nós, com o nosso espírito pragmático, tentamos pôr aquilo em
prática. É muito mais essa a minha função.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira artística?
D.R: Que se prepare para
ouvir muitos “nãos”, que se prepare para ter muitas desilusões, e que seja
muito resiliente, persistente e capaz de se levantar todos os dias com um ânimo
diferente.
M.L: Que balanço faz do percurso profissional que tem
desenvolvido até agora?
D.R: Eu já passei por tantas
fases diferentes na vida que acho que francamente tive um bom percurso e uma
boa vida profissional. Acho que foi muito interessante e que dificilmente
imaginaria quando comecei que poderia ser tão interessante, portanto estou
contente.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
D.R: O que eu adorava neste
momento era que a agência tivesse o maior sucesso e que os nossos atores
conseguissem todos mostrar o seu talento por este mundo fora e por este país
fora e que fossem reconhecidos. Isso seria altamente gratificante.ML
O cinema surgiu muito cedo na sua vida, iniciando o seu percurso cinematográfico nos anos 80, e desde então tornou-se num dos realizadores portugueses mais versáteis e mais singulares das últimas três décadas, com uma visão muito própria sobre o próprio Cinema e o Mundo em geral. Trabalhador incansável, gostava de ter férias prolongadas, e recentemente realizou a longa-metragem "Caminhos Magnétykos", que é baseada na obra de Branquinho da Fonseca, com um elenco que inclui, por exemplo, o francês Dominique Pinon e o brasileiro Ney Matogrosso, e foi premiada recentemente nos Caminhos do Cinema Português. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 5 de Outubro.
M.L: Quando surgiu o interesse pelo Cinema?
E.P: “Supercalifragilisticoespialidoso”.
Ainda me lembro desta eskanifobétyka palavra, que aprendi aos seis anos
enquanto assistia a “Mary Poppins” (1964), o primeiro filme que vi, no Cinema
Imperial, “o melhor cinema de segunda ordem de Lisboa” segundo a
propaganda da altura. Acredito que o primeiro filme que vimos deixa um imprinting na memória do espectador, e é
bitola para todos os filmes vistos posteriormente. Olhando para trásacho que aquela mistura de
animação e live action influenciou-me de forma subterrânea, enquanto
espectador e enquanto criador. Para mim cinema é território do imaginário e “Mary
Poppins” cultivou esse gosto. Quando tinha 10 anos pediram-me para escrever uma
redacção sobre as minhas férias. O meu texto resumia-se à descrição, em 4 ou 5
páginas, de um filme que tinha visto, “Waterloo” (1970). A memória mais intensa
das minhas férias tinha sido um filme. Acho que também é revelador.
M.L: Quais são as suas referências nessa área?
E.P: Despertei para o
cinema como cinéfilo aos 13 anos, logo depois do 25 de Abril de 1974. Assistia
diariamente, com o meu irmão, durante as férias, às sessões duplas no cinema
(semi) ao ar livre de Monte Gordo. Foi lá que vi “Roma de Fellini” (1972) e “Belle de Jour” (1967),de (Luis) Buñuel. Passei a ter uma
ideia radicalmente diferente do cinema, do que (também) podia ser cinema. Depois,
seguiram-se os ciclos do Palácio Foz e da Gulbenkian. Ia 3 vezes (às vezes 4)
por dia ao cinema e via ciclos integrais de cinematografias desconhecidas
(lembro-me do ciclo de cinema belga, ou seria suíço? Provavelmente os dois). Vi
(Sergei) Eisenstein, (Dziga) Vertov, (Lev) Kuleshov, (Jacques) Tourneur,
(François) Truffaut, (Jean-Luc) Godard, (Robert) Bresson, (Alfred) Hitchcock,
(Howard) Hawks, Fritz Lang, (Carl) Dreyer, (Alain) Resnais (o meu cineasta francês
favorito) e tantos mais. Lembro-me de ver (e ouvir) o “Eraserhead” (1977) na Cinemateca e no fim éramos apenas meia-dúzia.
O (David) Lynch ainda não estava na moda. A banda sonora deste filme teve um
grande impacto sobre o meu modo de criar ambientes sonoros totalmente recriados
na montagem.
M.L: Como realizador, é de certa maneira um
investigador no que toca a explorar diferentes formas cinematográficas. A seu
ver, qualquer realizador/a devia tomar esse tipo de posição em relação a fazer
cinema, ou para si é uma necessidade?
E.P: Qualquer realizador,
que veja o cinema enquanto arte, terá de procurar a sua cine-identidade e
procurar novas formas de abordar os mesmos problemas, combinando processos e
metodologias utilizadas no passado. Para mim isso é um cineasta, um artista das
imagens (e sons) em movimento.
M.L: Em 2014, realizou a comédia “Virados do Avesso”
que foi o seu primeiro filme mais comercial, tendo ultrapassado os 100.000
espectadores, e foi produzido pelo falecido Nicolau Breyner que também fez um cameo no filme. Que recordações guarda
de trabalhar com ele?
E.P: Muito afável. Gostava
de improvisar, tal como eu. “Virados
do Avesso” foi uma oportunidade para demonstrar que conseguia fazer
filmes populares, e não apenas filmes vanguardistas. Já o tinha feito com “Oito
Oito” para a SIC Filmes em 2001; gosto deste tipo de desafios de dialogar com
espectadores não necessariamente cinéfilos.
"Virados do Avesso": Nuno Melo, Isabel Medina, Marina Albuquerque, Philippe Leroux, Jorge Corrula, Edgar Pêra, Diogo Morgado, Melânia Gomes, Nicolau Breyner, Diana Monteiro
M.L: Tem sido homenageado ao longo dos anos, e no
âmbito de uma homenagem que o Indie Lisboa lhe fez em 2006, o crítico e programador
alemão Olaf Möller escreveu o seguinte: “Sobre Edgar Pêra pode certamente
dizer-se “muito diferente daquele que vemos como “correcto”, “válido” dentro da
cultura do cinema, “realista” no sentido cinematográfico e sócio-político. Mais
precisamente: Edgar Pêra é diferente de tudo o que sabemos sobre Portugal.”. Sendo uma pessoa terra a terra, como
é que se sente, quando é tanto homenageado como elogiado?
E.P: Sinto-me
bem. É bom ver o trabalho reconhecido, sem ter de fazer concessões. No caso do
Olaf Möller é um reconhecimento centuplicado, dado que ele é um dos maiores
conhecedores do cinema global de todos os tempos, uma espécie de Indiana Jones
das cinematografias perdidas. Foi graças ao interesse do Olaf pelos meus
filmes, que o Indie fez a minha retrospectiva em 2006. Também fiquei muito
grato ao António Preto, quando dedicou tanto tempo da sua vida à retrospectiva
em Serralves. São duas pessoas que não conhecia, que conheceram primeiros os
meus filmes e só depois a minha pessoa, pelo que sei que gostam do meu trabalho
sem fazerem qualquer tipo de favor. A amizade só surgiu depois.
M.L:
Costuma trabalhar com certos actores e o Nuno Melo era um deles. Como olha para
o percurso que ele desenvolveu até ao seu falecimento em 2015?
E.P: O
Nuno foi o actor com quem mais trabalhei, filmávamos a toda a hora, mesmo que fosse
só para os meus arquivos. Era a nossa kino-ginástica e era uma forma de
cimentarmos a nossa amizade e cumplicidade, preparando-nos para filmes futuros.
Geralmente tínhamos tendência natural para o disparate e a comédia. “O Barão” (2011) foi um enorme esforço
de contenção para ambos. Valeu a pena. Muito poderia dizer sobre o trabalho do
Nuno, mas é sobretudo a falta do amigo o que mais sinto.
M.L:
Adaptou Branquinho da Fonseca para o cinema mais do que uma
vez. O que o fascina neste autor em particular?
E.P: O
seu desalinhamento, a fusão de realismo com surrealismo através de imagens do
pensamento.
M.L: Escreveu a ideia original para o guião da média-metragem
“Um Passo, Outro Passo e Depois…” (1991), de Manuel Mozos e protagonizada pelo
falecido Canto e Castro. Como é que surgiu esta história na altura?
E.P: Essa
história surgiu de um projecto geracional de 4 filmes, concebido por mim e em
cumplicidade com cineastas “emergentes”, na tentativa de trabalharmos em
conjunto e provarmos que o todos é mais do que a soma das partes. Um escrevia a
história, outro o argumento e outro realizava. Fui posto fora desse
cine-comboio por um responsável da RTP e o Manuel Mozos foi o único dessa
geração que se atreveu a pegar numa história minha para esse projecto. O Manuel
é um poeta.
Canto e Castro em "Um Passo, Outro Passo e Depois..."
M.L:
Iniciou em 2010 uma intensa pesquisa no formato 3D. Que conclusão é que tirou
ao explorar este formato específico nestes últimos anos?
E.P: Que
é um formato muito interessante de explorar mas muito difícil de exibir. No
entanto continuo a fazer filmes em 3D, apesar dessa contrariedade.
M.L:
Tendo também experiência na docência, qual conselho que daria a alguém que
queira ingressar numa carreira cinematográfica?
E.P: Trabalhar
todos os dias. Filmar sempre que possível, sob diferentes identidades.
Descobrir cine-personas dentro de si. Não desistir e apresentar projectos muito
bem preparados. Tenho um lema: “Um Não é o primeiro degrau de um Sim”.
M.L:
Que balanço faz do percurso cinematográfico que tem desenvolvido até agora?
E.P: Positivo, mas podia ser melhor. Não
consigo garantir o meu futuro a médio prazo, andamos sempre com a corda na
garganta, a correr atrás do prejuízo... Mas não me posso queixar, mantive a
minha independência, o que infelizmente não é frequente no nosso meio. Tenho
amigos, colegas da escola de cinema, a viver em quartos e hosteis, outros em
negócios que não têm nada a ver com a sua profissão. É degradante. Primeiro
graças aos meus pais, e depois graças a uma longa lista de amigos e
cúmplices pude continuar o meu trabalho, sem parar, mesmo que sem dinheiro.
M.L:
Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua
vida?
E.P: Férias de um mês ou mais. Já não o faço desde a
post-adolescência. Os últimos anos então têm sido infernais em termos de
trabalho. E como se sabe o Inferno está cheio de desejos que queríamos ver
cumpridos. Nunca trabalhei tanto em tantos projectos ao mesmo tempo. Também há
alturas que tenho a tentação de realizar um filme neo-realista poético, só para
provar que consigo fazer, mas depois ganho juízo.ML
Esta entrevista não está sob o novo Acordo Ortográfico
Estreada em Março passado no Teatro da Trindade, "O Deus da Carnificina" já tinha sido encenada em Portugal por João Lourenço no Teatro Aberto em 2009 e também foi adaptada ao cinema por Roman Polanski em 2011, e é sobre dois casais (Alberto/Bernardete & Verónica/Miguel) que se encontram para resolver um incidente protagonizado pelos seus filhos menores. Mas à medida que o encontro vai progredindo, ambos os casais deixam cair as suas máscaras e revelam a verdadeira natureza deles. Essencialmente, é uma peça sobre a hipócrisia e de até que ponto podemos chegar para defendermos os nossos interesses.
Termina hoje (4 de Novembro) no Teatro da Comuna, mas depois vai em digressão, o espetáculo "Desculpa, Não Percebi" que é da autoria de Diana Costa e Silva, Isabel Medina (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2011/09/mario-lisboa-entrevista-isabel-medina.html) e Rafaela Covas e protagonizado por Diana Costa e Silva, Rafaela Covas, Raquel Oliveira e DJ Tita Machado.
Estreado no passado dia 17 de Outubro, "Desculpa, Não Percebi" é um espetáculo em que as próprias intervenientes levantam e se interrogam sobre vários aspetos da vida. Questões como "Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós? Quantos sou eu? Quantos és tu? Quantos somos nós? Quero brincar. Queres brincar? Como é que te sentiste?" são levantadas e que definem os seus próprios caminhos.
Diana Costa e Silva, Rafaela Covas, Raquel Oliveira