Entrevista com... Carmen Dolores (Atriz)
sábado, 3 de agosto de 2019
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Mário Lisboa entrevista... Joana Brandão
Estreou-se na representação em 1997 com o espectáculo "O Triálogo ou o vortex cor-de-rosa" no Teatro da Comuna e desde então nunca mais parou. Lutadora e dedicada, também tem acumulado experiência nas diferentes formas de dirigir, tendo-se estreado na realização com o documentário "Terra" em 2018, e recentemente participou no díptico "A Verdade"/"A Mentira", que esteve em cena no Teatro Aberto durante quatro meses e está nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Actor de Teatro (Miguel Guilherme). Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 4 de Junho.M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
J.B: Desde muito pequena
que ia muito ao teatro, com a minha mãe. Ia ao Festival de Teatro de Almada,
desde muito pequena. Sou de Almada, um concelho que nos anos 80/90 sempre
apoiou muito o teatro e a música, havia muitos grupos de teatro amador. No 9º
ano escolhi a opção de teatro na escola e fui aluna da Luísa Cruz. Foi a minha
primeira professora de teatro! Na altura comecei logo a fazer teatro amador.
Tive um grupo de teatro que se chamava B.O.T.A.-Brigada Organizada de Teatro
Actual. Fazíamos imensos espectáculos. Adorávamos ensaiar, criar...
M.L: Quais são as suas referências, enquanto actriz?
J.B: A Luísa Cruz
é sem dúvida uma delas. Foi muito bom para mim, a primeira vez que trabalhei
com a Luísa. O mais curioso é que estava a fazer um espectáculo com ela, quando
soube que estava grávida do meu primeiro filho. 9 anos mais tarde, ele
estreia-se no cinema, com a Luísa a fazer de sua mãe, no filme “Pedro”, de Laís
Bodanzky.
M.L: Estreou-se como actriz em 1997, com o espectáculo
“O Triálogo ou o vortex cor-de-rosa”, no Teatro da Comuna. Que balanço faz
destes últimos 22 anos?
J.B: São 22 anos
de resistência, em que nunca deixei de trabalhar, mas a inconstância inerente a
esta profissão é o mais desgastante! Principalmente quando não há políticas
culturais que defendam verdadeiramente as artes.
M.L: Sendo uma mulher do pós-25 de Abril, o que é que
aprendeu ao criar o seu monólogo “Coragem Hoje, Abraços Amanhã”, no que toca à
condição feminina?
J.B: Aprendi muito. Foi um
trabalho intenso de recolha de testemunhos de mulheres que foram presas e
torturadas. Há testemunhos e histórias que eu não fazia ideia, mas aconteceram
e não foi assim há tanto tempo. O mais interessante para mim, foi poder dar voz
a essas mulheres. Perceber como suportaram aqueles momentos duros. Gostava
muito de escrever outro monólogo sobre “o outro lado”. Sobre as “pides” que
torturavam. Perceber o que as moviam, o que sentiam! Mas não é fácil! Algumas
dessas mulheres ainda são vivas, mas vivem totalmente no anonimato.
M.L: Foi premiada em 2017 com o Prémio Autores de
Melhor Actriz de Teatro pela peça “Constelações”, onde deu um discurso muito
emotivo. Que recordações guarda desse momento em particular?
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| Joana Brandão no monólogo "Coragem Hoje, Abraços Amanhã" |
J.B: Como achei que não ia
ganhar, pensei no que gostaria de dizer, caso ganhasse, mas não me preparei
muito. O espectáculo era muito bonito, muito intenso. A minha personagem tinha
cancro. No dia do primeiro ensaio eu tinha ido ao funeral de um amigo. O meu
discurso foi emotivo porque dediquei o prémio a esse amigo, que morreu de
cancro e à minha amiga (sua mulher), que esteve sempre ao lado dele.
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| Pedro Laginha e Joana Brandão na peça "Constelações" |
M.L: Recentemente co-protagonizou o díptico “A
Verdade”/“A Mentira”, de Florian Zeller e encenado por João Lourenço, que
esteve em cena no Teatro Aberto durante quatro meses. Este díptico foi uma
revelação para si no que toca a explorar a natureza das relações?
J.B: Não foi uma
revelação. Com 41 anos a ficção já não me surpreende. A natureza das relações
humanas no dia-a-dia é bem mais complicada!
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| Patrícia André, Joana Brandão, Paulo Pires e Miguel Guilherme |
M.L: A encenação/direcção de atores e o ensino têm
sido uma constante descoberta para si principalmente como pessoa?
J.B: A encenação requer
muito trabalho. Muitas escolhas, opções, procura de uma linguagem e forma de
contar uma história. Sobre o que quero falar. A direcção de actores e a docência
(que faço há muitos anos) prende-se mais com a capacidade de poder despertar
ferramentas interiores nos outros. Uma verdadeira descoberta para mim foi a
realização do meu documentário “Terra”. Percebi que é bem mais confortável
estar “do outro lado” da câmara!
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
J.B: Verem muitos
espectáculos (teatro e não só), lerem muitas peças de teatro e outro tipo de
literatura, irem muito ao cinema, exposições, etc. e nunca se deixarem
deslumbrar!
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
J.B: Escrever e realizar uma longa-metragem, mas já
estou a tratar disso!MLEsta entrevista não está sob o novo Acordo Ortográfico
sexta-feira, 26 de julho de 2019
"E o Estado não é de quem manda?-Variações sobre Antígona de Sófocles e textos do quotidiano"
Estreou hoje (26 de Julho) em Luanda, no âmbito da 4ª edição do Circuito Internacional de Teatro que atualmente está a decorrer em Angola e com sessão extra no próximo dia 28 de Julho, o espetáculo "E o Estado não é de quem manda?-Variações sobre Antígona de Sófocles e textos do quotidiano", com dramaturgia de António Sofia e João de Mello Alvim, encenação de João de Mello Alvim e protagonizado por Alexandra Diogo (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2015/06/mario-lisboa-entrevista-alexandra-diogo.html), António Sofia e Mariana Teiga.
Alexandra Diogo, Mariana Teiga, António Sofia
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| Alexandra Diogo |
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| António Sofia |
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| Mariana Teiga |
sábado, 20 de julho de 2019
"Édipo-Cegos que guiam cegos"
Termina amanhã (21 de Julho) no Teatro Romano de Lisboa, o espetáculo "Édipo-Cegos que guiam cegos", a partir de Sófocles, encenado por Beto Coville e protagonizado pelo próprio, Carlos Carvalho, Diogo Lopes, Eurico Lopes, Inês Oneto, João Araújo, Luísa Ortigoso, Nuno Pereira, Sandra Celas e Sofia Brito.
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| Sandra Celas, Diogo Lopes, Eurico Lopes, João Araújo, Luísa Ortigoso, Inês Oneto, Nuno Pereira, Sofia Brito, Carlos Carvalho, Beto Coville |
Estreado no passado dia 4 de Julho e integrado no Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, "Édipo-Cegos que guiam cegos" é a 9ª produção da companhia Teatro Livre e une mitos, valores sociais e familiares na mesma história. Reflete um mundo teocêntrico, regido por deuses que traçam o destino da vida dos homens. Na história, o papel do poder da crença enquanto forma vital de sobrevivência, personificada pelos oráculos, aparece em contraponto com o livre arbítrio do homem, dono do seu destino e senhor do seu futuro. Ao fugir do destino traçado pelos deuses, Laio e Jocasta (Sandra Celas) entregam o seu filho Édipo (Diogo Lopes) à morte, pois o oráculo previu que ele iria matar o seu pai e desposar a sua mãe.
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| Diogo Lopes ("Édipo") |
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| Diogo Lopes ("Édipo") & Sandra Celas ("Jocasta") |
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| Eurico Lopes ("Creonte") & Diogo Lopes ("Édipo") |
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| Diogo Lopes ("Édipo") & Beto Coville (Encenador/"Servo") |
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| Sandra Celas ("Jocasta") |
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| Luísa Ortigoso ("Anciã"/"Tirésias") & Carlos Carvalho ("Soldado") |
Mário Lisboa
"Bonecas"
Termina amanhã (21 de Julho) no Teatro Carlos Alberto no Porto, o espetáculo "Bonecas", com texto cénico e encenação de Ana Luena, direção artística de Ana Luena e José Miguel Soares e protagonizado por Mariana Magalhães, Matilde Magalhães, Nádia Yracema e Susana Sá (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2019/04/mario-lisboa-entrevista-susana-sa.html).
Em "Bonecas", Ana Luena parte de um conto inédito de Afonso Cruz e da "brutalidade bela" da pintura de Paula Rego para escrever uma dramaturgia em torno das noções de território, identidade e memória. Inserindo "Bonecas" no âmbito do programa da Malvada Associação Artística ao explorar o retrato e processos de desterritorialização por desvinculação, a encenadora integra igualmente no espetáculo a experiência partilhada com um grupo de raparigas de um centro de acolhimento temporário e um grupo de mulheres vítimas de violência doméstica de uma casa abrigo. A severidade e crueldade destes territórios femininos tornam as suas vítimas cativas da sua própria condição. Como num tableau vivant, as personagens de "Bonecas" expressam-se em relações dicotómicas de vulnerabilidade e força e numa inversão de papéis onde submissão e dominação se confundem. Cruzando exercícios de improvisação, criação de cenas, desenho de personagens, técnicas de role-play com fotografia, cria-se uma narrativa rizomática, “como um livro que cose diferentes cadernos numa só lombada”. Nessa “cartografia de multiplicidades” que o teatro e a fotografia oferecem, "Bonecas" trabalha possibilidades de reconstrução identitária, de reconhecimento e pertença.
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| Susana Sá, Mariana Magalhães, Matilde Magalhães, Nádia Yracema |
Mário Lisboa
sexta-feira, 19 de julho de 2019
domingo, 9 de junho de 2019
"3GODS" no Teatro da Trindade até 16 de Junho
Está em cena no Teatro da Trindade até ao próximo dia 16 de Junho, o espetáculo "3GODS" que é escrito e encenado por Rui Neto (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2015/06/mario-lisboa-entrevista-rui-neto.html) e protagonizado por Luís Gaspar, Rodrigo Tomás e São José Correia.
Estreado no passado dia 9 de Maio, "3GODS" define-se como uma metáfora para os dias de hoje, onde os deuses se tornam refugiados numa Europa em crise, pronta a colapsar (eventualmente na iminência do domínio russo), tentando sobreviver como uma família de classe média. Para além da adaptação à realidade, sofrem a mesma crise de valores que o mundo à sua volta, mergulhados em conflitos, frustrações e mentiras, numa eterna busca por resgatar a memória. É um espetáculo que parte da família, como instituição para a criação de novos mundos, e as suas falhadas tentativas na busca de identidade. Encontra âncoras dramatúrgicas na mitologia, trazendo para cena o conflito de três divindades como personagens centrais.
| São José Correia, Luís Gaspar, Rodrigo Tomás |
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| São José Correia & Rodrigo Tomás |
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| São José Correia & Luís Gaspar |
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| Luís Gaspar |
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| Rodrigo Tomás |
Mário Lisboa
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