2019 é o ano do 100º Aniversário da escritora e poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) e a propósito dessa efeméride, a pintora alquimista Maria Antónia Jardim/A. Sinai (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2015/01/mario-lisboa-entrevista-maria-antonia_7.html), que desde 2008 transforma os seus quadros em jóias e tem em Sophia de Mello Breyner Andresen como uma inspiração na sua vida, criou "Amar o Mar", uma jóia que é um símbolo do amor de Sophia pelo mar e que teve a sua primeira apresentação na Cooperativa Árvore no Porto no passado dia 30 de Maio, depois foi apresentada na Fundação Casa de Macau em Lisboa no passado dia 25 de Junho, e agora vai ser apresentada em Bruxelas no próximo dia 26 de Setembro, com a presença da sua criadora e da professora catedrática Isabel Ponce de Leão.
domingo, 18 de agosto de 2019
sábado, 17 de agosto de 2019
"Troianas"
Termina hoje (17 de Agosto) nas Ruínas do Convento do Carmo em Lisboa, o espetáculo "Troianas", de Eurípides, com tradução de Luísa Costa Gomes, encenação de António Pires e um elenco que inclui Maria Rueff, Alexandra Sargento, Sandra Santos (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2012/01/mario-lisboa-entrevista-sandra-santos.html), Vera Moura, João Barbosa, Hugo Mestre Amaro e Francisco Vistas.
Estreado no passado dia 31 de Julho, "Troianas" é hoje, como no século V A.C.
quando foi escrita e representada, o grande lamento sobre a tragédia da Guerra
e das suas consequências eternas: a destruição, a morte, a perda, a servidão, o
exílio, a errância. Tróia foi invadida pelos exércitos gregos, conquistada,
incendiada. Diante das suas muralhas em chamas, as troianas escravizadas e
Hécuba (Maria Rueff), a sua Rainha, esperam ser levadas pelos seus novos senhores para a
Grécia. Choram os seus mortos e o seu destino injusto. Helena (Vera Moura), também cativa,
será levada de novo a Esparta e continuará a reinar. Hécuba perdeu tudo: os
filhos, o marido, o seu país. E é sobre a fundamental injustiça da guerra que
os humanos cometem por motivos triviais que Eurípedes constrói a sua tragédia.
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| Maria Rueff ("Hécuba") |
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| Vera Moura ("Helena de Esparta") |
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| Maria Rueff ("Hécuba") & Alexandra Sargento ("Cassandra") |
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| Hugo Mestre Amaro ("Poseidon") |
Mário Lisboa
sábado, 3 de agosto de 2019
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Mário Lisboa entrevista... Joana Brandão
Estreou-se na representação em 1997 com o espectáculo "O Triálogo ou o vortex cor-de-rosa" no Teatro da Comuna e desde então nunca mais parou. Lutadora e dedicada, também tem acumulado experiência nas diferentes formas de dirigir, tendo-se estreado na realização com o documentário "Terra" em 2018, e recentemente participou no díptico "A Verdade"/"A Mentira", que esteve em cena no Teatro Aberto durante quatro meses e está nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Actor de Teatro (Miguel Guilherme). Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 4 de Junho.M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
J.B: Desde muito pequena
que ia muito ao teatro, com a minha mãe. Ia ao Festival de Teatro de Almada,
desde muito pequena. Sou de Almada, um concelho que nos anos 80/90 sempre
apoiou muito o teatro e a música, havia muitos grupos de teatro amador. No 9º
ano escolhi a opção de teatro na escola e fui aluna da Luísa Cruz. Foi a minha
primeira professora de teatro! Na altura comecei logo a fazer teatro amador.
Tive um grupo de teatro que se chamava B.O.T.A.-Brigada Organizada de Teatro
Actual. Fazíamos imensos espectáculos. Adorávamos ensaiar, criar...
M.L: Quais são as suas referências, enquanto actriz?
J.B: A Luísa Cruz
é sem dúvida uma delas. Foi muito bom para mim, a primeira vez que trabalhei
com a Luísa. O mais curioso é que estava a fazer um espectáculo com ela, quando
soube que estava grávida do meu primeiro filho. 9 anos mais tarde, ele
estreia-se no cinema, com a Luísa a fazer de sua mãe, no filme “Pedro”, de Laís
Bodanzky.
M.L: Estreou-se como actriz em 1997, com o espectáculo
“O Triálogo ou o vortex cor-de-rosa”, no Teatro da Comuna. Que balanço faz
destes últimos 22 anos?
J.B: São 22 anos
de resistência, em que nunca deixei de trabalhar, mas a inconstância inerente a
esta profissão é o mais desgastante! Principalmente quando não há políticas
culturais que defendam verdadeiramente as artes.
M.L: Sendo uma mulher do pós-25 de Abril, o que é que
aprendeu ao criar o seu monólogo “Coragem Hoje, Abraços Amanhã”, no que toca à
condição feminina?
J.B: Aprendi muito. Foi um
trabalho intenso de recolha de testemunhos de mulheres que foram presas e
torturadas. Há testemunhos e histórias que eu não fazia ideia, mas aconteceram
e não foi assim há tanto tempo. O mais interessante para mim, foi poder dar voz
a essas mulheres. Perceber como suportaram aqueles momentos duros. Gostava
muito de escrever outro monólogo sobre “o outro lado”. Sobre as “pides” que
torturavam. Perceber o que as moviam, o que sentiam! Mas não é fácil! Algumas
dessas mulheres ainda são vivas, mas vivem totalmente no anonimato.
M.L: Foi premiada em 2017 com o Prémio Autores de
Melhor Actriz de Teatro pela peça “Constelações”, onde deu um discurso muito
emotivo. Que recordações guarda desse momento em particular?
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| Joana Brandão no monólogo "Coragem Hoje, Abraços Amanhã" |
J.B: Como achei que não ia
ganhar, pensei no que gostaria de dizer, caso ganhasse, mas não me preparei
muito. O espectáculo era muito bonito, muito intenso. A minha personagem tinha
cancro. No dia do primeiro ensaio eu tinha ido ao funeral de um amigo. O meu
discurso foi emotivo porque dediquei o prémio a esse amigo, que morreu de
cancro e à minha amiga (sua mulher), que esteve sempre ao lado dele.
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| Pedro Laginha e Joana Brandão na peça "Constelações" |
M.L: Recentemente co-protagonizou o díptico “A
Verdade”/“A Mentira”, de Florian Zeller e encenado por João Lourenço, que
esteve em cena no Teatro Aberto durante quatro meses. Este díptico foi uma
revelação para si no que toca a explorar a natureza das relações?
J.B: Não foi uma
revelação. Com 41 anos a ficção já não me surpreende. A natureza das relações
humanas no dia-a-dia é bem mais complicada!
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| Patrícia André, Joana Brandão, Paulo Pires e Miguel Guilherme |
M.L: A encenação/direcção de atores e o ensino têm
sido uma constante descoberta para si principalmente como pessoa?
J.B: A encenação requer
muito trabalho. Muitas escolhas, opções, procura de uma linguagem e forma de
contar uma história. Sobre o que quero falar. A direcção de actores e a docência
(que faço há muitos anos) prende-se mais com a capacidade de poder despertar
ferramentas interiores nos outros. Uma verdadeira descoberta para mim foi a
realização do meu documentário “Terra”. Percebi que é bem mais confortável
estar “do outro lado” da câmara!
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
J.B: Verem muitos
espectáculos (teatro e não só), lerem muitas peças de teatro e outro tipo de
literatura, irem muito ao cinema, exposições, etc. e nunca se deixarem
deslumbrar!
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
J.B: Escrever e realizar uma longa-metragem, mas já
estou a tratar disso!MLEsta entrevista não está sob o novo Acordo Ortográfico
sexta-feira, 26 de julho de 2019
"E o Estado não é de quem manda?-Variações sobre Antígona de Sófocles e textos do quotidiano"
Estreou hoje (26 de Julho) em Luanda, no âmbito da 4ª edição do Circuito Internacional de Teatro que atualmente está a decorrer em Angola e com sessão extra no próximo dia 28 de Julho, o espetáculo "E o Estado não é de quem manda?-Variações sobre Antígona de Sófocles e textos do quotidiano", com dramaturgia de António Sofia e João de Mello Alvim, encenação de João de Mello Alvim e protagonizado por Alexandra Diogo (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2015/06/mario-lisboa-entrevista-alexandra-diogo.html), António Sofia e Mariana Teiga.
Alexandra Diogo, Mariana Teiga, António Sofia
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| Alexandra Diogo |
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| António Sofia |
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| Mariana Teiga |
sábado, 20 de julho de 2019
"Édipo-Cegos que guiam cegos"
Termina amanhã (21 de Julho) no Teatro Romano de Lisboa, o espetáculo "Édipo-Cegos que guiam cegos", a partir de Sófocles, encenado por Beto Coville e protagonizado pelo próprio, Carlos Carvalho, Diogo Lopes, Eurico Lopes, Inês Oneto, João Araújo, Luísa Ortigoso, Nuno Pereira, Sandra Celas e Sofia Brito.
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| Sandra Celas, Diogo Lopes, Eurico Lopes, João Araújo, Luísa Ortigoso, Inês Oneto, Nuno Pereira, Sofia Brito, Carlos Carvalho, Beto Coville |
Estreado no passado dia 4 de Julho e integrado no Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, "Édipo-Cegos que guiam cegos" é a 9ª produção da companhia Teatro Livre e une mitos, valores sociais e familiares na mesma história. Reflete um mundo teocêntrico, regido por deuses que traçam o destino da vida dos homens. Na história, o papel do poder da crença enquanto forma vital de sobrevivência, personificada pelos oráculos, aparece em contraponto com o livre arbítrio do homem, dono do seu destino e senhor do seu futuro. Ao fugir do destino traçado pelos deuses, Laio e Jocasta (Sandra Celas) entregam o seu filho Édipo (Diogo Lopes) à morte, pois o oráculo previu que ele iria matar o seu pai e desposar a sua mãe.
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| Diogo Lopes ("Édipo") |
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| Diogo Lopes ("Édipo") & Sandra Celas ("Jocasta") |
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| Eurico Lopes ("Creonte") & Diogo Lopes ("Édipo") |
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| Diogo Lopes ("Édipo") & Beto Coville (Encenador/"Servo") |
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| Sandra Celas ("Jocasta") |
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| Luísa Ortigoso ("Anciã"/"Tirésias") & Carlos Carvalho ("Soldado") |
Mário Lisboa
"Bonecas"
Termina amanhã (21 de Julho) no Teatro Carlos Alberto no Porto, o espetáculo "Bonecas", com texto cénico e encenação de Ana Luena, direção artística de Ana Luena e José Miguel Soares e protagonizado por Mariana Magalhães, Matilde Magalhães, Nádia Yracema e Susana Sá (https://mlisboaentrevista.blogspot.com/2019/04/mario-lisboa-entrevista-susana-sa.html).
Em "Bonecas", Ana Luena parte de um conto inédito de Afonso Cruz e da "brutalidade bela" da pintura de Paula Rego para escrever uma dramaturgia em torno das noções de território, identidade e memória. Inserindo "Bonecas" no âmbito do programa da Malvada Associação Artística ao explorar o retrato e processos de desterritorialização por desvinculação, a encenadora integra igualmente no espetáculo a experiência partilhada com um grupo de raparigas de um centro de acolhimento temporário e um grupo de mulheres vítimas de violência doméstica de uma casa abrigo. A severidade e crueldade destes territórios femininos tornam as suas vítimas cativas da sua própria condição. Como num tableau vivant, as personagens de "Bonecas" expressam-se em relações dicotómicas de vulnerabilidade e força e numa inversão de papéis onde submissão e dominação se confundem. Cruzando exercícios de improvisação, criação de cenas, desenho de personagens, técnicas de role-play com fotografia, cria-se uma narrativa rizomática, “como um livro que cose diferentes cadernos numa só lombada”. Nessa “cartografia de multiplicidades” que o teatro e a fotografia oferecem, "Bonecas" trabalha possibilidades de reconstrução identitária, de reconhecimento e pertença.
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| Susana Sá, Mariana Magalhães, Matilde Magalhães, Nádia Yracema |
Mário Lisboa
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