domingo, 20 de janeiro de 2013

Mário Lisboa entrevista... Rute Miranda

Olá. A próxima entrevista é com a atriz Rute Miranda. Natural do Porto, desde muito cedo que se interessou pela representação tendo desenvolvido um brilhante e versátil percurso como atriz que passa essencialmente pelo teatro e pela televisão (onde entrou em produções como "Baía das Mulheres" (TVI), "Como uma Onda" (TV Globo), "Dei-te Quase Tudo" (TVI), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Casos da Vida" (TVI), "Rebelde Way" (SIC), "Olhos nos Olhos" (TVI), "Deixa Que Te Leve" (TVI), "Sedução" (TVI) e "Rosa Fogo" (SIC) e atualmente participa na peça "Casas Pardas" de Maria Velho da Costa, com adaptação e dramaturgia de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas da qual esteve em cena no Teatro Nacional S. João no Porto, durante o passado mês de Dezembro e vai estar em cena no Teatro Municipal São Luiz em Lisboa entre 24 e 27 de Janeiro. Esta entrevista foi feita por via email no passado dia 10 de Janeiro.

M.L: Como é que surgiu o interesse pela representação?
R.M: Desde que me lembro de mim, por volta dos 4/5 anos, que adorava ouvir e reproduzir histórias, quando aprendi a ler e escrever, ganhei um gosto particular por contar histórias e improvisar… Daqui e até aos 16 anos (altura em que fui estudar Teatro) foi um ápice… o interesse surgiu realmente através da leitura, ouvir e reproduzir histórias em criança.

M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
R.M: A verdade é que não tenho influências… sou influência de mim própria.

M.L: Durante o seu percurso como atriz fez teatro e televisão, mas pouco cinema. Gostava de trabalhar mais neste género?
R.M: Nos últimos 20 anos, e desde que me estreei a minha vertente profissional por opção, tem vindo a ser maioritariamente o Teatro e toda a sua envolvente. Gosto muito de fazer televisão sempre que posso e me identifique com o projeto, em relação ao cinema, nunca foi uma opção conquistar o mercado por falta de oportunidades apenas. Depois da minha participação no filme/série “Florbela” (2012) de Vicente Alves do Ó, tenho já agendado um novo projeto de cinema para este ano, que poderei falar nele a partir de Abril.

M.L: Qual foi o trabalho num destes géneros que a marcou, durante o seu percurso como atriz?
R.M: Todos os trabalhos me marcam, e isto não é cliché, de uma forma geral uns mais do que outros, mas todos os trabalhos me marcaram, até os que não quero voltar a repetir, ou os que deixam saudades, pelo texto, pela equipa, pelo público, etc.etc. De todos eles, sem exceção levo sempre alguma coisa, pois dei sempre muito de mim.

M.L: Já fez telenovelas. Este é um género televisivo que mais gosta de fazer?
R.M: Como referi acima, gosto de fazer televisão, sim. Seja Ficção, Apresentação, Locução, etc. Gosto particularmente de estar motivada no trabalho e identificar-me com o projeto. É uma área, onde me sinto à vontade e ainda tenho muito para explorar, particularmente o registo cómico, o qual já explorei bastante em Teatro. Mais surpresas virão por aí.

M.L: Como lida com a carga horária, quando grava uma telenovela?
Lido bastante bem, é a antítese da carga horária do Teatro e o biorritmo modifica, faz-me bem modificar horários de vez em quando, e gosto particularmente de acordar cedo, durante alguns períodos.

M.L: Entre 2005 e 2006 participou na telenovela “Dei-te Quase Tudo” (TVI), onde interpretou a personagem Paula Valentim. Que recordações guarda desse trabalho?
R.M: Guardo tudo de bom. Foi 80% da minha mudança do Porto para Lisboa. Foi a minha primeira novela de longa duração, foram 8 meses, onde a minha personagem foi crescendo sempre até ao final. Fiquei muito feliz, porque a evolução da “Paula” deveu-se à minha prestação e empenho, ter autores a escreverem cada vez mais, para a nossa personagem, é um luxo. Relembro a equipa com saudades, embora me vá cruzando com alguns deles de vez em quando noutros trabalhos, alguns ficaram amigos desde então. Relembro os planos, as luzes, os desenhos de cenas, cenários, etc. etc. Guardo todas e as melhores recordações.

M.L: Qual foi o momento que mais a marcou, durante o seu percurso como atriz?
R.M: Sempre que inicio e termino um projeto… é o momento que mais me marca, como se fosse único… o contraste entre o entusiasmo do início e a nostalgia do final são os momentos que me marcaram sempre no meu percurso.

M.L: Como vê atualmente o teatro e a ficção nacional?
R.M: Neste momento e neste dia (início de Janeiro), não vejo nada… O Teatro está em standby até saírem os resultados do concurso, serão apenas 30 companhias a terem apoio, até lá está tudo parado… ou à espera da morte certa ou à espera da certeza… Existirá uma grande e infeliz reviravolta no Teatro em Portugal, quando saírem os resultados dos apoios… Estou envolvida num pontual e também eu, aguardo até ao final do mês, o resultado… até lá não vejo nada… mesmo. A ficção terá de continuar a ser produzida entre as duas maiores produtoras nacionais, a SP (Televisão) e Plural, talvez com mais cortes, mas terá de continuar, porque produz receitas, é um mercado que vai continuar a ser explorado, embora esteja também um pouco parado, mas por pouco tempo, considero.

M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
R.M: Quando tinha 19 anos e a meio dos meus estudos Teatrais, fiz um estágio em Inglaterra que me permitiu perceber, se gostaria de evoluir a nível Internacional, não tomei essa opção e considero que hoje aos 37 anos, tenho outras prioridades. Talvez no próximo ano esteja no Brasil com uma peça que ando a adiar… vamos ver.

M.L: Vive em Lisboa, mas nasceu no Porto. Já alguma vez se arrependeu de ter decidido ir viver para Lisboa?
R.M: Eu não vivo em Lisboa… Tenho casa no Porto e em Lisboa, como tenho no Algarve ou em Évora, onde tenho familiares… A minha residência depende um pouco do local de trabalho, estou mais instalada no Porto nos últimos dois anos, porque os projetos têm passado por lá, mas os próximos já descerão até Lisboa, voltando sempre ao Porto que é onde tenho a minha vida pessoal construída.

M.L: Recentemente participou na peça “Casas Pardas” de Maria Velho da Costa, com adaptação e dramaturgia de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas da qual esteve em cena no Teatro Nacional S. João no Porto. Como correu este trabalho?
R.M: É um trabalho que está a correr lindamente, ainda não terminou, porque vamos dentro de uma semana para o Teatro (Municipal) S. Luiz em Lisboa. Foi um processo longo e muito interessante, aprendi muito e aprender para mim, é o meu maior luxo…

M.L: Como é que surgiu o convite para participar nesta peça?
R.M: Fiz audição para o penúltimo espetáculo do Teatro Nacional (S. João) “Alma”, correu muito bem, não fiquei, porque realmente não tinha perfil para o papel, mas convidaram-me poucos meses depois para o espetáculo “Casas Pardas”, o que reflete que a sensação que tive na audição estava certa, tinha corrido bem, e senti que talvez me chamassem para uma outra oportunidade, assim foi.

M.L: Como foi trabalhar com Nuno Carinhas?
R.M: Quando se trabalha com um encenador, pela primeira vez, os primeiros dias são de reserva e observação. Com o tempo fui entendendo o encenador e juntamente com ele e com a equipa chegámos ao resultado final, que é excelente. Foi um processo muito interessante e de descoberta, o Nuno Carinhas é um encenador muito generoso, inteligente e sensível aos atores. É um ser humano muito interessante e honesto, gosta de atores, e eu gosto de encenadores que gostam de atores.

M.L: Como foi a reação do público a esta peça, durante a sua exibição?
R.M: Foi muito boa. O Público aceitou muito bem o texto, compreendeu-o e aplaudiu a generosidade que cada Ator emprestou às personagens. O Feedback foi muito positivo, o que me deixa feliz.

M.L: Recentemente, a telenovela da SIC “Rosa Fogo” da qual participou foi nomeada para o Emmy Internacional na categoria de Telenovela. Como vê este reconhecimento internacional?
R.M: Não o vejo por mim, vejo pela equipa e pela evolução da ficção em Portugal, estamos todos de parabéns, embora a minha participação tenha sido curta, fico feliz pela evolução e sou a favor de mais e mais.

M.L: Qual foi a pessoa que a marcou, durante o seu percurso como atriz?
R.M: Não tenho ninguém em particular, talvez algumas pessoas especiais que rodeiam a minha vida e que me deram força para resistir em alturas menos boas, que me ajudaram a caminhar em frente e não para trás. Os amigos que me acompanham há 20 anos sabem que isto é verdade. Apenas isso.

M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
R.M: Aquilo que digo sempre: estudem. Muito! Sejam persistentes perante as adversidades, quando se quer muito, se trabalha muito e se tem talento é meio caminho para o sucesso.

M.L: Que balanço faz da sua carreira?
R.M: Positivo. Os melhores anos ainda estão a chegar.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
R.M: São alguns e diversificados: Catálogo Primavera/Verão da Primadona, já é a segunda campanha que faço, e fico muito feliz por ser escolhida, vamos fotografar este mês no Porto e após vou estar no Teatro (Municipal) S. Luiz com “Casas Pardas”, no final de Março um novo projeto de cinema e para já é só… gosto de pensar a médio prazo.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
R.M: Aumentar a família, estrear um espetáculo em S. Paulo e ir de férias até à Polinésia e Austrália.ML

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