quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Mário Lisboa entrevista... Henrique de Carvalho

Olá. A próxima entrevista é com o ator Henrique de Carvalho. Neto do também ator Ruy de Carvalho,
desde muito cedo que se interessou pela representação, e tem desenvolvido uma promissora carreira como ator que passa, essencialmente, pelo teatro e pela televisão (onde entrou em produções como "Olhos de Água" (TVI), "Bons Vizinhos" (TVI), "Lua Vermelha" (SIC) e "Morangos com Açúcar" (TVI), e, recentemente, fez uma breve participação na telenovela "Destinos Cruzados" (TVI), onde interpretou a versão jovem da personagem interpretada pelo próprio avô nessa telenovela, e, entre 2012 e 2013, participou no espetáculo "Humor com Humor Se Paga!" que esteve em cena no Teatro Maria Vitória. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 9 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
H.D.C: Desde muito novo, talvez pelo facto de ter na família muitos atores. Mas desde cedo que gostava de me imaginar na pele de personagens históricas e de as representar. Depois de fazer a novela "Olhos de Água" (TVI) recuei um pouco, não lidei bem com a fama (talvez por ser muito novo) e acabei por estar afastado, durante, aproximadamente, 4 anos, até ao dia em que decidi fazer da Arte da Representação a minha vida.

M.L: Quais são as suas influências, enquanto ator?
H.D.C: Tenho muitas, talvez a mais marcante e mais óbvia, será o avô que tenho em casa. Depois tenho muitas influências estrangeiras como Ben Foster, Al Pacino, Emile Hirsch, Brad Pitt, Johnny Depp, Sean Penn, Edward Norton, entre muitos outros. As influências diretas, aquelas com quem aprendi pessoalmente, foram todos os profissionais desta arte maravilhosa com quem trabalhei até hoje, desde encenadores a colegas, pelos quais tenho muito apreço.

M.L: Faz, essencialmente, teatro e televisão. Gostava de trabalhar em cinema?
H.D.C: Tenho uma paixão muito especial pelo cinema e espero que a vida e o meu trabalho me marquem um encontro com essa arte.

M.L: Qual foi o trabalho que mais o marcou até agora, durante o seu percurso como ator?
H.D.C: Todos os trabalhos são marcantes para mim, pois todos são experiências diferentes, onde aprendemos como profissionais e como cidadãos. Não posso escolher um, pois estaria a ser desonesto comigo mesmo. A aprendizagem é constante e, por vezes, a personagem mais "pequena" é capaz de nos fazer crescer de várias maneiras.

M.L: Em 2001, participou na telenovela “Olhos de Água” que foi exibida na TVI, da qual interpretou a personagem Ernesto. Que recordações guarda desse trabalho?
H.D.C: Muitas, talvez a melhor recordação foi ter tido a oportunidade de conhecer e de trabalhar com aqueles que já não estão entre nós, aqueles que a vida nos tira e que tanta falta cá fazem... Essa será, talvez, a recordação mais marcante.

M.L: “Olhos de Água” foi corealizada por Álvaro Fugulin que faleceu em Outubro de 2002. Como foi trabalhar com ele?
H.D.C: Eu adorava o Álvaro, era uma pessoa com aquele brilhozinho especial!

M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção nacional?
H.D.C: Penso que a Cultura está como, e demonstra, o estado do nosso País. 

M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
H.D.C: É um dos meus objetivos, sim.

M.L: É neto do também ator Ruy de Carvalho. Como vê o percurso que o seu avô tem feito até agora?
H.D.C: É um percurso extraordinário. Não há muito mais a acrescentar a isso. Sublime.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito até agora como ator?
H.D.C: Tenho melhorado ao longo dos anos. Por motivos pessoais, houve alturas em que, profissionalmente, as coisas não me correram bem, mas faz parte do passado. Agora quero dar cada vez mais de mim ao público que me vê. 

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
H.D.C: Neste momento, estou, juntamente, com o meu agente a planear o próximo ano e, infelizmente, ainda não posso avançar nada, mas, certamente, coisas boas virão.ML

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Brevemente...

Entrevista com... Henrique de Carvalho (Ator)

Mário Lisboa entrevista... Paula de Carvalho

Olá. A próxima entrevista é com a jornalista Paula de Carvalho. Filha do ator Ruy de Carvalho, iniciou-se como jornalista na Antena 1 em 1983, e tem desenvolvido um percurso na área do jornalismo que passa, essencialmente, pela rádio (tendo trabalhado na Deutsche Welle na Alemanha entre 1996 e 1998). Em 2011, saiu da rádio, e, atualmente, trabalha no gabinete de Relações Públicas e Protocolo da Câmara Municipal de Cascais. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 22 de Julho.

M.L: Quando surgiu o interesse pelo jornalismo?
P.D.C: Quando tive que escolher o que queria ser colocaram-se duas hipóteses: Direito ou Jornalismo. Gostava das duas, mas o facto de não ter vaga para entrar em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa, foi decisivo para rumar para a Universidade Nova de Lisboa e para o primeiro curso virado para a Comunicação Social. Foi em 1979.

M.L: Quais são as suas influências, enquanto jornalista?
P.D.C: Não gosto do jornalismo sensacionalista. O tipo de jornalismo dos tabloides, anglo-saxónico, que usam a vida das pessoas, por tudo e por nada, não é o meu estilo. Eu prefiro o jornalismo da escola francesa. Acontece que, por vezes, a vida das pessoas está "misturada", digamos assim, com os factos, mas só acho que se deve usar essa mistura se for relevante para a história.

M.L: Trabalha, essencialmente, na rádio. Gostava de ter trabalhado em outros meios de comunicação como, por exemplo, a televisão?
P.D.C: Gostava de ter trabalhado em televisão, pelo menos, para experimentar. Mas o que eu gosto mesmo é de rádio. Aliás, a escolha do Jornalismo, em especial o radiofónico, foi influenciada pela rádio, que eu ouvia de manhã à noite. Sempre me fascinou e fascina. O imediato, a proximidade com o ouvinte, a obrigatoriedade da capacidade de síntese.

M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, durante o seu percurso como jornalista?
P.D.C: Foram vários. Eu fiz trabalhos em todas as áreas, desde a Política, passando pela Cultura e pela Economia, mas foram as reportagens que fiz, quando trabalhava no programa da manhã, entre as 7h00 e as 10h00, que me marcaram mais. Fiz reportagens sobre atentados bombistas, greves, explosões de fábricas, grandes incêndios... É mesmo o que eu gosto de fazer. Faltou-me fazer reportagem de guerra, mas quando tive a possibilidade, tinha um filho pequenino e a família não apoiou.

M.L: Como vê, atualmente, a Comunicação Social em Portugal?
P.D.C: Felizmente, ainda há muitos jornalistas que conseguem ser isentos, apesar de terem as suas ideias e escolhas políticas. Nem todos os jornalistas são comentadores. É preciso não esquecer que os jornalistas também votam e têm opinião. Mas creio que, na maior parte dos casos, é o fator económico que está a condicionar o jornalismo que se faz hoje em dia. Vemos muitos jovens, em início de carreira, a trabalharem por uns míseros euros, sujeitos à vontade de quem paga, com medo de dizerem o que pensam. É uma situação complicada. É a situação que se vive em muitas áreas profissionais.

M.L: Já trabalhou no estrangeiro. Gostava de ter ficado lá?
P.D.C: Adorei trabalhar na Alemanha e gostava de ter ficado lá, mas a minha vida era em Lisboa, junto dos meus pais. Bem sei que tinha a minha vida muito facilitada, porque fui com um contrato muito bom, mas foi muito importante trabalhar fora de Portugal. Em termos de Jornalismo, no meu caso, no jornalismo radiofónico, não me parece ter aprendido muito mais com os alemães. O que eles fazem, nós portugueses também fazemos, e muito bem. O que foi bom, foi a possibilidade de viver num país, onde as pessoas e, em especial, os Jornalistas são pessoas com prestígio, credíveis. O que contribui para isso é, sem dúvida, o facto de serem muito bem pagos. Se eu disser que fui ganhar para a Alemanha, com a mesma categoria profissional, 8 vezes mais, é só por si suficiente para perceber o que estou a dizer.

M.L: É filha do ator Ruy de Carvalho. Como vê o percurso que o seu pai tem feito até agora?
P.D.C: O meu pai geriu e gere a carreira de uma forma muito simples. De uma forma geral, nunca nega um trabalho. Seja para protagonista ou não. Acho que ele só recusou trabalhos por não ter disponibilidade. Sempre o convidaram para bons papéis, mas ele também soube escolher o que fazer, e posso dizer que ele faz quase todos os géneros. Musicais, comédias, tudo...

M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira no jornalismo?
P.D.C: Esteja atenta aos mais velhos. Os colegas com experiência  acrescentam um determinado tipo de saber que as escolas não nos conseguem dar. Sempre que tiverem que fazer um trabalho, façam  primeiro muita pesquisa. É muito importante sabermos do que falamos. Seja sobre uma pessoa, um determinado acontecimento. Acima de tudo, sejam humildes, mas não subservientes e evitem a arrogância.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
P.D.C: Neste momento, estou afastada da rádio. Saí em 2011 e ainda não sei, quando volto. O que estou a fazer é excelente. Estou num gabinete de Relações Públicas e Protocolo, com colegas que me ensinam muito todos os dias. É um trabalho muito interessante. Depois logo vejo.

M.L: Qual é a coisa que gostava que fazer e não tenha feito ainda?
P.D.C: Ter feito reportagem de guerra. Mas não foi possível.

M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da sua vida?
P.D.C: Gostava de iniciar um projeto meu, fora do jornalismo. Vamos ver.ML

domingo, 22 de dezembro de 2013

Brevemente...

Entrevista com... Paula de Carvalho (Jornalista)

Mário Lisboa entrevista... Margarida Moreira

Olá. A próxima entrevista é com a atriz Margarida Moreira. Irmã gémea da atriz Anabela Moreira, desde muito cedo que se interessou pela representação, sendo um dos talentos mais promissores do meio artístico português. Apaixonada pelo que faz, tem desenvolvido um percurso como atriz que passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão, e, em 2011, escreveu a letra da canção "Como Um Fado" que foi interpretada por Mikkel Solnado e por Patrícia Vasconcelos, da qual fez parte do álbum "Se o Amor Fosse Só Isso" da própria Patrícia Vasconcelos. Recentemente, foi coprotagonista da peça "Danny e o Profundo Mar Azul" do dramaturgo, guionista e realizador John Patrick Shanley (ganhou, em 1988, o Óscar de Melhor Argumento Original por "O Feitiço da Lua" (1987) de Norman Jewison), da qual foi produzida pela companhia Below The Belt que foi fundada, em 2013, pelo encenador, guionista e ator americano John Frey, da qual faz parte do elenco residente. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 28 de Maio.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
M.M: O interesse pela representação e, em especial, pelo teatro e pelo cinema surgiu muito cedo. Lembro-me ainda de ser criança e sonhar em ser atriz, de acompanhar o percurso de alguns atores, e sonhar fazer o que eles faziam. A verdade é que, desde muito cedo, recriava situações e personagens nas brincadeiras que, muito mais tarde, descobri serem iguais a alguns exercícios que aprendi na minha formação como atriz!

M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
M.M: As minhas influências foram, desde sempre, o interesse pelo Ser Humano em geral e em particular! Sempre me interessou as diferentes energias, estados de alma e corporalidade do Ser Humano. Fui, desde muito cedo, influenciada pelo cinema americano (que admiro) e, só muito mais tarde, pelo cinema europeu!  

M.L: Faz teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que mais gosta de fazer?
M.M: Gosto dos três géneros e cada um oferece um tipo de prazer e emoções diferentes! Tenho tido o privilégio de fazer mais Teatro e neste género o processo de trabalho é diferente e é nos permitido aprofundar, ao longo do tempo de ensaios, o texto e as personagens! A verdade é que, depois de um dia de filmagens, já me aconteceu lembrar-me da cena que tinha feito e pensar noutra abordagem que poderia ter feito à cena... Mas, como já está filmada, não se pode fazer mais nada... Enquanto que, em teatro, de dia para dia vamos descobrindo e enraizando o texto e a personagem e a verdade é que não gosto de processos estanque... Gosto de viver tudo como se fosse a primeira vez... E esse é um trabalho interior intenso que aprecio, enquanto estou num palco. Claro que, quando descubro algo num dia que, para mim, é a verdade daquela cena, então agarro-a sentimentalmente e, nas próximas vezes em palco, revivo-a! Não posso dizer que gosto mais de um género do que outro, a verdade é que quero muito fazer Cinema, que quero muito fazer televisão e que quero muito continuar a fazer teatro! O que gostava, acima de tudo, era conseguir escolher as personagens e os textos que me interessam e, por enquanto, nada disso é possível, pois tenho que agarrar todas as oportunidades que chegam até mim.

M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, durante o seu percurso como atriz?
M.M: Não posso falar de um só trabalho que me tenha marcado mais, durante o meu percurso e, sinceramente, estou sempre à espera que esse trabalho chegue! Mas, de todos os trabalhos, existem vários que me marcaram! O primeiro foi em Teatro, ainda na escola, quando fiz "O Gato", e tive o privilégio de ter na plateia, o grande Henrique Santana!!! Ser ainda tão miúda e ter na plateia o autor a elogiar o nosso trabalho e ficar emocionado foi, sem dúvida, um momento marcante... Faleceu pouco tempo depois e, para mim, foi uma honra! Todas as vezes que pisei um palco marcou-me e continua a marcar-me! O privilégio de estar ali e de fazer aquilo que mais amo é uma bênção que agradeço sempre! Dos últimos trabalhos, posso referir o percurso que tenho feito com o Peter Pina (meu colega e encenador), com o qual tenho tido a oportunidade de criar a um nível mais profundo, tanto a nível da personagem, como da encenação, como a nível da dramaturgia, e tem sido um privilégio trabalhar assim, apesar de acarretar mais sangue, suor e lágrimas, durante o processo de construção... Com ele, fiz o "Abraça-me" e "A Culpa" e foram, sem dúvida nenhuma, os trabalhos em que a viagem foi mais dolorosa, mas depois também mais gratificantes! Marcou-me, igualmente, a série (agora transformada em filme) "Bairro" de Francisco Moita Flores. "Bairro" foi feito em registo de cinema e tanto a história, como a personagem, como toda a equipa, atores, técnicos e realizadores me fizeram e fazem sentir orgulhosa e privilegiada por fazer parte deste projeto maravilhoso!

M.L: Em 2011, escreveu a letra da canção “Como Um Fado” que foi interpretada por Mikkel Solnado e por Patrícia Vasconcelos, da qual fez parte do álbum “Se o Amor Fosse Só Isso” da própria Patrícia Vasconcelos. Que recordações guarda dessa experiência?
M.M: Desde muito cedo que escrevo, escrevo poesia e prosa, mas sempre na minha intimidade! Guardo a minha escrita, sem esperar que outros a leiam, pois fazem parte do meu Ser mais íntimo e profundo e por isso, até hoje, só publiquei dois poemas meus e um deles ganhou um prémio! Na altura, eu estava a trabalhar com o Nanu Figueiredo dos Mola Dudle num projeto onde, para além de representar, tinha de cantar e eu estava a ter alguma dificuldade em perceber como se conseguia interpretar um texto, quando era cantado... E nesse momento, como ele sabia que eu escrevia, perguntou-me se eu trazia algum dos meus poemas comigo e como ando sempre com um caderninho, onde escrevo o que me vai na alma... Escolheu um poema e começamos a construir uma música com aquele texto... O poema chamava-se "Como Um Fado" e, rapidamente, criamos a melodia e os arranjos para acompanhar a letra. Entretanto, esta música ficou guardada, apesar de que ambos sabíamos que tínhamos criado algo muito especial! Só muito mais tarde, quando a Patrícia Vasconcelos ouviu a música e quis cantá-la e foi assim que esta música se tornou pública, depois o Mikkel Solnado, por sua vez, adorou a música que a Patrícia cantava e quis cantá-la também! A verdade é que a música saiu da gaveta e ganhou vida própria e é um orgulho enorme saber que do meu cantinho, onde escrevi o poema original, nasceu algo tão precioso e que ganhou vida própria. De todas as versões da música que ouvi, aquela que, ainda hoje, considero ser a mais bonita, é mesmo a original cantada pelo Nanu naquela tarde em que ambos criamos aquela música.

M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção nacional?
M.M: Em Portugal, as artes, de um modo geral, ainda não são muito valorizadas e o Teatro, em particular, ainda não tem um lugar cativo no coração dos portugueses, mas, pouco a pouco, acredito que as coisas vão melhorando. Os grupos e companhias subsidiados são poucos e aqueles que fazem parte de grupos que não têm apoios sofrem e batalham todos os dias para que o público encha as salas e que venha a receber, de braços abertos, o nosso trabalho! Relativamente à ficção em Portugal, esta tem percorrido um longo caminho e tem evoluído e crescido muito, e é um mercado de trabalho muito bom para muitos atores! Acho que o trabalho em ficção, em Portugal, tem permitido que as gerações mais novas estejam mais atentas aos nossos atores e aos nossos trabalhos e, no futuro, vai trazer bons frutos e aproximar o público do teatro e do cinema feito em Portugal!

M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
M.M: Gostaria muito de poder trabalhar com muitos atores e realizadores internacionais que admiro e, por isso, seria um sonho e um privilégio ter essa oportunidade! A verdade é que admiro o trabalho feito lá fora e, por isso, seria uma honra!

M.L: É irmã gémea da atriz Anabela Moreira. Como vê o percurso que a sua irmã tem feito até agora?
M.M: Tenho muito orgulho no percurso que a minha irmã tem feito e, por isso, tenho acompanhado o trabalho dela sem grandes surpresas, pois ambas começamos a sonhar, muito cedo, com esta profissão e, desde sempre, sabia e sei que o céu é o limite!!!

M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
M.M: O único conselho que posso dar é trabalhar, trabalhar, trabalhar muito, com muita paixão e amor, pois só assim se pode e deve estar nesta área! E nunca desistir... nunca... as barreiras servem para crescermos e evoluirmos como Seres Humanos e, consequentemente, evoluirmos como atores e são, acima de tudo, desafios para serem ultrapassados!!!

M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até agora, como atriz?
M.M: O meu percurso tem sido o percurso de alguém que ama fazer o que faz e que, apesar das dificuldades de se ser ator em Portugal, nunca desistiu! É um percurso recheado de muitas alegrias e de muitas dores! É um percurso que, apesar de tudo, ainda tem muito trilho para percorrer!

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
M.M: Falta-me dar a volta ao Mundo e aventurar-me além-fronteiras…ML

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mário Lisboa entrevista... Artur Ribeiro

Olá. A próxima entrevista é com o realizador e escritor Artur Ribeiro. Desde muito cedo que se interessou pela realização e pela escrita, sendo um dos grandes talentos do panorama artístico português que surgiram nos últimos anos. Como realizador, estreou-se na realização de longas-metragens com "Duplo Exílio" (2001), uma longa-metragem sobre um homem (cujo os pais saíram dos Açores para emigrarem para os EUA, quando tinha 5 meses de idade) que regressa inesperadamente a Portugal, depois de ser, injustamente, acusado de um crime que não cometeu, e, ao longo do seu percurso como realizador, dirigiu várias produções cinematográficas e televisivas, e, como escritor, escreve para teatro, cinema e televisão. Recentemente, coescreveu o guião da longa-metragem de ficção científica "RPG" (Real Playing Game) de David Rebordão e do produtor Tino Navarro e com um elenco encabeçado por Rutger Hauer, e, atualmente, é autor da telenovela "Belmonte" que está em exibição na TVI, da qual é baseada num formato chileno, e conta com a participação de atores como a brasileira Graziela Schmitt, Filipe Duarte, Marco D'Almeida, João Catarré, Diogo Amaral, Lourenço Ortigão, Manuela Couto, Almeno Gonçalves, Joana Solnado, Carla Galvão, Paulo Pires, Sofia Grillo, José Wallenstein, Luísa Cruz, Sílvia Rizzo, João Didelet, Elsa Galvão, Rita Calçada Bastos, o britânico Norman MacCallum e Estrela Novais. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 1 de Maio.

M.L: Quando surgiu o interesse pela realização e pela escrita?
A.R: Desde a primeira vez em que fui ao cinema, em criança, que disse que era aquilo que eu queria fazer. Na altura, ainda não percebia o que era um argumentista ou um realizador e dizia que queria ser ator, mas quando fui adquirindo mais conhecimentos sobre como se faz cinema e televisão, rapidamente defini que o que queria ser ("quando fosse crescido") era realizador e argumentista.

M.L: Quais são as suas influências nestas duas áreas?
A.R: Recolho influências muito diversas: da literatura ao teatro e, claro, do cinema e da televisão. Mas posso, por exemplo, referir que, quando era adolescente, houve um período essencial que me marcou com duas influências aparentemente paradoxais, mas, para mim, equitativamente importantes: um ciclo de cinema do Ingmar Bergman que passou na televisão ao Domingo à noite, a que eu assisti religiosamente, ao mesmo tempo que no cinema vi fascinado "Os Salteadores da Arca Perdida" (1981) do (Steven) Spielberg. Penso que ambas as experiências marcaram, em mim, a ideia de que o cinema pode ser uma profunda análise ao mais íntimo e sombrio da alma humana e, ao mesmo tempo, uma fantasia heróica e aventureira. Na literatura, foi também marcante, nessa altura da minha vida, ler, por exemplo, Albert Camus e Jean-Paul Sartre ou, por exemplo, "A Montanha Mágica" do Thomas Mann (que lembro-me ter proporcionado dias inteiros de leitura compulsiva), ao mesmo tempo que lia ficção científica (sobretudo, o Philip K. Dick, Robert (A.) Heinlein, etc), e o que mais uma vez demonstrava a riqueza de mundos e ideias que a ficção nos oferecia.

M.L: Escreve para teatro, cinema e televisão. Qual destes géneros que mais gosta de escrever?
A.R: Todos, sem preferência. Tudo depende da ideia do projeto, da história que tenho para contar, e depois, claro, das condições para a concretizar.

M.L: Qual foi o trabalho que mais o marcou, tanto como realizador e como escritor?
A.R: Como argumentista, foi, sem dúvida, a minissérie "O Dom" (TVI), que ainda considero o melhor que escrevi para televisão. Como dramaturgo, foi o monólogo para teatro "Onde Estavas Quando Criei o Mundo?" que estreou no Teatro Nacional (D. Maria II) em 2012 e interpretado pela Manuela Couto. Em cinema, apesar do meu primeiro filme "Duplo Exílio" (2001) ter sido marcante por ser o primeiro, ainda estou à espera de escrever e realizar um filme que me faça sentir tão realizado como me senti nesse trabalho para televisão e para teatro.

M.L: Entre 2008 e 2009, realizou, juntamente com André Cerqueira e José Manuel Fernandes, a série “Equador” que foi exibida na TVI e baseada no livro, com o mesmo título, da autoria de Miguel Sousa Tavares. Que recordações guarda desse trabalho?
A.R: Foi uma experiência extraordinária pela dimensão do projeto, ao mesmo tempo que, como realizador, foi um privilégio trabalhar com um elenco extenso e fabuloso, assim como uma equipa criativa e dedicada, numa rodagem que, pelas próprias características (filmagens na Índia, no Brasil, para além de Portugal e São Tomé (e Príncipe), tornou-se inesquecível para todos os que nela participaram.

M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção nacional?
A.R: É impossível responder a esta pergunta sem falar, infelizmente, da crise, e é preocupante que em televisão (e imagino que no teatro também) os orçamentos sejam cada vez mais reduzidos e, por tal, para não se perder de todo o desenvolvimento da produção nacional, é talvez necessário encontrar novas formas de filmar em que se privilegie o investimento no talento, que começa na escrita e que é quase sempre o parente pobre de uma produção, mas sem um bom guião não se faz boa ficção. E se hoje se podem baixar os custos de produção técnicos por os equipamentos serem mais acessíveis (câmaras, pós-produção, etc, são mais acessíveis que há alguns anos atrás), não se deve reduzir o investimento nas pessoas com talento e na criação e no desenvolvimento de ideias. Infelizmente, no que toca à escrita do guião, o normal é muitas vezes as produções partirem com pouco tempo para o desenvolvimento das ideias, escrita e reescrita, e muitas vezes isso depois reflete-se no produto final.

M.L: Como é que é a sua rotina, quando escreve?
A.R: A minha rotina é tentar evitar uma rotina. Por isso, vario muito, tanto nas horas a que escrevo, como onde escrevo. Gosto de mudar de sítio, nem que seja trocar de mesa em casa, mas ando, às vezes, de café para café, e gosto até de mudar de país (escrevi a peça "Onde Estavas Quando Criei o Mundo?" em 4 semanas em Nova Iorque, os cafés são muito mais convidativos à escrita). Mas, normalmente, escrevo sempre algo de manhã, em casa, e depois saio, ou para o escritório da produtora em que estiver a trabalhar ou mesmo para a beira-mar (onde escrevo muito também) e, às vezes, fico pela noite dentro a escrever, mas, ultimamente, tenho tido mais inspiração de manhã e chego a acordar às 5 horas da manhã com uma ideia e levanto-me para ir escrever (não vale a pena ficar a dar voltas na cama a tentar voltar a dormir, quando a inspiração pede que se escreva). Por isso, seria incapaz de ter um horário de trabalho para escrita e uma rotina de escritório.

M.L: Ajuda na escolha do elenco de uma produção televisiva em que está envolvido (tanto como realizador e como guionista)?
A.R: Sim, sugiro e colaboro sempre. Sobretudo, porque na Plural (onde tenho trabalhado nos últimos anos) ter tido sempre essa abordagem, por parte dos diretores de projeto.

M.L: Em 2012, as telenovelas “Remédio Santo” da TVI e “Rosa Fogo” da SIC foram nomeadas para o Emmy Internacional na categoria de Telenovela. Como vê este reconhecimento internacional?
A.R: É ótimo, embora nos falte esse reconhecimento nas séries, mas para isso é preciso continuar a investir nesse formato.

M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira seja na realização ou na escrita?
A.R: Que escreva e realize (nem que seja com um telemóvel), mas também leia muito, veja muito cinema e séries, e estude (quer numa escola, quer como auto-didata). 

M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até agora, como realizador e como escritor?
A.R: Felizmente, apesar de, naturalmente, ter a ambição de fazer muito mais, posso dizer que, pelo menos, tenho conseguido trabalhar em projetos que gosto e em formatos variados com desafios diversos, mesmo com as limitações inerentes à produção nacional.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
A.R: Produzir o meu próprio filme independente, escrito e realizado por mim, rodeado dos atores e equipa com quem mais gosto de trabalhar, e ver esse filme ter (e merecer) sucesso.

M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da sua vida?
A.R: Gostava que me saísse o Euromilhões para poder produzir o tal filme da pergunta anterior... Mas, para isso, acho que tinha de jogar no Euromilhões, e nunca jogo...ML

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