sábado, 7 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mário Lisboa entrevista... Paula Bollinger

Olá. A próxima entrevista é com a fotógrafa brasileira Paula Bollinger. Desde muito cedo que se interessou pela fotografia, tendo começado a trabalhar nessa área em 2009, e especializou-se em fotografia masculina. Vive, atualmente, em Portugal, e além da fotografia, também têm experiência na Comunicação Social, e tem como um dos seus objetivos estabelecer-se como diretora de fotografia na área do Cinema. Esta entrevista foi feita, por via email, no passado dia 28 de Abril.

M.L: Quando surgiu o interesse pela Fotografia?
P.B: Há quatro anos atrás, decidi fazer uma mudança na minha vida. Apesar de mal saber usar uma máquina fotográfica, tinha uma vasta experiência em vídeo, o que me ajudou muito a dar o início na minha nova profissão. Sempre fui uma apaixonada pela fotografia, acho que desde os meus oito anos de idade. Lembro-me de, seis meses antes de entrar para a Universidade de Jornalismo, dizer ao meu pai que não queria mais fazer o curso, porque gostaria de me dedicar à fotografia, mas ele nem me deu a opção de argumentar sobre aquilo. "Primeiro o diploma de jornalista e depois você faz todos os cursos que quiser", disse-me ele. Estarei sempre agradecida pela sua atitude.

M.L: Quais são as suas influências nesta área?
P.B: A minha mãe foi uma top model bastante conhecida no Brasil e na América nos anos 70. Desde pequena que estive em contato com a Moda e com tudo o que a rodeia. Frequentava muito o atelier do Marco Ricca, que é o meu padrinho, um conceituado estilista da alta-costura brasileira. Esta aproximação fascinava-me, já que naquela época (por volta dos meus 5 anos) eu gostava do produto final, dos catálogos, das fotos nas paredes do showroom. Conseguia ficar sentada olhando para uma foto daquelas e sonhar bem longe. A minha criação foi, sem dúvida, uma base para chegar, anos depois, à fotografia.

M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou até agora como fotógrafa?
P.B: Todos os trabalhos deixam uma marca em mim. Entrego-me com total dedicação e intensidade a todos.

M.L: Além da Fotografia, também têm experiência na Comunicação Social. Que recordações guarda do tempo em que trabalhou nesta área?
P.B: Sou graduada em Jornalismo, pós-graduada em Telejornalismo com especializações em Marketing Televisivo, Documentário e Ciências Políticas. Estive, durante dez anos, trabalhando em todas essas áreas, mas a minha paixão foi sempre trabalhar em televisão, onde a experiência foi única. Comecei como estagiária e passei por várias áreas: repórter policial, coordenação do Departamento de pautas, realizadora de vários programas no Brasil, apresentadora e finalizei a minha etapa na Coordenação de Produção de uma emissora brasileira com sucursal em Portugal. As melhores lembranças que tenho são a adrenalina do deadline, ver programas que surgiram de uma simples ideia tomarem forma e conquistarem boas audiências e passar o meu conhecimento para pessoas que hoje são excelentes no que fazem em televisão.

M.L: Qual foi o momento que mais a marcou até agora como fotógrafa?
P.B: A minha decisão de me especializar em fotografia masculina mudou, radicalmente, o rumo que eu estava seguindo. Oito meses depois de começar a fotografar, cheguei à conclusão que o que verdadeiramente dava-me prazer era fotografar homens, e isso marcou muito o meu estilo de fotografar.

M.L: Vive em Portugal, mas nasceu no Brasil (tendo também vivido no Peru e em Espanha). O que a levou a ficar a viver em Portugal?
P.B: Morei em Portugal dos 12 aos 16 anos, devido ao trabalho do meu pai. Há oito anos atrás, surgiu um convite de transferência na emissora brasileira, onde eu trabalhava no Rio de Janeiro, para vir morar em Portugal e coordenar uma área da emissora para toda a Europa, e trabalhar, em paralelo, para uma revista portuguesa. Aceitei, sem pensar duas vezes, já que os melhores anos da minha adolescência tinham sido vividos em Lisboa.

M.L: Como vê, atualmente, Portugal?
P.B: Com otimismo. Morei dos 18 aos 27 anos no Brasil e vi o país passar por uma série de crises até pelo racionamento de energia. Se um país como aquele ultrapassou desníveis económicos e sociais e pode tornar-se, num breve futuro, na quinta economia mundial, por que Portugal não poderia também ultrapassar a atual crise? Como estrangeira, vejo a situação administrada com medo e esperança ao mesmo tempo. Medo de colocarem em prática, soluções diferentes que mudem a mentalidade da população e, posteriormente, o rumo das instituições do poder. E esperança de ver inverter esta situação ainda no segundo semestre deste ano. Obviamente que renegociar o memorando de entendimento com a Troika, facilitaria contornar as dificuldades do País, na minha opinião.

M.L: Qual foi a situação mais embaraçante que a marcou até agora como fotógrafa?
P.B: Acho que ainda está por acontecer. Tenho bom jogo de cintura na hora de reverter uma situação. Há sempre um plano B.

M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na área da Fotografia?
P.B: Estude, pesquise o trabalho dos melhores fotógrafos da área, a qual se quer dedicar e crie o seu próprio estilo.

M.L: Qual foi a pessoa que a marcou até agora como fotógrafa?
P.B: O segundo homem que fotografei foi o Madjer, o capitão da Seleção Portuguesa de Futebol de Praia. Após o shooting, tive a certeza que queria especializar-me em fotografia masculina.

M.L: Desde 2009 que trabalha como fotógrafa. Que balanço faz do percurso que tem feito nesta área até agora?
P.B: Conquistei quase todos os alvos que estabeleci até esta data, mas só realizei 40% dos meus sonhos como fotógrafa.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
P.B: Quero estabelecer-me como diretora de fotografia de Cinema, já que o vídeo é a minha base profissional, e continua sendo uma grande paixão. Tenho planos para uma exposição e e-book intitulado "Ropes", fotografias com pessoas de diferentes profissões e personalidades públicas, sempre com as cordas no meio, o que representa ligação, neste caso, à solidariedade. O lucro de "Ropes" será todo revertido para um lar de crianças abandonadas em Lisboa.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
P.B: Ser mãe.

M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da sua vida?
P.B: A distância geográfica entre a minha família e eu. A saudade é muito grande.ML

domingo, 1 de setembro de 2013

Brevemente...

Entrevista com... Paula Bollinger (Fotógrafa)

Mário Lisboa entrevista... Barbara Brin

Olá. A próxima entrevista é com a cantora Barbara Brin. Irmã do piloto Tiago Monteiro, desde muito cedo que se interessou pela música, tendo começado pela escrita, e, atualmente, vive entre Portugal e França, e em 2013 lançou o seu primeiro álbum intitulado "A Vida Não Vê" e gostava de conseguir chegar o seu trabalho ao maior número de pessoas possível, pois é o que a motiva. Esta entrevista foi feita no passado dia 10 de Junho no Hotel Infante Sagres no Porto.

M.L: Quando surgiu o interesse pela Música?
B.B: O interesse pela música surgiu há muitos anos. Começou pela escrita, comecei por escrever diários sobre tudo o que me acontecia, mesmo as coisas mais pequeninas do dia (ainda hoje, faço isso). E por volta dos 14, 15 anos, comecei a pegar em textos dos meus diários e a escrever letras. Para músicas ou não, não sabia, mas, às vezes, surgia-me uma melodia, às vezes, só uma letra, e comecei a escrever assim. E não sabia bem, qual seria o seguimento que queria dar a isso, mas sempre achei que queria fazer alguma coisa em relação a isso. E aos 18 anos, foi, quando um amigo meu compositor criou uma melodia para uma letra que eu tinha e decidimos grava-la a seguir… Ele fez-me isso como uma espécie de presente e decidimos gravar essa música e quando gravamos, o resultado foi bom, toda a gente gostou (pelo menos, as pessoas que me rodeavam), e, essencialmente, eu gostei. E decidi: “Vou pegar nestes textos que eu tenho aí e vou partilha-los com o público”. Foi aí que surgiu mais, mas já vinha há muito tempo.

M.L: Quais são as suas influências, enquanto cantora?
B.B: Enquanto cantora, eu acho que são todas e não é nenhuma. Porque, e mesmo neste álbum vê-se muito, não há um estilo. As músicas nascem normalmente, de guitarra e voz ou piano e voz. Quando vamos para o estúdio, começa-se a preencher com outros instrumentos, e a música vai pedindo ou vai surgindo naturalmente, e o resultado final vai surgindo muito naturalmente. Neste álbum, temos músicas de reggae, de soul, de blues, de country. Temos um bocado de tudo, porque as minhas influências são muito vastas. Eu gosto de tanta coisa, gosto, essencialmente, de letras, ligo muito às letras de todas as músicas que ouço, e gosto de música no geral. Não tenho um estilo.

M.L: Recentemente, lançou o seu primeiro álbum intitulado “A Vida Não Vê”. Como é que surgiu a ideia de criar este álbum?
B.B: Há já algum tempo que eu andava a pensar em lançar um álbum. Um dia, lançaram-me o desafio de tentar escrever em português (uma coisa que nunca tinha feito) e, realmente, foi uma coisa que nunca me tinha passado pela cabeça. Comecei a escrever, e escrevi uma música, e foi tão bom, e tão mais fácil do que aquilo que eu achava que fosse, porque ao começar a escrever em português, eu apercebi-me que tinha milhões de coisas para dizer, porque já tinha dito muita coisa em inglês, já tinha escrito muitas músicas, e tinha, às vezes, a sensação de começar a repetir-me um bocadinho até nos temas ou naquilo que me saía. Em português, não acontece isso, porque nunca tinha escrito nada. Foi, exatamente, assim que surgiu.

M.L: Vive entre Portugal e França. Como vê, hoje em dia, os dois países, em termos artísticos?
B.B: Em termos artísticos, eu acho que já não há fronteiras. Agora, eu vivo mais em Portugal do que em França, mas, apesar disso, eu conheço, perfeitamente, o que se faz lá, contínuo a estar muito ligada ao que se faz lá, porque ouço muito… Eu acho que, hoje em dia, não há fronteiras, porque está tudo na Internet, para toda a gente. Se, antigamente, um artista, na Europa, era muito mais complicado conseguir buscar, por exemplo, aos EUA ou à América Latina, hoje em dia, não há essas barreiras, porque com a Internet está tudo interligado…

M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
B.B: Eu acho que sim. Não era bem uma carreira internacional, o que eu gostava é de conseguir chegar ao maior número de pessoas possível, porque é isso que me motiva…

M.L: É irmã do piloto Tiago Monteiro. Como vê o percurso que o seu irmão tem feito até agora?
B.B: Com muito orgulho. Nunca esperei menos dele, no sentido em que sempre acreditei muito nele e no que ele faz e no talento dele (não é preciso só talento, também é preciso muita sorte). Sempre muito atenta e com muito orgulho nele.

M.L: Quais são os cantores, em Portugal, com quem gostava de trabalhar no futuro?
B.B: No que diz respeito ao Fado, tenho estado a ouvir imenso a Cuca Roseta. Acho-lhe muita piada, um bocado diferente, uma louvada de ar fresco no Fado. Gosto muito da Márcia, acho muito interessante o estilo de voz que ela tem, aquela envolvente toda. Também gosto da Luísa Sobral, do Tiago Bettencourt, do Rodrigo Leão… Eu acho que, agora, há muitos projetos muito bons em Portugal…

M.L: Gostava de experimentar outras áreas como, por exemplo, a representação?
B.B: Já experimentei a representação. Tirei um curso de representação em Paris e é uma coisa que eu gosto imenso. Mas eu sinto-me muito mais à vontade na área da Música, é onde eu me sinto em casa. Gostei muito de seguir o caminho da representação, durante uns tempos, como complemento à Música, para aprender a estar em palco, a estar em frente a um público, a lidar melhor com os nervos… Mas a representação não está nos meus planos, é uma coisa que eu gosto muito, acho muito interessante, aprendi muito sobre mim, mas quero ficar pela Música.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
B.B: Agora temos várias datas agendadas, portanto é pôr a banda no sítio, a suar como eu quero, para começarmos, agora, esta digressão. E é tentar fazer chegar o meu trabalho ao maior número de pessoas e apresentá-lo, onde puder, e continuar sempre. Estou sempre a compor, sempre a fazer músicas novas, e é pôr tudo a andar, sempre a trabalhar, quanto mais.

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda nesta altura da sua vida?
B.B: Já fiz muita coisa, mas acho que há sempre coisas que ficam por fazer. Por exemplo, vou casar em Novembro, eu nunca casei… Mas, de resto, há muita coisa para fazer. Quero compor músicas novas, gostava de tocar em sítios novos, salas míticas que eu tenha em mente… Ainda está muito no início…ML 

domingo, 18 de agosto de 2013

Brevemente...

Entrevista com... Barbara Brin (Cantora)

Mário Lisboa entrevista... Isabel Damatta

Olá. A próxima entrevista é com a atriz Isabel Damatta. Natural de São Tomé e Príncipe e mulher do ator Octávio Matos, desde muito cedo que se interessou pela representação, tendo-se estreado como atriz profissional em 1983, e desde aí tem desenvolvido um versátil e interessante percurso como atriz que já conta com 30 anos de existência, da qual passa, essencialmente, pelo teatro, e além da representação, também é encenadora, autora e psicóloga e têm experiência como jornalista, tendo trabalhado no canal RTP-USA nos EUA, e, atualmente, protagoniza, ao lado de Igor Sampaio, a micropeça "Sol ida mente Juntos", com encenação e direção de atores de Fernando Gomes, e está em cena no Teatro Rápido até ao próximo dia 31 de Agosto. Esta entrevista foi feita no passado dia 14 de Agosto.

M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
I.D: Desde criança (talvez por ser filha única), sempre gostei de inventar histórias para contar às amiguinhas e quando as contava “representava” as várias personagens. Outras vezes, quando não tinha ninguém para brincar, fazia isso em frente ao espelho. Mas essa necessidade de comunicar, a partir dos 6 anos, passou, essencialmente, através da música, quando comecei a aprender acordéon no Instituto de Música Vitorino Matono. Estreei-me a pisar o palco num espetáculo do saudoso Marques Vidal no Cineteatro Odeon com 8 anos, primeiro a cantar e um mês depois (e aí já com um empresário e a ganhar o meu primeiro cachet que foi de 250 escudos (1,25 €) a tocar acordéon. Aos 9 anos, toquei num programa infantil na RTP intitulado “O Que Sabes Fazer” e mais tarde no programa “A Feira” (RTP). Só anos mais tarde, ao ganhar um concurso para ir visitar os Estúdios da Edipim, onde estavam a gravar “Vila Faia” (RTP), a 1ª telenovela portuguesa, o saudoso Thilo Krassman, que me reconheceu do programa “A Feira”, perguntou-me se eu queria ficar a gravar os últimos episódios, fazendo figuração especial com algumas falas. Entretanto, entrei no Conservatório Nacional de Teatro. Fiz casting para a telenovela “Origens” (RTP) e esse foi o meu primeiro trabalho como profissional. No teatro, estreei-me em Outubro de (19) 83 na companhia do saudoso José Viana, que ao ver nas “Origens” que eu tocava e representava, entrou em contacto comigo. Durante 5 anos, trabalhei, sempre, nas companhias do José Viana e da Dora Leal, em várias Revistas e espetáculos que eles levavam aos nossos emigrantes nos EUA, no Canadá e na Europa.

M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
I.D: Confesso que as primeiras influências nunca se esquecem, e costumo chamar ao José Viana, “o meu Mestre”. Aprendi muito com ele, não só a nível da representação, como de toda a forma de estruturar um espetáculo e da própria escrita. Ele era um artista completo e como ele dizia: “Tu aprendes, sem eu ter de te ensinar”… sempre fui muito observadora e atenta. Mas, ao longo da minha carreira, todos com quem trabalhei me foram influenciando, e foram fontes de inspiração. Mas posso salientar, o Octávio Matos e o Camilo de Oliveira. Mas, felizmente, tenho muitas outras fontes.

M.L: Faz, essencialmente, teatro. Gostava de ter trabalhado mais no audiovisual (Cinema e Televisão)?
I.D: Gostava, sim. Mas apesar de ter começado na televisão, e ter feito um filme alemão, de certa forma, no início da minha carreira, como, simultaneamente, estava a tirar o meu curso de Psicologia Clinica, o Teatro expunha-me menos e talvez tenha, de uma forma um pouco inconsciente, não investido muito em tentar fazer mais televisão (na época, as duas profissões eram consideradas incompatíveis, no meio da Psicologia não “ficava bem” ser Atriz… agora tudo mudou), e como se costuma dizer: “Acabei por perder essa viagem”. Sei que pode ser que ainda seja possível retomar (apesar de, durante os 2 anos que vivi nos EUA, fazia televisão todos os dias, não como atriz, mas como jornalista e pivot de telejornal numa estação de televisão portuguesa), mas não será fácil, só com alguma sorte, que nesta profissão tem bastante peso.

M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, durante o seu percurso como atriz?
I.D: Tenho vários. E como gosto da diversidade, que é o que me dá mais prazer (já fiz Revista, Comédia, Café-Concerto, Espetáculos para as escolas, entre os quais “Os Maias”), tenho dificuldade em referir um. Neste momento, estou a experimentar um novo género, totalmente novo para mim, até pela proximidade com o público, no Teatro Rápido, que é uma micropeça de 15 minutos (“Sol ida mente Juntos”), que escrevi para mim e para o Igor Sampaio e está a ser uma grande e boa experiência.

M.L: Além da representação, também é encenadora, autora e psicóloga e têm experiência como jornalista, tendo trabalhado no canal RTP-USA nos EUA. Em qual destas funções em que se sente melhor?
I.D: Em todas, dependendo do meu próprio momento pessoal. A Psicóloga, penso que está sempre presente (é claro que em gabinete/consultório ganha outra dimensão e outra responsabilidade), mas na representação gosto da conceção do espetáculo na sua totalidade. No entanto, só em último recurso acumulo ser atriz e encenadora, porque como Atriz gosto de ser encenada e dirigida. Tenho saudades de voltar a experienciar a função de jornalista, mas é onde me sinto menos segura, porque não tenho tantas bases. No entanto, fiz muitas horas de diretos, e dessa “adrenalina” tenho muitas saudades.

M.L: Foi coautora da série “Estação da Minha Vida” que foi exibida na RTP, durante o ano de 2001, da qual contou com Nicolau Breyner como corealizador e como diretor de atores da série. Que recordações guarda desse trabalho?
I.D: Foi um trabalho muito gratificante. Adorei escrever os episódios que me foram distribuídos. E depois vê-los concretizados, foi muito bom. No entanto, a interação com os atores e com o Nicolau, foi pouca. A função aí era, essencialmente, escrever. Mas depois disso, escrevi, diariamente, momentos de humor para o “Portugal no Coração” (RTP), quando estreou, e para a “Praça da Alegria” (RTP), e também foi uma sensação muito gratificante vê-los representados pelo Luís Aleluia, pelo Guilherme Leite e outros.

M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção nacional?
I.D: Acho que se evoluiu bastante. Temos excelentes Atores (em várias faixas etárias), técnicos bastante mais aptos, excelentes autores, mas as ditas “leis de mercado” acabam por deturpar e nivelar (na minha opinião) por baixo. Temos tudo para sermos muito bons e o produto final que, muitas vezes, é apresentado, não faz jus ao valor das pessoas envolvidas. O Teatro, com as medidas que, ultimamente, têm sido tomadas pelos nossos governantes, está a tentar, por todos os meios, sobreviver, para não morrer por asfixia. E isso é lamentável. Direi mesmo, imperdoável, ver a Cultura ser tratada como está a ser. Basta ler o que o nosso Grande Ruy de Carvalho escreveu sobre este assunto há uns meses e está tudo dito.

M.L: Vive em Lisboa, mas nasceu em São Tomé e Príncipe. Como vê, hoje em dia, a ilha?
I.D: Infelizmente, eu vim de S. Tomé com 4 anos, fui lá até aos 11 nas férias grandes e nunca mais lá voltei. Espero conseguir fazê-lo em breve. Mas vou acompanhando, através das notícias e fotos atualizadas de amigos que ainda mantenho. Penso que houve uma evolução bastante grande em alguns aspetos. É um arquipélago lindíssimo e paradisíaco. Mas só poderei ter uma opinião mais fidedigna, quando lá for.

M.L: É casada com o ator Octávio Matos. Como vê o percurso que o seu marido tem feito até agora?
I.D: Ele tem uma carreira muito longa de 57 anos (como profissional, porque a pisar o palco foi aos 4 anos) e muitas foram as coisas que fez. Talvez nem sempre tenha feito as melhores opções em termos de carreira e nem sempre esteve ligado às melhores pessoas a nível de Produção. Foram vários os que o usaram e que pouco ou nada o ajudaram. Penso que no TMV (Teatro Maria Vitória), com a Toca dos Raposos, foi, nos últimos tempos, onde foi mais bem tratado. Mas é um grande Ator, principalmente de Comédia (apesar de ter ganho vários prémios com o filme “A Cruz de Ferro” (1968) como ator dramático) e com os programas de televisão que tem feito, é muito acarinhado pelo público que está sempre cioso de o voltar a ver. Na televisão, ainda hoje, o público fala do par que ele fez com a Grande Atriz Márcia Breia nas “Cenas do Casamento” (SIC). Se fosse o público que mandasse, ele estaria, com toda a certeza, a fazer mais televisão. Enquanto isso, está, agora, a preparar 2 novíssimos espetáculos (e uma nova Produtora): uma Comédia e depois uma Revista, para a nova temporada teatral.

M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira ingressar numa carreira na representação?
I.D: Que, se amam mesmo a profissão (e não o aparente mediatismo, as capas de Revistas e todas essas coisas vazias de conteúdo), apesar de todas as dificuldades que possam encontrar, pois esta vida não é fácil, principalmente, pela grande instabilidade, não desistam. Lutem, tentem evoluir sempre, aprendam tudo o que possam aprender (com os mais velhos, com todos os colegas, pois é da partilha que se evoluí e cresce) e acreditem que se estiverem de alma e coração nesta carreira, mais cedo ou mais tarde, o reconhecimento virá, mas, se eventualmente não vier, a realização pessoal existirá sempre.

M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito até agora como atriz?
I.D: Confesso que não é um balanço muito positivo. Fiz muitas escolhas erradas. Deixei-me condicionar demais e durante demasiado tempo, ligada a projetos que não gostava e com os quais não me identificava. Abri, demasiadas vezes, a mão daquilo que gostava e queria em prol dos outros. Mas, na realidade, nunca é tarde para aprender. Não sei se ainda vou a tempo, mas, principalmente, desde Maio que prometi a mim mesma que agora o que fizer é por mim e segundo os meus objetivos.

M.L: Quais são os seus próximos projetos?
I.D: Depois do Teatro Rápido, uma Comédia (da qual ainda não posso adiantar muito) e estou em negociações com um projeto para o estrangeiro. E claro, quem sabe, adorava mesmo um regresso à TV…

M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha feito ainda?
I.D: Uma boa personagem, com conteúdo e de continuidade num projeto televisivo!ML