Olá. A próxima entrevista é com a atriz Tânia Orchid. Natural do Porto, desde muito cedo que se interessou pela representação, sendo uma das mais promissoras atrizes da sua geração, da qual tem desenvolvido um interessante percurso que passa, essencialmente, pelo teatro, e, recentemente, foi concorrente do programa "OK KO" (TVI) que foi apresentado por João Paulo Rodrigues e por Vera Fernandes, e, atualmente, é coprotagonista da peça infantil "A Tia Miséria" que é produzida pela companhia Persona D'arte que fundou, juntamente, com a atriz Rafa Santos, da qual vai estar em cena nos fins-de-semana do próximo mês de Novembro no Teatro Rápido em Lisboa. Esta entrevista foi feita no passado dia 10 de Junho no Café Tropical no Porto.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
T.O: Desde pequena que eu
sempre quis ser atriz. Mas a coragem de escolher esta vida, foi por volta de
2007, quando finalizei o secundário e tive que acabar de fazer Matemática, em
regime noturno. E foi com essa mudança radical que tive o interesse total de
ser artista.
M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
T.O: Eu não tenho
influências.
M.L: Faz, essencialmente, teatro. Gostava de trabalhar
mais no audiovisual (Cinema e Televisão)?
T.O: Eu tenho experiência
nas três áreas. Mas, onde eu gostava de ter mais experiência, remunerada
preferencialmente, é na área de cinema e de televisão.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou até agora,
enquanto atriz?
T.O: Foi o “Aladino-O Musical
no Gelo”.
M.L: Como vê, atualmente, a Cultura em Portugal?
T.O: Vejo muito mal.
Porque não temos Ministro da Cultura, porque todos os artistas não são
valorizados, são renegados. E não é só o artista que não é valorizado pela
sociedade, mas também os artistas não se valorizam uns aos outros, e o facto de
trabalharmos com recibos verdes, sem termos subsídios, acho que é muito
injusto. É uma profissão que é ingrata, porque não conseguimos viver só disto,
ou muitos poucos conseguem, e não há nem uma carteira profissional que prove
que somos atores, nem um subsídio de desemprego ou algo do género para termos
algum tipo de ajuda.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
T.O: Sim, acho que
qualquer ator gostava de o fazer. Mas, enquanto não surgirem oportunidades, às
vezes lutar não chega, é preciso o toquezinho de sorte.
M.L: Quais são os atores, em Portugal, com quem
gostava de trabalhar no futuro?
T.O: O Ruy de Carvalho, a
Eunice Muñoz, o Manuel Cavaco, a Alexandra Lencastre, a Margarida Marinho, a
Rita Pereira, o Diogo Infante, o Albano Jerónimo, a Joana Santos, o Joaquim de
Almeida, o Rogério Samora… Basicamente, são esses…
M.L: Gostava de, um dia, experimentar outras áreas
como, por exemplo, a escrita?
T.O: Eu escrevo os meus
próprios textos e sketches, só que
são meus, não quero pô-los em público… Portanto, a nível de experiência, já a
tenho…
M.L: Tem apostado na formação. Na sua opinião, quem
está a iniciar uma carreira na representação, deve, mais do que tudo, apostar
na formação?
T.O: Sim, acho que é
importante. Eu já apostei na formação e sou licenciada em Teatro na ESAP
(Escola Superior Artística do Porto). Acho que quem quer seguir esta área deve
fazer, porque, hoje em dia, qualquer pessoa é ator. Acho que também somos
desvalorizados, por causa disso. Já fiz trabalhos com atores de formação e com
atores sem formação nenhuma e notam-se as diferenças. Porque uma pessoa que tem
formação tem as bases e sabe estar no local de trabalho e trabalhar a sério e
as outras pessoas não.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito até
agora como atriz?
T.O: Acho que vou evoluindo. Porque eu comecei a minha
carreira artística profissional no meu primeiro ano de faculdade e só aí um
grande avanço, enquanto estava aprendendo e no que diz respeito à experiência. Desde
que acabei a faculdade até agora, a nível de carreira, estou bem melhor e a
nível de trabalho, porque vou tendo contactos. Já estive no meu auge que foi o
“Aladino-O Musical no Gelo”. Passei da comédia ao drama, fui pelos clássicos,
pelo teatro experimental e de formas animadas, fiz revista à portuguesa,
musicais. Neste momento, formei a minha própria companhia: a Persona D’arte, com
uma outra atriz (Rafa Santos) e criamos a nossa peça infantil e levamos o teatro
às escolas. Numa loucura, concorremos ao Teatro Rápido e fomos aceites, vamos
estar nos fins-de-semana de Novembro, em Lisboa.ML
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