Estreou-se na representação em 1985, e desde então tornou-se numa das nossas atrizes mais brilhantes das últimas três décadas, cujo percurso igualmente brilhante passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão (onde entrou em produções como "Cinzas" (RTP), "Verão Quente" (RTP), "Polícias" (RTP), "Os Lobos" (RTP), "Ajuste de Contas" (RTP), "Ganância" (SIC), "Fúria de Viver" (SIC), "Queridas Feras" (TVI), "O Jogo" (SIC), "Mistura Fina" (TVI), "Dei-te Quase Tudo" (TVI), "Bocage" (RTP), "Quando os Lobos Uivam" (RTP), "Câmara Café" (RTP), "Doce Fugitiva" (TVI), "Casos da Vida" (TVI), "Feitiço de Amor" (TVI), "Destino Imortal" (TVI), "Sedução" (TVI), "Uma Família Açoreana" (RTP), "Sol de Inverno" (SIC), "Poderosas" (SIC). Encenadora e fundadora da companhia Teatro da Terra, gostava de viajar muito, recentemente co-protagonizou a peça "A Noite da Iguana", e atualmente participa na premiada telenovela "Amor Maior" que está em exibição na SIC. Esta entrevista foi feita no Hotel Quality Inn no Porto.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
M.J.L: Muito cedo. Eu
sempre gostei de dizer coisas às pessoas, de dizer poesia alto, de coisas que
eu gostava. Eu lia às pessoas as coisas que eu lia e que gostava muito e isso
foi bom a perceber que talvez a minha vocação fosse ser atriz. Comecei a
representar em grupos amadores e depois fui para o teatro profissional. Foi
assim o meu percurso.
M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
M.J.L: Tinha várias na
altura. Quando comecei, a minha grande referência era a Maria do Céu Guerra, e
tive a possibilidade de trabalhar com ela quando entrei para o teatro
profissional. Adorava a Maria do Céu Guerra, adorava o Luís Miguel Cintra, o
Jorge Silva Melo. Eram estas as minhas referências.
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora
como atriz, qual foi o mais marcante para si nomeadamente a nível tanto pessoal
como artístico?
M.J.L: Talvez o que mais
me realizou até hoje foi “Stabat Mater”. Foi um monólogo que eu fiz e que eu
adorei fazer pelo texto e pelo resultado final. Aquele texto colou-se a mim de
uma maneira que era completamente meu, portanto “Stabat Mater” era muito bom de
fazer.
M.L: Em 2010, participou na minissérie “Destino
Imortal” que foi exibida na TVI, na qual interpretou a vampira Lídia. Como é
que se preparou/inspirou para interpretar esta personagem, tendo em conta que o
universo vampírico era até então pouco explorado em Portugal no que toca ao
audiovisual?
M.J.L: Era muito teatral,
nós fazíamos uma coisa muito teatral. Era como fazer teatro em televisão.
Basicamente era isso, era imaginar uma personagem que não existe à partida e
era divertido de fazer. É um mundo que é divertido de explorar, que é
engraçado.
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| Catarina Wallenstein, Evelina Pereira e Maria João Luís na apresentação de "Destino Imortal" |
M.L: Celebrou 30 anos de carreira em 2015, desde que
se estreou como atriz em 1985. Que balanço faz destas últimas três décadas?
M.J.L: 30 anos são muito
tempo. Faço um bom balanço, acho que foi divertido, é divertido e há de
continuar a ser.
M.L: Como lida com o público que acompanha sua
carreira há vários anos?
M.J.L: Lido normalmente
como lido com qualquer outra pessoa. São seres humanos que estão à minha volta,
têm as suas opiniões sobre o meu trabalho e o meu trabalho é uma coisa de
exposição, está lá, é para as pessoas verem.
M.L: Além da representação, também tem experiência
como encenadora. Tendo em conta essa experiência, gostava de um dia ter a
coragem de experimentar outras maneiras de dirigir atores como, por exemplo, a
direção de atores em televisão?
M.J.L: Não, isso eu não
gostava. Não tenho grande vontade de fazer isso. É um trabalho muito maçador em
televisão, porque são muitas horas e estás ali sempre a olhar para as mesmas
pessoas e é tudo muito rápido. É um trabalho um bocadinho inglório às vezes.
Não é uma coisa que me dê muita vontade de fazer.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
M.J.L: Não sei o que
dizer. Acho que as pessoas devem procurar aprender tudo, saber fazer de tudo um
pouco, e depois uma escola de teatro. É o único conselho que eu posso dar.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
M.J.L: Viajar muito. Tenho muita vontade de poder
viajar, de poder ver o Mundo. Há muitos anos que não viajo.MLFotografia: Gustavo Bom/Global Imagens


