Começou como bailarina e notabilizou-se como actriz em 1963 ao estrear-se no cinema com o clássico de Paulo Rocha, "Os Verdes Anos", e desde aí tem desenvolvido uma longa carreira na representação que passa essencialmente pelo teatro e pelo cinema, tendo também trabalhado com realizadores como António de Macedo, Pier Paolo Pasolini, João Botelho, José Álvaro Morais, Teresa Villaverde, Manuel Mozos, Manoel de Oliveira, Pedro Costa, Raquel Freire, Fernando Lopes, Margarida Gil, Cláudia Varejão, Alberto Seixas Santos e Sérgio Tréfaut. Considerada como a actriz-musa do Cinema Novo português, tem a necessidade de renovar a sua vida constantemente, e recentemente participou na longa-metragem "Treblinka" de Sérgio Tréfaut e que estreou no passado dia 13 de Julho. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Julho.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
I.R: Quando o meu jovem
marido João D’Ávila descobriu que eu tinha vocação para actriz.
M.L: Quais são as suas referências, enquanto actriz?
I.R: Tudo o que me rodeia.
M.L: Começou como bailarina, antes de enveredar pela
representação. Já alguma vez se sentiu arrependida por ter deixado a dança para
abraçar uma carreira como actriz?
I.R: Nunca me arrependi.
M.L: Estreou-se nas telenovelas em 2000 com “Ajuste de
Contas” que foi exibida na RTP, na qual interpretou a personagem Marta. Que recordações
guarda da experiência de participar num projecto dessa natureza?
I.R: Fui das primeiras
jovens actrizes a fazer teatro e bailado quando a televisão surgiu em Portugal.
Depois de alguns anos a viver no estrangeiro e portanto afastada da cena
portuguesa, quando regressei voltei em força a fazer cinema e teatro. A minha
experiência em 2000 no “Ajuste de Contas” foi mais um desafio de que me posso
orgulhar.
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| Mário Jacques, António Montez, Rui Mendes, João Perry, Lia Gama, Sinde Filipe e Isabel Ruth em "Ajuste de Contas" |
M.L: É considerada como a actriz-musa do Cinema Novo
português. Tem saudades dessa altura específica do cinema nacional?
I.R: Não tenho saudades do
passado, não quero transformar-me numa estátua de pedra!
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| António de Macedo, Isabel Ruth e António da Cunha Telles com o produtor/Presidente da Academia Portuguesa de Cinema Paulo Trancoso |
M.L: Trabalhou frequentemente com Paulo Rocha que foi
um dos responsáveis pelo Cinema Novo português. Como olha para o percurso que
ele desenvolveu até ao seu falecimento em Dezembro de 2012?
I.R: Olho através dos seus
filmes…
M.L: É natural de Tomar, onde viveu parte da sua
infância. Tomar tem um significado muito especial para si ainda hoje?
I.R: Sim, tem. É lá que
guardo uma parte da minha infância.
M.L: Disse numa entrevista que teve e ainda tem uma
vida aventurosa. Na sua opinião, acha que devia haver mais espírito de aventura
na vida das pessoas?
I.R: Não me meto na vida
das pessoas, cada um vive como pode. Aventura significa para mim algo novo. Preciso
de renovar a minha vida constantemente, preciso de Conhecimento!
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
I.R: Aconselho que seja
honesto consigo próprio e se sente que a vida o encaminha para aí, que siga sem
medo e com humildade.
M.L: Olhando para trás, sente-se de certa forma
satisfeita com o percurso que tem desenvolvido até agora como actriz?
I.R: Acho sensato aceitar
o que a vida me tem dado. Estou grata.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
I.R: Gostava de fazer um filme com um realizador que
me enchesse as medidas…MLEsta entrevista não está sob o novo Acordo Ortográfico


