Entrevista com... Sofia Grillo (Atriz)
domingo, 10 de julho de 2016
Mário Lisboa entrevista... Paula Pais
Estreou-se como atriz profissional em 1991 e tem desenvolvido nos últimos 25 anos um percurso muito diversificado que passa por áreas tão diferentes como, por exemplo, o teatro, o cinema, a televisão, as dobragens e as locuções. Também passou pelo desporto, onde desenvolveu a prática de Ginástica Desportiva de Competição e Andebol como atleta federada, e integra o elenco da longa-metragem independente, "O Tempo e Dez Mulheres", que está em desenvolvimento pelo realizador/produtor/guionista João Paulo Simões. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Junho.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
P.P: Aos 13
anos, quando tive a disciplina de Drama Educativo no Colégio de Odivelas, foi
como um íman.
M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
P.P: Juliette Binoche, que
é uma atriz completa, e Rita Blanco.
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora
como atriz, houve algum que tenha um imenso carinho até hoje?
P.P: Tenho carinho por
vários, mas a "Rua Sésamo" (RTP) foi e é muito especial. Interpretei
a Gata Tita como se fosse um ser humano em gato, manipulei e dei voz a esta personagem,
tudo gravado em direto com as outras personagens, nos estúdios da Tóbis, foi um
grande desafio aprender a técnica Jim Henson, e uma oportunidade única de trabalhar
com Kermit Love e Jim Kroupa, da Children’s Television Workshop (atual Sesame
Workshop). Fui escolhida pelos americanos por casting, tive de passar por várias provas, e a seguir (eu a Gata
Tita, Jorge o Ferrão, e o Luís Velez o Poupas) ainda tivemos formação
intensiva da técnica Jim Henson. Depois fui escolhida para fazer "New Year’s Eve
on Sesame Street" para a Children’s Television Workshop. Fui convidada para ir trabalhar para a “Sesame Street”
nos EUA, mas infelizmente por razões pessoais não foi possível ir.
M.L: Em 1996, estreou-se nas telenovelas com “Primeiro
Amor” que foi exibida na RTP, na qual interpretou a personagem Adélia. Que
recordações guarda da sua estreia nesse género específico?
P.P: Também fui escolhida por casting e foi muito bom para mim porque tive a oportunidade de
contracenar com o grande Nicolau Breyner, e dirigida pelo grande Armando
Cortez, infelizmente estes dois monstros da representação já não estão cá, mas
deixaram uma marca enorme no nosso panorama artístico, e eu tive o privilégio
de ter trabalhado com estes dois grandes artistas que me ensinaram muito.
M.L: Na área desportiva, desenvolveu a prática de
Ginástica Desportiva de Competição e Andebol como atleta federada. A seu ver, as novas gerações de atores deviam praticar
Desporto como um complemento na representação?
P.P: Acho a prática
desportiva opcional, mas o exercício físico é fundamental, ajuda-nos a ter
melhor controlo e mais consciência do nosso corpo, melhor coordenação e
resistência tanto física como mental, e faz-nos sentir bem e mais saudáveis,
logo melhor preparados para viajar na transformação das várias
personagens.
M.L: Trabalhou com Raoul Ruiz na longa-metragem
“Combate de Amor em Sonho” em 2000. Como vê o percurso que ele desenvolveu até
falecer em 2011?
P.P: Sim! Produção de Paulo
Branco, mais um grande artista com quem tive o privilégio de trabalhar, grande
realizador e autor, também, de filmes diferentes, filosóficos e surrealistas. É
uma referência muito importante no mundo do cinema e em particular para os
estudantes de cinema.
M.L: Em 2016, celebra 25 anos de carreira, desde que
se estreou como atriz profissional em 1991. Que balanço faz destes 25 anos?
P.P: Tenho uma experiência
profissional muito variada, consegui fazer várias coisas que gosto muito, como
teatro, cinema, telenovelas, séries televisivas, dobragens, locuções, contar
histórias, dizer poesia, e também publicidade, gosto de olhar para trás e ver
tanta coisa diferente que fiz, sinto-me realizada e feliz por isso! Mas quero
continuar a fazer mais e mais, e nunca desistir independentemente de todas as
dificuldades.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
P.P: Estudar, fazer uma licenciatura em teatro,
assim têm mais hipóteses de arranjar trabalho.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
P.P: O que realmente me dá
prazer é interpretar! Seja de que forma for, mas tenho uma paixão pelo cinema,
por isso quero fazer mais cinema.ML
sábado, 9 de julho de 2016
Mário Lisboa entrevista... Judite Costa
O interesse pela representação surgiu naturalmente e tem desenvolvido um percurso como atriz que ainda tem muito para dar. Tem tido também experiência em outras áreas como a produção e recentemente co-protagonizou a curta-metragem "Quarto em Lisboa" de Francisco Carvalho e que foi considerado o Melhor Filme Português pelo Fantasporto. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Junho.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
J.C: Não posso dizer a
famosa frase ''desde que nasci'' (pelos seis anos queria ser florista e
astronauta!). Mas vá, desde muito nova! Não sei como surgiu essa ideia, sei que
quando surgiu fez todo o sentido e fiz de tudo para incluir os estudos teatrais
na minha formação escolar.
M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
J.C: Tive vários
professores maravilhosos, que me servem como referência e torna-se difícil
nomeá-los. Mas vou arriscar dizer João Paulo Costa e Maria João Vicente. Mas
num meio que apela tanto à criatividade também vou buscar referências à música;
ou então "aquele ator naquele filme"; toda uma panóplia.
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora
como atriz, houve algum que lhe encheu as medidas?
J.C: Ainda sou muito nova
e ainda tenho um longo percurso pela frente... Por isso, cada espetáculo, cada
trabalho é mais uma aprendizagem! No entanto, posso dizer que, apesar do palco
ser a "Mãe", eu me identifico mais com o trabalho em cinema. É um
processo que me ''enche mais as medidas''.
M.L: Como olha, hoje em dia, para o meio artístico
pelo menos desde os últimos 6 anos em que trabalha como atriz?
J.C: Eu considero que tenho
uma relação descomprometida com o meio artístico, porque como todos sabem,
viver como atriz é muito difícil ou quase impossível. Tenho o meu trabalho e
quando surge uma oportunidade que possa coincidir (ou que permita largar tudo)
vou atrás. Mas sinto que a relação
cultural-sociedade falha dos dois lados. Não há subsídios nem apoios (mostra
que as pessoas não percebem o verdadeiro valor da cultura e não falo só do
valor humano! Há cidades que vivem da cultura), mas ao mesmo tempo sinto que há
uma falha na comunicação com o público em alguns espetáculos (o que acaba por
afastar as pessoas do Teatro).
M.L: Tem tido experiência em outras áreas como, por
exemplo, a produção. De que forma estas experiências alternativas têm sido
gratificantes para si?
J.C: Muito gratificantes!
É um trabalho que me dá muito gosto de fazer.
M.L: Recentemente, a curta-metragem “Quarto em Lisboa”
de Francisco Carvalho, na qual co-protagonizou, foi considerado o Melhor Filme
Português pelo Fantasporto. Como é que se sentiu ao saber dessa premiação?
J.C: Fiquei muito feliz, é
claro! O Francisco Carvalho é um excelente realizador e estava rodeado por uma
bela equipa. É sempre um grande orgulho saber que o nosso trabalho é bem
recebido e que fomos capazes de dar vida às ideias do Francisco.
![]() |
| Judite Costa como "Joana" em "Quarto em Lisboa" |
M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido
até agora como atriz?
J.C: Um balanço muito positivo!
Conheci pessoas maravilhosas, tive experiências fantásticas... A pessoa que sou
hoje em dia deve-se a esse mesmo percurso!
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
J.C:
Gostava muito de tirar um curso de interpretação para cinema e de entrar numa
Longa-Metragem!ML
domingo, 3 de julho de 2016
Mário Lisboa entrevista... Mafalda Pereira
Começou a trabalhar na representação muito nova e tem desenvolvido um percurso como atriz com uma enorme determinação e empenho, lutando por um Mundo artisticamente melhor. Filha da artista plástica Deolinda Almeida, como atriz tem-se baseado essencialmente entre Portugal e Inglaterra e também tem desenvolvido um lado mais empreendedor ao criar vários projetos artísticos. Recentemente, participou em "The Misanthrope", a peça de Molière que celebra o seu 350º Aniversário em 2016 e que foi produzida pelos The Lisbon Players com quem tem trabalhado ultimamente. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Junho.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
M.P: Quando comecei a
fazer teatro aos onze anos percebi que era a arte que me permitia desfrutar o melhor
de mim enquanto ser humano, o prazer que me dá e ao mesmo a subjetividade e o
facto de provavelmente nunca saber avaliar o que é certo ou errado, apenas o
que é espontâneo ou não. Das artes é a que mais conforto e paz de espírito me
dá, costumo dizer que é um vírus, um amor platónico, uma adição sem o qual não
sei quem sou nem quero ser.
M.L: Quais são as suas referências, enquanto atriz?
M.P: Apesar de ser uma
jovem atriz portuguesa, a Sara Barros Leitão tem para mim tudo o que uma
geração de atores deve seguir, uma dedicação, um profissionalismo, um amor à
arte e um exemplo do que de mais belo se faz pela representação e pelos seus.
Quanto a atores mais
internacionais, tenho muitas referências, cresci fascinada com a versatilidade
de muitos atores que arriscam pela ousadia e transformação total em cada papel,
e é isso que procuro para mim, não me repetir.
M.L: De todos os trabalhos que tem feito até agora
como atriz, houve algum que a tenha feito questionar o Mundo e o que está à sua
volta?
M.P: O mais recente, a
"Maggy" na série "Lavender". Sinto que me salvou
internamente, estava num timing meio
instável a nível pessoal, à espera de um resultado de uma biópsia. Chegou o
guião para eu ler, e quando eu antes tinha pensado que caso fosse grave iria
abster-me de tratamentos que me iriam torturar mais que um cancro, ao ler a
força de uma doente como sempre me imaginei, forte, e não derrotada como me
estava a sentir antes de ler o guião, decidi, que quando eu tiver de passar por
algo assim, serei a "Maggy" novamente!
Sempre quis rapar o cabelo em personagem, sinto que é um privilégio, ainda não surgiu oportunidade que me permita abraçar a personagem nesse sentido, mas aguardo por algo assim.
Todas as personagens que vou fazendo são maneiras de viver mais do que viveria se não fosse atriz, questiono sempre, não a personagem, mas o mundo à sua volta, à "nossa" volta.
M.L: Como atriz, tem-se baseado essencialmente entre
Lisboa e Londres. Do ponto de vista artístico, Portugal devia aprender mais com
a Inglaterra?
M.P: Sem dúvida, estamos
sempre atrasados, somos pequenos, temos mais potencial do que aquele a que nos
permitimos, nós fazemos mais com menos, mas a mentalidade é o que mais está
lento, dou um exemplo muito prático, um ator, a não ser por questões
contratuais jamais deveria ter de dar a idade num casting, em Inglaterra fala-se em "Playing Age", é
ridículo que ainda tenhamos que ser julgados pela data em que nascemos, e
depois somos chamados para castings
para o qual não temos o perfil físico, porque um número não nos define... Para
não falar que tudo o que se faz em termos de queimar imagem é bem mais
imediato, lá está, mentalidade. O cinema independente, ou as produções
académicas entre tantas outras são normalmente pagas lá, mesmo que
simbolicamente, e cá, nem despesas na maioria das vezes. Eu quando tirei design também tive de pagar o meu
material, acho que mais ainda deveríamos pagar de alguma forma às pessoas que
dão vida aos nossos trabalhos, à semelhança do que se faz lá fora mais do que
se faz cá dentro.
M.L: Tem trabalhado ultimamente com os The Lisbon
Players que têm passado por tempos difíceis. Como olha para o percurso que a
companhia tem desenvolvido desde 1947 até agora?
M.P: Eu já só gosto de
estar em palco em inglês, o português é uma língua, quase que sagrada, é como
trabalhar talha dourada, é difícil encontrar projetos aliciantes na nossa
língua, já o inglês em palco, está agora em extinção... E é uma vergonha,
Lisboa está cada segundo mais cosmopolita, por isso é que não sinto falta do
multiculturalismo de Londres, mas é uma miséria abater a companhia mais antiga
e completamente autossustentável que são os The Lisbon Players, capitalismo e
miséria são sinónimos nesta história, se por ventura eu deixo de poder
trabalhar em inglês por aqui, ou volto para fora ou hei de fazer com que algo
de novo surja por cá.
![]() |
| O elenco e a equipa de "The Misanthrope", a mais recente produção dos The Lisbon Players |
M.L: Em paralelo com o seu trabalho como atriz, também
tem desenvolvido um lado mais empreendedor ao criar vários projetos artísticos.
A Mafalda empreendedora é indissociável à Mafalda atriz?
M.P: Frequentemente tento
reconcentrar-me na exigência da profissão, no entanto, o que acontece muito é
que surgem necessidades de mercado a mim e aos meus colegas que me fazem mexer
em projetos e ideias que nos dêem melhores condições ou que simplesmente não
nos deixem estagnar.
O grupo que criei em
Londres ou iniciativas que tenho guardadas em mente, só não estão na mesa por
personagens que vão roubando a prioridade e também pela falta de meios para os
concretizar da maneira que quero, mas quando houver tempo e dinheiro, passo a
redundância, volto a mexer neles, o mercado português precisa de evoluir,
expandir, e nós atores temos responsabilidade também.
M.L: É filha da artista plástica Deolinda Almeida.
Como vê a evolução que a sua mãe tem tido até agora nesta área específica?
M.P: Eu só tenho um dom
assumido, herdei as mãos da minha mãe, que pinta como ninguém, eu vejo-a como uma
artista pura, em estado bruto, sinto que jamais se adaptará ao sistema, e essa
é uma forma de expressão que vai fazer com que o valor que o trabalho tem não
tenha todo o reconhecimento que merece, eu vejo constante evolução plástica,
mas em como todas as artes vejo falta de exposição das obras e visão que está
por descobrir pelo público em geral.
M.L: Qual conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
M.P: Que como a Fernanda
Montenegro diz, que questione os motivos pelo qual o faz, oiço muitos jovens atores
a dizerem que começaram pela fama, e que mudaram, primeiro sinto que ao o admitirem
que demonstram maturidade, mas ao mais leve indício de desequilíbrio voltam a
demonstrar qual o chamamento base, na minha opinião, frágil. O que aconselho,
sim, aos restantes, que deixem que a cegueira canse os de espírito volátil, e
que vivam o momento, em paz com cada dádiva que é uma nova personagem, nós
pensamos demasiado, "onde é que vou chegar", importante é nunca parar
de viver o presente, as oportunidades vêm para quem não desiste e é sensato ao
saber que não vai viver disto, mas que se acontecer, melhor, mas que não conte
com o sustento da arte, nem com a fama... Não acredito em talento, nem em
sorte, acredito em profissionalismo e dedicação.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem desenvolvido
até agora como atriz?
M.P: Olhar para trás é
muito importante, não com rancor nem com presunção, mas como quem em vez de
fazer uma lista de coisas a fazer, mas sim de pequenas conquistas que se vão
fazendo, eu fiz esse exercício em Londres, tinha acabado de ter um colega a
entrar em "Game of Thrones" porque o sugeri para um casting, trabalhar como parceira de cena
com o James Phelps, um dos gémeos do "Harry Potter", ou até mesmo ter
estendido a roupa ou ter sido paga por uma curta-metragem que acabou à hora
prevista, enfim, devemos pensar mais se estamos no caminho certo para estar bem
no momento. O dia de amanhã não interessa, eu estou pronta para personagens
novas, o que mais tenho medo é de me repetir, sinto que não o costumo fazer
apesar das limitações de oportunidades, sinto que estou em constante evolução,
é nisso em que acredito, é isso que procuro.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
M.P: Quero muito fazer
mais Cinema e Televisão, cada vez mais e mais. Não me deixaram entrar nos Estados Unidos por terem visto na Internet que sou
atriz mas um dia, as "fronteiras" hão de cair.
https://player.vimeo.com/video/116612364
sexta-feira, 17 de junho de 2016
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