Entrevista com... Joana Santos (Atriz)
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Mário Lisboa entrevista... Lígia Roque
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
L.R: Desde muito nova que me interessei pela
representação. Apesar de ter sido uma aluna muito cumpridora e bem-educada, lembro-me
de estar irreverentemente em cima de uma carteira a personificar, à maneira de “Charlot”,
o (Adolf) Hitler. Lia os meus textos em voz alta para a turma, organizava
danças e teatros para as festas do liceu. Acho que sempre quis ser bailarina e
atriz.
M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
L.R: Eu sofro as minhas influências à maneira de (August)
Strindberg: um pandemónio de referências das mais diversas origens e feitios. Cada
encontro com outro artista, cada livro, cada peça, cada pensamento, cada acaso
me desviam despudoradamente do meu caminho, do meu caráter.
M.L: Faz, essencialmente, teatro. Gostava de trabalhar
mais no audiovisual (Cinema e Televisão)?
L.R: Há um tempo no teatro que me é
fundamental, um relógio biológico a que me habituei, mas a vertigem da rapidez
do audiovisual é muito atrativa. São maneiras de representar diferentes a
partir da mesma matriz. Não me preocupa tanto onde trabalho mas como e com quem
trabalho. Não gostaria nunca de estar sempre a fazer a mesma coisa, isso é a
única certeza que tenho.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, até agora,
durante o seu percurso como atriz?
L.R: Eu costumo dizer que é o próximo e estou mesmo a
dizer a verdade. Quanto maior ou mais complexo é o papel, mais peças tem o puzzle e mais possibilidades de jogo,
mas às vezes há momentos especiais na vida de uma pessoa que tornam a
quantidade de linhas de uma personagem um barômetro irrelevante. Devo dizer que
gostei sempre de interpretar as minhas personagens, mesmo quando o trabalho
corria mal, todas me marcaram porque todas contribuíram com as suas
caraterísticas para a minha vida. Houve uma que me ensinou a rir alto, outra
que me ensinou a sofrer com dignidade, outra a fugir de mim própria, outra a
desejar homens e outra a matá-los. Algumas surpreenderam-me pela clareza com
que falaram de mim e outras ensinaram-me a esconder coisas. E muitas tiveram
colegas maravilhosos que me ensinaram que todas devam estar sempre muito bem
acompanhadas.
M.L: Em 2010, participou na peça “A Gaivota” de Anton
Tchékhov, com encenação de Nuno Cardoso e esteve em cena no Teatro Nacional São
João no Porto. Que recordações guarda desse trabalho?
L.R: Guardo más recordações e boas recordações. As más
não são para aqui chamadas, obviamente, e as boas são as que guardo de todos os
espetáculos: a minha tentativa de encontrar de uma forma o mais surpreendente
possível uma possibilidade ficcional de existência em cena, a construção de um puzzle criativo de ações a partir de
palavras no papel, o nascimento de um “Frankenstein” a partir de pedaços de texto
dos autores, do encenador, dos atores, de todos os seres com que me cruzei, enquanto
a peça se construía. Guardo ainda muito boas recordações dos aquecimentos físicos
e da vista para o rio.
M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção
nacional?
L.R: A tentar desesperadamente
existir com dignidade artística num clima de asfixia política e monetária.
M.L: Gostava de ter feito uma carreira internacional?
L.R: Apesar de ter trabalhado com artistas de outras
nacionalidades e noutros países, gostava de o ter feito muito mais, embora isso
continue sempre presente nas minhas expectativas de colaboração.
M.L: Este ano celebra 22 anos de carreira, desde que
se estreou como atriz profissional em 1992. Que balanço faz destes 22 anos?
L.R: Tempo só o do teatro e balanço só o da dança. Foram
22 anos a acertar escolhas boas ou más e a tentar ser o mais feliz que me foi
possível. E acho que consegui de um modo geral.
M.L: Além da representação, também é encenadora e
professora. Em qual destas funções em que se sente melhor?
L.R: Gosto também muito de encenar
e de ensinar. Como atriz sinto-me sempre mais frágil do que como encenadora,
tenho muito mais dúvidas. Como professora sinto que faço um trabalho imediato
mais importante. É uma trilogia que se completa: odiaria ter de optar só por
uma função.
M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
L.R: Que seja sério no seu trabalho, que nunca se fique
pelas primeiras impressões, que leia e procure novas formas de fazer, que
treine o corpo, a voz e a alma e que procure o seu prazer e o prazer dos outros,
um prazer culto, inteligente e fruidor.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
L.R: Neste momento, interessam-me novas dramaturgias que
pensem o Mundo e que pretendo encenar. Tenho um projeto para mais tarde com o
João Reis, como atriz e pelo qual tenho imenso entusiasmo. Vou ainda repor em
Lisboa, “As Ondas”, a partir de Virginia Woolf, encenado pela Sara Carinhas com
As Causas Comuns da Cristina Carvalhal.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda nesta altura da sua vida?
L.R: Tantas coisas hoje e mais amanhã
e mais depois de amanhã. É esse desejo que me faz avançar, no teatro: querer
fazer o que ainda não fiz e continuar a descobrir e a imaginar coisas que ainda
não fiz e que quero mesmo muito fazer.ML
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Mário Lisboa entrevista... Bruno José
Olá. A próxima entrevista é com o produtor Bruno José. Desde muito cedo que se interessou pelo audiovisual, tendo começado a trabalhar na televisão com a série "Capitão Roby" (SIC, (2000), e desde aí tem desenvolvido um percurso que passa, essencialmente, pela televisão. Na televisão, trabalhou na NBP (atual Plural), e, atualmente, trabalha na SP Televisão, onde exerce a função de diretor-geral e trabalhou como produtor em produções como "Podia Acabar o Mundo" (SIC), "Perfeito Coração" (SIC), "Cidade Despida" (RTP), "Laços de Sangue" (SIC) e "Bem-Vindos a Beirais" (RTP), e gostava de internacionalizar a produtora e torná-la ainda maior. Esta entrevista foi feita no passado dia 30 de Junho.
M.L: Quando surgiu o interesse pelo audiovisual?
B.J: Desde criança que sempre tive um fascínio pela
televisão, mas nunca imaginei que viesse a trabalhar na área. O meu percurso
passou pela licenciatura em Relações Internacionais e só depois de ter
trabalhado na Unidade de Espetáculos da Expo’98 e nas Festas de Lisboa de 1999,
é que surgiu um convite para integrar a equipa de produção da série “Capitão
Roby” (SIC). Como nunca tinha trabalhado em televisão e tinha muita
curiosidade, aceitei de imediato.
M.L: Quais são as suas influências nesta área?
B.J: São muitas as pessoas
que me influenciaram na área da produção, mas no que respeita à ficção
nacional, não posso deixar de referir nomes como o do Raúl Soares, Rosana
Rasera, Pedro Miranda e Bruno Oliveira, bem como dos realizadores Manuel Amaro
da Costa, Patrícia Sequeira, Sérgio Graciano e Jorge Cardoso.
M.L: Trabalha, essencialmente, na televisão. Gostava
de, um dia, trabalhar numa produção cinematográfica?
B.J: Fiz uma
média-metragem com o Sérgio Graciano, o Tiago Marques e o Joaquim Horta,
intitulada “Ivanov Shortcut” e o processo foi muito interessante. Para além de
ser um grande consumidor de cinema, tenho uma avidez enorme de conhecimento,
daí que isso também passe por uma experiência numa produção cinematográfica
maior.
M.L: Na televisão, trabalhou na NBP (atual Plural), e,
atualmente, trabalha na SP Televisão, onde exerce a função de diretor-geral.
Que balanço faz do tempo em que está na produtora?
B.J: O balanço é muito
positivo. A SP Televisão é uma produtora que respeita muito os seus
colaboradores e motiva-nos todos os dias. Esta relação de confiança que existe
há sete anos é um desafio contínuo que nos obriga a querer fazer melhor e a
tornarmo-nos melhores profissionais. Atualmente, os projetos da SP Televisão
são sinónimo de qualidade e inovação, porque somos uma produtora independente e
temos de ser mais criativos e produzir melhor. Como costumamos dizer na SP
Televisão, “o sucesso faz-se com as pessoas certas”.
M.L: A SP Televisão é presidida pelo António Parente
que faz parte do grupo que criou a indústria da ficção nacional e com quem já
tinha trabalhado na NBP. Na sua opinião, qual é o legado que o próprio deixa na
ficção televisiva portuguesa (tendo em conta que ele é cofundador das duas
produtoras)?
B.J: O grande legado que o
António Parente deixa na ficção televisiva portuguesa é exatamente o da criação
de uma indústria de ficção. Ele é um visionário e o responsável pelo desenvolvimento
da produção de ficção nacional. Atualmente, os atores têm um mercado televisivo
muito maior do que aquele que existia nos anos 80 e o número de profissionais
que trabalham nesta área é muito considerável. Eu próprio sou um “filho” desta
mudança de paradigma. Por outro lado, é inegável que o aumento da qualidade da
ficção televisiva também se deve à perseverança do António Parente e ao seu
saudável desassossego, que acredito que nos levará ainda mais longe.
M.L: A SP Televisão existe, desde 2007. Como vê o
percurso que a produtora tem feito, desde a sua fundação até agora?
B.J: A SP Televisão tem
feito um percurso admirável e em sete anos de atividade foram produzidas 16
séries e 8 novelas. Inclusive, alguns dos nossos projetos foram vendidos para o
mercado internacional e conquistaram prémios, sendo de destacar o Emmy Internacional ganho pela
novela “Laços de Sangue” (SIC). Neste momento, mantemos uma parceria de
trabalho com a RTP e a SIC, começámos a produzir para os canais por cabo e em
breve vamos estar a produzir entretenimento. Tudo isto é resultado de um grande
investimento da SP Televisão e do know-how dos nossos
profissionais.
M.L: Qual foi o trabalho que mais o marcou, até agora,
durante o seu percurso como produtor?
B.J: A novela “Perfeito
Coração” (SIC) deixa muitas saudades e as séries “Cidade Despida” (RTP) e
“Bem-Vindos a Beirais” (RTP) são projetos dos quais me orgulho muito.
M.L: Foi produtor da telenovela “Podia Acabar o Mundo”
que foi exibida na SIC entre 2008 e 2009, da qual foi a primeira produção da SP
Televisão para o canal. Que recordações guarda desse trabalho?
B.J: Nesta novela, a maior
recordação é a do ambiente de trabalho que tínhamos. A equipa e o elenco eram
maravilhosos e estávamos todos conscientes que tínhamos de fazer uma excelente
novela para conquistar um novo horário de ficção nacional.
M.L: Como vê, atualmente, o audiovisual em Portugal?
B.J: Atualmente, o setor
audiovisual está num patamar de qualidade muito maior e cada vez mais competitivo
internacionalmente. Produz-se mais e melhor em Portugal, devido à inovação
tecnológica e à profissionalização dos recursos humanos. Temos talento
nacional.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
B.J: Nunca pensei nisso.
Na minha vida, as coisas foram sempre acontecendo umas atrás das outras e nunca
tive tempo para pensar numa carreira internacional. E acho que o meu processo
de aprendizagem e de realização pessoal ainda não se esgotou em Portugal, muito
pelo contrário.
M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na área do audiovisual?
B.J: O conselho que posso
dar é que é necessário ter vocação, formação, exigência e brio profissional,
abertura para levar a cabo uma aprendizagem contínua e procurar trabalhar com
os melhores profissionais da área.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até
agora, como produtor?
B.J: O facto de ter
começado como assistente de produção e depois ter desempenhado as funções de
produtor de elenco, produtor de locais, produtor de exteriores, planificação,
chefe de produção e diretor de produção deu-me um conhecimento vasto sobre esta
área. Toda esta base aliada à diplomacia da minha formação universitária e à
dedicação no trabalho, moldou seguramente a minha forma de estar no meio
empresarial. Até ao momento, acho que tenho tido muita sorte no meu percurso,
graças às empresas onde trabalhei e aos profissionais com quem me cruzei e que
apostaram em mim.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
B.J: Neste momento, começámos
a gravar a nova novela da SIC, “Mar Salgado”, e estamos a preparar a segunda
temporada da novela da RTP, “Os Nossos Dias”.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
B.J: Profissionalmente, gostava
de ajudar a internacionalizar a SP Televisão, torná-la numa empresa ainda maior
e encetar mais projetos diferenciadores e novos formatos. No meio disto tudo,
gostava de fazer uma viagem pela Austrália.
M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da
sua vida?
B.J: Gostava que o tempo
dilatasse para o dobro, para poder fazer ainda mais coisas.ML
domingo, 6 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
Mário Lisboa entrevista... Fátima Medina
Olá. A próxima entrevista é com a ex-profissional da RTP Fátima Medina. Prima da atriz Isabel Medina, desde muito cedo que se interessou pela Comunicação Social, embora não tivesse consciência disso, tendo concorrido a um concurso público para locutores de televisão promovido pela RTP, da qual ganhou, e a partir daí trabalhou no canal entre 1977 e 2006, onde exerceu, por exemplo, a função de jornalista, tornando-se numa das mais memoráveis profissionais que já passaram pela RTP. Depois de ter saído da RTP, foi sócia gerente da loja Sign-A-Rama Portugal entre 2005 e 2009 e adjunta do Gabinete do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça entre 2010 e 2013. Esta entrevista foi feita no passado dia 26 de Junho.
M.L: Quando surgiu o interesse pela Comunicação
Social?
F.M: Desde cedo, era ainda
adolescente, embora não tivesse consciência disso. O que acontecia era que
quando estudava, lia e interpretava o que estava escrito no livro de estudo,
fazendo-o para alguém, através de uma câmara imaginária, “posicionada” como se
de um estúdio de televisão se tratasse. Só muito mais tarde, quando me começaram
a fazer este tipo de perguntas, é que tomei consciência. Na altura era apenas
para comunicar o que estava a aprender.
M.L: Quais foram as suas influências nesta área?
F.M: Penso que nenhumas. Quando a
RTP fez o anúncio de que estavam a abrir um concurso público para locutores de
televisão, nem me passou pela cabeça concorrer. Estava a estudar e queria
terminar o meu curso, a minha Mãe sempre me ensinou que o que aprendemos é a
nossa mais-valia e que ninguém nos tira esse capital, nem nos pode cobrar imposto.
Fica connosco e é a nossa riqueza intemporal. Devo à minha Mãe essa grande
aprendizagem. Mas os amigos insistiram, levaram-me a um fotógrafo,
convenceram-me a tirar fotos e a enviar o Curriculum Vitae para a RTP… depois
de duas fases de testes, sem qualquer cunha, lá fiquei selecionada num grupo de
14, de entre 2.500 candidatos/as.
M.L: Entre 1977 e 2006, trabalhou na RTP, onde
exerceu, por exemplo, a função de jornalista. Que balanço faz do tempo em que
trabalhou no canal?
F.M: Um balanço muito bom. Vesti
mesmo a camisola, aliás como muitos colegas meus, embora a casa não tivesse
qualquer cultura de Empresa, no sentido de ter uma Missão, Valores, e soubesse
motivar os seus quadros que eram excelentes nas diversas áreas, tão técnicas
quanto se pode imaginar que uma televisão exigisse. Há alguns anos atrás nem se
pedia que a Gestão fizesse parte dos Currículos dos decisores, o que fez com
que muitos dinheiros públicos se desperdiçassem. Mas fizeram-se coisas
maravilhosas, e eramos como família! Trabalhávamos e ainda nos divertíamos.
Aprendi muito, tecnicamente, sobre Comunicação e até sobre relações humanas,
essas sempre complexas. Para mim era de certa forma, um grande privilégio
trabalhar numa casa tão criativa, uma área onde me sinto como peixe dentro de
água: fazíamos milagres de imaginação, de espetáculo, de comunicação! Estive na
RTP até 2006, altura em que me despeço, em que consigo convencer o Presidente (na
altura o Dr. Almerindo Marques) a deixar-me sair. O que o Presidente me disse
na altura era que “não deixava sair mais nenhuma cara de referência e que eu
ficava”. Assunto encerrado. Confesso que me senti elogiada e reconhecida no meu
trabalho ao longo de 28 anos na RTP, numa empresa que não tinha por hábito este
tipo de elogios… Mas o meu sonho era ir mais além, e três meses mais tarde,
voltei a falar com o Presidente, e muita explicação depois, e a garantia de que
não ia para a concorrência (SIC e TVI), lá me deixou rescindir o contrato de
trabalho.
M.L: A RTP celebrou, recentemente, 57 anos de
existência. Como vê o percurso que o canal tem feito, desde a sua fundação até
agora?
F.M: A RTP foi a pioneira, e a
grande escola de televisão. De lá saíram os trabalhadores que fizeram a SIC, a
TVI e mais tarde, outros canais por cabo. No início, a RTP era uma pequena
família que, no final da emissão, e de acordo com ex-colegas meus mais velhos
do que eu, e que estiveram nos primórdios da Empresa, “fechavam a porta dos
Estúdios à chave e iam todos tomar um copo, para descontrair e chamar o sono”. A
RTP será sempre uma referência e com as novas necessidades de gestão de meios
técnicos, recursos humanos e Conhecimento, poderá ser ainda melhor.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, durante o
tempo em que trabalhou na RTP?
F.M: Muitos, porque trabalhei na
RTP1, mas também estive no lançamento da RTP Internacional, fiz ainda parte de
uma equipa multidisciplinar que negociou com a TV Cabo novas tecnologias, a
televisão interativa de que não se falava sequer na época, uma vez mais, a RTP
foi pioneira. Depois de ter sido locutora, fui jornalista, apresentadora, fiz
reportagem em direto, dei aulas às “vedetas” de Angola, no Centro de Formação
da RTP aos jornalistas que apresentavam os principais programas informativos em
Angola. Todos os trabalhos me marcaram, porque tive a oportunidade de ter
valências multidisciplinares hoje em dia, o tal capital de cultura e
conhecimento que ninguém me tira nem com impostos (risos).
M.L: Como vê, atualmente, a Comunicação Social em
Portugal?
F.M: Necessária, como convém a
qualquer sociedade que se queira democrática.
M.L: É prima da atriz Isabel Medina. Como vê o
percurso que a sua prima tem feito até agora?
F.M: Um percurso muito bom, foi minha
colega na RTP durante anos, a Isabel é uma atriz cheia de valências, uma mulher
do seu tempo, gosto muito dela!
M.L: Também foi sócia gerente da loja Sign-A-Rama Portugal
entre 2005 e 2009 e adjunta do Gabinete do Presidente do Supremo Tribunal de
Justiça entre 2010 e 2013. Que recordações guarda destas duas experiências?
F.M: Boas recordações, como gosto
que aconteça. Ambas foram mais-valias de aprendizagem.
O
ter sido sócia maioritária de uma Empresa, de ter ido aos EUA aprender gestão, marketing, finanças e áreas operacionais
necessárias, foi uma experiência fascinante: adorei o que fiz, apesar de ter
atravessado o princípio desta crise económica, de ter tido menor sorte na
sociedade, mas que acabei por vencer com dois novos sócios que já estavam no
mercado há tempos e trabalhavam.
Quanto
ao Supremo Tribunal, tive a sorte e a oportunidade de trabalhar com o então
Presidente, Conselheiro Noronha Nascimento, um homem inteligente e culto, que
aceitou muitas das minhas sugestões para o melhoramento da Comunicação
Institucional, de que eu era responsável. Passámos a dar resposta a todos os
pedidos da Comunicação Social num período médio de meia hora, se o processo
mediático em causa não estivesse em Segredo de Justiça, e porque é público por
lei, o jornalista recebia essa informação diretamente no email profissional. Isto evitou grandes especulações de quem conta
o Processo defendendo só uma das partes, e fez gestão de Recursos Humanos e de
dinheiro, porque os funcionários do Tribunal deixaram de perder tempo a
imprimir processos extensos, e a atender jornalistas para preenchimento dos
formulários de acreditação de cada um.
M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na área da Comunicação Social?
F.M: Tem que ter vocação, e não
pensar que ser jornalista é moda, ou que ser jornalista é sinónimo de se
trabalhar em televisão e ser conhecido. Tem que ser imparcial, independente, cumprir
o Código Deontológico do jornalista, e gostar do que faz.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
F.M: Viajar por lugares que ainda não visitei, cumprir objetivos de Cidadania,
contribuir para causas justas, embora estes últimos, os tenha sempre feito ao
longo da vida…
M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da
sua vida?
F.M: Como o Presidente
do Supremo se jubilou, por Lei cai também todo o Gabinete, e eu caí com ele,
como Adjunta do Presidente para a Comunicação Institucional, fui considerada de
confiança, logo não renovaram o mandato, apesar destas nomeações não serem, nem
devem ser, partidárias. Gostava que este meu País tivesse maior capacidade de
emprego para os jovens e para os quadros altamente especializados, que acabam
também por ficar sem emprego. Gostava por isso que o meu próximo emprego fosse
numa área de ainda maior responsabilidade, porque sempre geri a minha carreira,
e que o pudesse encontrar em breve. Estou por isso disponível para todos os
desafios e oportunidades.ML
"Ruas Rivais"
Olá.
O "Mário Lisboa entrevista..." têm o prazer de apoiar a longa-metragem independente "Ruas Rivais". Realizada por Márcio Loureiro, co-escrita e produzida por Rute Moreira (http://www.mlisboaentrevista.blogspot.pt/2013/08/mario-lisboa-entrevista-rute-moreira.html), feita sem subsídios e com o apoio da Universidade Lusófona, "Ruas Rivais" é uma comédia satírica, uma critica social e um retrato
da história do YouTube e da comédia em Portugal, da qual conta com as participações de Rui Unas, João Manzarra, Salvador Martinha, Luís Franco-Bastos, Catarina Mira, António Raminhos, Luís Filipe Borges, João Paulo Sousa, Diogo Valsassina, Rui M. Pêgo e Fernando Alvim, e tem estreia marcada para o próximo dia 31 de Julho.
"Num bairro dos subúrbios, onde vinga a lei da rua, um grupo de adolescentes vai ser obrigado a superar-se e a desafiar os seus medos para conquistar o seu lugar no Mundo. No dia em que o Bocas (Adolfo Nunes) morreu, Nurb Di Street (Bruno Leça) perdeu a battle e o respeito nas ruas e abdicou de ser Di Street. Agora o Deus do Freestyle (Fernando Alvim) está disposto a dar uma nova oportunidade a Bocas se ele conseguir que se organize na street uma battle de hip-pop. Bocas usa de todos os argumentos para pedir a Cristóvão (Ruben Valle) que convença Nurb a confrontar-se em duelo com Mr. Pakistan (Tomás Neto). Mas, se por um lado, Nurb não é fácil de convencer, por outro, os interesses de Mr. Pakistan mudaram. Ele quer derrotar Mister U (Rui Unas), o chefe do gang que continua a dominar toda a zona. No dia em que Mister U se mete com Djubsu (Soraia Carrega), a grande paixão não correspondida de Cristóvão, instala-se a guerra entre os dois grupos. Os mais novos, antes rivais, unem-se contra os mais velhos, colocando em confronto talentos e ideologias. Talvez não fosse difícil para Mister U e os seus capangas ganhar aquela batalha, mas a vaidade e o deslumbre que os move perante "Os Pimbas", um grupo de famosos gangsters que apareceram com aliciantes promessas mas dissimulados objetivos, vai expor as suas fragilidades e torna-los vulneráveis."
O seguinte trailer de "Ruas Rivais":
https://www.youtube.com/watch?v=SbOCvVsUVRY
Mário Lisboa
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