Entrevista com... José Alves Fernandes (Ex-Profissional da RTP)
domingo, 30 de março de 2014
Mário Lisboa entrevista... Gonçalo Mourão
Olá. A próxima entrevista é com o realizador Gonçalo Mourão. Desde muito cedo que se interessou pelo audiovisual, e tem desenvolvido um percurso como realizador que passa, essencialmente, pela televisão, tendo trabalhado na produtora Plural Entertainment Portugal (ex-NBP), durante vários anos, onde realizou produções como "Ajuste de Contas" (RTP), "Jardins Proibidos" (TVI), "Olhos de Água" (TVI), "A Senhora das Águas" (RTP), "Sonhos Traídos" (TVI), "Saber Amar" (TVI), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Ninguém como Tu" (TVI), "Dei-te Quase Tudo" (TVI), "Doce Fugitiva" (TVI), "Deixa Que Te Leve" (TVI), "Mar de Paixão" (TVI) e "Doida por Ti" (TVI). Esta entrevista foi feita no passado dia 20 de Março.
M.L: Quando surgiu o interesse pelo audiovisual?
G.M: Desde muito miúdo, lembro-me
de construir estúdios com câmaras, iluminação, apresentadores e convidados. Tudo
em LEGO. Mas com 15 anos comecei a querer ser Realizador de novelas na (TV)
Globo e a tomar mais consciência do mundo audiovisual e, mais concretamente, da
TV.
M.L: Quais são as suas influências nesta área?
G.M: Séries, novelas brasileiras e filmes, mas sobretudo os bastidores de toda
esta área.
M.L: Como realizador, trabalha, essencialmente, na
televisão. Gostava de, um dia, realizar uma produção cinematográfica?
G.M: Não ambiciono, porque eu gosto do ritmo e da dinâmica da TV.
M.L: Qual foi o trabalho que mais o marcou, durante o
seu percurso como realizador?
G.M: A novela “Doce Fugitiva” (TVI). Por toda uma equipa que tive nessa altura.
M.L: Foi corealizador da telenovela “Ajuste de Contas”
que foi exibida na RTP entre 2000 e 2001 e protagonizada por João Perry. Que
recordações guarda desse trabalho?
G.M: Foi a primeira novela inteira que realizei e que deu direito a nome no
genérico. Recordo esses e outros atores ilustres e o apoio que a minha
equipa me deu.
M.L: Como vê, atualmente, a ficção nacional?
G.M: Com uma enorme evolução, falta só um bocadinho mais de tempo para os criadores
e apostar mais na escrita, mas já vejo uma melhoria acentuada nas últimas
novelas da SIC a esse nível. Tecnicamente já conseguimos ser superiores aos
Brasileiros.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
G.M: Carreira não digo, mas SIM a uma experiência de um ano ou meses. Digo isto,
porque valorizo muito a família e como tenho 4 filhos e sou bem-casado, não me
estou a ver a sair de Portugal.
M.L: Trabalhou, durante vários anos, na produtora
Plural Entertainment Portugal (ex-NBP). Que balanço faz do tempo em que
trabalhou na produtora?
G.M: No inicio muito BOM, nestes últimos cinco anos muito MAU. Má gestão das
pessoas e pouca comunicação interna.
M.L: A Plural Entertainment Portugal existe, desde
1992. Como vê o percurso que a produtora tem feito, desde a sua fundação até
agora?
G.M: Teve uma enorme evolução técnica nos primeiros 14 anos, depois estabilizou
em Bom, mas nos últimos cinco anos começou a haver pouco rigor na escolha dos
elementos técnicos e com os baixos orçamentos, menos qualidade.
M.L: O audiovisual tem estado em grande mudança nos
últimos anos. Sendo um profissional dessa área, qual é a sua visão, no que diz
respeito a essa mudança?
G.M: Até agora tem sido para melhor e espero que continue nessa ascensão.
M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na área do audiovisual?
G.M: Pense bem, porque isto é uma área de muito desgaste e pressão, por isso
temos de que gostar muito para fazermos bem e resistirmos.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até
agora, como realizador?
G.M: Muito bom. Se bem que nos últimos anos não tenho dado tudo por falta de
motivação. Lutei muito para corrigir problemas que hoje continua e ninguém liga
nenhuma e deixam andar. Fiz sempre o meu trabalho bem, mas só não me meti em
assuntos ligados às produtividades da empresa para quem eu trabalhei. Apesar de
quase exigirem isso dos realizadores acho que haviam lá pessoas para o fazer.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
G.M: Há muita coisa para fazer, mas, neste momento, não devo adiantar mais nada
sobre isso.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
G.M: Concertos de Música, para relaxar.
M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da
sua vida?
G.M: Nada de especial.ML
sábado, 29 de março de 2014
Mário Lisboa entrevista... Micaela Cardoso
Olá. A próxima entrevista é com a atriz Micaela Cardoso. Natural do Porto, desde muito cedo que se interessou pela representação, e tem desenvolvido um percurso como atriz que passa, essencialmente, pelo teatro, e, atualmente, está a participar na peça "A Cena" de Valère Novarina, com encenação da encenadora, dramaturga e atriz Renata Portas, e vai estar em cena no Teatro Carlos Alberto no Porto entre os dias 10 e 19 de Abril. Esta entrevista foi feita no passado dia 17 de Março.
M.L: Quando surgiu o interesse pela representação?
M.C: Aos quinze anos,
fechava-me na sala de jantar e brincava a ser outras figuras, outras pessoas,
outros eus.
M.L: Quais são as suas influências, enquanto atriz?
M.C: Não sei se consigo
designá-las... São aquilo que leio, filmes que vejo, música que ouço, mas
também o dia-a-dia, as pessoas na rua... O espetro aonde pode um(a) ator (atriz)
ir beber, é muito grande.
M.L: Faz, essencialmente, teatro. Gostava de trabalhar
mais no audiovisual (Cinema e Televisão)?
M.C: Sim, faz-me muita
falta fazer mais cinema, é toda uma outra linguagem, um universo muito distinto
do teatro.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, durante o
seu percurso como atriz?
M.C: Houve muitos
trabalhos que foram marcantes, e cada um foi especial à sua maneira, só assim
faz sentido, para mim, trabalhar, com paixão e dedicação e entrega. Houve, no
entanto, textos e personagens que me foram mais queridas e misteriosas, uma
delas “A Castro” de António Ferreira.
M.L: Entre 2001 e 2002, participou na telenovela “A
Senhora das Águas” que foi exibida na RTP, da qual interpretou a vilã Dulce Trovão
Pedroso. Que recordações guarda desse trabalho?
M.C: Bom, não foi um
trabalho que me enlevasse de sobremaneira, para ser franca. Penso que me é
difícil dominar o ritmo de uma novela e sobre ele fazer um trabalho com a
profundidade a que estou acostumada.
M.L: Como vê, atualmente, o teatro e a ficção
nacional?
M.C: Como deves imaginar,
por um lado, sinto uma grande tristeza ao ver que há estruturas que se
apagam e que tinham o direito de persistir, mas, infelizmente, a Cultura é
desconsiderada no nosso país. Em tempo de crise, a Cultura é ainda mais
necessária, mas não é assim que as coisas são vistas... Por outro lado, admiro
imenso a perseverança daqueles que, apesar de todas estas intempéries,
continuam a trabalhar.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
M.C: Não sei bem o que é
uma carreira, muito menos internacional... Como ouvi uma vez a Maria de Medeiros:
"Eu não tenho uma carreira, tenho um carreirinho...".
M.L: Tem desenvolvido, praticamente, o seu percurso
como atriz no Porto. Gostava de trabalhar mais em Lisboa?
M.C: Penso que o país não
é assim tão grande para que o trabalho tenha de ser divido entre esses dois pólos.
Nunca percebi muito bem essa coisa de Lisboa versus Porto, e, já agora, versus
o resto do país, que também existe e é real. Há muito boa gente a trabalhar
fora desses dois "centros", digamos assim, e a desenvolver projetos
culturais de um interesse extraordinário.
M.L: Qual o conselho que daria a alguém que queira
ingressar numa carreira na representação?
M.C: Recuso-me a dar
conselhos desse tipo, ou de qualquer outro tipo.
M.L: Que balanço faz do percurso que tem feito, até
agora, como atriz?
M.C: Profundamente
intermitente.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
M.C: Isso é mistério...
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
M.C:
Uma longa viagem... Uma viagem que dure, no mínimo, três meses...ML
domingo, 23 de março de 2014
Mário Lisboa entrevista... Marta Quelhas
M.L: Quando surgiu o interesse pelo teatro?
M.Q: Curiosamente, o
interesse pelo teatro surgiu apenas no final da minha licenciatura, em Cinema e
Audiovisual. Na altura, andava à procura de uma empresa onde conseguisse um
estágio e surgiu uma produtora, no Porto, ligada ao teatro que me deu essa
possibilidade. Confesso que, inicialmente, não sabia muito bem se me
conseguiria "adaptar", uma vez que a minha licenciatura, embora
ligada às artes, incidia muito mais no cinema e na televisão do que no teatro.
De qualquer forma, correu muito bem e, desde essa altura, que o
"bichinho" do teatro nunca mais me deixou indiferente.
M.L: Quais são as suas influências nesta área?
M.Q: O teatro, como não
era uma área prioritária na minha vida, tem vindo a ser descoberto com o tempo.
Os géneros que mais me fascinam são os musicais e a Revista à Portuguesa.
M.L: Qual foi o trabalho que mais a marcou, até agora,
enquanto produtora?
M.Q: O meu primeiro grande
desafio, em teatro, foi, sem dúvida, o "Aladino e a Gruta Mágica-O Musical
no Gelo”. Foi um projeto inovador que envolveu imensos custos e imensas
pessoas. Ter as operações controladas foi o mais importante. Foi o projeto
onde, a nível profissional, mais evoluí. Por muitos projetos em que me envolva,
este será sempre muito especial.
M.L: Atualmente, trabalha na produtora Yellow Star
Company. Que balanço faz do tempo em que está na produtora?
M.Q: A Yellow Star Company
é muito importante para mim, tanto a nível pessoal como profissional, embora
trabalhe com outras empresas. Trabalho com pessoas que, assim como eu, adoram o
que fazem e gostam de o fazer com qualidade e isso também é muito importante, principalmente,
para manter o equilíbrio. Estou vinculada à produtora há mais de um ano e
espero que assim continue, porque é um prazer enorme fazer parte desta equipa.
M.L: A Yellow Star Company foi fundada em 2010 pelo
casal Paulo Sousa Costa e Carla Matadinho e produziu produções teatrais de
enorme sucesso como “Os 39 Degraus”, “Aladino e a Gruta Mágica-O Musical no
Gelo”, “A Verdadeira História da Cigarra e da Formiga”, “Gisberta” e “Zorro”. Como
vê o percurso que a produtora tem feito, desde a sua fundação até agora?
M.Q: Como qualquer
empresa, em Portugal, é preciso que as coisas se façam com calma e com os pés
assentes. Claro que é preciso haver determinação e garra mas, por vezes, isso
só não chega. Felizmente, a Carla e o Paulo têm conseguido, na minha opinião,
levar a empresa ao crescimento e com grande sucesso. Temos trabalho regular e
somos reconhecidos nas áreas em que trabalhamos porque, embora a empresa esteja
muito ligada ao teatro, trabalhamos noutras áreas, nomeadamente, ligadas à
comunicação, onde também sou interveniente.
M.L: Também experimentou o cinema. Entre o Teatro e o
Cinema, em qual destes géneros em que se sente melhor?
M.Q: Quando me formei,
aquilo que eu queria mesmo fazer era produzir! Não me preocupava muito o resto,
desde que eu fizesse aquilo de que gostava. Eu sinto-me bem e feliz a trabalhar
em produção.
M.L: Como vê, atualmente, a Cultura em Portugal?
M.Q: Infelizmente, a Cultura,
em Portugal, quase não se vê. Não percebo como é que se gasta dinheiro em
assuntos que não trazem mais-valias para o povo português e depois não há
dinheiro para a Cultura. Espero que esta crise no país, e consequentemente
na Cultura, seja apenas uma fase menos boa a ser ultrapassada, num futuro
breve.
M.L: Gostava de fazer uma carreira internacional?
M.Q: Não penso muito
nisso. Estou ainda a iniciar uma carreira que desejo prolongar, durante muito
tempo. Gostava de fazer algumas formações, no Brasil, na área da produção de
televisão, mas "internacionalizar-me" não é um objetivo.
M.L: O meio artístico português enfrenta, atualmente,
uma enorme instabilidade. Na sua opinião, quais são os desafios que um produtor
tem que enfrentar, perante esta instabilidade?
M.Q: Como ainda estou a
consolidar algumas coisas e não sou produtora executiva, não sinto as
dificuldades na pele, ou seja, não monto espetáculos nem os faço circular. Mas,
por aquilo que vejo acontecer nesta área, é cada vez mais difícil fazer teatro,
em Portugal. Não há apoios e a maior parte dos teatros não tem capacidade
financeira de adquirir espetáculos. Há sempre o risco do espetáculo dar ou não
lucro porque, cada vez mais, as pessoas definem prioridades e uma ida ao teatro
pode ou não ser possível concretizar.
M.L: Que balanço faz do percurso profissional que tem
feito até agora?
M.Q: Ainda sou uma “bebé”!
Tenho a sorte de, às vezes, estar no lugar certo à hora certa, mas olhando para
trás e vendo aquilo que, em tão pouco tempo, consegui fazer, sinto-me orgulhosa
das escolhas que fiz e que continuo a fazer. É bom olhar para trás e perceber
que a determinação pode ser um dos nossos melhores trunfos. Se continuar a
fazer o que gosto e com quem gosto, então tenho a certeza que, daqui a uns
anos, pensarei da mesma forma.
M.L: Quais são os seus próximos projetos?
M.Q: Em relação a projetos
já fechados, tenho em cena, de dia 12 de Março a 13 de Abril, no Teatro da
Trindade, a peça “Boeing Boeing”, onde faço parte da produção. Ainda este ano,
tenho a rodagem de uma curta-metragem e um musical. Há também alguns
projetos em cima da mesa, mas ainda nada está fechado.
M.L: Qual é a coisa que gostava de fazer e não tenha
feito ainda?
M.Q: Uma coisa que eu gostava
imenso de fazer, e que já tinha em mente muito antes de entrar para a
faculdade, é televisão. É uma das áreas que eu nunca explorei e, isso sim, é um
objetivo que espero cumprir assim que possível.
M.L: O que é que gostava que mudasse nesta altura da
sua vida?
M.Q:
Assim de repente, não me lembro de nada. Tenho tudo nos lugares certos.
Considero-me, nesta altura, uma pessoa bem resolvida em todos os aspetos.ML
domingo, 16 de março de 2014
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